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Política
20-08-2015, 22h12

Planalto gerencia crise entre Levy e dupla Temer-Padilha

Peemedebistas estão contrariados com ministros da Fazenda e da Casa Civil
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O Palácio do Planalto administrou de ontem para hoje uma crise entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o vice-presidente da República, Michel Temer. O ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, que auxilia Temer na articulação política, também ficou contrariado com o colega da Fazenda.

O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, entrou em campo para jogar água na fervura. “Temer tem dado credibilidade ao governo na articulação política. Tem ajudado muito a presidente. E Padilha é um hábil negociador”, diz Edinho.

A crise teve início na quarta, quando houve tentativa de um acordo em torno de mudanças no projeto que voltou a aumentar tributos para setores da economia, a batalha da reoneração.

Senadores do PMDB e do PT queriam excluir o setor de transportes da reoneração. Temer disse que falaria com Levy para tratar do acordo. O entendimento previa votar o projeto tal como estava, a fim de evitar que voltasse à Câmara e se encerrasse de uma vez a votação do ajuste fiscal, mas incluir numa MP (Medida Provisória) o benefício ao setor de transportes.

Ríspido, Levy respondeu que, se fosse para fazer mais concessões, seria “melhor perder tudo de uma vez”. Temer se surpreendeu com a reação, mas devolveu, com ironia: “Entendi sua posição. O governo perde, o governo cai, e a gente vai embora de uma vez”.

Para azedar ainda mais o clima, Padilha prometeu a líderes aliados na Câmara liberar R$ 500 milhões para pagamento de emendas parlamentares, dizendo que Levy e Aloizio Mercadante (Casa Civil) haviam concordado com a medida. Depois, Levy disse a parlamentares aliados que Padilha entendera errado.

Foi o estopim para Padilha terminar a quinta dizendo que não pretende atuar mais na articulação política. Temer, por ora, continua com a tarefa. Achou melhor não se desvincular agora para não misturar esse tema com a denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Mas está chateado com Levy.

O ministro Edinho entrou em campo para tentar acalmar Padilha e Temer. A acusação contra Cunha parece ter ajudado indiretamente a deixar essa briga em segundo plano. Mas há insatisfação de Temer e Padilha com a ação de Mercadante e Levy, vista como sabotadora de um governo em crise, seja por inabilidade inata, seja por disputa de poder.

Brigar com Temer é a última coisa que Dilma pode fazer neste momento, mas o atual governo já provou que gosta de cometer erros, sobretudo quando ganha um folegozinho.

Comentários
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  1. Antonio José disse:

    “Todo Reino dividido contra si mesmo não pode subsistir.” Palavras de Deus Humanizado — Senhor Jesus Cristo. Falta humildade aos políticos e literalmente, senso de Justiça. E acho melhor parar por aqui.

  2. César disse:

    Os fatos mostram, como o governo administra as reformas, tão necessárias ao país. O que não deu certo até agora, continua a acontecer. O balcão de negócios, o mercado de trocas, a compra de votos no Congresso Nacional, com a liberação de verbas. A maneira petista de governar, que afundou o país no caos, não cessará, até que não haja mais recurso algum. Os parlamentares da base, são um poço sem fundo, com sede insaciável por recursos. O governo já está no fundo do poço e não tem mais fundo(recurso),para financiar a chantagem. O ministro Levy, assiste impotente o seu plano de reforma ser desfigurado pelos políticos. O conflito de interesses é gritante, e a corda sempre rompe do lado mais fraco. A Presidente precisa dos dois neste momento, mas, com a pressão dos movimentos sociais, que são a base de sustentação do governo e do PT, exigindo a saída do Ministro Levy, e com o Vice-Presidente Michel Temer ameaçando abandonar a articulação política no Congresso, talvez as coisas mudem e ela tenha que escolher, entre um ou outro. Quem será o mais necessário?

  3. Catching the Bull by the Balls disse:

    Já que Dilma vai poder respirar um pouco agora, deveria rever a nomeação de Levy. Levy tem proposto medidas puramente acadêmicas, tais quais as que se pode encontrar em livros didáticos sobre economia. São soluções clássicas, traduzidas de originais estrangeiros e criadas para cenários encontrados em outros países, que estão inclusive ultrapassadas para eles próprios.

    Fato é que o governo percebeu o aumento da inflação em 2014, mas não agiu. Esperou pelas eleições para depois implementar medidas de controle. E o caminho escolhido foi o do aumentar impostos, reduzir o crédito e os benefícios no setor produtivo da economia, evitando tanto quanto possível reduzir também o assistencialismo a fundo perdido.

    Mesmo antes de se implantar medidas desse tipo é possível prever os efeitos que provocarão. E o efeito é o da redução do consumo, acompanhado por recessão, por redução de tributos recolhidos e por redução de investimentos.

    E os preços, baixam? A teoria diz que sim, a prática prova que não. As empresas, que passam a trabalhar em regime de ociosidade e de excesso de capacidade instalada aumentam seus preços para que, mesmo com menores volumes de vendas, cubram os seus custos fixos. Os aumentos não são grandes, mas existem. E baixar o preço nem se cogita. Isto é o que acontece em situação normal.

    A anormalidade veio com os aumentos na energia e nos combustíveis, e que agora será agravada pelo retorno dos encargos sobre a folha. Para quem trabalha com insumos importados, a elevação do US$ aumenta o gasto com reposição dos estoques, até porque os impostos de nacionalização incidem sobre o FOB, alavancando o custo de formação de estoque.

    É um pouco mais complicado do que isso, mas resumindo é assim.

    O resultado disso é que, em função da redução de consumo (1), todas as compras de insumos são reduzidas em cascata invertida. O mesmo acontece com as necessidades de mão de obra e, como se sabe, o desempregado e sua família deixam de consumir reduzindo imediatamente seus gastos (2). Um fator realimenta o outro (1 e 2), gerando uma síndrome, um tipo de redemoinho que suga recursos que não conseguem se renovar, uma espécie de buraco negro econômico.

    Isto não é fácil de enxergar quando o indivíduo é funcionário público, ou quando é profissional do setor bancário. Já para quem tem formação na empresa privada estes fatores se tornam rapidamente cristalinos.

    É difícil explicar a um funcionário público, o qual recebe seu salário com precisão britânica, que uma empresa precisa demitir funcionários porque não tem mais caixa para pagar os seus salários. Pior é quando seria bom demiti-los já, enquanto ainda tem com o que pagar as rescisões.

    Funcionários públicos estão acostumados a gastar verbas, quer estas existam ou não. Não fazem a menor ideia de como é difícil ganhar dinheiro via produção. Ainda mais quando é preciso recolher pesados tributos.

    O problema da recessão em si é muito mais complexo, pois pode envolver fatores mercadológicos externos, assim como dívidas internacionais com juros e outros fatores de negociação comercial recíproca, mas ao que parece nem precisamos nos preocupar com isto agora.

    Além disso, uma nação que não está envolvida em um ritmo de produção desenvolvimentista não pode optar pelo assistencialismo. O clima recessivo é incompatível com investimentos governamentais de longo prazo (educação) e com os benefícios a fundo perdido (SUS, Minha Casa), assim como é totalmente incompatível com gastos e obras de infraestrutura em territórios não urbanizados (usinas, transposição de rios). Obras para eventos esportivos, nem pensar.

    Um fator interessante nas manifestações em favor do PT foi a dualidade da proposta de apoio: “Apoiamos Dilma, mas não toquem em nossos empregos ou nos direitos trabalhistas”.

    Sendo assim, o tempo de Levy já é passado. Ele foi um erro que precisa ser corrigido. Tudo o que ele propõe já foi tentado no passado, e deu errado. Ainda mais com a turbulência política que gera incertezas.

    • Hugo Paulo disse:

      O Primeiro parágrafo traduz a atuação do ministro. Um líder de nação, e um ministro da fazenda está incluído diretamente nesta liderança, deve agir visando o País como um todo e todos áreas, não somente a parte financeira.
      Um dos maiores absurdos, se não o maior, é que por esta teoria puramente financeira para equilibrar as contas aumenta-se a dívida pública por aumento da SELIC e reduz-se os investimentos no social. Urge adicionar ao ministro da fazenda uma pitada de direito administrativo, pois, o interesse público (nação) não pode ser sobrepujado pelo interesse particular (bancos).

  4. Giovanny disse:

    Catching the Bull by the Balls, muito bom seu comentário, muito catedrático também.
    Em suma, creio que o Brasil precisaria reduzir os juros para alavancar a produção e os empregos. Se os juros estão altos, se os encargos sociais estão altos, fica difícil para o investidor aplicar seu dinheiro sem um retorno previsível. Só cresce investindo, só investe com a mínima possibilidade de retorno. Do jeito que as coisas estão, com essa política do Sr. Levy, cada dia iremos afundar mais e mais.
    Ou voltamos a investir, donde o resultado é mais (em volume) impostos para os gastos obrigatórios do governo ou vamos em breve estar igual a Grécia. Potencial temos, vamos usá-lo.

  5. Alberto disse:

    Em casa de enforcado…. .

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