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Política
20-03-2015, 9h15

Planalto pode ser atropelado de novo pelo PMDB

Padrinho de Vinicius Lage, Renan aceita Henrique Alves no Turismo

Postado por: Daniela Martins

A presidente Dilma Rousseff poderá ser atropelada novamente pelo PMDB. Ontem, em reunião da cúpula do partido no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, Michel Temer, o PMDB fechou posição a favor de uma reforma ministerial e de uma redução de pastas e de cargos comissionados.

Em entrevista coletiva no mesmo dia, a presidente disse que não haverá reforma ministerial. O tom autoritário pode combinar com a força que ela tinha no primeiro mandato. Agora, no segundo mandato, Dilma está fraca. A afirmação foi um desastre. Inverteu um movimento de queda do dólar e gerou novo ruído com o PMDB. A ficha parece ainda não ter caído.

Não bastassem as trombadas que já aconteceram, Dilma bate de frente de novo com o PMDB. O governo tem uma capacidade endógena de produzir crises. São crises que nascem ou se ampliam por ações de dentro do governo. A discussão sobre uma reforma ministerial agora é um exemplo disso.

O ex-presidente Lula já está sugerindo a reforma faz mais de um mês, para resolver questões com o PMDB e apaziguar de vez a relação com o partido aliado.

O discurso do ex-ministro Cid Gomes na quarta, no qual ele disse que o PMDB chantageava o governo para obter mais ministérios, levou os peemedebistas a refletir se vale a pena a realização de apenas uma reforma do primeiro escalão.

Empresários têm se queixado de que Joaquim Levy (Fazenda) está aumentando impostos. O PMDB acha que colou a imagem de um governo que está exigindo sacrifícios do setor produtivo e dos trabalhadores, mas não faz gestos públicos para demonstrar que também está apertando os cintos.

Nesse contexto, o PMDB avalia que seria importante reduzir o número de ministérios. Para o partido, o ideal seria que houvesse de 20 a 25 ministérios. Hoje, Dilma tem 39 ministros. Alguns ocupam secretarias que têm status de ministério. Outros estão em cargos que possuem apenas status de ministro. No entanto, para a opinião pública, a imagem é de um governo que tem 39 ministérios. Isso poderia combinar com a força política da administração Lula. Não combina com a fraqueza de Dilma. Em política, é preciso se comunicar bem.

Renan Calheiros vai sugerir a Dilma reduzir o número de ministros. E o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pode colocar em votação uma proposta de emenda constitucional que reduza o número de pastas para 20, admitindo, nos bastidores, negociar para que fiquem 25.

Ontem, um problema entrou menor no Planalto, quando os jornalistas perguntaram sobre reforma, e saiu maior do palácio, quando Dilma deu a sua resposta. É muita inabilidade política para uma hora de fraqueza.

Se o PMDB quiser, pode atropelar Dilma. Ainda que a economia da redução de ministérios tenha um impacto pequeno nas despesas gerais do governo, seria um gesto popular e apropriado para o momento.

Mas a presidente parece que prefere dar declarações que aumentem o valor do dólar. A moeda americana está subindo, sim, por um efeito mundial. Mas sobe bem mais no Brasil por erros na economia no primeiro mandato e pela inabilidade política do governo Dilma.

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Renan aceita Henrique Alves no Turismo

A presidente Dilma deveria cumprir a promessa de dar o Ministério do Turismo ao ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves. Ele não se tornou ministro na virada do primeiro para o segundo mandato porque havia rumores de que ele poderia estar na lista de Janot.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, padrinho político de Vinicius Lage no Turismo, aceita que Henrique Alves vá para a pasta. E Vinicius Lage poderia ir para outro posto, de primeiro ou segundo escalão. Ou seja, Henrique Alves deve ir para o Turismo.

Há um debate sobre tirar a Integração Nacional da cota do PP, mas não é fácil, porque o partido elegeu 38 deputados federais e faz parte hoje do bloco peemedebista na Câmara.

O PMDB rejeita a Secretaria de Relações Institucionais, hoje ocupada pelo petista Pepe Vargas. Acha que sem uma reforma mais ampla, não faz sentido ficar com um pepino e receber a culpa por erros na articulação política que são da presidente e do PT.

O vice-presidente da República, Michel Temer, já tem feito articulações políticas. Ele ajudou a aprovar a medida provisória que reajustou a tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas e tem socorrido o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que negocia com o PMDB a aprovação do ajuste fiscal.

Dilma ainda tem de escolher o substituto de Cid Gomes na Educação. Mexer em algumas pastas é uma reforma ministerial. A saída de Cid Gomes facilitou esse movimento, mas a presidente, que está fraca, parece que não entendeu ainda o tamanho da sua fragilidade.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

2020-09-26 05:47:53