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Política
12-04-2015, 11h10

Agenda única, centrada em Dilma, desafia força de protestos

Apesar do desejo dos manifestantes, não há hoje razão para impeachment
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Postado por: ISABELA HORTA

Numa primeira avaliação, a tendência é que os protestos de hoje sejam mais fracos do que os realizados em 15 de março. Em Brasília, por exemplo, há menos gente na rua na comparação com um mês atrás.

Como os manifestantes tem um pleito difícil de ser atendido, porque pedem a saída da presidente Dilma Rousseff, isso pode ajudar a explicar a perda de força na comparação com os atos de março. Claro que é preciso aguardar os demais protestos ao longo do dia, sobretudo em São Paulo e Rio, para decretar a perda de força das manifestações.

No entanto, pelo que já se viu nesta manhã de domingo, houve um declínio. A falta de uma agenda mais complexa, como existia em julho e julho de 2013, tende a enfraquecer os protestos. Os atos de hoje continuam a ter uma reivindicação praticamente única e difícil de ser atendida. As palavras de ordem dos manifestantes estão concentradas basicamente contra o PT e a presidente Dilma Rousseff. Têm a capacidade de continuar a desgastar o governo, mas ao mesmo tempo, não conseguem dar um passo adiante.

Segundo a pesquisa Datafolha divulgada no último sábado, 63% dos entrevistados afirmam que, considerando tudo o que se sabe a respeito da operação Lava Jato, deveria ser aberto um processo de impeachment contra Dilma.

No entanto, na avaliação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não há elementos para responsabilizar a presidente. Janot estaria, então, entre os 33% de entrevistados que acham que não deveria haver a abertura do processo de impeachment. A avaliação de Janot é importante porque cabe ao procurador investigar a presidente.

No Congresso, também não há clima político para a instalação de um eventual processo contra Dilma.

Os movimentos de junho e julho de 2013 tinham uma agenda clara. Os protestos começaram para evitar o aumento da tarifa de transporte público nas capitais. Havia uma medida provisória que poderia interferir no poder de investigação do Ministério Público. Também se pedia mais recursos para saúde e educação.

Reagindo à pauta dos manifestantes, os parlamentares realizaram algumas votações. Então, os protestos de 2013, produziram uma agenda que foi parcialmente atendida.

Há ainda falta de politização entre os brasileiros. De acordo com o Datafolha, 64% dos entrevistados não sabem que Michel Temer (PMDB) assumiria a presidência caso Dilma sofresse o impeachment. Os números da pesquisa mostram que 36% dos eleitores nem sabem que Temer é o vice-presidente.

Mas os protestos de hoje mostram que a insatisfação contra o governo continua alta, como registrado na pesquisa Datafolha. Apenas 13% dos entrevistados consideram o governo “ótimo/bom”. Para 27%, a presidente Dilma faz uma gestão “regular”. Na opinião de 60%, a administração é “ruim/péssima”.

Em 1993, um ano após a saída do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Itamar Franco registrou 12% de aprovação. Em 1999, no começo do segundo mandato, Fernando Henrique Cardoso teve 13% de “ótimo/bom”.

Hoje, o Brasil vive um momento econômico ruim. Se a economia estivesse melhor, provavelmente, o número de pessoas que apoiariam um eventual processo de impeachment seria menor.

A estratégia política de Dilma de dar mais entrevistas e fazer mais discursos está correta. Apesar de ainda estarem baixas, as taxas de aprovação da petista pararam de cair. Ou seja, se o governo não tivesse adotado essa estratégia, a crise seria ainda pior.

Segundo auxiliares, a presidente precisa entrar no ritmo de jogo novamente. Dilma realizará, então, uma rodada de entrevistas internacional para, depois, falar com jornalistas brasileiros.

A indicação de Temer para cuidar da coordenação político do governo também foi um acerto. Apesar dos presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda estarem impondo obstáculos ao governo, a crise com o Congresso arrefeceu. A indicação do vice-presidente também foi bem recebida pelo mercado.

A presidente tem uma dura travessia pelo deserto. É muito complicado para um governo registrar uma taxa tão baixa de avaliação com tanto tempo de segundo mandato pela frente. Isso desgasta ainda mais a relação da presidente com os parlamentares. E ainda haverá, de acordo com especialistas, uma recessão econômica.

Em resumo, parece que Dilma atingiu o fundo do poço. Cabe a ela parar de cavar e construir uma escada para sair do buraco.

Ouça o comentário feito às 10h53 na CBN:

Escute o comentário feito às 8h54 na CBN:

Comentários
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  1. Daniel disse:

    Acredito também que vai ter menos gente na rua, porem a ideia não podemos mudar que só assim podemos ter mudança;mas esta mudança e demorada devido a cúpula que também estas envolvida nos escandados votam e bloqueiam informações esclarecedoras para não se comprometerem também.

  2. Sérgio Afonso disse:

    …”difícil de ser atendido”…, porque somos cordeiri-
    nhos. Se tivéssemos sangue puro correndo nas veias a
    história seria outra. Já teríamos botado todos esses
    vagabundos pra correr faz tempo. Infelizmente a solida-
    riedade, apesar de dizerem o contrário, não é o forte
    do brasileiro. Então a gente vai levando…..

  3. Alberto disse:

    O fato da maioria dos brasileiros se quer conhecerem quem é o vice presidente do Brasil é fruto de uma consciência cultuada pelas nossas próprias campanhas “eleitoreiras” e forças partidárias com aval do próprio TRE, que prestigiam o candidato a presidente como se ele fosse vitalício durante seu período de governo, e relega a segundo plano como coadjuvante o candidato a vice presidente que tem por atribuições substituir o presidente da república em viagens, em situações de risco eminente contra o ESTADO, e até em caso de Impeachment do Presidente. Então acredito sim que algo tem que mudar para conscientização da população sobre a importância do vice presidente e como funciona o processo de Impeachment, mas credito essa responsabilidade ao TRE, e aos partidos políticos, por que afinal de contas a velha política de manter o povo “Analfabeto político no Brasil” já não funciona mais e não se sustenta, é preciso que os partidos políticos entendam o recado das ruas ” SEM POLÍTICOS HONESTOS, SÉRIOS, COMPROMETIDOS COM O PAÍS E O POVO, E COM POLÍTICOS SERVIL AOS INTERESSES APENAS DO SEU PARTIDO” o país acabará tendo sua economia implodida e o povo voltando a era do terceiro mundo, com a diferença apenas que será em plena era digital.

  4. Inides disse:

    Bom, se hoje não há motivo aparente para o Impeachment da Dilma, o Collor de Melo vai ter que entrar na justiça e pleitear seu mandato de volta, pois por menos de 10% do que aí está sendo provado, ele foi destituído do poder. Advinha quem era um dos líderes a inflar o povo para que isso acontecesse? Pois é, a pimenta só arde no nosso olho. No dos outros nós não sentimos. É fácil jogar pedra da vidraça dos outros, pois na nossa dá prejuízo. Hoje ele não estão querendo esse prejuízo, pois pelo pouco que aparece na imprensa, o prejuízo seria de grande monta.

  5. Wildner Arcanjo disse:

    O problema kennedy é fácil de entender. Boa parte foi para a rua desinformada do quê, e pelo quê, ia se manifestar. Essa parcela começou a acompanhar os fatos e descobriu que o boi pintado de verde-amarelo na verdade é cinza. Com o congresso votando a MP da terceirização contra os direitos da população ficou definida, com certeza, a tonalidade de cinza do boi. Aí o povo deixou de ser gado para ser bezerro novamente.

  6. pedro disse:

    Cada vez fica mais evidente que não se trata de manifestações populares e sim de terceiro turno das eleiões, promovido pelas forças que perderam, PSDB (embora escondido atua nos bastidores) Força Sindical, movimentos que pedem transparência mas suas lideranças são desconhecidas, e basta olhar o perfil dos manifestantes divulgado pelo datafolha para ver que está longe de ser um movimento popular e sim uma revolta da elite que não se conforma em perder a elieção. Cuidado ! Vc que está descontente com o governo não deixe ser manipulado por essa elite que se transvesti de movimento popular para conseguir o que não conseguiram nas urnas. Reflita, se fossem realmente contra a corrupção porque não pressionam o governo de SP a aprovar a CPI do Metrô ? A justiça já ofereceu denúncia contra as empresas do cartel do Metrô mesmo assim as menifestações (da elite) se calam e aceitam passivamente a corrupção do governador de SP assim como fizeram no passado quando governaram o país.

  7. Leila Maria Rinaldi Vieira disse:

    A coisa que mais me chama atenção na nossa política, é a questão de que “o que já aconteceu não precisa ser lembrado”… Na minha maneira de pensar “Crime é Crime” e, os descasos com a população e a grande quantidade de erros políticos, não poderiam ser esquecidos nunca. A História do Brasil está cheia de incompetências políticas causando tragédias para a população arcar sempre com as responsabilidades. Enquanto os políticos estão sempre numa boa. É bom lembrar que até na época dos militares, os políticos eram, na maioria, os mesmos que aí estão!!!!!!! Será que estou errada?
    Afinal: Quem são os corruptos? Nós, o povo que agimos como “vaca de presépio”? A ordem é: Fora Dilma! Mas, nem sabemos porquê ou para quê estamos pedindo isto, neste mar de corrupção que já estamos acostumados a conviver. É preciso começar a entender como agem e quais as consequências dos atos de cada um: vereador, prefeito, governador, deputado, senador, juntamente com a presidente e, não esquecendo do judiciário que nunca é verificado por nós. É difícil??? Mas não é impossível compreender para participar! Precisamos parar de falar sobre o que não entendemos e procurar conhecer fatos e atos que acontecem no país. Fico com vergonha de dizer que isto que temos é Democracia.

  8. César disse:

    O governo pode estar comemorando antes da hora. A Operação Lava-Jato continua e os protestos também. A 11º fase da Operação Lava-Jato prendeu Pedro Corrêa e o seu primo sugeriu que ele poderia vir a tentar acordo de delação premiada, dizendo que se ele falar pode passar a república à limpo. Apesar da estratégia adotada pelo Sr. Eduardo Costa para tentar atrapalhar os investigadores e o Ministério Público, mudando a versão do seu depoimento, pessoas sérias e competentes trabalham para trazer toda a verdade à tona. Este senhor Eduardo Costa está muito bem orientado por seu advogado. Só que pode estar dando um tiro no próprio pé com esta estratégia. Poderá ter a sua delação premiada revogada. Porém deve ter calculado o risco. Tem muitas coisas em jogo, e muita gente poderosa envolvida, os melhores escritórios de advocacia contratados para defende-los e até o interesse do ministério da justiça e do governo federal, que tem o tesoureiro de seu partido entre os envolvidos com o recebimento de propinas em forma de doações legais. Mais de três dezenas de parlamentares do Congresso Nacional e entre eles os Presidentes da Câmara e do Senado. A filha de um Ex-Presidente da República e Senador, Ex-Governadora, de uma família influente e poderosa, também tem o nome citado. O caso pode inclusive levar ao impeachment de Presidente da República. Além de que estas pessoas, inclusive tem influência no Supremo Tribunal Federal, que tem os seus ministros indicados pelos Presidentes da República e sabatinados pelo Congresso Nacional para ter o seu nome aprovado para o cargo mais alto da justiça do país. Os investigadores do caso, o juiz Sergio Moro, os Delegados da Polícia Federal, os Promotores de Justiça, estão sob forte pressão e necessitam do apoio do povo para não sucumbir. Precisamos ajuda-los com o nosso apoio, para chegarmos a uma limpeza das instituições do país. Esta Operação não tem comparação com nenhuma outra já realizada no país, ela se assemelha mais a Operação Mãos Limpas da Itália, que levou vários mafiosos para a cadeia além de empresários e políticos e extinguiu vários partidos políticos. Muito está em jogo para o povo brasileiro. Se queremos um país melhor, teremos que modificar as estruturas corrompidas da política e das instituições brasileiras. Sem isto mudaremos nomes, mas não mudaremos nada. A estrutura apodrecida por dentro, precisa ser radicalmente modificada e preenchida com sangue novo e isto só será possível com os resultados da Operação Lava-Jato e com a exigência do povo por mudanças. Se pararmos de brigar entre nós por partidos políticos, se pararmos de defender políticos, se cortarmos os laços com as oligarquias que nos governam desde sempre, se descontinuarmos as capitanias hereditárias de várias gerações e gerações seguidas de políticos que perpetuam os seus sobrenomes no poder, passados de pai para filho e deste para o neto como herança de família, estaremos entrando em uma nova era, para a política e para o país, e a corrupção poderá vir a ser algo do passado muito em breve. Se deixarmos passar a oportunidade de mudarmos o país, e tudo acabar em pizza, seremos sempre os escravos de nós mesmos, escravizados pelas nossas fraquezas e pela covardia de enfrentarmos os nossos medos de mudarmos para melhores e sermos os donos dos nossos destinos. Saia do conforto de sua casa e ajude a salvar o nosso Brasil ou fique ai deitado em berço esplêndido ou sentado em frente ao seu televisor, assistindo o país ser fatiado em capitanias hereditárias pelos governadores gerais que nos escravizam, nos achacam com impostos e taxas e acham que ainda somos a sua colônia extrativista, e não uma república, um país uma nação. A camisa verde e amarela que é vestida para demonstrar o nosso orgulho de sermos brasileiros durante às copas do mundo também é a mesma camisa que o país agora clama para que vistamos em sua defesa, e em defesa dos nossos interesses. Os políticos perderam a condição de nos representarem e de modificarem as leis em nosso nome, em nome do povo brasileiro. Representam apenas a eles mesmos e aos seus interesses pessoais, de enriquecimento ilícito e de poder eterno. Se não apoiarmos agora as investigações e aos que tentam combater o crime e as quadrilhas que se infiltraram nas entranhas do governo e do poder, talvez amanhã, não teremos outro Juiz Sergio Moro, assim como agora já não temos outro Ministro Joaquim Barbosa para nos ajudar a endireitarmos o Brasil. Pensem bem! Que tipo de país que deixaremos para as futuras gerações! Escolheremos entre o eterno país da “pizza italiana” ou o país das “mãos limpas a lá Itália”. Se não limparmos o país, eles (os políticos) corruptos nos limparão. Quando o povo realmente quis mudar, com o Movimento das Diretas Já, retirou do poder até o Exército Brasileiro, porque agora não vamos conseguir retirar alguns corruptos que se apropriaram indevidamente do Estado brasileiro. (???) Na constituição brasileira está escrito que: “Todo poder emana do povo”. Basta o povo querer! Lembrem-se: Querer é poder!

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