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Política
11-07-2019, 20h16

Poder de fato está no Congresso

Rodrigo Maia manda recados para Bolsonaro e Guedes
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Poder não tem vácuo. O presidente Jair Bolsonaro abriu mão de fazer articulação política. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ocupou esse espaço. Maia é o grande vitorioso ao aprovar uma reforma da Previdência com placar tão expressivo. Ele mostra que o poder de fato está no Congresso.

Na prática, o Brasil está vivendo um semipresidencialismo, no qual o Legislativo federal ganha musculatura em relação ao Executivo. Dilma sofreu isso com Eduardo Cunha. Temer topou por questão de sobrevivência e estilo político. Esse misto de despreparo e estratégia de governar pelo caos, tentando emparedar o Congresso, leva Bolsonaro a conviver com esse semipresidencialismo na prática.

Bolsonaro atrapalhou bastante todo o processo de tramitação da reforma da Previdência com declarações agressivas e desastradas, muitas delas em relação ao Congresso e políticos. Mas o presidente aceitou entrar no jogo de liberar emendas parlamentares aos 45 minutos do segundo tempo. Fez exatamente o que outros presidentes fizeram.

Ontem, com um placar de 379 contra 131, a Câmara aprovou o texto-base da reforma da Previdência. O campo conservador esmagou a esquerda, mas não foi liderado por Bolsonaro. Foi conduzido por Maia, que deu recados duros em discurso antes de anunciar o resultado.

Maia disse que a Câmara deverá aprovar uma reforma tributária sem diminuir carga de impostos. Disse que era mentira falar em reduzir carga tributária _uma cacetada em Paulo Guedes, ministro da Economia.

Aliás, Maia não citou Bolsonaro nem Guedes no discurso. A agenda econômica que anda é a do Congresso, a de Maia em particular. A agenda do Executivo está em segundo plano.

Em seis meses de governo, a Fazenda continua fazendo planos para apresentar depois de aprovada a reforma da Previdência. Enfim, ali tem pouca gente que entende de administração pública. Sobra gente que acha que administrar um país é o mesmo que dirigir uma empresa. Não é.

Ponto importante do discurso de Maia: ele criticou o que chamou de ataque às instituições. Disse que o STF e Congresso sofrem ataques, uma indireta clara para o bombardeio da extrema-direita bolsonarista nas redes sociais. Esses ataques são muitas vezes estimulados e feitos pelo presidente, seus filhos e aliados.

Maia é um conservador esclarecido e não um regressivo como Bolsonaro. Cresceu como político. Eu o acompanhei nos últimos 20 anos cobrindo política em Brasília.

Sob a batuta de Rodrigo Maia, foi costurada a aliança DEM-PSDB-Centrão para desenhar a reforma que Guedes atacou há um mês quando o relatório de Samuel Moreira, deputado federal do PSDB paulista, foi aprovado na Comissão Especial.

A liberação das emendas parlamentares trouxe Bolsonaro para a realidade e contradisse essa estratégia de ficar em estado permanente de campanha eleitoral.

Maia enfrentou a demonização da política. Isso é bom. A oposição precisa compreender esse tema melhor para adotar estratégia mais eficiente. Quando o governo apresentou a sua proposta de reforma da Previdência, críticas da oposição inibiram setores conservadores a querer mudar as regras de BPC (Benefício de Prestação Continuada) e de aposentadoria rural, por exemplo. Mas ontem no plenário a oposição ficou a ver a navios e ainda teve defecções.

Na partida final e decisiva, a oposição levou uma goleada. E o placar superou as previsões mais otimistas. Na hora em que ficou claro que haveria a aprovação de uma reforma, muitos deputados que resistiam às mudanças, inclusive da oposição, acabaram embarcando no último minuto para dividir os espólios de guerra.

Ouça abaixo dois comentários feitos no “Jornal da CBN – 2ª Edição”. O primeiro foi ao ar ontem, antes da aprovação da reforma da Previdência. O segundo ocorreu hoje, analisando a vitória de Maia no Congresso. A parte sobre a reforma da Previdência no comentário de hoje começa aos 5 minutos e 32 segundos no segundo áudio:

Comentário de 10/07/19

Comentário de 11/07/19

Comentários
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  1. Pelo que vejo estamos pisando em cima de MINA

  2. walter nobre disse:

    O joguinho do DEM, já estava escrito Kennedy, como em todos os governos, são lacaios, sem cacife; quem sonha alto com isso, além do “NHONHO”, é o pequeno polegar da Bahia, o Magalhães…estão demonstrando ao governo, que vão chantagear, em todas as votações importantes; querem garantir uma certa hegemonia, não dá para afirmar que estão no comando; tem muita divisões; como não há o toma lá dá cá…terão que trabalhar muito, para manter o comando no dia a dia…vale inclusive ao presidente e seus ministros; devem trazer o Povo a Brasília, em todas as votações capitais.

  3. Wellington Alves disse:

    Realmente é uma pena a oposição desorganizada. Mas, com esse atual governo caótico, já vejo parlamentarismo com bons olhos.

  4. Sonia Maria Nogueira Passos disse:

    Em primeiro lugar gosto do seu profissionalismo e competência jornalística.
    Agora vem a parte ruim! Não posso acreditar que vc apóia essa reforma ( como está agora)
    Não sou especialista,porém,sei ler e ouvir,e é de uma crueldade sem fim. A classe abastada, incluindo o políticos, militares(graduados) e judiciario,não vai sentir esse baque que a classe humilde,ou assalariados, trabalhadores rurais,vão sentir.Nem consigo imaginar como será ficar com dinheiro em gotas e pagando tudo( água, energia,gás, remédios…e outras despesas básicas. Que é preciso reformar,com certeza,mais uma reforma justa,que não caia no lombo de quem tem menos pra oferecer. Nos ajude enquanto é tempo.

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2019-09-18 20:50:39