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Geral
14-02-2014, 14h11

Poder público deve dialogar com todos os manifestantes

No mundo inteiro, processos de paz exigiram negociação com grupos violentos
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É, sim, papel do poder público buscar diálogo com movimentos radicais que recorrem à violência nas ruas. Uma coisa é usar a lei para prender e punir quem a desrespeita. A conduta ilegal sempre deve ser combatida com rigor.

Outra coisa é procurar estabelecer canais de diálogo que levem esses movimentos a abandonar a violência e a utilizar os canais legais e democráticos para expressar suas reivindicações.

No Reino Unido, foram fundamentais as negociações com o IRA, sigla em inglês de Exército Republicano Irlandês. O Sinn Fein, braço político do grupo, teve êxito para convencer os defensores da luta armada a se aposentar.

Na Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos tem travado diálogos de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para que façam parte do processo político-eleitoral do país. A ONU (Organização das Nações Unidas) busca acordos entre facções em luta na Ucrânia, na Tchechênia e na Turquia, por exemplo.

Portanto, para tentar acabar com a violência das manifestações no Brasil será necessário usar a lei contra quem desrespeitá-la e a palavra em relação aos que saem às ruas de forma violenta, sejam black blocs ou sem-terra.

No atual contexto, foi correta a decisão da presidente Dilma Rousseff de se reunir com a cúpula do MST (Movimento do Sem Terra) nesta quinta, em Brasília, um dia depois de violento conflito entre manifestantes e policiais. Alguma forma de diálogo com black blocs e afins também se faz necessária.

Isso não significa tolerância com métodos violentos. Tampouco estímulo a quem comete crimes. No que diz respeito a essas condutas, já existem leis. E devem ser discutidas propostas como a apresentada pelo secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. O secretário propõe a criação do crime de desordem pública.

O debate sobre uma lei para criar o crime de terrorismo deve ser realizado com cautela, para evitar a criminalização dos movimentos sociais e a opressão dos cidadãos. A política de combate ao terror dos Estados Unidos, com licença legal para extrapolar, criou o monstro do maior caso de espionagem e invasão de privacidade de que se tem notícia na história.

Moderação e equilíbrio não são sinônimos de fraqueza. A recusa ao diálogo da parte do Estado seria a adoção pura e simples da estratégia do porrete na mão. O Brasil não precisa disso. A história está cheia de exemplos de que esse seria o caminho da barbárie e não o da civilização.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Comentários
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  1. FGC disse:

    Parabéns pelo seu comedimento, Kennedy. E parabéns por ter coragem de pregar a moderação, considerando que atualmente o radicalismo (em qualquer situação) é a bola da vez!!

    Mas se prepara, porque daqui a pouco vão começar os comentários no estilo “seu hipócrita”, ou “é porque não foi você que levou rojão na cabeça”, ou “bandido bom é bandido morto”…

  2. Concordo em gênero, número e grau, com o posicionamento do internauta FGC, parabenizando o Kennedy.

  3. Antonio Barbosa disse:

    Tudo é bonito em versos e prosa, mas na hora da prática palavras se vão ao vento. É como se comportam torcidas organizadas, MST, Sem Teto, Rolezinhos, e por ai vai. Não há legitimidade nestes movimentos e, Kennedy, você comparou movimentos revolucionários com vandalismo. Isto é comparar água e vinho. O MST invade fazendas produtivas, destruiu uma fazenda experimental que haviam 3 anos de pesquisa que foram jogados por terra e nada aconteceu. Conversar, conversar e conversar. Prejuízos, espancamentos e mortes. O que esta comunalha quer? Está claro para você? Enquanto ideologias baratas forem fator motivador de movimentos sociais, jamais haverá paz, mas com certeza logo logo haverá guerra civil. Tudo tem limite.

  4. andré luís disse:

    Concordo com o que está exposto no texto. Moderação deve haver sempre. No entanto, aqui em nosso país, por motivos vários, a violência será sempre a única de protestar do cidadão contra o Estado. Nâo custa lembrar: o governo brasileiro é violento por natureza e origem. Não dialoga de forma alguma. E quando o faz, é sempre sem proveito para os reclamantes.

  5. carlos alberto cunha disse:

    Impossível dialogar com esses grupos, pois a filosofia de ação é a anarquia pela anarquia, sem nenhuma responsabilidade com os atos cometidos, acreditando que as coisas se resolvem no grito e são incapazes de cumprir seus deveres, pois, apenas se acham credores dos direitos. E tem mais, não acredito em protesto pacífico, quando são interditadas ruas, impedindo o livre ir e vir das pessoas. Isso também é violência.

  6. Adão Paulino disse:

    Não vivemos em guerra civil ainda. Mas, todos sabemos, muitos que fazem baderna para o PSOL, PSTU e outros já o fizeram em benefício do PT. A matriz é a mesma, agora com algumas divergências. Filhotes da doutrina gramsciana que tanto contribuíram para a desestabilização de governos aos quais se opunham (mais notadamente Itamar Franco e FHC) ganharam voz ou se assentaram no poder nos governos petistas, adotando comportamento hipócrita de condescender com os delinquentes políticos de mesma linhagem ideológica. O problema é que, aos poucos, passaram a condescender com marginais de qualquer escalão que expressassem o mesmo comportamento ideológico. Agora, essas duas frentes estão se encontrando e, caso não se interrompa essa trajetória, certamente haveremos de ter, em breve, que nos preparar para negociar com grupos similares ao IRA, às FARC e outros. Sem entrar no mérito da motivação dessas organizações externas, falta-nos aplicar a LEI onde ela está sendo escancaradamente violentada. É pena que, para certos valentes, que se consideram de moral e intelecto superior, vida de policial morto (lembre-se da PM do Rio), um simples cinegrafista ou as milhares de vítimas da violência que campeia nas cidades são perdas aceitáveis. Você tem voz mas, como outros, sempre parece estar propenso a evitar a punição. Sinto muito, mas ser politicamente correto também deveria significar respeito aos direitos dos outros não serem molestados, agredidos, acuados. Especialmente os estratos sociais medianos que, sem tempo para embates filosófico-ideológicos permanentes estão apenas pedindo para viver em paz.

  7. Rossiline Lunar disse:

    Parabéns por sua visão idealista, mas infelizmente a população não aguenta mais tanto descaso com a saúde, a segurança e a educação públicas. O diálogo deve vir em forma de responsabilidade com a população e não com disfarces e investimentos em outros países. Uma vitória esse governinho conseguiu, que foi desarmar a população ou a situação estava pior, cabe agora agir de forma coerente e sanar as surumbambas que fez e continua fazendo contra a população. Destaco que uma delas é passar a usar a rede pública e assim conhecer as reais condições das mesmas e só assim se posicionar, acabando com as inverdades.

  8. Santana disse:

    Caro Kennedy.
    Quando formadores de opiniões se postam a favor de assassinos e bandidos que saem as ruas para barbarizar a sociedade se colocando como “movimentos sociais”, penso que o PT está conseguindo o seu intento de proclamar a Republica Comunista Bolivariana do Brasil, como quer o mitômano Lula. Pobre Brasil.

  9. ANIBAL DOS SANTOS FILHO disse:

    Como dialogar com baderneiros. Eles já saem de casa armados, máscaras de gás, tudo premeditados. Vão somente para criarem confusão, destruição de patrimônios públicos. Infelizmente, a bomba só arrebenta na cabeça do povo do bem, tivemos um caso recente. O melhor diálogo para eles, é…cadeia. Lei aqui, é só o nome: LEI. Não serve pra nada, por quê não é usada, não é aplicada!

  10. Fábio de Oliveira Ribeiro disse:

    Errado novamente senhor jornalista. Os governantes são obrigados a respeitar o princípio da legalidade, sob pena de cometerem improbidade administrativa. Vem daí sua obrigação de conversar apenas com grupos de manifestantes que não recorram à violência. Aqueles que usam a violência para tentar intimidar a administração pública devem ser repelidos na forma da Lei, cabendo ao governo estudar unilateralmente medidas legislativas para contornar, superar ou amenizar a crise que eles provocam.

  11. Fernandao disse:

    Ok, moderação e caldo de galinha não matam ninguém, mas os exemplos citados não convencem. Os Black-bôbos, instrumentalizados, e o MST sequer tem existência legal, e existe farta legislação para punir seus crimes, enorme quantidade de crimes diga-se. Ora, se há crime, se há lei para puni-los, se as instituições do país funcionam, os 3 poderes funcionam, conversar o que? conversar para que?

    E comparar estas duas organizações piratas com as FARC ou o IRA, verdadeiras organizações terroristas (não me parece possível combater o terrorismo com a legislação comum, talvez aí caibam o diálogo, a moderação, muita política e diplomacia), também me parece um exagero, não há terrorismo no Brasil.

    Enfim, concordo com a proposta do Beltrame, embora não seja exatamente necessária, e divido com você a opinião sobre a cautela que se deve ter com a nova lei sobre terrorismo, questiono inclusive a necessidade desta lei. Abraços.

  12. Paulo Barbosa disse:

    Muito bem colocado. Mas parece que o governo do PT, não percebe isso. Um partido que combatia, criticava, agora está na posição, virou a casaca e faz de conta de que está tudo bem!!!??? Se existem movimentos é porque tem um monte de coisas erradas, mas a preocupação são as eleições de 2014. os discursos da Dilma se voltaram para os militantes, agora para explicar ao resto do pais sua incompetência de governar não tem o que falar. Acho que o feitiço virou contra o feiticeiro, tanto agitaram, que agora estão experimentando do próprio veneno. Afinal estamos sendo governados por ex-guerrilheiros, agitadores e toda a classe de baderneiros, mas isso para eles é passado. Estão tendo sua oportunidade, e o que estão fazendo? O caso do jornalista demonstra que quando as autoridades querem existem leis. Mas, e o resto? Policiais são mortos diariamente, ônibus estão sendo incinerados diariamente, de menor mata diariamente. O tráfico organizado desafia as leis e a ordem impunemente. Tudo tem um porque. o que vemos, é um monte de dinheiro mal aplicado em uma estrutura melhor para o povo, que não tem Saúde, não tem Educação, e muito menos estrutura para sua velhice. Enfim, um pais que caminha para o caos num tudo faz de conta.

  13. sidneyc disse:

    Concordo integralmente que os governos, municipal, estadual e federal devem discutir as pautas de manifestações e movimentos pacíficos e atuar com base na lei quando esses mesmos movimentos partem para a violência contra o patrimômio público, privado e contra a integridade física das pessoas. Porém, quando um movimento como o MST,claramente ligado ao PT e que durante anos invadiu e destruiu propriedades tenta invadir o STF,que inclusive suspendeu a sua sessão, obrigando a PM a atuar com firmeza e culminando com 30 policiais hospitalizados,sendo 8 em estado grave, é recebido no dia seguinte pela Presidente, a mensagem que é transmitida para a sociedade é péssima.Sabe como é fácil conseguir uma agenda com a Presidente? Vários empresários demoram meses para serem atendidos pelo Planalto, mas bastou a pressão do porrete na mão do MST para a Presidenta abrir agenda para eles. Alguém do MST foi preso nessa tentativa de invasão? Acho que não e se fosse, já teria um bom advogado na delegacia pedindo pela sua liberdade, pago sabe-se la com qual fonte de recursos.

  14. Marco Valverde disse:

    Precisamos, antes de qualquer coisa, de uma reforma política tirando o caráter profissional do político. O pior político é aquele que tem passado político, o político de carreira. Precisamos dar mais obrigação e menos direitos para políticos e partidos. Precisamos cortar tudo que não é democrático como o voto obrigatório, suplência, voto de legenda. Cortar o fomento ao corporativismo, fim das coligações, doação de campanha (pelo menos por pessoa jurídica), cargos de nomeação e redução de regalias e salários dos eletivos. Enquadrar o sistema nos princípios constitucionais, dando tempos iguais na mídia para todos os candidatos. Fora do sistema político queremos um sistema único de aposentadoria para servidor público e trabalhador privado, redução da quantidade e valor dos impostos e punição exemplar para agentes públicos. Repare bem nas próximas eleições se o seu candidato faz propostas objetivas abordando os assuntos aqui descritos, repare se ele vive da política, se ele tem página pessoal na internet. Se nenhum candidato não atender as suas expectativas, não vote no menos pior, vote nulo e vá para as ruas protestar.

    • Fernandão disse:

      Aviso inútil, até agora eu não li nada por aqui sequer parecido com o que você “previu”, apenas opiniões contrárias às suas, colocadas educadamente. Você se sente agredido, afrontado com opiniões contrárias às suas? Não deveria, o mundo é assim mesmo, nem todos tem a sua opinião. Cordialmente.

  15. sidneyc disse:

    Não acho que receber um movimento como o MST, que tem como uma das suas estratégias a violência, como demonstrado na tentativa de invasão do STF que foi obrigado a interromper uma sessão, feriu 30 policiais, sendo 8 em estado grave, seja uma demonstração de abertura ao diálogo. Me parece mais conivência irresponsável com bandidos armados e que nos últimos anos perderam muito da sua representatividade, a despeito de continuarem a receber financiamento e suporte de muitos partidos políticos.Conseguir uma agenda com a Presidente é muito complicado, empresários demoram meses para serem atendidos no Planalto, mas os representantes do MST conseguiram a reunião no dia seguinte. Péssimos exemplo! Negociar é sempre fundamental,é condição básica do processo democrático, mas deve ser feito sem espada no peito e acima de tudo baseado na lei e na ordem! Discordamos Kennedy, mas essa é a democracia, parabéns pelo blog e pelos comentários na CBN.

  16. gesiel disse:

    “”UMA COISA IMPORTANTE QUE ACONTECEU NESSE CONFRONTO DO MST COM A POLICIA DE BRASILIA””, foi que OS PROPRIOS LIDERES DO MOVIMENTO MST DEFENDERAM A POLICIA CONTRA OS VANDALOS DO MOVIMENTO. Isso é importante observar, porque IDIOTAS TÊM EM TODO O LUGAR, mas a atitude dos lideres DO MST FOI EXEMPLAR. Situações semelhantes a essa, ONDE LIDERES DE MOVIMENTOS COIBEM OS VANDALOS, ja vem ocorrendo no futebol, ONDE OS PROPRIOS TORCEDORES ENFRENTAM OS ARRUACEIROS E OS ENTREGAM PARA A POLICIA. Por isso, É QUE OS LIDERES DAS MANIFESTAÇÕES, deveriam SER PUNIDOS POR SER CONIVENTES COM A PARTICIPAÇÃO DOS MASCARADOS em seus protestos.

  17. Arnaldo V B disse:

    Para mim, em manifestantes mascarados, a Polícia deve baixar a madeira mesmo, pois nao passam de vandalos covardes que nao querem mostrar a cara. Esses vandalos merecem borrachadas no lombo mesmo.

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