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Geral
02-04-2019, 10h22

Política externa danifica imagem do Brasil e ameaça economia

Bolsonaro e Itamaraty queimam capital político de décadas
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Kennedy Alencar
São Paulo

Uma sequência de erros na política externa causa danos à imagem internacional do Brasil, queimando um capital político construído ao longo de décadas. Essa linha de ação ameaça trazer prejuízos econômicos concretos à nossa população, aumentando o desemprego e desestruturando cadeias produtivas exportadoras, como a de proteína animal.

A viagem do presidente Jair Bolsonaro a Israel é mais um exemplo de como o Brasil erra na política externa. Bolsonaro conseguiu piorar a relação brasileira com o Oriente Médio, uma região do mundo em que há vários conflitos, entre os quais confrontos crônicos entre palestinos e israelenses.

O Brasil tem uma ótima relação com Israel. Comportar-se como cabo eleitoral do primeiro-ministro Binyamin Netannyahu é correr o risco de se indispor com um eventual novo governo. Haverá eleições em Israel no dia 09 de abril, terça-feira que vem. Na recente visita aos EUA, Bolsonaro também agiu como cabo eleitoral de Donald Trump, que concorrerá à reeleição no ano que vem.

Esse comportamento presidencial rebaixa o Brasil, pois é clara interferência nas disputas políticas de outros países. A estratégia bolsonarista abraçada pelo ministro Ernesto Araújo também contraria a tradição do Itamaraty e a nossa Constituição, que não preveem intervenção em assuntos internos de outras nações, mas o respeito à autodeterminação dos povos.

Bolsonaro permitiu que Netanyahu o acompanhasse na visita ao Muro das Lamentações, algo que chefes de Estado evitam fazer. Esses líderes comparecem ao local sagrado em caráter pessoal, pois há uma disputa por Jerusalém travada em fóruns internacionais. O Itamaraty deveria orientar melhor o presidente.

Ao anunciar a abertura de um escritório comercial em Jerusalém, Bolsonaro desagradou a todos os lados. Os israelenses queriam o anúncio de mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Os palestinos viram a pretensão de instalar um escritório comercial como um primeiro passo nesse sentido, algo dito por Netanyahu e confirmado posteriormente por Bolsonaro, que afirmou que faria a mudança até o fim do seu mandato em 2022.

A ANP (Autoridade Nacional Palestina) e o Hamas se manifestaram duramente contra Bolsonaro. A bancada evangélica no Congresso Nacional ficou decepcionada, porque apoia a transferência da embaixada. A bancada ruralista está apreensiva, pois teme retaliação de países árabes.

Há chance concreta de prejuízo às nossas exportações de carne de boi e frango para países árabes. A cadeia produtiva desses setores em Santa Catarina pode sofrer caso o Brasil perca parte de um mercado externo que construiu a duras penas durante décadas.

Como lembrou Roberto Nonato ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”, os negócios estão em Tel Aviv não em Jerusalém. Um escritório comercial em Jerusalém é desperdício de dinheiro público.

Bolsonaro está se especializando em criar problemas. Um presidente deveria resolvê-los. Mas é fato que ele não pode ser acusado de estelionato eleitoral. Bolsonaro é isso. É o que é: uma pessoa despreparada para presidir o país.

No entanto, chegou ao cargo eleito democraticamente, o que tem que ser respeitado. Cabe à imprensa fazer suas críticas, apontar eventuais erros e aceitar ser contestada em suas avaliações. É do jogo democrático.

*

Caos na ilha

O impasse em relação ao Brexit aumenta a chance de uma saída da União Europeia sem acordo, o chamado “no deal”. Seria desastroso para o Reino Unido, mas também traria problemas para a União Europeia. Há uma forte relação comercial entre a ilha e o continente. Muitos europeus vivem no Reino Unido e seriam afetados por uma saída se acordo.

Ao rejeitar ontem quatro opções para resolver o imbróglio, o parlamento britânico deixou claro que deseja um “soft Brexit”, mas não sabe qual. Manteve a indefinição a 11 onze dias do prazo para sair sem acordo. É preciso que os políticos ajam com responsabilidade e rapidez para evitar o “hard Brexit”.

Como alternativas, poderia haver um pedido de extensão do Brexit, para dar mais tempo para os britânicos bolarem um novo plano, ou convocação de eleições gerais, o que os conservadores não querem por temerem vitória dos trabalhistas.

*

Temer em modo de guerra

Em conversas reservadas, o ex-presidente Michel Temer vê risco para a democracia no Brasil. Aponta a incapacidade de Bolsonaro como um fator que joga nesse sentido, pois diz que negociar com o Congresso é fundamental para governar. Mas o ex-presidente destaca que a maior ameaça seria um projeto de poder de setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal para criminalizar a política e interpretar as leis de modo contrário à Constituição.

Temer entende que a sua recente prisão foi uma reação da Lava Jato à decisão do STF que determinou que a Justiça Eleitoral julgue crimes conexos, como corrupção e lavagem de dinheiro.

No primeiro dia de prisão, Temer pensou em acabar com a própria vida, mas, ao ver reações de advogados, jornalistas e políticas contra a prisão preventiva decretada pelo juiz federal Marcelo Bretas, encontrou forças para reagir. Delegados que o prenderam disseram que a decisão de Bretas era inconsistente e que ele sairia logo da prisão, o que, de fato, aconteceu. Bretas fez um papelão.

Temer tem dito que vai lutar do mesmo jeito que enfrentou a delação de Joesley Batista em 2017. Ele considera injusta e inverídica a acusação de chefiar organização criminosa bem como as demais acusações. Vê semelhanças entre o seu caso e o de Lula, com excesso de medidas do Judiciário e do Ministério Público (lawfare) para dificultar suas defesas.

O ex-presidente contou que foi abordado por três policiais com fuzis no meio da rua. Afirma que foi tratado com cordialidade pela Polícia Federal, mas considera que a prisão teve objetivo de espetáculo para a mídia. O ex-presidente tem dito que as adversidades lhe dão energia para lutar. Em resumo, esse é o estado de espírito do ex-presidente.

Ouça abaixo os comentários feitos ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. J K disse:

    Muito preocupante aquela imagem dele com fuzil em posição de ataque. Qual mensagem quer mandar? Alguma (in)decifrável? Não devia ter entrado nessa. Não temos histórico de ataques terroristas de grupos internacionais organizados. Temos sido um país pacífico e diplomático. Se houvesse um ataque_terrorista daqueles que causam muitas mortes, imediatamente a suspeita recairia sobre as organizações criminosas domésticas. E agora? Se houver um atentado à um estádio de futebol ou a um templo religioso? PCC? CV ? Ou ISIS, Rezbolah, Hamas? Deu espaço para a confusão se instalar em um assunto que era pacificado.

  2. Robson Macedo Barreto disse:

    Penso que o Brasil irá sofrer forte retrocesso em todas as áreas. Educacional, relações exteriores, direitos humanos, economia além de outras áreas. Sinto muito, mas esse desgoverno não tem risco de dar certo.

  3. A Grande Verdade disse:

    Quem lembra da Engesa, sabe que Israel já foi importante para o Brasil na compra de armamentos. Em aula de um Coronel. Há três décadas. Ele destacou o Brasil como 3º país no Mundo na venda de bateria antiaérea e/ou veículos de deslocamento. Com o tempo, trocamos as armas por mercadorias. Principalmente produtos bovinos e aves. Nenhum País precisa guerrear a vida inteira. Mas certamente precisam de se alimentar todo dia. Nosso Governo tem que tomar atitudes sérias. Toda representação de Bolsonaro, quando fala e age, agride o bom senso administrativo, político e jurídico. Em qualquer uma das três religiões que estão em Israel. Bolsonaro e sua tribo estão mais para abraçar o demônio que receber a graça do céu. E sua atitude acena para isto. Em sua lista temos: não é militar honrado, não é um político atuante, não é um homem público que se confie. Hoje, longe ou perto, um bobo das cortes (EUA e Israel). Nosso povo sofrerá derrotas incontáveis na economia. E o Governo cairá ainda em 2019.

  4. jose disse:

    Os militares brasileiros estavam desesperados por cargos (o que não os diferencia de outros militantes quanto ao fastil, mas pelo menos os militantes vestem camisas e vão fazer boca de urna já os milicos ficam no esconde esconde). E não podem se considerar melhores, pois os menos desavisados viram como eles (os militares) deixaram o país em 1985: na miséria, endividado e desgovernado.

  5. walter disse:

    Kennedy, é precoce, qualquer consideração internacional, quando nossa unica conquista nos últimos governos, foi o aumento de exportação para a China, com expressivo cabedal…para começar, as relações com Israel, serão profícuas, em função de nossa semelhança, relacionada ao território nordestino, precisamente a caatinga; sempre fomos econômicos, com relação a este Povo, que esta no Brasil a séculos, com muita expressão…com relação ao Temer e sua opinião, não vale HJ um tostão furado, foi acusado e comprovado, suas movimentações suspeitas, através do homem da mala, por exemplo…quanto ao Brexit, a Tereza May, tenta seguir a vontade do Povo; este parlamento trapalhão e vingativo, lembra um certo País, de terceiro mundo; perderão muito com a indecisão, a longo prazo…

  6. Jonas disse:

    Bolsonaro já fez as exportações agrícolas do Rio Grande do Sul caírem pela metade no último mês, liberou tarifa no trigo, o que vai prejudicar o Paraná, e agora vai fazer Santa Catarina reduzir as exportações de proteína animal.
    É irônico que a região Sul do país, a que mais votou em bolsonaro, seja a principal prejudicada pelas asneiras em série feitas pelo presidente e seu ministro da economia Paulo Guedes, um Chicago Boy com 30 anos de atraso.

  7. José Antônio disse:

    Quanta maluquice é essa? Ou será irresponsabilidade? Realmente estamos sendo comandados por pessoas que em vez de usarem a razão estão usando só a emoção, a paixão, o radicalismo político. Cadê o “Brasil acima de tudo”? Até agora não apareceu nada disso. Está mais do que na hora de pararem de se preocupar com os outros e focar no Brasil.
    Como um senador, em um ato “insano”, atrai coisas ruins para o Brasil? Não é só uma questão de economia, de retaliação às exportações brasileiras, mas outro tipo de retaliação. Sabemos que os grupos terroristas não podendo atacar os EUA, atacam os seus aliados e o “carinha” fala uma besteira dessas?

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2019-06-16 00:06:43