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Geral
08-01-2020, 20h15

Populistas, Trump e Bolsonaro oscilam entre cálculo e improviso

Salles usa argumento desonesto ao falar de incêndios na Austrália
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Kennedy Alencar
São Paulo

A aparente moderação do pronunciamento do presidente Donald Trump deve ser relativizada. O populismo de direita que vigora em boa parte do planeta é imprevisível.

Trump é o presidente capaz de mandar matar o número 2 do regime persa e dias depois sugerir a retomada de um acordo nuclear que ele mesmo dinamitou, acrescentando o desejo de cooperar com o Irã no combate ao Estado Islâmico.

Ou seja, cabe tudo no discurso feito hoje pelo presidente americano: conciliação e ameaça, cálculo e improviso.

O mesmo raciocínio vale para descrever o comportamento do “estadista” Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro se submete incondicionalmente a Trump num dia, fala em manter o comércio com o Irã no outro e no seguinte estrela cena constrangedora ao aparecer numa live na frente de uma TV como macaco de auditório do pronunciamento do americano.

Bolsonaro insiste no erro que ele e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, cometeram ao apoiar o assassinato do general Qassem Soleimani, o mais respeitado chefe militar do Irã. A posição brasileira contraria os interesses do país, pode prejudicar o agronegócio exportador e atrair risco de segurança para o território nacional. Ignorância geopolítica tem limite. Ou deveria ter. Mas, na gestão Bolsonaro, ela parece infinita.

*

Desonestidade intelectual

O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) disse que houve crítica seletiva às queimadas na Amazônia se comparadas às feitas aos incêncios na Austrália.

Se fossem comparáveis, não aliviariam em nada a devastação da Amazônia. Mas Salles usa argumento desonesto intelectualmente. Ele mente, um hábito na atual administração.

Seca, a vegetação australiana sofre principalmente incêndios de causas naturais devido ao forte calor que assola o país. A Amazônia, floresta úmida, é vítima de queimadas causadas pela ação dos desmatadores.

O retrocesso ambiental no Brasil poderá levar muito tempo a ser reparado, bem como os recuos em outras áreas. Nossa democracia corre riscos. É papel da impresa apontá-los e chamar as coisas pelo nome. Por exemplo: o especial de Natal da produtora Porta dos Fundos sobre Jesus Cristo foi censurado pela justiça fluminense.

Ouça os comentários:

Comentários
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  1. […] Fonte: Populistas, Trump e Bolsonaro oscilam entre cálculo e improviso […]

  2. walter nobre disse:

    Kennedy, muitos gostariam de estar na posição deles, nesta nova ordem mundial; o Trump pode não ser o presidente dos sonhos, mas navega nas aguas turvas dos adversários, mesmo diante de um cenário contra; joga xadrez todo o tempo, no tabuleiro dos adversários, sem pestanejar assustando os inimigos da américa. Quanto ao Bolsonaro em menor escala, já que estamos prejudicados por inúmeros desafios, mesmo assim consegue criar situações que confundem seus oponentes. Não houve nenhum governo anterior que tenha sido sensatos em suas escolhas na totalidade, quando não trocaram cabeças, padeceram diante das criticas; seriam absurdo que alguém da oposição aplaudisse os ministro deste governo, se nem o melhor de todos, eleito entre os 50 homens influentes, sofre com tentativas constantes. O Dr Moro é de longe, apesar das dificuldades, o melhor referencia de todos os tempos, como ministro ativo…

  3. BRAGA-BH disse:

    Se depender de nossa imprensa subserviente isto nunca irá acontecer. Estamos tendo retaliações de todas as formas. Censura ao péssimo especial do Porta dos Fundos; Demissão da economista Zeina Latif da XP Consultoria que chamou de “pibinho” o PIB 2019; jornalistas sendo demitidos em massa por causa de opiniões contraditórias aos seus chefes e por aí vai…
    As notícias verdadeiras, sem nuances políticas ou partidárias estão sendo veiculadas nos lugares de sempre: Blog do KA; Reinaldo Azevedo, Luiz Nassif, Ricardo Kotsho, Bob Fernandes e outros poucos que não têm o rabo preso com ninguém.
    As grandes empresas de comunicação estão no modo “morde-assopra”!!!

  4. wilsonsjr disse:

    A profusão de informações a taxas quase imensuráveis turba e confunde. Cria também campo fértil e quase ilimitado para tudo e todos. E, no meio disso, temos a sensação de que tudo é plano e permitido. É, talvez por isso, que, embora no Século XXI, defrontemo-nos com chefes de estado assim. Pode ser que o curso do tempo não torne a sociedade mais sábia.

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2020-07-12 00:08:53