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Política
30-10-2019, 19h26

Porteiro precisa ser protegido, não pressionado

Moro e Aras entram mal no caso ao desqualificar testemunho
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

É enorme a pressão sobre o porteiro que citou o nome do presidente Jair Bolsonaro no caso Marielle. O porteiro precisa ser protegido, não pressionado. Se ele mentiu, como diz o Ministério Público do Rio de Janeiro, claro que é preciso apurar. Também é claro que o presidente da República tem direito a uma defesa plena e ampla, mas isso tem de ser feito dentro da lei.

É estranho Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, quererem usar a Polícia Federal como polícia política. O objetivo seria investigar o porteiro e as circunstâncias do depoimento dele.

A Polícia Federal é uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo. Uma investigação tem de obedecer aos requisitos legais e não à vontade do presidente da República ou do ministro da Justiça.

Nesse contexto, entraram mal no caso duas autoridades que têm muita responsabilidade: Moro e o procurador-geral da República, Augusto Aras. Moro desqualificou o depoimento do caseiro. Aras o chamou de “factoide”. O procurador-geral da República considerou Bolsonaro uma vítima. Ora, isso é atitude de engavetador-geral da República.

A investigação do caso Marielle tem quase 600 dias. Polícia Civil e Ministério Público até hoje não deram solução satisfatória. Pelo contrário, há diversas frentes abertas, inclusive com diferença de opinião em relação ao que pensava a antecessora de Aras, Raquel Dodge. Portanto, é preciso cautela para aguardar os desdobramentos.

O que ganharia um porteiro ao inventar uma história contra o presidente? Por que anotaria que Élcio Queiroz, um dos acusados de matar Marielle Franco e Anderson Gomes, entrou para visitar a casa de Bolsonaro?

O cuidado com o tema demanda que Moro e Aras tenham mais lealdade à Constituição do que ao presidente da República.

*

Pendor autoritário

Chama atenção a reação do presidente Jair Bolsonaro lá da Arábia Saudita. Foi uma reação autoritária e desmedida, muito fora do tom. Houve ataque grave ao trabalho da imprensa e à TV Globo. Mostra mais uma vez que Bolsonaro não convive bem com a democracia e que tem essa estratégia danosa ao país de governar na base do conflito _criando crises, alimentando teorias conspiratórias e vendo inimigos imaginários.

Ouça abaixo o comentário de hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, esta a polícia do Rio mostrou porque até HJ, não tem provas cabais relacionadas ao crime contra a vereadora, mais o carão do witzel nesta hipócrita postura como governador; por isto o Jair idolatra tanto o filho Carlos, desta vez mostrou a competência necessária. O Porteiro será investigado, e mais uma vez deve ter muito a informar sobre a simulação clara, diante das provas rápidas que o filho do presidente conseguiu, acabou com a intenção clara em, usa lo como bucha de canhão; por estas e por outras, até o judiciário se mostra infestado de norte a sul, a investigadores duvidosos, e policiais mal intencionados. o Jair tem razões diárias para detestar a globo, pelo conjunto da obra, desde sua campanha, a emissora o trata como um descartável. Devem colocar as barbas de molho, esta notícia surgiu no dia seguinte a publicação do vídeo, demonstrando a imparcialidade clara; as investigações poderão apontar “gato nesta tuba”. aguardar o depoimento do porteiro, para confirmar…

  2. Adolfo Guilherme Werndl Neto disse:

    E muita proteção, como sabemos á corda sempre arrebenta do lado mais fraco e, com certeza Ele precisa do emprego e tem família pra sustentar.

  3. José Nilde disse:

    Matéria jornalista equilibrada e séria. Acho que o caminho é seguir as regras, investigar primeiro e proteger a testemunha. As autoridades deveriam emitir resultados investigativos e não opiniões.

  4. ANDRE disse:

    Tudo que não precisamos no Brasil é de uma gestapo ou KGB (antiga KVD). Instituições como a Procuradoria Geral e PF não devem sair em defesa do presidente da república, isto demostra fragilidade democrática, elas devem apenas apurar fatos e seguir os tramites legais. Ao presidente cabe o direito de ampla defesa e sem pré-julgamento, poderia também caber o direito de manter em segredo as investigações, mas ai acho que seria exigir algo que nunca foi muito caro ao seu ministro de justiça.

  5. Miguel Ângelo disse:

    Acreditamos que ninguém quer solucionar o caso Marielli. Claro que o porteiro tem que ter proteção. E se existe uma bandeira levantada dizendo que ele mentiu. Outra deve estar hasteada como o único que falou a verdade. O papel da justiça, para este momento político, é de submissão ao presidente e suas ações. Notoriamente escancarada pelas ações da polícia e judiciário do RJ, ambas suspeitas de inverdades e irregularidades. Prova disto. É que imagens são colocadas para provar que o “Jair” estava em Brasília. Mas quais imagens mostram ele na tribuna, ou pelos arredores do local de trabalho fazendo atividade política? Mostrem para nós uma hora antes e uma hora depois da ligação que o porteiro recebeu. Vamos enxergar se ele pegou o telefone, se ele falou, gritou. Pelas imagens seria fácil com leitura labial ver se o então deputado disse: “matem aquela …”. Mas o que as pessoas ligadas a ele politicamente e juridicamente mostram. Só mais imagens para nos confundir. A Globo é séria.

  6. Miguel Ângelo disse:

    Não teria porque entrar numa mentira. Num momento onde em Brasília ninguém fará nada para usar da lei contra os crimes dos “bolsonaros”. E muito menos no RJ. Um estado perdido em meio de impunidade que abraça os crimes comuns, e muito mais os crimes políticos. Um fato que colabora para ver que coisas estranhas acontecem e ninguém pune o infrator. É a verdade que o filho de Bolsonaro estudava no RJ, com presença na instituição de ensino de direito, estagiava, e mesmo assim estava em Brasília trabalhando. Se são assim. Qual é a possibilidade do porteiro está dizendo a verdade com base: 1) tecnologia de compartilhamento da ligação do “Jair” de Brasília, para o telefone do RJ (para contestar tem que ter teste-cadê ele justiça do RJ?); 2) “Jair” ligou para o celular do porteiro; 3) “Jair” ligou para o celular de um dos ocupantes do carro; 4) “Jair” ligou para os filhos. O que a polícia/justiça cega do RJ fez p/ levantar todos os celulares e telefones de quem estava envolvido a este momento?

  7. Miguel Ângelo disse:

    Os filhos dos presidente não apresentaram provas, apresentaram indicações para barrar uma investigação que pode alcançar a maior farsa das eleições no Brasil. E elementos se tem. E se encadearmos todos. Vamos evidenciar uma enorme organização criminosa. Que pode abraçar todo o Brasil. É só somar as ações de Curitiba, os crimes do RJ, as movimentações em Brasília que quase prenderam o então presidente Temer. E favoreceram, com a facada do Adélio instável, para 12 anos perdidos para o Brasil. Tanto economicamente, como politicamente. A polícia atua por linhas. Não existiria motivos para o porteiro anotar, o que é uma atividade corriqueira dele, a observação em seu livro para registro, se não tivesse acontecido. E “Jair” pode autorizar mesmo não estando no RJ. Ele tem celular, seus filhos, seus homens e negócios. Se a polícia quiser acha as informações e diálogos. Tem agora um momento, um local, ou dois se considerada Brasília, origem do mandato de execução, para investigar. Mas vai?

  8. Miguel Ângelo disse:

    Duvidamos! Já que em horas, pessoas do judiciário envolvidas na causa do presidente, em tempo recorde já apresentaram laudo de inocência. O que tem este caso a ver com estatística, impunidade, e ação judiciária direcionada que alcança Curitiba? O tamanho da amostra. No caso do Presidente “Bolsonaro” no caso de Marielli, e ligação ao porteiro. A justiça inicia seu processo de investigação colocando a testemunha, como sendo criminoso. Quem vai defender o porteiro depois do Judiciário cego, dar a ele uma camisa xadrez? E quanto tempo ele terá até provar que falou a verdade? Uma eternidade. Se para “Jair” uma amostra minúscula de imagens, de ligações para provar sua inocência. Ao contrário, Moro, Curitiba, STF, juristas, alguns jornalistas, para o caso Lula, agigantaram a amostra. Onde tudo foi peneirado até sobrar a punição “pelo conjunto da obra”. A Globo não inventou. Só não acertou ainda, a forma de registrar que não estão fazendo a justiça/polícia, esforços para provar de verdade.

  9. Wilson disse:

    O porteiro do agora famoso “tríplex do Guarujá” parece ter tido mais sorte. Quem sabe o signo do porteiro do condomínio do atual Presidente não seja tão bom quanto do signo do porteiro lá de Guarujá.

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