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Política
09-05-2016, 9h18

Presidencialismo de coalizão doente é desafio para Temer

Com saída de Dilma, 2 dos 4 presidentes eleitos desde 89 terá perdido poder
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Dos quatro presidentes eleitos diretamente desde 1989, dois terão deixado poder por decisão do Congresso se a presidente Dilma Rousseff for afastada nesta quarta-feira pelo Senado, como está previsto.

Isso é um sinal de que nosso presidencialismo de coalizão está doente. O impeachment de metade dos presidentes eleitos diretamente desde 1989 mostra que há uma taxa de mortalidade política muita alta para ocupantes do Palácio do Planalto.

Uma visão ingênua diria que isso mostra a força das nossas instituições, mas evidencia mais uma doença dessa presidencialismo de coalizão, no qual o eleito perde o poder se não souber lidar com um Congresso cada vez mais fragmentado e conservador.

Nos casos de Collor e de Dilma, a corrupção e a crise econômica fizeram parte do enredo da queda. Mas o fator principal para perder o poder foi a inabilidade política de ambos para lidar com o Congresso.

Em relação a Dilma, as pedaladas são graves, porque simbolizam a destruição da política fiscal que inviabilizou o bom andamento da economia. Foi o pecado capital nessa área. No entanto, a petista está saindo porque não soube lidar com os políticos. O líder do governo no Senado, Humberto Costa, diz hoje numa boa entrevista à “Folha de S.Paulo” que a presidente “Dilma é uma pessoa que tem dificuldade de dialogar, de ouvir, é o perfil dela”.

Na prática, houve uma revolta parlamentar, um golpe parlamentar da própria base de apoio dilmista. Com seus graves erros na política e na economia, a presidente foi a principal responsável pelo que aconteceu.

Mas é nefasto que o impeachment seja usado como uma espécie de voto de desconfiança, como existe no sistema de governo parlamentarista. Essa fragmentação partidária que vem se acentuando precisa ser combatida com novas regras eleitorais. Só na Câmara são 28 partidos com representação. Isso continuará a ser um desafio, no mal sentido, para quem se sentar na cadeira de presidente da República.

*

Ao assumir a Presidência, Temer terá dois desafios: a crise econômica e esse presidencialismo de coalizão que está doente. O peemedebista precisará apresentar um conjunto de medidas econômicas que crie um efeito positivo, melhorando a expectativa dos agentes econômicos e sinalizando para a opinião pública que começará o fim da crise econômica.

O segundo desafio será aprovar boa parte dessas medidas no Congresso Nacional, também dando início ao fim da crise política. A parte econômica está mais bem encaminhada, porque Temer acertou ao escolher Henrique Meirelles para a Fazenda. Na prática, colocará em ação medidas que a presidente Dilma Rousseff sabia que eram necessárias, mas que ela não teve a coragem de bancar no período em que Joaquim Levy estava na Fazenda.

Dilma também perdeu diversas oportunidades de ter Meirelles no Ministério da Fazenda. Talvez a história do governo dela fosse outra, talvez tivesse boicotado Meirelles como fez com Levy.

O outro desafio de Temer será justamente lidar com essa sistema partidário fragmentado, que exige cargos e verbas sem limite. Sucumbir à fragmentação partidária no início do governo poderá ser um erro.

Todo novo presidente tem um capital político na largada que, se usar bem, mantém o Congresso sob controle e diminui a necessidade de uma entrega completamente fisiológica.

Há uma pressão positiva da opinião pública e do empresariado para Temer reduzir o número de ministérios e não ter apenas indicados políticos na equipe. A gravidade da crise ajuda Temer a dizer não, mas tem gente que o aconselha a fazer a mesma composição fisiológica de sempre apontando justamente essa doença do presidencialismo de coalizão como um risco a ser evitado.

FHC e Lula souberam compor com o Congresso e fazer governos bons. Temer precisa encontrar uma medida parecida com a usada por FHC e Lula e diferente da de Collor e Dilma.

O peemedebista herda um presidencialismo de coalizão doente, que chegou a um ponto em que é preciso combatê-lo. Entregar os anéis na largada poderá ser um erro, porque significará a senha para ser chantageado o tempo todo. O Congresso que derrubou Dilma tem responsabilidade pela solução da crise. Não pode continuar sedento de cargos e verbas sem compromisso com os problemas do país.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A grande doença do país é o sindicalismo selvagem.
    A extinção do imposto sindical é a primeira medida saneadora, moralizante e regulatória de uma sociedade menos corporativista e mais decente.
    Já basta essa constituição deformada, cheia de direitos e poucos deveres.

    • walter disse:

      Certamente Cara Maria aparecida Ramos Tinhorão, são muitas medidas nesta transição;Tudo o que o Temer deve fazer além das medidas inibitivas, acabando com as benesses desenfreadas que o PT patrocina; desligar os agregados, e não concursados, inúteis de plantão no governo..trazer medidas econômicas, que possam alavancar o País; causar uma melhora significativa, na contratação de mão de obra e serviços; este deve ser o principio.A Industria precisa crescer o mínimo que seja…
      O Brasil, espera ansioso por respostas; não poderemos viver por promessas; um desafio tremendo, se o Temer conseguir, vai ter mais tempo, em 2017 para corrigir com calma outros gargalos…

  2. davi disse:

    O “fogo” é sempre ter que contar com a boa vontade, ou não, do nosso parlamento, que só lembra do povo em época de eleição. Devemos, e temos que, diminuir suas regalias e aumentar suas obrigações. Igualzinho como eles fazem com suas imposições aos contribuintes.

  3. Marco Alcantara disse:

    Desafio nada! Ele foi um dos arquitetos desse presidencialismo de coalizão. O Golpe final será mudar para parlamentarismo e vivenciarmos todos os dias aquele show de horrores do Legislativo.

  4. Leonardo Gama disse:

    diante do nível e da quantidade de políticos apoiadores do Impeachment,(os quais o Brasil conheceu na votação da câmara), vc acha que Temer consegue compôr sem ser obrigado a contemplar aquele bocado de gente?
    acho impossível, é um governo muito frágil, sem apoio popular e de legitimidade duvidosa (pra não dizer outra coisa), a esquerda vai bater forte e Temer vai precisar de td apoio que puder, ou seja, achar que ele vai conseguir governar sem agradar os “fisiológicos,” é inocência.

  5. DIRETO AO ASSUNTO: ISSO É UMA VERGONHA... É PRECISO PASSAR O PAÍS A LIMPO! disse:

    HUMBERTO COSTA DEVERIA TER DITO À FOLHA DE SÃO PAULO O ÓBVIO “ULULANTE”: QUE O “GÊNIO DO MAL” A ESCOLHEU PARA SUCEDÊ-LO COM O OBJETIVO DE QUE ELA FOSSE APENAS UM “POSTE” E ELE CONTINUASSE SENDO A “LUZ” – AFIM DE CONTINUAR GOVERNANDO SEM O MANDATO OFICIAL.
    AÍ SIM, CABE A FRASE DO HUMERTO COSTA: “DILMA É UMA PESSOA QUE TEM DIFICULDADE DE DIALOGAR, DE OUVIR, É O PERFIL DELA”. MAS FALTOU ELE DIZER QUE ALÉM DO PERFIL DELA TAMBÉM A ROUBALHEIRA AOS COFRES PÚBLICOS ULTRAPASSOU TODOS OS LIMITES, E A LAVA JATO VEIO COMO UM “RAIO DESTRUIDOR” DOS PLANOS DO GÊNIO DO MAL.
    É POR ISSO QUE A NAÇÃO, O JUDICIÁRIO E OS AINDA COM VERGONHA NA CARA DO LEGISLATIVO ENXERGAM CLARAMENTE QUE ELA DEVE IMEDIATAMENTE PERDER O MANDATO E O GÊNIO DO MAL DEVE, IMEDIATAMENTE, IR PARA A CADEIA!

  6. O Presidencialismo de coalisão está doente. Isto é fato! E o nome da doença é ganancia.
    Os gananciosos nunca estão satisfeitos com o que tem. Já tem muito mas,sempre querem mais!
    Triste “Pátria Mãe” que os seus filhos não tem amor por ela. Abusando dela de todas as maneiras possíveis e imagináveis.
    O povo sírio sabe muito bem o valor da Pátria Mãe. Mãe só tem uma!
    Pena que os seres humanos sejam tão ignorantes a ponto de só dar valor, para aquilo que não tem.
    Que Zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

  7. O Senador Humberto Costa não pode jogar a culpa toda nas costas da Presidente deposta Dilma Rousseff. O PT fez jogo duplo o tempo todo. Faziam discursos no plenário da Câmara e do Senado apoiando a Presidente enquanto os movimentos sociais e o PT criticavam o Ministro Levy. Nunca apoiaram de verdade as medidas econômicas “sabiam” que eram necessárias.
    Deveriam ter contado a verdade para os eleitores. Deveriam ter contado a verdade para a sua base social. Deveriam ter dito que era necessário dar alguns passos para trás ou o país quebraria. Deveriam dizer a todos que haviam exagerado nas reformas e que teriam que recuar momentaneamente para corrigir o exagero. Ainda assim estariam escondendo o real motivo do problema. A “corrupção”.
    O PT tem parar de arrumar bodes expiatórios e começar assumir os seus erros.
    Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

  8. Alberto disse:

    O certo é presidencialismo de colisão.

  9. Waldir Maranhão acaba de demonstrar que o presidencialismo de coalisão e a corrupção vão acabar com o Brasil.
    Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

    • Luiz Silva disse:

      A pergunta é: qual artigo do Regimento Interno da Câmara dá ao presidente poder de anular uma sessão?

      • No dia do afastamento do Presidente da Câmara Eduardo Cunha, escrevi neste blog sobre o perigo de qualquer tresloucado tomar decisões monocráticas no futuro e dos riscos para a governabilidade, que isto acarretaria. Não demorou muito para acontecer!
        Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

  10. COALIZÃO É NECESSÁRIA, PORÉM SEM CHANTAGEM! disse:

    TEM QUE FAZER COALIZÃO SIM, COM OS PARTIDOS, AFIM DE PODER APROVAR AS NECESSIDADES URGENTES DO PAÍS. SÓ QUE PARA ISSO ACONTECER DE FATO NÃO PODE NOMEAR “LIXOS” (QUE HÁ EM TODOS OS PARTIDOS, SEM EXCEÇÃO) E SIM O QUE HOUVER DE MELHOR NUMA ESCOLHA, PRIMEIRO, MERITÓRIA, “SE POSSÍVEL” DENTRO DOS PARTIDOS (ONDE HÁ MUITA GENTE BOA TAMBÉM, EM TODOS OS PARTIDOS, SEM EXCEÇÃO).
    ENTRETANTO SE O QUE HOUVER DE MELHOR EM DETERMINADA ÁREA FOR ALGUÉM ATÉ DESVINCULADO DE PARTIDO, POR QUE NÃO?
    OBS: PARTIDO QUE EXIGE CARGOS PARA APOIAR UM PRESIDENTE QUE ASSUME UM PAÍS NAS CONDIÇÕES DE ATOLAMENTO NO MAIOR MAR DE LAMA JAMAIS VISTO, TEM QUE SER DENUNCIADO CLARAMENTE À NAÇÃO, PARA QUE RECEBA A RESPOSTA DO POVO NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES!

  11. Matos disse:

    Inabilidade de lidar com o Congresso? E o que definiria a habilidade? Ceder ainda mais a todas as suas chantagens? O Congresso é definitivamente um balcão de negócios. Isto serve para calar a boca daqueles que poucos meses atrás diziam que ‘as nossas instituições estavam funcionando bem’. Ou Temer compra votos ou ficará paralisado em sua presidência.

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2019-11-21 03:14:08