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Política
09-10-2019, 20h24

Presidente da República não tem compromisso com partidos

De novo, Bolsonaro cria uma crise num dia e se desmente no outro
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro não tem compromisso com partidos políticos. Para se candidatar à Presidência no ano passado, ele usou o PSL como legenda de aluguel ou, recorrendo a um termo mais preciso, como partido laranja.

No Brasil, os partidos são cartórios. O deputado federal Luciano Bivar (PE) é o presidente nacional da legenda. Mas presidentes estaduais também têm poder e não querem abrir mão dele para Bolsonaro e familiares.

De legenda nanica até a entrada de Bolsonaro, o PSL terá cerca de meio bilhão de reais para usar em 2022 em verbas dos fundos partidário e eleitoral.

Em 2018, houve um casamento de conveniência que foi bom para Bolsonaro e o PSL, que cresceu de forma significativa. O partido é o segundo maior da Câmara. Tem 53 deputados federais _um a menos do que o PT. No Senado, a sigla é composta por três senadores.

Fundar um novo partido ou migrar para uma outra sigla são opções de Bolsonaro. Mas há prós e contras. O filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sonha em criar o Partido Conservador. Pode ser uma sigla que nasça do zero ou uma legenda que mude de nome e de programa.

Ao final do dia, em entrevista rápida, Bolsonaro comprou tempo e amenizou as críticas ao próprio partido. No entanto, foi ele quem disse ontem que Bivar estava “queimado” e pediu para um apoiador esquecer o PSL.

Bolsonaro jogou o seu partido ao mar para evitar ser atingido pelo caso de candidaturas laranjas do PSL nas eleições do ano passado. A Polícia Federal e o Ministério Público investigam o tema. Há suspeita de que houve abastecimento de caixa 2 à campanha do próprio Bolsonaro, segundo reportagem da “Folha de S.Paulo” no domingo.

Para o país, foi mais um dia de uma crise gerada pelo próprio presidente, drenando energia que deveria estar concentrada em políticas públicas para tirar o país da crise. Bolsonaro é um presidente que provoca uma crise num dia e se desmente no seguinte. Ruim para o Brasil.

Detalhe: o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, estiveram hoje com o presidente. Há rumores de que Moro tem acesso a informações sigilosas, o que não é sua atribuição funcional. Esse encontro, depois de Moro ter estado ontem com Bivar, só alimenta a imagem de que o antigo paladino do combate à corrupção virou advogado de defesa do presidente.

Segundo o jornal “O Globo”, Bolsonaro já passou por oito partidos. Ouça este comentário no início do áudio no fim deste texto.

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Sem preparo para a função

Em depoimento na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, o ministro Ricardo Salles culpou governos anteriores pelo aumento do desmatamento e das queimadas. Faltou com a verdade novamente. Ouça este comentário a partir dos 8 minutos e 24 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, o presidente se pronunciou ao imaginar o tamanho do buraco cavado pelo Bivar nas contas do partido; fez bem ao falar com o diretor da PF, tomou atitude para se prevenir…A reforma política é necessária para ontem, estes partidos de aluguel aproveitam se da legislação frágil para ganhar dinheiro fácil, todos nós sabemos disso, este tipo de problemas o Jair não precisa; todos sabem que a oposição esta procurando qualquer motivo para criar dificuldades; quanto ao desmatamento, nenhuma novidade, nenhum governo anterior fez nada de fato que possa ser enaltecido, quanto a Amazônia; sabemos todos, aquela região apenas consta nos mapas e livros, já que jamais foi promovida por governos, com intuito em valoriza la e defende la, esta é a realidade; provavelmente, acontecerá neste governo, por falta de recursos…

  2. É super triste a situação do nosso país e a estagnação econômica. Pensei que o Bolsonaro conseguiria resolver o problema, mas pelo visto não.

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