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Política
22-10-2019, 19h28

Previdência é a única reforma importante aprovada em 2019

Bolsonaro volta a tratar coisa pública como bem de família
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

A Previdência é a única reforma importante aprovada neste ano. É um passo fundamental para a sustentabilidade do sistema de aposentadorias, mas fica bem abaixo da expectativa que se esperava da ambição reformista no primeiro ano do governo Bolsonaro.

Por volta das 18h40, o Senado ainda votava o segundo turno. Havia expectativa de aprovação fácil, com placar semelhante ao do primeiro turno (56 a favor e 19 contra). A reforma acabaria aprovada no segundo turno por 60 a 19.

Essa reforma da Previdência só foi realizada porque o poder de fato tem sido exercido pelo Congresso, que está ditando a agenda econômica. Se dependesse da articulação política do governo, nem ela teria sido votada.

Hoje foi um dia de euforia no mercado financeiro, porque há realização de lucros. Mas os estrangeiros continuam saindo da Bolsa. O saldo entre entrada e saída de investimentos externos é, por ora, de R$ 11,5 bilhões negativos em outubro. Falta confiança. A nossa economia está andando de lado.

Em dez meses de governo, a equipe econômica não apresentou uma proposta de reforma tributária. Mas sobram balões de ensaio todos os dias.

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Bolsonaro confunde coisa pública com bem de família

A escalada de hoje na guerra interna no PSL pareceu um movimento para tentar forçar o governo Bolsonaro a negociar algum tipo de acordo ou trégua com a ala bivarista. Houve ameaça de represália partidária a 19 deputados, mais de um terço da bancada de 53 membros.

Ora, nenhuma bancada consegue atuar com esse nível de divisão, criando disfuncionalidade e contaminando a pauta do Congresso.

Também é grave a acusação da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, de que os três filhos do presidente que são políticos montaram uma máquina de difamação na internet com cerca de 1.500 perfis falsos, alguns controlados por funcionários públicos. Ou seja, milícia virtual paga com dinheiro público.

Lá do Japão, o presidente da República sinalizou que deve abandonar a ideia de indicar o filho Eduardo Bolsonaro para uma embaixada em Washington. Bolsonaro afirmou que Eduardo Bolsonaro poderia escolher nos próximos dias entre a embaixada e a liderança do PSL na Câmara.

O presidente mostra que deixa o aparato de governo à disposição dos familiares. Bolsonaro exercita o poder de modo parecido com uma monarquia. Isso só evidencia sua falta de preparo para a Presidência. Trata a coisa pública como se fosse bem de família.

Bolsonaro tampouco mudará o modelo de governar produzindo conflitos. Esse modo, porém, não tem risco de dar certo. No Congresso, Eduardo Bolsonaro correu literalmente da imprensa. Cena deplorável, mas à altura da atual adminstração.

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Protestos e alerta

Os protestos no Chile servem de alerta ao Brasil. O que importa é o combate à desigualdade social. As queixas dos chilenos em relação ao sistema previdenciário de capitalização enfraquecem a defesa que o ministro Paulo Guedes (Economia) faz da adoção desse modelo pelo Brasil.

Ouça abaixo os comentários feitos hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, já estava escrito nas estrelas, a reforma da previdência; tentaram protelar para obter vantagens, já que não adiantou, tratando se de uma obrigação de todos, não poderiam protelar mais, já que as obrigações do governo, passaria a ser do Senado; espero ainda, a adesão dos Estados e município, outra Burrice em série, junto ao pacto federativo para completar. O Chile era a menina dos olhos do lado de cá, com um rodizio ultimamente, entre a esquerda e o centro, elogiado como uma referência; este aumento do Metrô, provou o tamanho da desigualdade, e o Ranço que o Povo pobre por lá tem do governo; deixar de ser realista, com relação a coisa pública, como é o caso da Argentina, caso insistam em manter a desvalorização, mais o retorno da Cristina, ali sim teremos uma convulsão logo em seguida infelizmente. O governo por aqui, pretende fazer as reformas no setor financeiro, o que trará empregos, ano que vem…

  2. Braga-BH disse:

    Do modo como esta famigerada Reforma foi executada, descontando mais uma vez nas costas do povão e deixando de lado certas castas de nosso país tais como militares, juizes e membros da vida pública federal, teremos uma previdencia bem próxima da hoje existente no Chile. Aliás, paulo guedes também estava por lá quando a de lá foi arranjada. O que teremos dentro de alguns anos serão velhos que não terão empregos, devido à Reforma Trabalhista de Temer, não terão assistencia de forma nenhuma pois não conseguirão se aposentar com as regras atuais. Em muito breve seremos um país empobrecido onde os 35% do PIB que hoje está na mão de 1! da população, deverá dobrar de valor aumentando ainda mais o abismo social hoje existente.

    • walter nobre disse:

      Vamos ao que interessa Kennedy, como digo a seis meses, a reforma sairia, mesmo com as tentativas de chantagem, por um congresso sem compostura e caráter; não haviam motivos para tanta protelação, a começar pela câmara, dirigida pelo Maia, que vem tentando ganhar nome de qualquer forma; tenta sobreviver da política, com o nome pendente, como seu Pai, tenta criar fatos e recursos novos..
      O senado bem que tentou protelar, mas os senadores perceberam finalmente que o presidente não cederia a benesses, e declinaram; precisam incluir estados e municípios, um desafio, mais o pacto federativo…as questões de protestos, principalmente ao nosso redor, causa temor, precisamos estar preparados, já que a Argentina, esta em transição, com muitos problemas…

  3. Antonio disse:

    Prezado Kennedy. Continua o mistério das contas da Previdência Social. Se são verbas da seguridade social o COFINS, a CSLL, o recolhimento pelas empresas e pelo empregado (as principais)e se as arrecadações em 2018 foram de R$ 242,3 bilhões, R$ 64,5 bilhões e R$ 417,1 bilhões (empregados e empregadores), respectivamente, totalizando 723,9 bilhões e os benefícios pagos somaram R$ 586,4 bilhões, com um saldo positivo de R$ 137,5 bilhões, como pode se explicar as notícias de déficit? Os números são oficiais das estatísticas da Receita Federal e do INSS. Há coisas muito estranhas nisto tudo.

  4. Miguel Ângelo disse:

    Kennedy, neste artigo o interessante é a oportunidade de se analisar dois momentos com o tema previdência, e a reforma. No Chile a reforma praticada há décadas inseriu na sociedade o desamparo social, as contas públicas foram equilibradas, mas o legado se ancorou numa sociedade vivendo com menos que o salário mínimo vigente naquele país. Oras, não há do que se discutir a Reforma da Previdência foi uma decisão importante. Muito maior seria cortar privilégios previdenciários. Os Estados e Municípios ainda estão fora. Os 3 poderes ainda podem cortar na carne. Onde tivermos Fundação Privada atrelada ao salário pago. Maior contribuição por parte do participante, e menor presença do Estado, tem que ser aplicado. Senão tudo ficará a cargo de perda de renda por parte da população mais pobre. No Chile o salário mínimo é R$ 1.715,70. No Brasil R$ 998. No Chile a maioria dos aposentados recebem menos que o minimo 60% (1.029,42). Se no Brasil 60% para 30 anos (R$ 598,80), claro corrigidos.

  5. Miguel Ângelo disse:

    Não precisa ser visionário para antecipar que a Reforma da Previdência agora, nasce capenga para um futuro maravilhoso. É necessária. Claro que sim. Mas muito mais necessária seria a ética política, do judiciário em cortar do seu salário. No Brasil se ganha muito para resolver problemas, para imaginar soluções e muito pouco ganha quem trabalha. O salário mínimo brasileiro é vergonhoso. E ele é o que vai frustar e colocar o Brasil para um Chile no futuro. Não existe mágica. A solução seria pedir ao povo se ele aguenta receber uma mixaria de R$ 30 reais dia para alimentos, passagem, vestuário, educação, saúde, enquanto senhores da fé, plantados nos 3 poderes recebem R$ 4,8 mil de auxílio moradia, tendo salário para pagar seu aluguel, sua prestação. O pensamento da reforma ainda é um aposentado para x trabalhando. Pensamento ultrapassado. A contribuição para previdência tem que vir da produção, do consumo e parte dos salários. Onde as empresas soneguem menos.E não aja apropriação indébita

  6. Miguel Ângelo disse:

    por parte dos empresários. A aposentadoria rural tem que ser feita por produção. E iniciar cedo. O desequilíbrio das contas, serão sanados se pensado em 3 décadas, pelo aumento do salário mínimo. E a necessidade de se criar uma compensação com base no consumo, na produção, vem das observações matemáticas. Se hoje o salário mínimo no Brasil é menor 70% aproximadamente, do que o do Chile. E não só dele na América do Sul. Defender a capitalização em previdência ecoa como uma ridícula forma de te fazer de bobo. Se quiser pensar numa realidade pior que a do Chile e isto é fácil acontecer no Brasil, pense: Queira ou não a proporção de brasileiro trabalhando para aposentados tende a 1,5. Onde teremos 1,5 trabalhando para 1 aposentado. Na melhor hipótese. Fora a guerra, e peste, não existe forma natural de reduzir a desproporção. Então qual é a saída? Aumentar renda. Para um futuro onde você receba 1 salário mínimo próximo ao necessário. Terá que receber R$ 1.700,00 (com descontos = 1,5 mil).

  7. Miguel Ângelo disse:

    Austrália, Canadá pagam salário mínimo próximo a R$ 4,5 mil. O Dieese trabalha com um salário mínimo necessário de R$ 4 mil. E isto é para o básico de consumo. Numa família teríamos que ter 4 pessoas recebendo o mínimo para suprir a necessidade conforme cálculo do Dieese. Na aposentadoria, o consumo por remédios, plano de saúde, forma de locomoção aumentam. A solidão para famílias de três pessoas tende ser certa. Pais mortos, filhos sem rumo. Pois nossa sociedade é baseada em faixa financeira. O alento religioso é cômico, critico, já que representado em Brasília, somente favorece a si mesmo. E se aumentado o salário mínimo, milhares de brasileiros, viverão na linha de pobreza, ou abaixo dela. A Reforma citada e a crise previdenciária no Chile nunca esteve tão explicativa para nosso futuro num só texto. Prezados, a Reforma da Previdência é necessária e uma realidade, um legado do Congresso. Só que para afastar um futuro Chileno. Mais ações de capitalização do INSS teremos que ter.

  8. J K disse:

    Tem outra reforma aprovada? O que foi realizado está listado entre medidas tomadas sem alterações previstas na Lei. Petrobras, imóveis, e outros patrimônios pertencentes à união vendidos não foram motivos de MPs, decretos, leis ou afins. Rodrigo maia vem se revelando um grande maestro e 2022 chega logo. Aparentemente vai deixar a reforma política no timing correto para recuperar seu prestígio antes do pleito.

  9. Wilson disse:

    Com a economia de quase 1 trilhão de reais prometida com a reforma da previdência, finalmente teremos recursos para transformar Angra dos Reis na Cancún do Hemisfério Sul. Talvez até sobre uns trocados para comprarmos ações da EMBRAER, que agora é americana, e da LATAM, que, sempre foi chilena, e agora é também americana. Com alguma sorte, poderemos desenvolver o programa de foguetes brasileiros em Campina Grande ou Caruaru, no próximo período junino (foguetes festivos, é claro), já que a Base de Alcântara também passou a ser americana (do norte).

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2019-11-22 18:11:05