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Entrevistas
08-10-2016, 11h19

Previdência pagará “bônus” a quem contribuir mais, diz Temer

Ele diz que não deve desvincular salário mínimo de reajuste de benefícios
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O presidente Michel Temer diz que a reforma da Previdência deverá prever o pagamento de um “bônus” ou “abono” para quem tiver contribuído por mais tempo ao se aposentar com a idade mínima de 65 anos.

“Pode criar um bônus, um abono, em função da permanência no serviço, seja no serviço público ou na iniciativa privada. Eu acho que essa é uma regra de justiça. Quem contribuiu mais deve receber mais”, afirma o peemedebista, em entrevista ao SBT.

Questionado sobre a possibilidade de desvincular a regra de reajuste real do salário mínimo de benefícios para aposentados e deficientes carentes, aposentadorias rurais e pensões, Temer diz: “A minha primeira convicção é de que não deve se desvincular. Esta é a minha primeira impressão. Mas eu só vou anunciar em definitivo quando tiver a reforma pronta”.

Ele diz que pretende enviar a reforma da Previdência ao Congresso até o fim do mês. Crê que ela será aprovada completamente no primeiro semestre do ano que vem.

O presidente diz que governadores pediram que ele proponha aumento de 11% para 14% da cobrança previdenciária dos servidores da ativa e dos inativos. Se houver consenso a respeito disso na reunião com governadores na semana que vem em Brasília, ele bancará a proposta.

Temer declara que a idade mínima será mesmo de 65 anos, mas ainda avalia um limite menor para mulheres. “Acho que as mulheres têm que ter um prazo um pouco menor do que o dos homens.”

Ele destaca que não será afetado “direito adquirido” e que será feita “uma reformulação da Previdência para se compatibilizar com o teto de gastos do país”.

Perguntado se um fracasso na aprovação da reforma da Previdência inviabilizaria a regra de teto orçamentário que pretende aprovar por emenda constitucional, responde: “Ah, sim. Para você reduzir os gastos, precisa reduzir também os gastos da Previdência. Ela é importantíssima. Mas não significa que o teto não deveria ser feito. O teto é o primeiro passo. Depois, nós vamos para outras reformas importantes também”.

Temer acha que a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que cria o teto para limitar o crescimento das despesas públicas será aprovada na segunda-feira em primeiro turno de votação na Câmara dos Deputados.

“Acho que será aprovada. Se eu for me pautar pelo resultado da votação na comissão especial, que com 23 votos a favor e 7 votos contrários, isso representa mais de 75% no critério da proporcionalidade. Se eu adotar esse critério, vai a quase 380 ou 390 votos.”

Ele crê que um placar entre 360 e 380 votos daria “um tom de força e de prestígio muito grande do governo junto ao Poder Legislativo”.

O presidente prevê a volta do crescimento da economia no ano que vem. Afirma que a aprovação da PEC do Teto e a taxa de inflação baixa em setembro abrem espaço para queda dos juros.

Admite que, por ter se tornado efetivo, será mais cobrado. Mas também possui mais força para negociar com o Congresso.

“Nós vamos deixar isso [reforma trabalhista] para depois. A cronologia é teto, depois Previdência e depois vamos examinar a questão da reforma trabalhista”, diz, ressalvando que a Justiça e o Congresso já têm tratado desse tema.

Temer confirma que fez um acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que o projeto de repatriação de recursos remetidos ilegalmente ao exterior tenha como data para cobrança de multa e tributos o saldo na conta no dia 31 de dezembro de 2014. O presidente afirma que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, participou desse acordo.

O presidente nega ajuda específica da União a Estados em dificuldade. Afirma que um socorro geral poderá ser dado com a divisão de parte do que for arrecadado após a aprovação do projeto de repatriação de recursos remetidos ilegalmente ao exterior.

Indagado se pediu que ministros falasse menos, declara: “Eu pedi que falassem adequadamente”.

Temer diz não ter “nenhuma objeção” a conversar com ex-presidente Lula, com quem “tinha ótima relação no passado”. No entanto, afirma: “Você me conhece bem, sabe que eu não sou de importunar ninguém e nem de ser inoportuno”.

Afirma que Lula “merece todo o respeito de todos”, mas evita “entrar no mérito” da afirmação do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki de que houve um “espetáculo midiático” do Ministério Público ao apresentar denúncia contra o ex-presidente. “Se houve espetáculo ou não, na visão do advogado, eu não me importaria com isso. Eu me importaria com o conteúdo jurisdicional da denúncia.”

Temer diz não ver abusos na Lava Jato, mas não considera “útil” que falem demais. Faz a ressalva que o mundo mudou e de que “não há como impedir a revolução técnica nos nossos costumes [falando de redes sociais]”.

A respeito da declaração do ministro do STF Ricardo Lewandowski de que o impeachment de Dilma Rousseff foi um “tropeço” da democracia brasileira, responde: “Ele mais ou menos disse que a cada 25 ou 30 anos sempre existe uma… um tropeço democrático, uma coisa assim. Ele quis dizer nesse sentido histórico. Eu não acredito que ele quis dizer que o impedimento foi uma coisa irregular. Por uma razão singela: foi ele quem presidiu o impedimento”.

Temer nega que a campanha “Vamos Tirar o Brasil do Vermelho” seja antipetista. “É uma expressão popular, não significa tirar do PT. O PT tem que continuar a ser um partido, trabalhar do jeito que ele trabalha, no método dele, conquistar os seus eleitores. Não há absolutamente nenhum duplo sentido nessa afirmação.” Ele confirma que essa propaganda não será mais exibida.

A seguir, a íntegra em vídeo e texto da entrevista com Temer, concedida na tarde de sexta-feira, na sala de audiências do Palácio do Planalto:

Kennedy Alencar: Presidente, qual é a diferença de estar efetivo? O sr. ficou interino por algum tempo. A vida ficou mais fácil ou ficou mais difícil?

Michel Temer: Governar não é fácil, embora nós sempre tentemos desempenhar muito bem o papel que a vida nos entrega. Eu acredito que, mesmo durante o interinato, nós produzimos muitos gestos positivos para o país. Veja só o que nós aprovamos no Congresso Nacional. E agora, quando eu me tornei efetivo, é claro que as atenções se voltam mais para os resultados que virão dessa efetivação.

KA: O sr. vai ser mais cobrado?

MT: Acho que serei mais cobrado, naturalmente cobrado. E muito adequadamente cobrado, porque esta é a função na democracia. O presidente tem que ser cobrado.

KA: Mas tem mais força também para negociar com o Congresso, não?

MT: Tem. Embora, eu vou dizer, o Congresso, mesmo durante a passagem interina, sempre me apoiou muito. Eu já tive a oportunidade de dizer a você que não houve nenhum pleito do Poder Executivo no Congresso que não tivesse sido aprovado. Agora, nós vamos para novas provas que acho que vão ganhar o apoio do Congresso por uma razão singela: o Congresso Nacional sabe que para tirar o país da crise é preciso fazer essa conexão entre o Executivo e o Legislativo.

KA: Presidente, vamos falar de economia. Hoje teve um dado positivo na área da inflação. A inflação de setembro ficou em 0,08%, praticamente estável. Mas os dados de atividade industrial ora são bons, ora são negativos. A gente ainda tem a perspectiva de uma queda de 3% ou um pouco mais do PIB neste ano. A inflação, mesmo que em queda, ainda vai estourar o teto da meta. O sr. está no poder há cinco meses, contando a interinidade e esse período efetivo, por que a retomada da confiança ainda não aconteceu para valer?

MT: Eu acho que há uma diferença entre a confiança e a produção. Num primeiro momento, havia esperança. Num dado momento, essa esperança se converteu em confiança. É a partir da confiança que ressurgem os investimentos. Eu pude verificar isso não só aqui, com vários investidores nacionais que recentemente têm me procurado dizendo que vão investir bilhões de reais, e lá no exterior também. Eu fiz pelo menos duas viagens ao exterior e lá, com investidores estrangeiros, eu tive a notícia de que querem investir bilhões de dólares aqui no Brasil. Todo o nosso projeto é um projeto para eliminar o desemprego. Mas isso também não se faz de uma hora para a outra. Eu falei esperança, confiança e a produção. Ela surge depois, não surge de um dia para o outro.

KA: O sr. acha que volta em 2017, então?

MT: Volta em 2017. Aliás, o FMI mesmo, hoje os jornais estão noticiando, acredita que o índice de credibilidade do Brasil aumentou muito. Portanto, 2017 será melhor do que os anos anteriores.

KA: Tem uma proposta importante que está tramitando no Congresso, uma Proposta de Emenda Constitucional. O sr. quer mudar a Constituição para criar um teto para limitar o crescimento das despesas públicas. Houve muita crítica da oposição de que isso pode resultar, no longo prazo, em perdas para as áreas sociais. No entanto, os apoiadores dizem que é importante para o país interromper um crescimento explosivo da dívida pública. Está prevista a votação na segunda-feira. O sr. acha que será aprovada e por qual placar?

MT: Eu acho que será aprovada. Se eu for me pautar pelo resultado da votação na comissão especial, com 23 votos a favor e 7 votos contrários, isso representa mais de 75% no critério da proporcionalidade. Se eu adotar esse critério, vai a quase 380 ou 390 votos. Mas, evidentemente, nós temos os pés no chão. Se nós obtivermos os 308 votos que são necessários para a aprovação da Emenda Constitucional, nós estamos satisfeitíssimos. E ela é fundamental para o crescimento do país. E acho, volto a dizer, que o Congresso Nacional tem plena ciência e consciência desse fato e vai nos ajudar nessa tarefa.

KA: Articuladores políticos do sr. estão falando nos bastidores de 360 ou 380 votos para ser uma demonstração de força. O sr. acha que vai ficar por aí?

MT: Eu até espero que fique, mas prefiro não falar em números. Sabe o que acontece? Pode dar 340 votos, e a notícia é que o governo não atingiu o que imaginava. Por isso que eu digo que, se obtiver 308, isso significa aprovação, está ótimo. Mas, evidentemente, não posso recusar essa afirmação de que, se obtiver 360 ou 380 votos, isso dá um tom de força e de prestígio muito grande do governo junto ao Poder Legislativo.

KA: Como o sr. responde à crítica de que, no médio e longo prazo, haverá restrição para gastos sociais?

MT: Eu peço apenas para ler tanto o projeto da Emenda Constitucional como especialmente, para não ficar só na palavra, verificar também a ação, o orçamento do ano que vem. Nós preparamos o orçamento para o ano que vem baseado no teto, como se o teto condicional já tivesse sido aprovado. O que se verifica lá, em matéria de saúde e educação, é que houve aumento de verbas. Então, para eliminar, digamos assim, uma inverdade: o teto não é um teto para a Educação, outro para a Saúde, um teto para a Justiça e um teto para a Cultura. O teto é global, o teto é geral. Então, você pega áreas fundamentais, como saúde e educação, e continuará prestigiando-as ao longo do tempo. É claro que, para obedecer ao teto geral, você vai ter que tirar de outras áreas.

KA: Vai ser uma luta maior pelo que é prioridade no orçamento.

MT: Pronto. Mas, se saúde e educação forem prioridades, como serão sempre, terão sempre verbas especialíssimas no orçamento.

KA: Muitos especialistas dizem que não basta aprovar a PEC do Teto. Se não for aprovada também uma reforma da Previdência, em dois ou três anos o gasto previdenciário vai crescer tanto que será impossível cumprir essa regra do teto. Aprovada a PEC do Teto, obrigatoriamente tem que ser aprovada uma reforma da Previdência?

MT: Nós vamos providenciar uma reforma do sistema previdenciário. Até vou contar a você, ontem eu recebi a visita de oito governadores que vão se reunir com outros governadores precisamente para examinar a questão previdenciária. Porque essa questão previdenciária não é apenas da União, é uma questão também dos Estados. Você sabe que muitos Estados estão praticamente quebrados, precisamente em função do problema previdenciário. E aqui, convenhamos, basta olhar dados. Este ano, o déficit previdenciário vai ser de mais de R$ 100 bilhões. No ano que vem, mais de R$ 150 bilhões. Ou seja, daqui a alguns anos, e esta palavra eu lanço aos mais jovens, que são empregados e vão se aposentar no futuro, talvez você vá aos cofres da Previdência, do poder público, vai bater numa porta e não tenha dinheiro para pagar. Se diz que isso é impossível. Não é impossível, não. Já aconteceu na Grécia. Então, se nós não tomarmos cuidado com isso, nós vamos comprometer as aposentadorias dos novos cidadãos e até daqueles que hoje estão aposentados. É fundamental fazer essa reforma. É claro que nós vamos manter os direitos já consolidados. Ninguém vai alcançar direito adquirido. Mas nós vamos prever para o futuro, eu não tenho ainda todos os dados, uma reformulação da Previdência para se compatibilizar com o teto de gastos do país.

KA: Sem reforma da Previdência o teto perde o sentido?

MT: Digamos o seguinte, não perde o sentido porque, de qualquer maneira, todo e qualquer orçamento será baseado nesse teto constitucional que nós estamos fazendo. E, convenhamos, é um gesto ousado. Porque, desde a Constituição de 1988…

KA: Mas inviabiliza, não, presidente, em três ou quatro anos, se não tiver a reforma da Previdência?

MT: Ah, sim. Para você reduzir os gastos, precisa reduzir também os gastos da Previdência. Ela é importantíssima. Mas não significa que o teto não deveria ser feito. O teto é o primeiro passo. Depois, nós vamos para outras reformas importantes também.

KA: Na reforma da Previdência, está decidido que a idade mínima será de 65 anos e que o tempo mínimo de contribuição será de 25 anos?

MT: Decididíssimo ainda não está. Eu confesso que, pela primeira vez, no dia de ontem [quinta, 06/10], os técnicos que elaboraram a reforma da Previdência me trouxeram um primeiro esboço da reforma previdenciária. Eu fiz algumas observações e eles devem me trazer novamente na semana que vem. E, na sequência, evidentemente, eu vou reunir centrais sindicais para comunicar a eles o que será a reforma da Previdência. Vou reunir setores empresariais e os mais variados setores da sociedade e, especialmente, líderes no Congresso, na Câmara dos Deputados, para apontar qual será a reforma da Previdência.

KA: Pode mudar, então, os 65 anos?

MT: Eu penso que a idade mínima talvez fique por aí. Eu sempre prego uma pequena diferença entre a idade mínima para o homem e para a mulher. Qual é o contra-argumento? É que a mulher hoje tem a expectativa de vida maior do que a do homem. E qual é o contra-argumento a esse contra-argumento? É que, na verdade, a mulher muitas vezes tem uma jornada dupla de trabalho. Basta verificar o que a mulher passa no lar, na sua casa, e ao mesmo tempo no trabalho. Então, para a minha ideia, esta não é ainda uma coisa decidida, eu acho que as mulheres têm que ter um prazo um pouco menor do que o dos homens.

KA: Tem uma discussão sobre a criação de um bônus para quem trabalhar por mais tempo. Um exemplo: o cidadão começa a trabalhar aos 20 anos. Se ele se aposentar aos 65, serão 45 anos de contribuição. Se ele começou aos 30 e se aposentou aos 65, serão 35 anos. Quem contribui por mais tempo pode ter um benefício maior?

MT: Pode. Pode criar um bônus, um abono, em função da permanência no serviço, seja no serviço público ou na iniciativa privada. Eu acho que essa é uma regra de justiça. Quem contribuiu mais deve receber mais. Isso também está delineado naquela proposta de reforma que me mandaram, embora eu deva dizer que muitas vezes a gente diz uma coisa que parece que é definitiva, mas não há nada em definitivo ainda. Nós estamos em estudos, estamos examinando vários aspectos. Porque é uma reforma que é mal compreendida. E, portanto, nós queremos que ela seja bem compreendida por todos os setores sociais, especialmente pelos aposentados.

KA: Mas é justo quem trabalhou mais, contribuiu mais, receber mais. Outra ideia para esclarecer com o sr. O ministro Eliseu Padilha disse que o governo estuda propor uma desvinculação daquela regra de reajuste real do salário mínimo dos chamados benefícios de prestação continuada. São benefícios para idosos e deficientes carentes e também para aposentadorias rurais e pensionistas. O sr. pretende desvincular essa regra de reajuste real do mínimo para esse segmento da Previdência?

MT: Por enquanto, isso não chegou aos meus ouvidos. Na verdade, como eu lhe disse, ontem houve um primeiro esboço da reforma previdenciária e esse assunto foi esboçado, mas não foi tratado.

KA: O ministro Padilha falou. Deu uma entrevista dizendo que seria desvinculado.

MT: Houve a hipótese de desvinculação, mas ela não está decidida ainda.

KA: Qual é a sua tendência?

MT: A minha primeira convicção é de que não deve se desvincular. Esta é a minha primeira impressão. Mas eu só vou anunciar em definitivo quando tiver a reforma pronta.

KA: Também haverá aumento de 11% para 14% da cobrança previdenciária dos servidores da ativa e dos inativos?

MT: Eu mencionei a reunião com os governadores ontem e eles vieram exatamente com essa proposta. Aliás, alguns Estados até conseguiram. O Estado de Santa Catarina foi para 14%, e o Rio Grande do Sul foi para 13,25% ou coisa assim. E eles vieram propor exatamente isso, que houvesse um aumento geral das contribuições tanto da União quanto dos Estados. Eles vão fazer com governadores e, se houver unanimidade em torno disso, eles voltarão à Presidência da República para nós examinarmos. Veja bem, eles querem dar um apoio à reforma da Previdência. Começando precisamente por um aumento da contribuição.

KA: Havendo consenso entre os governadores, o sr. banca essa proposta?

MT: Não é improvável. Aí, será um trabalho não da União, mas um trabalho da Federação.

KA: A gente viu que a inflação caiu agora em setembro. Tem uma perspectiva otimista de aprovação da PEC do Teto. Já foi votada a abertura do pré-sal, em que se desobriga a participação da Petrobras de ser a operadora exclusiva dos campos do pré-sal. Isso tudo reunido, presidente, cria espaço para uma queda dos juros já agora em outubro?

MT: Eu tomo muito cuidado com isso, porque essa é uma matéria exclusiva do Banco Central. Mas não há dúvida de que, se você olhar esse horizonte, poderá haver uma tendência para. Mas isso não significa que ela se dará. Eu volto a dizer que eu tomo muita cautela. Se eu disser aqui que os juros vão cair, não é bem isso. Se nós prepararmos o país, a tendência é caírem os juros.

KA: O sr. vai enviar essa reforma da Previdência quando? Ela vai depois do segundo turno das eleições municipais ou pode ir antes?

MT: Eu vou primeiro ouvir todos os setores que eu mencionei a você. Enquanto eu não ouvi-los, enquanto não asfaltar o terreno, eu não vou mandar. Eu não quero que seja uma coisa de cima para baixo. Quero que seja uma coisa mais ou menos harmonizada ou pelo menos compreendida, para que possa ter uma tramitação mais fácil no Congresso Nacional.

KA: Na semana que vem tem reunião com os governadores, que o sr. mencionou há pouco. O Rio de Janeiro está num estado falimentar, fala-se até em intervenção branca. Haverá algum tipo de ajuda extra para o Rio de Janeiro? Ou qualquer tipo de ajuda federal tem de ser uma regra geral para todo mundo? Ou não tem condição de dar ajuda agora?

MT: Já houve uma regra geral que foi a repactuação da dívida, que, na verdade, ajudou muitos Estados. Basta dizer que há alguns Estados não vão pagar absolutamente nada da sua dívida até o mês de janeiro. E, a partir de janeiro, eles começam a pagar 5% no primeiro mês, 10% no segundo, 15% no terceiro mês e assim sucessivamente. Isso dá um respiro muito grande para os Estados. Agora, a esta altura dos acontecimentos, primeiro que a União tem as suas naturais dificuldades. Você sabe que o nosso déficit é de R$ 170 bilhões. E nós não podemos ultrapassar esse déficit, embora o desejo seja o de auxiliar os Estados. Se houver um meio que não vulnere o déficit da União e puder ajudar os Estados, nós o faremos. Mas nós queremos fazê-lo coletivamente, em relação a todos os Estados. E uma das hipóteses vem exatamente pela arrecadação derivada da arrecadação. Você sabe que os valores derivados da arrecadação, uma parte deles vai para os Estados. Então, é muito provável que, ao final deste mês ou em novembro, quando se verificar o montante da arrecadação fruto da repatriação, os Estados tenham um valor razoável.

KA: Houve um pequeno atrito entre o Rodrigo Maia e a área econômica a respeito desse projeto da repatriação, eu queria esclarecer com o sr. O governo apoia o acordo que vale o valor na conta em 31 de dezembro de 2014 ou uma posição como o Meirelles defendia, do valor mais alto que a conta já teve durante toda a sua existência?

MT: Você sabe que esse pequeno embaraço surgiu de uma discussão lá no Congresso, aliás, na liderança do governo, que foi alguém da Receita Federal que compareceu ao Congresso para fazer algumas ponderações. E aquilo gerou a ideia de que haveria uma interferência. Contrariamente a uma conversa que tivemos eu, o presidente Rodrigo Maia e o ministro Meirelles. Aqui no gabinete, até. Nós concordamos com a tese da repatriação. Agora, há discussões lá no Congresso, mas não há mudança nenhuma naquilo que foi acordado.

KA: Que é o 31 de dezembro?

MT: É o 31 de dezembro de 2014.

KA: É isso que foi acordado entre o sr., o Meirelles e o Rodrigo?

MT: Isso.

KA: Obrigado, presidente. É bom esclarecer, porque é um dado importante do projeto.

MT: Eu queria esclarecer o seguinte: se não tiver nada em 31 de dezembro de 2014, mas tiver em 31 de dezembro de 2013 ou 2012 ou 2011, se debita, se arrecada em função daquele valor.

KA: O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, sugeriu que o governo, em um determinado momento, encaminhe um projeto prevendo a autonomia legal do Banco Central. Não uma autonomia como a de hoje, que é concedida pelo presidente da República. O sr. pretende até 2018 encaminhar um projeto nesse sentido?

MT: Eu nem pensei nesse assunto ainda. É um assunto muito delicado, como você sabe. A chamada autonomia operacional o Banco Central tem em absoluto. Você verificou que até eu não quis avançar muito na história dos juros porque eu sei que essa é uma matéria do Banco Central. Mas é um assunto que não estava na pauta das minhas preocupações. Há outros tantos assuntos importantíssimos que estão sendo tratados neste momento. Este é importante, mas será tratado depois.

KA: O sr. tem dito que a justiça já vem fazendo, por conta própria, uma espécie de reforma trabalhista no país. Tem tomado decisões que, em tese, poderiam tornar desnecessário o envio de um projeto do Executivo para o Legislativo. O próprio Legislativo tem projetos na Câmara e no Senado que tratam da chamada terceirização. O sr. considera que é desnecessário que o seu governo envie uma proposta de reforma trabalhista, porque isso já está andando no Congresso e na justiça?

MT: Nós vamos deixar isso para depois. A cronologia é teto, depois Previdência e depois vamos examinar a questão da reforma trabalhista. Mas eu registro que o Supremo Tribunal Federal, em dois acórdãos, já decidiu aquela questão do acordado sobre o legislado. E veja bem, interpretando a Constituição Federal, primeiro ponto. Segundo ponto é que muitas vezes se critica essa tese que nós apregoamos, de você fazer cumprir o acordo feito entre o sindicato dos empregados e o sindicato dos empregadores em convenção coletiva, que ele possa superar o que está na lei. Eu vou dar um exemplo. Há tempos atrás, a sra. ex-presidente [Dilma] editou uma medida provisória, depois convertida em lei, que permitia a redução de 30% do salário, desde que acordado em convenção coletiva. Com que objetivo? Primeiro, para manter o emprego, para não gerar instabilidade social. Segundo, para continuar a arrecadação, porque quando você tem relação de emprego, você tem arrecadação. Terceiro, para não gerar gastos, porque quando o sujeito fica desempregado, você tem de pagar o seguro desemprego. Então, eu tenho a impressão que a reforma trabalhista vem sendo feita paulatinamente. E, como você disse, já há projetos em andamento no Congresso Nacional que nós vamos patrocinar.

KA: Vamos falar um pouco de política agora. O sr. tem dito que a culpa da crise econômica não é do seu governo. Fez um discurso na semana passada nesse sentido, falando que recebeu o país com uma situação econômica difícil. Tem uma campanha publicitária que está no ar e uma das peças dizia “Vamos Tirar o Brasil do Vermelho para Voltar a Crescer”. Esse tipo de propaganda não é contraditório com o seu discurso de unificação? Porque dá a entender, já que a cor vermelha é associada ao PT, que se quer combater o PT. Parece uma propaganda com cores anticomunistas, antipetistas.

MT: Você vê que eu estou até de gravata vermelha, primeiro ponto. O segundo ponto, o “Vamos Tirar o Brasil do Vermelho” é uma expressão popular, não significa tirar do PT. O PT tem que continuar a ser um partido, trabalhar do jeito que ele trabalha, no método dele, conquistar os seus eleitores. Não há absolutamente nenhum duplo sentido nessa afirmação. Você sabe que eu fui, penso eu, institucionalmente, extremamente delicado ao longo desses cinco meses. Porque, sem embargo das agressões, as mais variadas, que você acompanhou, em relação ao nosso governo, eu jamais me reportei ao passado. Entretanto, como houve exagero, eu confesso que as pessoas me disseram muitas vezes para tomar cuidado, porque daqui a um ou dois meses, vão dizer que tudo o que aconteceu de ruim é do seu governo e não do passado. Então, faça uma coligação, isso significa transparência, que é uma determinação constitucional. Faça transparecer aquilo que aconteceu. E o que fizemos foi isso. Tanto que, no discurso, eu disse aos que estavam lá: eu vou cansá-los um pouco, mas eu vou contar aqui como nós encontramos o país. Agora, eu não quero falar mais do passado. Eu quero falar do futuro. Porque quem olha o passado, olha para o retrovisor, não vai para frente. Na publicação, foi uma única publicação que foi feita para revelar, para documentar aquilo que foi fruto de equívocos do governo passado.

KA: É uma peça que não vai mais ser usada?

MT: Não vai ser usada. Foi apenas um relato.

KA: Presidente, uma outra crítica que se faz é a seguinte: o sr. foi vice da presidente Dilma durante cinco anos. O PMDB foi aliado do PT desde o governo Lula. O sr. lutou em 2014 para que o PMDB fechasse uma aliança com a Dilma. Esse desastre econômico que foi o governo Dilma, esses números ruins na economia, o PMDB não tem responsabilidade por eles? O PMDB, de certa maneira, não foi sócio desse desastre administrativo?

MT: Você acha que eu participava intensamente do governo?

KA: O PMDB tinha ministérios, o sr. era vice.

MT: Mas, veja bem, no tocante às políticas públicas, nós nunca tivemos participação. Eu brinco com essa história do vice decorativo, que as pessoas querem fazer blague com isso. Eu não faço blague, não. Quando eu redigi, eu disse claramente: a sra. sabe que eu fui um vice decorativo. Eu não posso mais ser decorativo, até em nome do meu partido. Mas, num dado momento do ano passado, nós lançamos um documento pelo PMDB chamado “Uma Ponte Para o Futuro”, onde está tudo isso que nós estamos executando agora. Interessante que, naquela oportunidade, o ministro da Fazenda era o ministro [Joaquim] Levy, e ele me telefonou e disse que achava que podiam usar muitos pontos da “Ponte Para o Futuro”. Eu falei “esteja a gosto, porque nós não estamos lançando um documento de oposição, mas um documento de colaboração com o país”. Depois, não se usou coisa nenhuma e ainda foi tido como um documento de oposição. Veja que coisa estranha. Então, nós não temos responsabilidade pelo que aconteceu no passado.

KA: O sr. conviveu com a presidente Dilma por cinco anos, até que houvesse o rompimento. É fato que ela não ouvia mesmo, ignorava, conselhos do PMDB? Era uma pessoa difícil e autoritária e fez na economia o que ela queria fazer?

MT: Olha, primeiro eu quero dizer que a minha relação pessoal com a presidente era de fino trato. Cerimoniosa, talvez, mas muito correta, muito adequada. E, nesse sentido, eu até a cumprimento pelos gestos que teve em relação a mim. Agora, uma coisa é a relação pessoal e outra coisa é a relação institucional. A relação institucional significaria chamar o PMDB inteiro para dizer nós vamos governar juntos. E isso não aconteceu.

KA: Lá no ano passado, quando a Dilma tinha 7% ou 8% de ótimo e bom, o sr. falou que era difícil um governo se sustentar com taxas tão baixas. “Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo”, foi a frase que sr. usou. Hoje, o seu governo está com apenas 14% de ótimo e bom. É um índice superior ao que ela tinha, mas é baixo na comparação com índices que outros governos já tiveram. O sr. acertou a previsão da Dilma, ela não resistiu. Dá para o governo Temer resistir até 2018 com essa taxa de aprovação?

MT: Dá. Pelo seguinte: primeiro, você acabou de dizer que eu tenho o dobro de aprovação e nas circunstâncias atuais. Convenhamos que as minhas circunstâncias foram, de alguma maneira, desfavoráveis. Especialmente pela pregação negativa que se faz em relação ao governo, até com algumas inverdades. Eu dou como exemplo a você a questão das 12 horas por dia de trabalho. Isso tudo surgiu de uma conversa do ministro do trabalho com sindicalistas que disseram que quem sabe o trabalhador pode trabalhar apenas três dias e meio, quatro dias, faz 48 horas e folga os outros três dias ou então trabalha em outro lugar. Muito bem, qual foi a divulgação que se fez nas campanhas? Temer quer que o trabalhador trabalhe segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo 12 horas por dia. Isso é falso!

KA: Mas eu soube, presidente, que na época o sr. até puxou a orelha do ministro do Trabalho porque ele teria falado demais. O sr. está tocando num ponto que são os chamados ministros falastrões. O sr. estava lá em Nova York e tem de dar uma declaração dizendo que não concorda com o que o ministro Geddel Vieira Lima falou a respeito de suposta anistia para caixa 2. Depois, o ministro da Justiça vai para Ribeirão Preto e fala que a Operação Lava Jato vai continuar. O sr. conversou, deu uma reprimenda nesses ministros falastrões ou não?

MT: Foram escorregões, mas sem maiores consequências institucionais. Tanto que são ministros que prestam um ótimo serviço. Inclusive o ministro do Trabalho. A comunicação é que foi equivocada, que ele fez ou que fizeram lá no Ministério do Trabalho. Mas ele não se equivocou no tocante ao gesto de governo. O gesto de governo era extremamente útil. Há profissões, por exemplo, enfermeiro, que já trabalha 12 por 36 horas. Tem várias categorias que trabalham 12 por 36. O gesto que ele praticou não foi um gesto equivocado. A comunicação e, depois, o desfrute. Veja que nas eleições municipais, por mais que você esclarecesse, os candidatos que se opunham ao governo diziam que o Temer quer aplicar 12 horas por dia, inclusive sexta, sábado e domingo. Então, isso não desmerece a figura dos ministros.

KA: O sr. pediu que eles falassem menos?

MT: Eu pedi que falassem adequadamente.

KA: O ministro da Justiça. Na melhor hipótese, ele falou demais. Na pior hipótese, ele vazou uma informação sobre a Lava Jato. Não é inadequado para um ministro fazer isso?

MT: Você sabe de uma coisa? Eu vi o vídeo. Uma coisa que ele falou no meio da praça, numa conversa. Não foi nada, não foi um gesto de governo. Ele disse porque, convenhamos, na história da lava Jato, a cada momento surgem, se não é a cada dia é a cada semana, surgem fatos novos. Ele não disse nenhuma novidade. Nem nada que comprometesse a sua credibilidade e a credibilidade do governo.

KA: Nesta semana, o ministro Teori Zavascki criticou a forma como o Ministério Público apresentou a denúncia contra o ex-presidente Lula. Zavascki falou em “espetáculo midiático”. E chegou a dizer que houve um descompasso: “essa espetacularização do episódio não é compatível nem com o que foi objeto da denúncia, nem com a seriedade que se exige na apuração desses fatos”. O sr. tem uma longa carreira jurídica, é um constitucionalista. O sr. concorda com a avaliação do Zavascki de que nesse episódio houve um espetáculo midiático?

MT: Eu não quero exatamente entrar no mérito dessa questão. O que eu posso dizer é que haja espetáculo ou não haja espetáculo, o que vale é o teor da denúncia. Especialmente pelo fato de você dizer que eu tenho uma longa vida jurídica, eu não olharia o espetáculo que foi feito ou não foi feito, eu olharia o teor da denúncia. E, ao contestar, eu contestaria o teor da acusação. O presidente Lula tem belíssimos advogados, ótimos advogados. Tem consciência da sua posição também, afinal, é um ex-presidente. E, digo desde logo, merece todo o respeito de todos. Eu não tenho nenhuma objeção em relação a isso. Se houve espetáculo ou não, na visão do advogado, eu não me importaria com isso. Eu me importaria com o conteúdo jurisdicional da denúncia.

KA: De uma maneira geral, o sr. vê abusos na Lava Jato?

MT: Eu não vejo, não. Sabe o que acontece hoje com os meios de comunicação? Convenhamos, eu sou do tempo em que o juiz lá em Tietê morava numa casa, ia ao cinema numa cadeira especial reservada para ele e praticamente não falava com ninguém. Era uma figura distante. O mundo mudou. Hoje, as pessoas se comunicam, se falam. Veja as redes sociais como se comunicam entre si. O mundo mudou muito. Então, as pessoas falam mais ou menos a vontade. Se você disser: é útil? Eu acho que não. Mas não há como impedir a revolução técnica nos nossos costumes.

KA: Falamos há pouco do ex-presidente Lula. O sr. tinha uma boa relação com ele e hoje ele está fazendo uma oposição forte ao seu governo. O sr. vê algum espaço para algum tipo de diálogo com o Lula em torno de algum tema? Por exemplo, uma reforma política que pudesse ser um tema comum ao PT e ao PMDB?

MT: Eu não tenho nenhuma objeção a isso. Agora, evidentemente, vou deixa-lo à vontade. Você me conhece bem, sabe que eu não sou de importunar ninguém e nem de ser inoportuno. Jamais serei inoportuno com ninguém, muito menos com o ex-presidente Lula com quem, como você disse, eu tinha uma ótima relação no passado.

KA: O Ricardo Lewandowski, que foi presidente do Supremo, disse há pouco que o impeachment foi um tropeço na nossa democracia. O Lewandowski tem razão?

MT: Não, eu acho que ele disse no seguinte ponto. Até eu acrescento uma coisa curiosa. Eu faço muitas palestras e costumo dizer muito que no Brasil, a cada 25 ou 30 anos, você tem de fazer uma modificação institucional. Na verdade, não se trata só de substituir presidente por vice-presidente, você tem uma nova Constituição. Eu acho que o que o presidente Lewandowski quis dizer, como professor, ali ele não era o presidente do Supremo nem o ministro, ele mais ou menos disse que a cada 25 ou 30 anos sempre existe uma… ele um tropeço democrático, uma coisa assim. Ele quis dizer nesse sentido histórico. Eu não acredito que ele quis dizer que o impedimento foi uma coisa irregular. Por uma razão singela: foi ele quem presidiu o impedimento.

KA: Presidente, uma palavra sobre a reforma do ensino médio. Houve críticas à maneira como ela foi feita, por Medida Provisória, e de uma maneira açodada. E também sobre o mérito da reforma no sentido de tirar filosofia, artes, como se estivesse o governo dando apoio ao projeto Escola Sem Partido, e até da educação física, pela questão da importância para a saúde. Como o sr. rebate essas críticas com relação a essa reforma proposta pelo seu governo?

MT: Quando eu fazia o curso ginasial, no meu tempo tinha o curso primário, o ginasial e o colegial. Quando se chegava no colegial, tinha o curso clássico e o curso científico. Você ia para o clássico quando ia para as ciências humanas. Então, tinha um reforço de línguas, de história, de português, latim. Se você ia para a engenharia, para a medicina, você ia para o científico e tinha um reforço em física, química, matemática etc. Isso se modificou. Hoje, quando se propõe a reforma do ensino médio, de alguma maneira é o retorno a este ponto. Ou seja, quando você chega no ensino médio, que é o equivalente ao curso colegial que eu falei, no último termo, ou seja, no último ano e meio, o aluno faz as suas opções tendo em vista a faculdade que quer frequentar. Aliás, foi esclarecida essa questão da educação física e artes. A primeira notícia que se deu é que eliminaram de uma vez.  Mas ela vai até esse último termo do que seria o curso clássico ou científico que eu mencionei. Depois é que se faz a opção. Segundo, eu poderia inclusive mandar uma lei com prazo institucional de 90 dias. É menos do que os 120 dias da Medida Provisória. Então, isso vai ser debatido amplamente. E foi debatido amplamente no Congresso Nacional. Há anos que eu vejo esse debate no Congresso e na sociedade. Alguns criticaram com um viés não muito técnico. Talvez mais político. Por outro lado, percentagem imensa de educadores elogiou a medida.

KA: Força um debate pela Medida Provisória.

MT: Sem dúvida nenhuma, tem de debater. Sai da mesmice, sai da estática, para ir para uma coisa dinâmica.

KA: Última pergunta. O sr. não participou da campanha eleitoral no primeiro turno, ficou numa posição de distância. Temos agora uma segunda rodada. O sr. pretende subir no palanque ou gravar, dar apoio a candidatos do campo governista? Por exemplo, o Crivella, no Rio, que disputa com alguém da oposição como o Marcelo Freixo? Ou o sr. vai ficar completamente fora?

MT: A minha intenção é ficar fora. Evidentemente, se houver agressões muito grandes ao governo, aí seria uma participação no sentido de esclarecimento. Só isso. Fora daí, eu tenho uma base partidária muito ampla e qualquer movimentação que eu faça pode prejudicar o Governo Federal.

KA: Que avaliação o sr. faz do resultado geral da eleição? Houve, nas campanhas da marta e do Pedro Paulo, um setor dizendo que o Governo Federal não foi um bom cabo eleitoral, que as propostas econômicas acabaram atrapalhando. A gente sabe que houve características regionais que também levaram ao fracasso dessas duas candidaturas. Mas, como o sr. responde a essa crítica e que avaliação geral o sr. faz desse primeiro turno?

MT: A avaliação que eu faço é que a base governativa teve uma vitória estrondosa em todo o país. A revelar, em primeiro lugar, um apoio ao governo. Em segundo lugar, um apoio a tudo que aconteceu nesses últimos momentos. Se não fossem verdadeiros os fatos que aconteceram agora, a eleição teria sido de outra natureza. E as outras forças é que teriam ganho a eleição.

KA: Isso ajuda a governar no Congresso? A base se fortalece?

MT: Claro. A base se fortalece e, portanto, fortalece o governo

Comentários
21
  1. José disse:

    Abono por ter contribuído durante mais tempo que o mínimo exigido não devolve a juventude àqueles que começaram a trabalhar com 13, 14 anos. Justo, verdadeiramente justo, é a criação de uma regra de transição que contemple essa parcela da população. Até porque essa realidade há algum tempo deixou de existir no Brasil. No mínimo, deve haver uma regra de transição mantendo os direitos de quem vai se aposentar nos próximos 5 anos.

    • walter disse:

      Exatamente Jose, estão falando em bonus, vão tirar de suas polpudas aposentadorias; quando falam em bonus, dá vontade de chorar; aquele cidadão, que contribuiu, desde os 13 anos de idade, se bobearem,terão prejuízos; nesta transição, e ninguém liga a mínima…
      Em primeiro lugar, precisam desobrigar os trabalhadores, a contribuírem com sindicatos; diminuir esta categoria, que não serve para nada HJ em dia, basta ver o desemprego…
      A reforma só dará certo, se for feita, aos novos aposentados, para o futuro, não tem como explorarem, que já deu o sangue, e esta conversa de Bonus, não vale a pena.
      Esta reforma, deve se ajustar a todas as categorias; inclusive, funcionalismo…quanto ao congresso de forma geral, deve prever, que aposentadoria, não pode ser de salários integrais, e que pode ter mais que uma aposentadoria…se fizessem a reforma, só no funcionalismo e congresso, e nos outros poderes, não precisariam, explorar os verdadeiros trabalhadores;reformar para quem já pagou muito…

    • Victor Grossi disse:

      Para compartilhar.
      Qualquer mudança na previdência dos brasileiros deve ter um caráter moral, ético e proporcional. Não queremos privilégios, à políticos, e outros. Todos devem respeitar a regra à todos. De cinco em cinco anos deve ser feita uma avaliação dos pró e contras. Igualdade de gênero é salutar desde que respeitem o período de gestação da mulher. Somos a favor de mudanças depois da eleição de 2018. Vamos passar o Brasil a limpo antes!

  2. PRESIDENTE: ANTES DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA, O POVO QUER SABER "O PORQUÊ" DO DEFICIT ! disse:

    Com todo o meu respeito, mas exigindo também respeito à minha condição de cidadão: não aceito se falar em reforma da Previdência, sem antes o governo apresentar à nação (não só através do Congresso), mas através da mídia, sempre de portas abertas ao governo para que se comunique com o povo, as razões do porquê a Previdência tem déficit!
    A nação precisa saber não só o total do deficit, mas o “PORQUÊ”!
    A nação precisa saber se há dinheiro desviado da Previdência para outros setores; se há dinheiro da Previdência desviado para os bolsos de políticos, governantes, empresários corruptos; a nação precisa saber quanto dinheiro da Previdência está sustentando aposentadorias e pensões indecentes, absurdas, privilegiadas!
    Depois de tudo isso, aí sim, pode e deve haver uma reforma da Previdência – UMA REFORMA EM QUE TODOS OS BRASILEIROS SEJAM REGIDOS POR UM SÓ SISTEMA PREVIDENCIÁRIO – QUEM QUISER PRIVILÉGIO, QUE CONTRATE PREVIDÊNCIA PRIVADA!

    • Alexandre disse:

      concordo plenamente contigo. Sem falar que provavelmente quando o povo for aposentar vão mudar as regras de acordo com as vontades deles e o tal bônus vai ser enterrado bem no c. do povo, o que irá favorecer a eles políticos. Basta ver quantas vezes já mexeram nas aposentadorias do povão, mais não mexem nas aposentadorias e pensões dos políticos, militares e esposas / filhas de militares e as aposentadorias e pensões das esposas / filhas dos judiciários. como sempre o povo é que leva a chibata nas costas como os escravos na época da escravidão.

  3. Treme disse:

    O que não para entender nessa Previdência é por que o trabalhador não possui uma conta vinculada em seu nome, a exemplo do FGTS, e não esse “bolo” que esta ai que ninguém sabe o que é de quem. O que ele contribuiu estaria lá nessa conta, o valor recolhido seria de seu conhecimento. Bem transparente. Se contribuiu estaria lá, se não contribuiu ou contribuiu com pouco também estaria informado. E seria com esse valor que ele contaria para sua aposentadoria, inclusive se quisesse fazer contribuições adicionais poderia. Agora, se a Lei diz que pessoas que não contribuíram ou contribuíram com menos poderiam receber seria problema do Tesouro e não de quem contribui corretamente.

    • Wellington Alves disse:

      Todas essas informações são transmitidas por um sistema chamado SEFIP. O INSS tem sim um extrato das contribuições. Mas eu concordo que a previdência deveria ser mais organizada, por PIS, e não genérica, como é hoje.

  4. Precisamos dessa reforma imediatamente antes que tudo entre em pânico e vá as ruínas.

  5. Carlos Cogliatti disse:

    O Presidente Temer disse que é a favor que o homem tenha que trabalhar mais tempo do que a muher para se aposentar porque elas trabalham também fora,nesse caso milhares de homens também ! É o homem que trabalha pesado na construção, carrega peso como lixeiro, entregador de gás,descarregando cargas pesadíssimas nas costas de caminhões,se arriscando nas altura de construções de predios e muitoas outras profissões. Por tudo isso morrem mais cedo? Isso o senhor não fala né Presidente? Tem que ser igual a Europa. Todo mundo se aposenta com a mesma idade 65 anos, independente de ser homem ou mulher. Direitos e deveres iguais certo?

  6. Eneas disse:

    Isso lembra a historia do Banco que lhe oferece “titulos de capitalizacao”… Onde vc sempre perde.
    O resumo é: O bônus, é o não desconto, o mesmo que vc receberia se não hovesse mudança.. e os outros… que recebam menos…

  7. Sandro Barreto disse:

    Em relação a reforma da previdência, espero que haja algum mecanismo justo de transição aos cidadãos que como eu possuem cerca de 42 anos e 7 anos para atingir para completar os 35 anos de contribuição.

  8. Ruy disse:

    Mexer na previdência só tem um único objetivo: prejudicar o trabalhador brasileiro. Ou melhor: JOGAR NO COLO DO TRABALHADOR A CONTA DOS ROMBOS NOS COFRES PÚBLICOS FEITOS PELOS POLÍTICOS BRASILEIROS. A CULPA não é só de Temer. Mas como bom político e líder de partido, ELE e todos os outros TÊM CULPA SIM EM TUDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO BRASIL. Infelizmente o BRASIL não passa de uma Colônia. Dadas as ingerências que o ORÇAMENTO PÚBLICO sofre de grandes grupos econômicos nacionais, e internacionais.

  9. Andre disse:

    As ações do presidente não refletem as suas palavras, em nenhum das reformas citadas durante a entrevista houve um dialogo com a sociedade. O governo espera conseguir aprovar tudo com o velho toma lá da cá, com o desgastado congresso. Por que tanta pressa em efetuar reformas tão complexas? A resposta é uma só, aproveitar a crise, pois o mercado vê nela uma chance única de empurrar goela abaixo do povo brasileiro estas reformas. Vê se o Temer, repetir que o importante é ter emprego, como a chantagear os brasileiros, de que os mesmos devem se resignar em perder direitos, para que possa manter os seus empregos. O ministro Meirelles deveria mostrar como é calculado o tal rombo da previdência, identificar a natureza de cada uma dessas despesas e a sua vinculação com a contribuição previdenciária. Não o fará pois se verá não haver rombo algum na previdência, se olharmos do ponto estrito de vinculação. O que mais causa indignação é que estas reformas serão votadas pelos senhores do flagelo.

    • Wellington Alves disse:

      Esse governo golpista está aproveitando justamente isso. Apoiado pelo empresariado, cercear os benefícios dos trabalhadores. Do nada apareceram projetos para reformas, como mágica. Concordo que até agora ninguém teve coragem de enfrentar esses temas, mas estão querendo enfiar tudo e muito rápido.

  10. POR QUE A REFORMA DA PREVIDENCIA NÃO ATINGE OS MILITARES (PENSÃO VITALÍCIA PASSADA DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO) E OS POLÍTICOS QUE TEM VÁRIAS APOSENTADORIAS. QUEREM É FAZER O POVO DE BESTA! ELES QUEREM É ENCHER OS COFRES DA PREVIDÊNCIA, ALMENTANDO A CONTRIBUIÇÃO E DEPOIS, ATRAVÉS DE PROJETOS DE LEI, METEREM A MÃO CRIMINOSA NO DINHEIRO DA PREVIDÊNCIA. ABRAM OS OLHOS PROMOTORES PÚBLICO E JUDICIÁRIO, A LAVA JATO É CAFÉ PEQUENO DIANTE DOS DESVIOS DA PREVIDÊNCIA. SENHORES PROMOTORES E DELEGADOS DA POLÍCIA FEDERAL, COMEÇEM A INVESTIGAR AS LEIS ESTADUAIS E FEDERAL DOS ULTIMOS 30 ANOS, IRÃO PERCEBER QUE OS EMPRÉSTIMOS CONCEDIDO AOS ESTADO TEVE COMO GARANTIA OS RECURSOS DA PREVIDÊNCIA. ESSAS LEIS SÃO AS CULPADAS PELO ROMBO DA PREVIDÊNCIA, UMA VEZ QUE OS GOVERNOS QUE FIZEREAM OS EMPRÉSTIMOS, NÃO FIZERAM A REPOSIÇÃO DOS RECURSOS Á PREVIDÊNCIA, AGORA DE MANEIRA LEVIANA (MENTIROSA) VÊM DIZER Á SOCIEDADE BRASILEIRA QUE A PREVIDÊNCIA ESTÁ QUEBRADA, SÓ PODE SER PIADA!

  11. Andre disse:

    Nesta reforma da previdência não existe nenhuma proposta que mexa com os privilégios, o que seria uma sinalização de que haverias sacrifícios de todos, demonstrando um gesto de boa vontade do governo. Os privilégios do legislativo, do judiciário e dos militares continuam intocados. Agora para o cidadão comum, quebra-se o acordo firmado de forma unilateral. Esta reforma remete a uma situação em que você investe em um ativo de um banco, com um prazo de trinta e cinco anos para que faça o resgate, passado estes trinta e cinco anos, você vai lá para que se inicie o resgate, mas o banco lhe diz que modificou as regras e que você terá que que investir por mais dez anos para que possa começar a resgatar o que investiu. Ou seja todo o seu direito sendo rasgado pelo governo e sua corja do congresso. A forma como está sendo proposta está reforma é acintosa à aquele que trabalha honestamente e constrói este país.

  12. Juliana Souza disse:

    Eu, como a maioria da população (creio) sabemos que é necessária uma reforma urgente da Previdência, bem como entendemos que a idade de se aposentar precisa ser maior e que essa necessidade é mundial. Sabemos também que a falência da Previdência vem, ENTRE OUTRAS COISAS, do fato de que muito dinheiro contribuído foi – e ainda é – desviado e roubado e que isso precisa ser resolvido urgentemente. Porém um ponto que me incomoda muito é ler nas entrevistas todo tipo de perguntas, mas não ter visto, ainda, nenhum jornalista com a ‘cara e a coragem’ de questionar acerca das aposentadorias integrais (de políticos, por exemplo) ou da aposentadoria dos militares (que passam pra várias gerações) e o quanto isso aumenta o desfalque previdenciário – o que até onde sei representa uma grande fatia desse bolo falido. Quando é que esses pontos serão esclarecidos? Ou só o cidadão trabalhador que não usufrui desses privilégios é que vão pagar essa conta altíssima???

  13. Jorge disse:

    Os brasileiros esperam que essa reforma da previdência, não atinja apenas aqueles do regime do INSS. A previdência do funcionalismo público, é proporcionalmente mais deficitária do que a dos trabalhadores do setor privado, e por isso deve também ser revista, ou a revolta será certa.

    • Alberto disse:

      Lúcido comentário caro sr Jorge. A previdência urbana(INSS) ainda está superavitária(pouco),conforme dizem os analistas.Como colocam tudo na conta fo INSS o rombo só aumenta.É necessário rever e reorganizae o sistema previdenciário.Precisa ter “gestão” e não “jestão”,como tem sido executado pelas “nossa otoridades”

  14. Stanislaw.: O Brasil tem jeito sim: vergonha na cara! disse:

    SENHOR PRESIDENTE TEMER, A BOMBA CAIU NA SUA MÃO: É HORA DE MOSTRAR AO POVO SE A PREVIDÊNCIA ESTÁ QUEBRADA MESMO OU ISSO É UMA MENTIRA DESLAVADA!
    A PETROBRAS TODO MUNDO SABE QUE QUEBROU, E O “PORQUÊ”!
    POR QUE ENTÃO NÃO EXPLICAR O CASO DA PREVIDÊNCIA… DA MESMA FORMA QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A PETROBRAS, COLOCANDO OS LADRÕES NA CADEIA!
    É HORA DA PF, MPF, JUÍZES SERGIOS MOROS DO BRASIL, SE EMPENHAREM EM MAIS UMA OPERAÇÃO “LAVA JATO” EM CIMA DA PREVIDÊNCIA!NINGUÉM QUER MAIS ENGOLIR MENTIRAS SOBRE ROUBALHEIRAS E PAGAR A CONTA!

  15. Ricardo disse:

    Comecei a trabalhar com 12 anos. Eu não tinha carteira assinada, então nem adianta eu chorar. Mas de qualquer forma, essa “reforma” me deixa muito triste. Já nem tenho mais esperanças de me aposentar. Mas pior do que isso é ter um desconto ainda maior do INSS. Daí depois a gente vê nos telejornais aquelas reportagens de médicos que ganham bem e que aparecem nos hospitais públicos apenas para registrarem o ponto. Depois ninguém sabe para onde vai o dinheiro e só sabem repetir à exaustão que os aposentados vão quebrar a previdência. O problema é falta de gestão! Tinham que demitir os funcionários públicos que não trabalham “a bem do serviço público”. Mas ninguém faz isso. É mais fácil apertar o torniquete nos mais fracos.

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2020-07-15 08:38:10