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Geral
04-12-2019, 20h11

Priorizar relação com Trump só trouxe prejuízo ao Brasil

Bolsonaro reage com amadorismo a ameaça de americano
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro disse ver “exagero” na repercussão da ameaça do colega Donald Trump de restabelecer tarifas para importação de aço e alumínio do Brasil. Ora, o “exagero” é a política de alinhamento automático com Washington, que só trouxe prejuízo ao Brasil ao longo do ano.

Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tratam a ameaça do presidente americano com fraqueza, amadorismo e subserviência. Se o governo pretende mesmo reverter a medida, já deveria ter anunciado o estudo de alguma retaliação aos Estados Unidos. Esse jogo é uma via de mão dupla.

Em 2019, o Brasil aumentou a compra de etanol dos EUA e não conseguiu ampliar o mercado para a nossa carne e açúcar. O governo Bolsonaro abriu mão do “tratamento especial” a que o Brasil tinha direito na OMC (Organização Mundial do Comércio) em troca da ilusão de ingressar na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento), um clube dos países mais desenvolvidos.

A forma como Trump anunciou a ameaça, via Twitter, e o tom duro da mensagem evidenciaram falta de apreço por Bolsonaro. Mesmo assim, o presidente brasileiro diz que entende o amigo que fala grosso e que não pretende virar as costas para ele.

Ora, países tem interesses, não amizades. O complexo de vira-lata de Bolsonaro, manifestado numa viagem a Washington em março, colocou o Brasil numa posição ruim na relação com os Estados Unidos. Tal subserviência resultou em descrédito para a imagem de profissionalismo da diplomacia brasileira. Antes respeitada, agora é motivo de chacota no âmbito da ONU (Organização das Nações Unidas) devido à guinada regressiva na área de direitos humanos.

A política externa de Bolsonaro comprou brigas desnecessárias com outros países. Tratou a Argentina com um amadorismo que não leva em consideração a interdependência entre as duas economias. E demorou a entender a importância de ter canais azeitados com a China, a nossa maior parceira comercial.

Em resumo, a desfeita de Trump coroa o isolamento internacional do Brasil. A política externa de Bolsonaro produziu danos ao país e afastou investimentos, provocando fuga de dólares.

Ouça a partir dos 2 minutos e 55 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. Paulo Argolo disse:

    Relações internacionais não são pautadas por amizades e sim por interesses. Nossa diplomacia está entregue à ideologia e ao amadorismo.

  2. walter nobre disse:

    Kennedy, é muito cedo para chegar a esta conclusão; neste instante os EUA estão questionando todos os aliados ou exportadores, qualquer que fosse o presidente estaria na mesma seara, acredito que nos ajustaremos, ciumes a parte, o jogador de Xadrez Trump esta fazendo o papel ideal para sua reeleição. Não podemos ficar nas mãos de ninguém, quanto ao comercio externo, portanto vamos jogando o jogo, importante mesmo é o superavit no final.

  3. Miguel Ângelo disse:

    Relações exteriores são pautadas por respeito. Não Walter!. É engado seu. As decisões de política externa não demandam tempo. E já foi feito o bastante para piorar o que se tinha de bom. Um país se impõe com poucas palavras, poucos “eu te amo”, e estratégias no campo econômico e militar. O Governo Bolsonaro, para quem gosta de comemorar o Natal com filhos e netos. Impôs a invasão mansa a Alcântara aos brasileiros que nascem nesse Brasil. Com isso. Demonstrou que este governo com militares no poder. Nos fez quintal americano, sem luta. Abriu as porteiras para o pior presidente dos EUA, o tolo “Trump”. Uma mistura de megaempresário com hiper destrambelhado. Que deixará um legado, tão igual, deixará o governo Bolsonaro. Prova que na democracia das redes sociais, os internautas nos dão “Neros” para o governo. Com uma base americana no Brasil. Você brasileiro pode acostumar: de pé, rola, finge de morto. Pois, só venderemos o que eles deixam, e só avançaremos na ciência o que determinarem.

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