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Política
21-03-2019, 9h10

Projeto previdenciário de militares contradiz discurso de fim de privilégio

Sacrifício das Forças Armadas equivale a 1% do que pede Guedes
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Apresentado ontem ao Congresso, o projeto de reforma previdenciária dos militares, que inclui um aumento de despesas com as Forças Armadas, deve dificultar a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que pretende mudar o sistema de aposentadorias do país.

Na prática, o governo reduziu de R$ 90 bilhões para R$ 10 bilhões a economia que seria feita em 10 anos com mudanças propostas nas regras previdenciárias dos militares. Endureceu, mas amoleceu ao mesmo tempo, concedendo gratificações e novo plano de carreira que praticamente anulam a contribuição dos militares para ajudar a pagar o custo social e econômico da PEC de reforma da Previdência apresentada pelo ministro Paulo Guedes (Economia).

Guedes tem dito que o Congresso precisa entregar a ele mudanças previdenciárias que resultem numa economia de R$ 1 trilhão no prazo de 10 anos. Ora, os R$ 10 bilhões que seriam economizados com as novas regras para os militares significam apenas 1% da montanha de dinheiro que o ministro da Economia demanda no prazo de 10 anos. Ou seja, um sacrifício pífio perante o de toda a sociedade.

Isso contradiz o discurso do governo de que a reforma acabaria com privilégios. Ajuda lobbies de servidores de altas carreiras a tentar manter seus benefícios e a dinamitar a reforma da Previdência como um todo. Também cria mais resistências no Congresso porque, nessa toada, a conta vai acabar sobrando para os trabalhadores da iniciativa privada.

Houve ainda uma barbeiragem política: juntar a reforma dos militares com um presente que significa gastos de cerca de R$ 80 bilhões em 10 anos. O governo deveria ter separado os assuntos. Mas cortou despesas com uma mão e aumentou gastos com a outra. Todo mundo percebeu que Bolsonaro não teve força para cobrar sacrifício dos militares.

*

Quando começará a governar?

Aliás, Bolsonaro precisa começar a governar. Seu governo erra todo dia. Sua administração arruma problema todo dia. Esses equívocos já resultaram numa queda de popularidade, aferida ontem pelo Ibope. Perda de capital político dificulta a vida de qualquer presidente da República que queira aprovar medidas impopulares no Congresso.

Detalhe: o governo não tem três meses de duração, mas Bolsonaro já desce a ladeira, como escreveu o jornalista José Roberto de Toledo.

*

Falta inteligência política

O governo tem feito um esforço danado para perder o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A inabilidade com que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro (Justiça) tratam Maia pode atrapalhar a aprovação da reforma ou diminuir a força das alterações pregadas por Paulo Guedes.

Ouça o comentário feito ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. Tiago disse:

    Se Bolsonaro fez algo de bom na sua carreira desde a época de capitão, foi ter atuado como líder sindical dos militares, o que de fato faz ele ter algum prestígio nessa categoria. Seria inimaginável por essa (e por outras razões) imaginar que Bolsonaro fosse de fato cortar algum privilégio dos militares.

  2. walter disse:

    Ninguém jamais ousou, envolver as forças armadas, em qualquer reforma Kennedy, a partir daí, terão que negociar, através do congresso, cortando um pouco mais de privilégios, já será um diferencial, eles não tem poder de veto, o governo deve aceitar as aprovações da Câmara, e vida que segue, observando sempre, a economia do País como referencia, neste processo…O governo começou, com o presidente internado, diante de muitas perseguições, e muito disse que me disse…desqualificar o governo, tem sido um desserviço, desde o primeiro dia, isto não pode mudar o foco do Jair, que precisa melhor sua relação com o Rodrigo Maia, que fala demais por sinal…podemos considerar a postura do Maia, com intenções maiores e vantagens a seu favor…quanto a pesquisas de popularidade, não são reais os números apurados; a população, aguarda desfechos, nas medidas prometidas, e a retomada dos empregos, e nisso o congresso tem responsabilidades maiores, para o bem de todo o País, com muita urgência…

    • Fábio disse:

      Focos da família Bolsonaro:
      – Reforma da previdência, contra trabalhadores normais, mantendo privilégios de militares, juízes, procuradores, etc.
      – Caixa 2 dos outros é ilegal, laranjada de familiciares e partidários podem ser perdoadas ( Onde está o Queirôz? Mais difícil de achar que Temer);
      – Fortes evidências de envolvimento com milicianos que não são investigadas;
      – Entrega das riquezas nacionais,
      – Síndrome de vira-latas, é só o Trump pensar em pedir que ele faz, tais como Base de Alcântara e inexigência que vistos dos americanos sem nenhuma contrapartida ; sem contar as declarações sofríveis do atual chanceler;
      – Diminuir exportações do agronegócio com crises causadas por declarações inoportunas quanto à China e países árabes;

      Tem muito mais, mas cansei de escrever, kkk, mas tem fã do Bolso que ainda defende, pelo menos já diminuiu bastante!

  3. jose disse:

    O presidente da Câmara dos deputados, dep. Rodrigo Maia foi providencial e cortou as asas (já longas e ociosas) da coisa Moro.Tem que cortar as asas dele e mostrá-lo a sua própria insignificância, subserviência e coisitas más, pois ele vive pensando que deixou de ser o caipirazinho xerife subserviente da maré baixa. quem é do bem, ouve Villas Lobos, Egberto Gismonti, João Bosco e Chico Buarque não dá bom dia a coisas como esse moro. Nós lemos Mia Couto, Guimarães Rosa, Raymundo Faoro.

    • mariza disse:

      José, você tem todo o direito de viver neste seu mundo de livros e música. Mas, o País está entregue ao crime organizado. Antigamente meninos de rua nos cercavam nas ruas e pediam dinheiro. Hoje somos assaltador por grupos de meninos armados. Será que os governo acolheram os meninos de rua ou eles foram abduzidos pelo crime organizado.

  4. Samuel disse:

    Caríssimo, o Bolsonaro só existe (e se manteve tanto tempo eleito) porque sempre defendeu os interesses da nossa pequena (mas dispendiosa) burguesia militar. Quantas profissões vc conhece que permitem que um homem com péssima formação acadêmica e cultural possa ganhar mais de 5 mil Reais por mês, fora os cartões corporativos??? A “carreira militar” é uma “galinha dos ovos de ouro” almejada por muitos. Mesmo que os colégios e escolas de formação militar estejam sucateadas (em condições nazistas de funcionamento) as famílias sujeitam seus filhos a esse sacrifício inicial visando uma vida futura de conforto e benefícios (sinecura). Claro que os benefícios não se estendem aos cargos mais baixos (afinal ALGUÉM tem que estar ali para fazer o sistema funcionar e para sofrer, pintando as pedras de branco, em cima e embaixo…). Em suma, não conte jamais com nenhuma medida de austeridade do atual presidente contra os militares.

  5. BRAGA-BH disse:

    Há de se deixar bem claro que o rombo na contas da Previdencia não é culpa única e exclusiva ods militares. Temos que levar em consideração aquilo que é gasto pela própria União coma s retiradas das contas da Previdencia na mal fadada DRU (desvinculação de Receitas da União) hoje na casa de 30%.
    O problema neste país que NINGUÉM tem coragem de encarar o Judiciário. O Poder que tem mais regalias, salários exorbitantes e não foi sequer tocado nesta bendita Reforma.

  6. Jonas disse:

    Com o áudio vazado dos deputados do PSL que comprova a existência do mensalão do bolsonaro, com compra de votos para a aprovação dessa reforma mesquinha da previdência, já há motivos mais que suficientes para o impeachment do bolsonaro, pelo bem do país, já que esse é o governo mais bizarro e incompetente da história do Brasil.
    Ou, melhor ainda, seria usar o laranjal do PSL para caçar a chapa do partido no TSE.

  7. ANDRE disse:

    Kennedy, a reforma da previdência não tem interesse em enfrentar privilégios, quer colocar todo o peso do déficit com o trabalhador celetista. Se todos os pontos que contribuem para gerar este déficit fosse contemplado (desvinculação de receita, inadimplência das empresas e do estado , fraudes e privilégios) poderia ter uma reforma mais branda para o trabalhador.

  8. Gilmar Andrade disse:

    Parabéns pela abordagem!!!

  9. elias marinho disse:

    Estamos indo ladeira abaixo mesmo, um presidente fraco e despreparado, logo logo ele arruma um novo eduardo cunha para lidar.

  10. Miguel Ângelo disse:

    Walter já é aposentado. A Reforma da Previdência para ser realista e tomar forma de coisa séria tem cortar privilégios. Não correção dos soldos das FFAAs, vem da sangria que o erário do Brasil tem que estancar nas aposentadorias de velhos militares, como também do Presidente Bolsonaro. Utilizaram da sua força política, na mão de um homem público que recebe do Estado brasileiro há 40 anos e nunca fez nada de produtivo. Ele arrumou o Brasil quintal dos EUA, depois de 25 anos de luta para que não acontecesse isto. Tirano expõe as FFAAs do Brasil ao ridículo, a ponto de oferecer homens para atacar a Venezuela? Onde este “treme treme de Trump” – o sujeito ativo de Bolsonaro – está com a cabeça? Atacar a Venezuela é colocar uma frota de russos na Argentina produzindo ogivas e juntos com mísseis muitos mais rápidos do que os dos americanos, ter qualquer parte do Brasil exposta. E que arma seu Bozo vai te ajudar contra mísseis? Família Bolsonaro, os 5 patetas ou 5 metralhas. Treme treme!

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2019-06-24 19:18:09