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Política
19-02-2016, 9h33

PT mina reforma da Previdência de Dilma

Sem petistas, aliados e oposição ganham razão para rejeitar proposta
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KENNEDY ALENCAR
RIO DE JANEIRO

Do jeito como está sendo encaminhada pelo governo, a possibilidade de sucesso da reforma da Previdência é baixa. Cresce a resistência à proposta dentro do próprio PT, o partido da presidente Dilma Rousseff.

A articulação política é falha. A presidente deveria ter convencido primeiro o PT. Deputados e senadores petistas dizem que dificilmente o partido vai empunhar uma bandeira impopular na hora em que atravessa uma crise política e de imagem.

O PT está errado, mas é assim que pretende agir. O que faz a presidente? Lança a proposta sem convencer a legenda. Está dada a senha para que partidos aliados e a oposição a deixem falando sozinha.

A presidente tem insistido na tese, que é correta, de realização de uma reforma da Previdência agora para que as futuras gerações não fiquem sem aposentadoria ou tenham uma remuneração insignificante para as suas necessidades.

Levando em conta que os mais pobres começam a trabalhar mais cedo, faz sentido criar uma regra que misture idade mínima com um tempo de trabalho para permitir que uma pessoa se aposente. Ou seja, uma fórmula que combina idade com período de trabalho. Até aí, é uma boa iniciativa. Mais do que isso: é necessária.

Na semana que vem, Dilma fará reuniões com os partidos de sua base para pedir apoio à reforma da Previdência e à CPMF. No caso da reforma da Previdência, ela já deveria ter tido um encontro desse tipo com o PT. Sem o apoio do próprio partido, a reforma não sairá e gerará mais expectativa negativa sobre a economia.

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Está aberta a janela de 30 dias que permite aos políticos com mandato a troca de partido sem o risco de cassação por infidelidade partidária. É uma emenda constitucional ruim, que fragmenta ainda mais o sistema partidário.

O ano passado terminou com 35 partidos registrados no país. Ter um partido virou negócio, porque isso dá direito a uma parcela do fundo partidário e a tempo de propaganda no rádio e na TV para negociar alianças nas eleições.

O Congresso está se transformando em um lugar cheio de partidos médios, que foram bancadas de 15, 20, 25 ou 30 parlamentares e se sentem fortes para chantagear o governo, pedindo ministérios, cargos e verbas federais.

O site da Câmara registra que o PMB, Partido da Mulher Brasileira, tem hoje uma bancada de 19 membros em exercício. São 17 deputados e apenas duas deputadas. É claro que não é um partido que vá tratar das bandeiras femininas na política. É mais uma legenda que foi criada porque é muito fácil fazer isso no Brasil. Basta um olhar nos nomes da bancada para ver que não há a menor conexão ideológica entre eles. É só um ajuntamento temporário de interesses.

Não é problema existir uma lei que permita a criação de quantos partidos um país desejar. Mas é preciso estabelecer requisitos mais duros para todos os que tenham acesso ao dinheiro público, tempo de propaganda e benefícios no Congresso. É preciso estabelecer critérios de desempenho para isso. Do contrário, a política seguirá piorando.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorãoa disse:

    A ditadura sindicalista não precisa de reforma nenhuma, tem dinheiro de sobra para bancar sanduíches, ônibus, bandeiras e camisetas vermelhas para toda a classe trabalhadora (desocupada).

  2. mario machado disse:

    Prezado jornalista Kennedy: Já se fez jurisprudência a toda mudança de governo voltarem-se as atenções para a Previdência Social. É um vício, mais que uma jurisprudência propriamente dita. Bater à mesma tecla de que a Previdência está quebrada, já não cola mais. Reza a Constituição – todas as implantadas – que essa instituição jamais poderá chegar a esse ponto. O governo federal se compromete, e obrigatoriamente, a cobrir os “rombos” aludidos (roubos, melhor registrando)do caixa da Instituição.Desde que um desses governos uniu a Previdência Social a uma só intituição que tem sido assim. Antes, lá pelos anos 1950, cada classe profissional tinha o seu sistema previdenciário. Os das indústrias contribuiam para o IAPI, como fiz ao trabalhar na S/A Phillips do Brasil lá pelos anos 1956. Esse sistema por classe profissional se prolongou até setembro de 1964, como mostra minha Caderneta de Contribuições. A ela, vinham os salários e o valor do desconto, para futura aposentadoria. Continua:

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