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Política
25-01-2018, 8h14

PT resiste a pressão por Plano B e avalia não substituir Lula

É legítimo que aliados e eleitores busquem alternativa
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Da parte de possíveis aliados do PT e de setores do eleitorado que hoje demonstram preferência por Lula, haverá uma pressão natural pelo Plano B, caso o ex-presidente não possa concorrer à Presidência.

Política não tem vácuo. Se Lula não puder disputar, esse tema terá força no debate político. É legítimo que aliados e eleitores busquem uma alternativa.

Mas cresce no PT a tese defendida pela ex-presidente Dilma Rousseff e pela presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffman, de não discutir plano B e avaliar a possibilidade até de não substituir Lula, se ele for impedido pela Justiça Eleitoral de estar na cédula eleitoral em 7 de outubro.

Seria a tese de levar a candidatura às últimas consequências. Nesse cenário, líderes do partido poderiam indicar voto noutro nome do campo de esquerda bem mais à frente, na reta final da eleição, ou defenderiam uma campanha pelo voto nulo, dizendo que eleição sem Lula é fraude.

Um boicote eleitoral, por meio de uma campanha de voto nulo, é arriscado, porque diminuiria as chances de eleger governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Esse caminho, que hoje é aventado no calor da decisão do TRF-4, faz parte, sim, das opções políticas que o PT estuda.

Mas Lula é um moderado e poderá preferir tentar colocar um candidato no segundo turno (petista ou não) a embarcar numa campanha pelo voto nulo.

Lula também sabe que é importante, para a sobrevivência do PT, eleger governadores e parlamentares. Daqui em diante, será preciso medir a reação do eleitorado à condenação, o que deve acontecer nas próximas pesquisas.

Há um outro fator importante: uma eventual prisão de Lula poderia reforçar esse sentimento de boicote e radicalizar ânimos no país. O PT caminha para a radicalização política por avaliar que não tem alternativa. No entanto, até onde ir nessa radicalização só será respondido ao longo dos próximos meses, com os desdobramentos da guerra de Lula nas instâncias superiores do Judiciário.

*

Poder Moderador

Tomada ontem pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a decisão unânime e sem nenhuma divergência dos três desembargadores confirmou o pior cenário para Lula. Torna mais difícil a viabilização da candidatura presidencial. Dificulta também a luta para evitar a prisão do ex-presidente.

Os três julgadores foram coesos até nos detalhes. A decisão de Moro tinha fragilidades, que foram apontadas por advogados e juristas, mas prevaleceu a visão de que há um conjunto de indícios que permite condenar o ex-presidente. No julgamento do mensalão, no último voto antes de se aposentar, o ministro Cesar Peluso disse que isso seria possível.

A História fará um julgamento mais sereno a respeito da decisão do TRF-4 que poderá vir a ser negativo no futuro, como um resultado de uma visão de magistrados e procuradores que desejam que o Judiciário ressuscite o Poder Moderador no Brasil.

Mas é inegável que, no curto prazo, o resultado de ontem é uma vitória do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da República de Curitiba, porque endossa a forma como eles interpretam a lei penal na Lava Jato.

Será importante a reação das cortes superiores a decisão do TRF-4 _se elas também darão aval a essa visão do direito penal.

A guerra ficou mais desfavorável para Lula, mas ela ainda terá batalhas pela frente, porque o PT planeja registrar a candidatura de Lula no dia 15 de agosto. Há um longo caminho até lá.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”, que também analisou efeitos eleitorais caso Lula não possa concorrer ao Palácio do Planalto:

Comentários
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  1. […] A manutenção da liderança de Lula em todos os cenários de primeiro e segundo turno confirma a capacidade de resistência do petista ao bombardeio da Lava Jato. Isso sinaliza que é correta a estratégia de levar a candidatura de Lula às últimas consequências. […]

  2. […] A manutenção da liderança de Lula em todos os cenários de primeiro e segundo turno confirma a capacidade de resistência do petista ao bombardeio da Lava Jato. Isso sinaliza que é correta a estratégia de levar a candidatura de Lula às últimas consequências. […]

  3. […] A manutenção da liderança de Lula em todos os cenários de primeiro e segundo turno confirma a capacidade de resistência do petista ao bombardeio da Lava Jato. Isso sinaliza que é correta a estratégia de levar a candidatura de Lula às últimas consequências. […]

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