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Política
18-04-2018, 21h24

Raúl Castro se antecipa à “solução biológica”

Días-Canel tem missão de "aggionarmento" da revolução
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KENENDY ALENCAR
BRASÍLIA

A indicação de Miguel Días-Canel para presidente de Cuba é uma forma de Raúl Castro se antecipar à tese da chamada “solução biológica” _termo usado pelos Estados Unidos e anticastristas da Flórida. A “solução biológica” seria a morte dos irmãos Castro.

Raúl Castro teve a preocupação de construir um sucessor como resposta à “solução biológica”. Ele construiu uma “solução cronológica”, digamos assim. Raúl vai se retirando de cena, mantendo o controle dos rumos da Revolução Cubana. O personalismo do regime, simbolizado pelo governo de 59 anos de Fidel e Raul no comando da ilha, passa agora a uma fase institucionalizada. Díaz-Canel foi leal ao Partido Comunista, Fidel e Raúl.

Outros nomes do Partido Comunista, como Carlos Laje, que cuidou da economia, e Felipe Perez-Roque, que foi ministro das Relações Exteriores, acabaram sendo alijados por suspeita de passar informação a grupos espanhóis e também por gravações nas quais criticavam os irmãos Castro.

*
Futuro da ilha 

Días-Canel fará uma adaptação para as necessidades de “aggionarmento” da revolução. Cuba sempre soube que o modelo chinês não era viável, porque não tem escala para competir como os chineses competem globalmente.

Para os cubanos, o modelo é o vietnamita. Abrir a economia, atrair investimento externo direto e manter o controle político da ilha. Ainda tem o atrativo de o Vietnã ter sido o único pequeno país que derrotou os Estados Unidos. Cuba, resistindo ao bloqueio americano desde 1961, tem sido uma pedra no sapato de Washington. O embargo gera coesão interna contra os EUA, ajudando o regime. Como o Vietnã é um tigre asiástico, Cuba poderia ser uma pantera ou onça caribenha, brincam na ilha.

Os desafios são unificar o câmbio, porque tem o peso normal, que é uma moeda muito desvalorizada, e o peso conversível, que é praticamente dolarizado. Quem trabalha com turismo ganha mais dinheiro, o que aumentou a desigualdade na ilha. Há estudos para ampliar a legislação para permitir empresas de capital misto (cubano e estrangeiro). Existe um desejo de manter as conquistas da revolução, que são os sistemas de saúde e de educação de alto nível.

O distensionamento feito por Barack Obama, enfrentando a comunidade cubana da Flórida, teria resultado mais rápido para promover mudanças na ilha. Donald Trump recuou na comparação com Obama, por questões ideológicas. É um erro americano. Mais liberdade econômica geraria mais liberdade política. A falta de liberdade política é a principal crítica que deve ser feita à Revolução Cubana. Há presos políticos no país.

Cuba possui muita mão de obra qualificada. . Com investimento externo direto e aumento de produtividade, poderia usar a posição geográfica privilegiada. É um hub, um ponto de ligação entre as três Américas e também entre as três Américas e a Europa.

Ter uma infraestrutura portuária forte é um dos segredos do sucesso no comércio mundial, algo fundamental para o desenvolvimento de um país.

*

Oportunidades perdidas

O Brasil perdeu todas as oportunidades recentes em Cuba. Fazia sentido geopolítico a aproximação com a ilha, algo que ocorreu no governo Lula. Para construir o porto de Mariel, o Brasil competiu com chineses, franceses e espanhóis. Os americanos acordaram e correram atrás por meio de Obama. Houve exportação de bens e serviços brasileiros, o que todo país desenvolvido quer fazer.

Com a Lava Jato, a queda da Odebrecht e a mudança de governo no Brasil, ocorreu um afastamento em relação a Cuba, que nunca deu calote no Brasil. Se investir na ilha fosse ruim, os franceses, chineses e espanhóis não estariam colocando dinheiro lá. Por questão ideológica e ignorância econômica, o Brasil perdeu espaço para outros países. Como há uma relação de proximidade histórica, pode ser que um dia o Brasil recupere o terreno perdido.

Ouça o comentário no áudio abaixo, a partir dos 4 minutos e 45 segundos:

Comentários
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  1. walter disse:

    Com Días-Canel caro Kennedy, se tiver juízo, estreitará sua relação com os EUA, pensando no Futuro do Povo…Fidel Castro fez daquela Ilha, um ninho de serpentes; esqueçamos o TRUMP, já que seus interesses estão voltados para os Americanos, e tudo que possa se contrapor, será ignorado…isto não quer dizer, que os cubanos não possam iniciar um processo de estreitamento maior…certamente o Raul vai interferir muito no inicio,mas esta velho demais; são capazes de prejudicar “eleito”…vai depender da habilidade do Miguel…acredito sinceramente nisso, este “burro empacado”, que transformou cuba, numa ilha esquecida, poderá prosperar agora…Quanto a aproximação cortadas caro, não foi por obra e graça do Brasil, tal fato; mais uma vez, quem deixou de cumprir o combinado com o nosso país foram eles…como a saída da dilma, as comunicações foram “cortadas” e a DIVIDA NÃO saudada…não houve qualquer iniciativa deles, em manter uma relação comercial; basta checar melhor, nos ignoraram…

    • Sebastiao Canabrava disse:

      Sr Walter, o seu sonho e’ substituir o Kennedy? Por que voce vivo o aconselhando?
      Quem da’ as opinioes aqui neste blog e’ o Kennedy. Nos apenas comentamos (concordando ou discordando). O Sr no entanto, quer escrever corrigindo o KA. Ta’ parecendo o Boris Casoy.
      Sabe-tudo.

  2. Alisson Gomes Callado disse:

    Os EUA tem mais presos políticos que Cuba.

  3. Nilton Bernardo Terron disse:

    Caro Kennedy, concordo com o Walter acima. Achei a analise quase tendenciosa para mostrar uma situação que não existe. Dinheiro publico do Brasil enviado para uma obra que não nos deu nada. Achar que Cuba vai tirar algum proveito de sua posição geográfica,etc., coisas que uma economia verdadeiramente de mercado costuma pensar, não me parece muito lógico para uma ditadura que se mantem no poder na base da força e da intimidação de seu povo.
    Se esse investimento no porto de Mariel fosse algo sério não colocariam sob sigilo, trancado a 7 chaves e rezando para que ninguem mais pergunte sobre isso. É o meu, o seu, o nosso dinheiro alimentando uma ditadura.

  4. ANDRE disse:

    A memória parece curta, mas devemos lembrar das declarações de José Serra, então ministro das relações exteriores, em que dizia claramente que a prioridade do Brasil era as relações com a América do Norte e a UE (esquecendo que nosso maior parceiro comercial é a China). Quem azedou as relações com diversos países foi o Serra com seu estilo trombador, que deus declarações desastrosas (disse que uma vitória de Trump por exemplo, era um pesadelo). Não há como negar a fraqueza deste governo nas relações externas.

  5. ANA RITA DOS SANTOS disse:

    inteligente, elegante, ponderado, discreto e ao que parece lê livros! O jornalista Kennedy Alencar é um balsamo nesse mar de jornalistas limitados…de opinião lá ou cá. Sempre que tenho dúvidas sobre notícias e artigos, ao ler a grande mídia e a independente, busco o parâmetro Kennedy Alencar. Ele demonstra clareza e prudência em cada frase, mesmo quando discordo da sua análise. Mais Kennedy Alencar, por favor!

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