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Economia
31-05-2016, 9h18

Reforma da Previdência só ganhará força após votação de impeachment

Prioridades são votar maior liberdade de gasto e negociar dívida dos Estados
17

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A reforma da Previdência só deverá ganhar impulso no governo Temer depois da votação em definitivo do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, pelo Senado.

A proposta de reforma da Previdência está caminhando na equipe econômica, que discute os detalhes. Como é um tema impopular, mas necessário, a estratégia do governo é esperar o provável fim da interinidade de Temer para travar essa batalha.

O governo tem duas prioridades econômicas engatilhadas. A primeira é aprovar a DRU (Desvinculação de Receitas da União) a fim de dar maior liberdade imediata de gastos ao governo enquanto não é votada a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que fixa um teto para o crescimento das despesas públicas. Essa PEC do teto das despesas também prevê desvinculação de gastos em saúde e educação que são obrigatórios por força constitucional.

Depois, negociar as dívidas com os Estados. Haverá um período de carência. O governo já estipulou o rombo deste ano em R$ 170,5 bilhões porque prevê gastar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões nessa renegociação. A equipe econômica, porém, prepara travas importante para que os Estados reduzam gastos correntes e despesas com pessoal na ativa e aposentados.

*

O roteiro da queda

Obviamente, não é bom perder dois ministros em menos de 20 dias de governo e no intervalo de uma semana, porque isso gera uma crise que demanda uma energia que poderia ser gasta para resolver problemas na economia. Não faltam dificuldades nessa área. Nesse sentido, as quedas atrapalham o governo.

No entanto, há um lado positivo e que fortalece o presidente interino, Michel Temer: está criada uma espécie de jurisprudência para lidar rapidamente com ministros que sejam acusados no âmbito da Lava Jato ou que tenham tentado atrapalhar as investigações.

Está criada uma regra de que a Lava Jato poderá derrubar ministros rapidamente. E há outros na mira da investigação. Se surgir algum problema, a solução deverá ser célere.

Até agora, caíram justamente os dois ministros mais ligados ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Romero Jucá e Fabiano Silveira eram ministros da cota do PMDB do Senado.

Lidar com Renan Calheiros é uma das tarefas mais delicadas de Temer, que tem histórico de atritos com ele. As prioridades de Temer são aprovar o impeachment de Dilma Rousseff no Senado e votar medidas econômicas no Congresso.

Desde ontem cedo, a intenção de Temer era negociar com Renan uma saída sem trauma. Daí o cuidado de deixar prevalecer ao longo do dia que o ministro estava ficando, mas recomendar que desse uma entrevista, assim como fez Jucá, para medir a repercussão e, então, tomar uma decisão definitiva.

Mas Fabiano Silveira não conseguiu nem achar uma sala no ministério para dar entrevista porque havia uma rebelião de funcionários da pasta contra ele. A Transparência Internacional disse que não trataria com o Ministério da Transparência enquanto Silveira estivesse à frente da pasta.

Depois de ter conversado com Renan, Jucá foi ao Palácio do Planalto. Enquanto isso, Silveira, aconselhado por amigos e familiares, foi convencido a deixar o cargo para evitar que o episódio continuasse a crescer. Hoje, haveria novamente dificuldade para ele entrar no gabinete. A manutenção de Silveira acabou sendo vista pelo próprio Renan como prejudicial a ele em relação à defesa na Lava Jato.

Enquanto Silveira saia, Renan divulgava uma nota dizendo que não indicou ninguém para o governo Temer. Indicou, sim, e avalizou a queda, porque priorizou a defesa na Lava Jato a manter um aliado no governo. Esse foi o roteiro que levou à saída de mais um ministro de Temer.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN’:

Comentários
17
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A reforma da previdência é um “teste de fogo” !
    Somente um parlamento comprometido com o interesse da sociedade tem moral para aprovar medidas desse alcance… Não é o caso.
    O legislativo está comprometido apenas com seus próprios interesses.
    Pergunte a qualquer parlamentar se ele abre mãos de se aposentar após apenas 2 mandatos… Esquece isso, é sonho !!

    • Djailton pires disse:

      Seria interessante ouvir o pessoal da associação nacional dos auditores fiscais da RFB. Salvo engano, defendem que não há déficit previdenciário e sim déficit de informação .

    • walter disse:

      Exatamente cara Maria Aparecida, vivemos uma “ficção cientifica”, quando se fala, em cortar benefícios; ninguém quer conversar, parlamentar então; conscientização precisaremos e boa fé…
      Acreditarmos, que esta transição será fácil…independente do PT, estamos cercados de oportunistas, querendo ser dar bem.
      Se o País não se unir, as coisas não caminharão, este congresso esta todo contaminado…as delações que virão, vão complicar até a vida do “Papa”; esta situação só interessa aos jornalistas…abs.

  2. Paulo disse:

    Os Brasileiros não foram as ruas pra pedir nova previdência e novas leis trabalhistas, isso é necessário? Sim acredito, modernizar o país a fim de facilitar contratações, criação de empregos e assegurar uma aposentadoria sem riscos é uma verdade necessária, mas não foi isso evidenciado nos gritos das ruas, e sim:
    Diminuição e até extinção dos cargos comissionados;
    Que as chefias e gerências dos serviços públicos e empresas públicas, sejam feitos por funcionários concursados e estatutários;
    Diminuição do número de parlamentares em todas as esferas pública, vereadores, deputados, senadores e etc..
    Mudança do modelo político e sistema de votação;
    Auditoria constante a fim de controlar todas as atividades do executivo e legislativo, criando assim um sistema de controle natural do processo de liberação de verbas, que sejam essas auditorias formadas por parlamentares,promotores públicos, membros da iniciativa privada , e etc…um conselho multidisciplinar.
    Etc…etc…..

  3. DONG disse:

    Para acabar com o rombo da previdência tem que AUMENTAR o tempo de contribuição e não a idade.

    O problema é arrecadação e não idade.

    Não se resolve o problema concedendo aposentadoria mais tarde e sim tendo mais arrecadação para pagar as aposentadorias.

    • Paulo Henrique disse:

      Essa é uma matemática relativamente simples de compreender. É bastante óbvio que as duas coisas caminham juntas: tanto o aumento de idade quanto o de tempo de contribuição impactam sobremaneira nas contas da previdência.
      O seu argumento é vazio de raciocínio lógico.

  4. Alberto disse:

    O comentário da sra/srta Ramos Tinhorão tem todo sentido.A visão do parlamento e de muitos setores e grupos da sociedade é curta.

  5. Marlene disse:

    lógico que nenhum parlamentar abrirá mão de se aposentar em apenas 2 mandatos, o sacrifício tem que ser meu que trabalhei 30 anos esperando a tão sonhada aposentadoria e não vou poder me aposentar mas pra eles……….

  6. Quanta Alegria disse:

    A reforma da previdência será aprovada. É claro que a reforma evitará tocar nos interesses de funcionários públicos e de parlamentares. Afetará apenas o cidadão comum, o trabalhador dos bancos, do comércio e das indústrias. E muito tempo passará até que alguém dê uma explicação razoável para este ‘rombo’, que é matematicamente impossível, a menos que se lance mão dos recursos previdenciários para outros fins, assim como fazem com o FGTS e o PIS.

  7. Enquanto o povo brasileiro não aprender a votar e reconduzir políticos ficha suja para cargos no Poder Executivo e no Poder legislativo, o dinheiro vai continuar não chegando ao destino desejado. Indo parar nos bolsos de políticos que só pensam em enriquecer de forma ilícita, rápido e sem esforço, desviando o dinheiro público, para uso particular.
    Não teremos leis que visem um país sustentável a longo prazo.
    Não teremos leis que visem acabar com a corrupção de forma definitiva.
    Daqui a cinquenta anos ainda vamos estar discutindo sobre os mesmos problemas que hoje nos afligem. Corrupção e ineficiência do estado, populismo e descomprometimento políticos com os eleitores e com o país. Salários de marajás e mordomias para eles, impostos para nós.
    Eles estarão ricos e aposentados, e nós trabalhando apenas para pagar impostos e sustentar o luxo e a boa vida deles.
    É o preço que se paga para ter corruptos de estimação.
    Corruptos de estimação custam caro! Bem caro.

  8. Para quem criticou a falta de mulheres no governo do Presidente Michel temer, vem ai Erika Mialik Marena para o comando da Polícia Federal.
    Direto do comando da Lava Jato, para o comando geral da PF.

  9. Alex Cardoso disse:

    Mais uma vez nossos analistas defendem soluções econômicas, que ampliam as desigualdades, como essa tal reforma da previdência, que vem apenas para penalizar o mais pobre. Onde esta a coragem de defender reformas tributárias progressivas, que reduzam o desequilíbrio entre ricos e pobres? Onde estão os analistas para se posicionarem perante economistas do FMI que reconhecem que certos aspectos da agenda neoliberal (remoção de barreiras aos fluxos de capitais e austeridade) produziu ainda mais desigualdade? Onde estão os analistas para se posicionarem com relação a ANFIP que diz que não há déficit nas contas da Previdência Social? Onde estão as análises sobre o argumento de que o verdadeiro rombo é a dívida pública, não a previdência social? Será que o Brasil, um pais entre as 10 maiores economias do mundo, precisa realmente penalizar o pobre, fazendo um ajuste brutal, para atrair investidores? Há alguma razão nisso tudo? Que não seja fazer o ricos ganharem ainda mais dinheiro?

    • Os mais ricos do Brasil ficaram mais ricos do que eram, pegando dinheiro barato e subsidiado do BNDES.
      Para os mais pobres deram bolsas esmolas, para que continuassem pobres e dependentes do governo.
      Veja a lista de quem pegou dinheiro barato no BNDES e procure um pobre.
      Será que tem um único pobre que seja lá?
      É muito bom jogar para a galera dizendo que quer reduzir a desigualdade social dando bolsas esmolas para os pobres.
      Enquanto a realidade é outra, aumentando a desigualdade social oferecendo subsídios aos mais ricos, reduzindo impostos das empresas, vendendo MPs, e dando empréstimos subsidiados aos mais ricos nos Bancos públicos.
      Dinheiro dos impostos dos mais pobres financiando os mais ricos.

  10. Leandro disse:

    Depois desse rombo de quase 170 bilhões não tem jeito para o governo Temer, ou faz essa reforma ou o Brasil afunda de vez, infelizmente quem acaba prejudicado somos nós.

  11. joao dias disse:

    Os parlamentares já entenderam que o momento é de união nacional, para que tenhamos um Novo Brasil e não somente uma solução para a reforma previdenciária. Os interesses do Estado, devem estar acima dos interesses pessoais. O político já recebeu do Povo, as faturas que estavam arquivadas, para quitação a curto, médio e longo prazo, com correção e sem prorrogação nos vencimentos. Quer pagamento , não promessa de pagamento. Portanto, não existe mais válvula de escape para o parlamento adiar as decisões necessárias para a profunda reforma do Estado. O Povo não foi às ruas por brincadeira, mas para exigir uma Nação moderna, Transparente com governança competente e honesta. O Parlamento tem que cumprir o seu papel, por obrigação, como delegado de 200 milhões de brasileiros.

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