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Geral
25-05-2020, 13h35

Restrição a voos do Brasil para EUA é resultado de resposta trágica de Bolsonaro à Covid

Genocídio em curso no Brasil alarma o planeta e prejudica o país
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Kennedy Alencar
São Francisco, Califórnia

A restrição a voos do Brasil para os Estados Unidos era uma decisão que vinha sendo ensaiada fazia tempo pelo presidente Donald Trump. Ele já havia comentado a situação de descontrole da pandemia no Brasil.

Do ponto de vista sanitário, a medida de Trump faz sentido no momento em que a OMS (Organização Mundial de Saúde) diz que o epicentro da pandemia está agora na América Latina e que o Brasil é o país mais preocupante.

Política e eleitoralmente, Trump precisava tomar uma medida para proteger a população da Flórida, Estado mais visitado pelos brasileiros. A disputa entre Trump e o democrata Joe Biden está apertada na Flórida, visto como um Estado decisivo para obter maioria no Colégio Eleitoral.

Logo, os motivos eleitorais se uniram aos sanitários para barrar a entrada de brasileiros no país em geral e na Flórida em particular. Haverá eleições nos EUA em 3 de novembro.

Para o Brasil, a decisão contribui para prejudicar ainda mais a imagem internacional do país. Além das implicações nas viagens internacionais de brasileiros, que passam a ser vistos todos como suspeitos de transmissores do coronavírus, há os efeitos econômicos e políticos. O maior isolamento no cenário internacional resultará em mais danos à nossa economia.

A boa relação pessoal entre Trump e o presidente Jair Bolsonaro, cultivada pela subserviência do brasileiro ao americano, não foi suficiente para evitar a medida da Casa Branca. Na verdade, esse complexo de vira-latas do Bolsonaro é o que marca o relacionamento com os EUA, sem nenhum benefício real para o Brasil. Só rendeu perdas de espaço e prestígio no cenário internacional.

Esse quadro de terra arrasada no Brasil, de pandemia fora do controle, é uma obra de Bolsonaro. E Trump sabe disso. A resposta de Bolsonaro ao coronavírus tem sido tragicamente errada e contribuído para agravar os efeitos da pandemia, aumentando o número de casos e mortes no país.

O Brasil não tem ministro da Saúde, não possui estratégia nacional de combate à covid-19 e não tem governo capaz de formular resposta ao mais grave problema de saúde pública do planeta em 100 anos.

Bolsonaro age como um genocida devido à sua incompetência, despreparo e irresponsabilidade ao lidar com a covid-19. Enquanto São Paulo fazia uma ginástica para emparelhar feriados e manter o isolamento social num grau mais alto, vimos o presidente mais uma vez estimular aglomerações e dar o pior exemplo possível para conter o coronavírus. O presidente promove uma tragédia.

Só o afastamento de Bolsonaro do poder permitirá ao Brasil elaborar uma resposta eficiente ao coronavírus e começar a reconstruir o país a partir de ruínas deixadas pelo atual governo. Não enxergar que Bolsonaro já deveria estar respondendo a um pedido de impeachment ou a uma denúncia do procurador-geral da República custará caro aos brasileiros. Mais vidas serão perdidas e pior será o país para as próximas gerações.

A única coisa que pode ajudar o Brasil no combate ao coronavírus é “Fora, Bolsonaro”.

*

Ação rápida e efetiva

A Califórnia foi um Estado duramente atingido pelo coronavírus, mas que soube dar respostas rápidas e duras. Quando havia 19 mortes e cerca de 900 casos no Estado, em meados de março, a Califórnia foi o primeiro Estado a decretar um bloqueio total, o chamado lockdown, para 40 milhões de habitantes. O governador, o democrata Gavin Newsom, foi rigoroso no fechamento de praias, por exemplo.

Deu resultado. O Estado teve desempenho melhor do que Nova York, com 360 mil casos e mais de 23 mil mortes. Na Califórnia, houve mais de 90 mil casos e mais de 3.600 mortes. No país, ocorreram até agora mais de 1,6 milhão de casos e quase 100 mil mortes.

Neste momento, 18 dos 50 Estados têm ritmo de crescimento de casos acima da média. 22 permanecem estáveis. Apenas 10 estão com casos em queda. É preciso reabrir a economia com cautela. Do contrário, novos surtos podem aparecer.

Na Califórnia, que sofre com incêndios, a estratégia de combate à covid-19 foi parecida. Tem de apagar logo os focos de incêndio. Tem de agir no começo e duramente. Foi exatamente o que Bolsonaro não fez. Por isso, ele é responsável pelo genocídio em curso no Brasil, tragédia assistida pelo mundo com horror.

Em São Francisco, praias e parques ficaram lotados no fim de semana do Memorial Day (Dia da Memória), no qual são honrados e lembrados os que morreram nas guerras americanas. Com temperaturas dignas de verão em plena primavera, as pessoas saíram de casa. Nos parques, a prefeitura fez marcas com círculos de cal na grama para que grupo pudessem se socializar respeitando as recomendações de distanciamento físico. Na praia, os grupos se organizavam de modo a seguir o mesmo protocolo.

Foi interessante a atitude das pessoas nos parques e praias, com obediência ao distanciamento social, mas encontrando um jeito de viver a vida em meio a pandemia, num novo normal que deve durar para além da primavera e do verão.

Em São Francisco, restaurantes, bares e cafés podem abrir para serviços de encomenda, mas não é possível jantar nesses estabelecimentos, como na Geórgia, Flórida e Carolina do Sul.

No centro de São Francisco, há uma grande população de moradores de rua. Alguns hotéis foram transformados em abrigos, mas as ruas estão cheias de barracas de acampar. A população de rua é um dos grupos mais vulneráveis à covid-19.

O departamento de saúde de São Francisco tem dado álcool, maconha e cigarro em doses mais moderadas para que os sem-teto fiquem nos abrigos. A avaliação, do ponto de vista de saúde pública, é que essas doses ajudam a conter a difusão do vírus por reduzir a circulação pelas ruas em busca de drogas.

No voo de Dallas (conexão) para São Francisco, quase todos os assentos estão tomados, inclusive os do meio. As companhias aéreas dizem que não é viável economicamente voar com o bloqueio desses assentos. Avião lotado, o comandante pediu que fossem apagadas duas fotos dos passageiros sentados e devidamente mascarados. Ameaçou tomar o celular. Foram apagadas, mas uma delas já havia sido postada no instagram @blogdokennedy, onde há imagens da “Corona Trip”.

Como outras empresas do setor, a American Airlines não gosta da imagem de fotos lotados em meio a uma pandemia. Nos aeroportos, lojas e restaurantes estão quase todos os fechados. Havia algumas lanchonetes abertas.

*

Covardes

Bolsonaro e seus filhos estimulam ataques à imprensa o todo tempo. Serão responsáveis por agressões físicas graves que estão prestes a acontecer com a aposta nesse clima de guerra. Irresponsável e cruel, Bolsonaro coloca a integridade física de jornalistas em risco.

Ouça o comentário”:

Comentários
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  1. Walter Nobre disse:

    Kennedy, o mais importante, não houve qualquer obstaculo a aliança entre países, são medidas de segurança política, faz parte do jogo do Trump. Estão enviando insumos e respiradores contra o vírus, certamente os presidentes conversaram, vamos continuar aliados. A visita aos EUA não acontecerá, pelas condições gerais, estamos mutuamente em quarentena, não há disposição para viagens neste instante, precisamos ter nosso protocolo, receberemos estrangeiros se receber com parcimônia, seguindo a segurança necessária;não temos câmbio favorável para viagens internacionais, estamos tranquilos, deixa o Trump ganhar as eleições, se for caso.

  2. Bolsonaro e o bolsonarismo: Motivos para Trump ignorar a existência do Brasil nas viagens internacionais disse:

    Kennedy, me assusta a não percepção em um contexto global do flerte amoroso de Bolsonaro e Trump. Não existe aliança alguma entre o Brasil e EUA que não já existisse e fosse melhor do que agora nos dão. Não existe também segurança política alguma nessa relação. Bolsonaro é ingênuo e incompetente em todas as políticas envolvendo os dois países diante o pior presidente americano. Concede violando a soberania. O espaço marítimo aos americanos. Telegrafado liberando propositadamente a tal agenda de segurança contra o inimigo que não existe: a França. Com essa desculpa esfarrapada. Serve aos EUA, fazendo vista grossa de seu poderio naval em nossa águas. Relação verdadeira diante o que já foi exposto midiaticamente: o tal plano de “in-segurança” dos generais bolsonaristas. Se o Brasil tivesse feito um controle ideal no início da contaminação pelo mundo. Já estaríamos fora disso tudo. A economia já tinha voltado a normalidade. O problema é que nosso governo vive de fofoca e inutilidade.

  3. Bolsonaro e o bolsonarismo: Motivos para Trump ignorar a existência do Brasil nas viagens internacionais disse:

    Já sabemos que nenhum brasileiro está a salvo de ataque viral se falar mal do pior presidente do Brasil e sua família bosotralha. O Gabinete do ódio encharca possivelmente os e-mails de qualquer um crítico da chapa Lava Jato Mourão e Bosotraste humano. Se os representantes do MPs quiserem. Já podemos enquadrar Bolsonaro e seus próximos em vários crimes. Inclusive alguns contra a segurança nacional. Onde cabe sim punição pelas FFAAs e suas representações. O problema é que tem uma ou duas centenas de militares pagos pelo dinheiro público. Que se vê no direito de publicar, assinar lista a favor de crimes contra a própria FFAAs. O que lhes colocaria juntamente criminosos. Na avaliação de soberania. Ela não existe mais. Então, nós povo, gostaríamos de ver uma lista de generais ou ex-generais que apresentassem conjuntamente como as FFAAs do Brasil tirariam os EUA de Alcântara se eles não quiserem sair. Aí teríamos discursos e iniciativas que valeriam a pena discutir nomes. Isso não veremos.

  4. Bolsonaro e o bolsonarismo: Motivos para Trump ignorar a existência do Brasil nas viagens internacionais disse:

    Então, seguimos o dilema da inutilidade do governo quando quer dizer que é um Estado. Bolsonaro não representa uma só vertente do Estado. O comércio não precisa dele, a saúde é ignorada por ele (vide vídeo), as microempresas não interessam ao Ministro da Economia, a soberania é e será ridicularizada por todo governo 2019 a 2022, a indústria que se cuide – na dependência econômica voltada aos EUA. Vamos viver de subprodutos – muitas sumirão, os serviços quarteirizados. Como incentivar? Menos impostos? Duvido! Se acontecesse alguma coisa. De útil seria a redução de obrigações acessórias. Você viu alguém dos gênios em Brasília falar que o governo federal, estadual e municipal enche as empresas de obrigações acessórias? Sabiam que elas mesmo para as empresas inativas custam muito em reais para não esquece-las? Quais são as ações de Bolsonaro pró combate ao vírus? Um remédio que se aplicado. Guardem brasileiros o receituário. Promoverá indenizações e aposentarias por doença futuramente.

  5. Bolsonaro e o bolsonarismo: Motivos para Trump ignorar a existência do Brasil nas viagens internacionais disse:

    As aglomerações em templos religiosos. Que é um remédio também. Que serve a nenhuma proposta divina. Pois, é bíblico que o evangelho diz o contrário. Mas, serve a arma da mentira e provocação aos demais brasileiros. Muitos irão se contaminar e contaminarão outras pessoas. Contudo, num contágio ao contrário. Nesse primeiro momento as grandes cidades e algumas que servem de pouso das viagens internacionais concentram maior contaminação. Observem os mapas dos jornais. Agora, em muitos estados. Cidades que não tiveram isolamento. Devem apresentar seus primeiros casos de contaminação. Não tendo hospitais, ou com número reduzido. A contaminação volta a cidade maiores pois elas tem maior número de leitos. Bolsonaro não enxerga isso porque é um tapado. Trump sim. Pois, para ele, esse quintal agora americano graças ao bolsonarismo. É uma província de quinta. Que vai contamina-los. Dedução lógica. Só isso. Não viaja em acordo nenhum. O Brasil não oferece nada aos EUA. Só a soberania.

  6. Bolsonaro e o bolsonarismo: Motivos para Trump ignorar a existência do Brasil nas viagens internacionais disse:

    E a qualquer um dos críticos. Para que você diga que é um aliado (de qualquer propósito – política, guerras, ideais científicos etc.). Deve estar de igual peso nessas posições. O Brasil tem FFAAs para impor as maiores: EUA, China, Índia, Rússia, Inglaterra, França, Itália etc. Não tem. Não tem recursos financeiros e diante o que temos visto. Arriscamos dizer que não tem nem recursos humanos de comando. O Brasil tem hoje representação política séria diante o Mundo? Não tem. O Brasil tem apoios de seus vizinhos para abordagem econômica, segurança na América Latina? Não tem. O Brasil tem representação diante o Mercosul, BRICS, Comunidade Europeia? Fazemos parte de algumas, mas eles não tem confiança alguma no governo Brasileiro. Estão esperando Bolsonaro ir embora para voltar a comercializar normalmente com o Brasil. Bolsonaro não dá nada. Se dá… é sério tá. Dá por baixo dos panos para Trump. Não interessa ao povo brasileiro e as FFAAs. As FFAAs tem que formar batalhões. Com ele não dá.

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