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Kennedy Alencar

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Economia
21-07-2016, 9h13

Ruídos na economia podem atrapalhar volta da confiança

Temer resiste a nova CPMF, opção preferida por Meirelles
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KENENDY ALENCAR
SÃO PAULO

Diante da resistência do presidente interino, Michel Temer, e do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) em propor uma nova CPMF a fim de aumentar a receita do governo federal, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) parou de defender essa opção com mais ênfase no debate público.

Meirelles é favorável a uma alta temporária de impostos para ajudar a fechar as contas públicas no curto prazo. Mas discute essa saída apenas internamente.

Temer e alguns ministros, como Padilha e Geddel Vieira Lima, da articulação política, acreditam que antes da votação do impeachment em definitivo da presidente afastada, Dilma Rousseff, o governo não deveria fazer movimentos bruscos, desagradando os empresários que apoiam a administração peemedebista.

Nesse contexto, como informa a “Folha de S.Paulo”, a saída preferida até amanhã será queimar parte de uma reserva do orçamento de 2016, evitando um bloqueio de gastos. Isso ajudaria o governo a ganhar tempo.

Mas há um risco nesse caminho. Até agora, o mercado financeiro e os investidores têm dado apoio a Temer e à sua equipe econômica porque temem o retorno de Dilma. Eles avaliam que seria pior para a economia uma volta da petista ao poder. Se o governo Temer começar a dar sinais de maior frouxidão fiscal, colocando em risco o cumprimento de uma meta fiscal bastante elástica, de R$ 170,5 bilhões neste ano, poderá interromper o movimento de retomada de confiança na economia.

Já há críticas em relação à lentidão de medidas econômicas da parte do governo Temer. No entanto, existe a esperança do mercado financeiro e dos investidores de que essas medidas virão devido à credibilidade da equipe econômica. Nesse contexto, evitar bloqueio de gastos ou dar declarações públicas, como fizeram Temer e Padilha, sugerindo queda dos juros, são gestos que podem criar ruídos na economia.

*

Recado claro

Ao manter ontem a taxa básica de juros em 14,25% ao ano, o Banco Central deu um recado para a ala política do governo e para o Congresso Nacional.

Michel Temer e Eliseu Padilha deram declarações recentes pressionando pela queda dos juros. Pegou mal, e a Secretaria de Comunicação da Presidência teve de dizer que Temer considerava que o Banco Central tinha autonomia na questão dos juros. Foi uma ação correta da assessoria de Temer semelhante aos consertos políticos que precisavam ser feitos com as investidas de Dilma sobre o Banco Central.

O recado do Banco Central foi claríssimo. Há espaço para reduzir os juros desde que medidas econômicas duras na área fiscal sejam implementadas com maior rapidez. Existe uma expectativa significativa de queda da inflação até o fim do ano.

No período Dilma, o Brasil foi demasiadamente tolerante com a inflação. Sinalizar dureza no combate à inflação é o que Banco Central pode fazer agora enquanto a ala política do governo aposta na aprovação do impeachment de Dilma a fim de ter mais força para aprovar medidas duras no Congresso.

Mas há fatores que devem ser levados em conta, como a disposição do deputado federal Eduardo Cunha de aceitar uma provável cassação sem virar homem-bomba e o impacto de delações da Odebrecht e da OAS sobre o PMDB e aliados do governo, como PSDB e DEM.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Espero que saiamos dessa lama que o PT nos meteu logo.

  2. joao dias disse:

    Se o País ainda não saiu da crise e tem mais de um trilhão de reais em tributos sonegados, acho que a solução não é simplesmente aumentar impostos para o Brasil crescer. Os créditos existem e a Receita Federal está tentando recebe-los, utilizando os instrumentos legais que tem à sua disposição. E esses créditos do Tesouro Nacional, levantados pela Receita Federal é que precisam ser recebidos, para evitar que sejam penalizados os bons pagadores e não sejam motivo ou prêmios para os maus pagadores. O Governo tem ainda instrumentos para chegar á repatriação de recursos no exterior, além de um criterioso estudo e varredura para eliminar os abusivos ralos que represam e representam as isenções fiscais, as renúncias fiscais e uma infinidade de subsídios que não se traduzam em resposta econômica e social positiva.

  3. Romanelli disse:

    desculpe, sua informação não fecha com os dados ..DILMA ofereceu em seu primeiro mandato a MENOR, a MENOR inflação em um período completo de governo no brasil (desde os anos 60)
    .
    claro que vc pode estar se referindo somente a 2014 e parte de 2015 ..mas aqui, convenhamos, GOLPISTAS não deixaram ela começar nem terminar o serviço (que confesso, pra mim tb deixava MUITO a desejar)
    .
    e por se falar em golpistas ..o que vc pode nos dizer sobre as FRAUDES nas pesquisas do Datarolha caro Kennedy ?!

  4. wanderlei disse:

    Estranho dizer que está havendo aumento da confiança. O que vejo na classe media é o temor deste governo. Governo que só fala em ferrar o trabalhador. querendo aumento de idade para a aposentadoria num Paiz onde os mais velhos não encontram emprego, mudar as leis trabalhistas e falam que na França trabalham 66 horas e pode ser até 80 horas semanais. Milhares de desempregados e sem perspectivas de vida, cortar em até 5bi os auxilios doenças, dão aumentos de 50bi para o judiciario e 50bi para os funcionarios publicos . Sinceramente eu que aos 53 anos de idade jamais fiquei desempregado )(com certeza sou um dos poucos previlegiados) estou aterrorizado com este governo.

  5. walter disse:

    Caro Kennedy,concordando ou não, já sabemos, que mais cedo ou mais tarde, a CPMF vai reestrear, não tem como evitar…
    Quando se fala em teto de gastos, parece uma piada de mau gosto;torna se difícil, já que os trés poderes são vorazes, promovendo aumentos, todos os anos para suas categorias; principalmente o Supremo, que deveria ser exemplo!!!
    Neste ponto, só uma medida radical, por um governante duro; convencendo um congresso Patriota,através de um pacto…más isso, é sonhar demais; por isso a CPMF e a Saúde são irmãs…

  6. Stanislaw: ISSO É UMA VERGONHA! PRECISAMOS PASSAR O PAÍS A LIMPO! disse:

    Que CPMF uma ova!
    O povo tem que ir para as ruas e não aceitar mais esse desaforo, falta de respeito com o contribuinte, descaso com os cidadãos comuns!
    Esses ladrões dos cofres públicos travestidos de representantes do povo precisam diminuir as despesas do governo, cortando as próprias mordomias e diminuindo seus exorbitantes salários!
    Como num país onde o salário mínimo é 800 reais, um ministro do STF, deputado, senador, ganharem 34 mil reais, fora as mordomias e ajudas de custo para tudo?
    Podem criar mais impostos, movidos pela falta de vergonha na cara, mas não votam leis que autorizem baixar salários e cortar mordomias dos roubadores de cofres públicos travestidos de representantes do povo, pelo menos em tempos de crises – por que esses cretinos não participam do sacrifício para endireitar o país, se foram eles os principais causadores da situação em que o país está?!
    Cambada de salafrários, o povo há de dar a resposta a vocês, nas próximas eleições!

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