aki

cadastre-se aqui
aki
Política
04-11-2016, 9h32

Rumor sobre FHC enfraquece Temer, Alckmin, Aécio e Serra

Possibilidade de volta à Presidência gerou crise entre PMDB e PSDB
19

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A possibilidade de o tucano Fernando Henrique Cardoso voltar a concorrer à Presidência da República gerou uma crise ontem entre PMDB e PSDB e causou apreensão entre caciques tucanos.

Nos últimos tempos, surgiram rumores na imprensa sobre uma eventual candidatura de FHC numa eleição indireta no Congresso no ano que vem, na hipótese de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassar em 2017 a chapa Dilma-Temer, eleita em 2014.

Mas um importante auxiliar de FHC, Xico Graziano, mudou o patamar desses rumores em artigo ontem na “Folha de S.Paulo” ao pregar a hipótese de FHC disputar a Presidência no colégio eleitoral do Congresso ou num pleito direto em 2018.

Em viagem ao exterior, FHC negou as duas possibilidades. Mas o estrago do artigo foi enorme, devido à proximidade de Graziano com FHC. Ele é um dos mais antigos e próximos colaboradores do ex-presidente.

Para o Palácio do Planalto, numa hora de apreensão com a possibilidade de citações a ministros do PMDB e ao presidente Michel Temer nas delações de executivos da Odebrecht, o artigo soou como uma tentativa de desestabilizar o governo. Essa especulação enfraquece Temer. O presidente ficou contrariado e aguardou explicações de FHC.

No PSDB, o impacto também foi grande. A leitura é que a Lava Jato demoliria as chances dos três nomes hoje aventados. Pela ordem, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aécio Neves (MG) e o ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Alckmin, Aécio e Serra deverão ser citados nas delações, de acordo com os bastidores das negociações da Odebrecht com os investigadores. Todos negam ilegalidades. Mas sugerir FHC para 2018 equivale a dizer que Alckmin, Aécio e Serra estariam fora do páreo por razões políticas, mas também jurídicas.

Portanto, apesar da negativa de FHC, o resultado do imbróglio do artigo só deixa uma pessoa bem na foto: o ex-presidente tucano.

*

Prato frio

Outro tema importante em Brasília foi o pedido de vista feito ontem pelo ministro Dias Toffoli, interrompendo o julgamento, com maioria formada, para impedir que réus no Supremo Tribunal Federal assumam cargos na linha sucessória da Presidência da República.

Há um pano de fundo: o ministro Dias Toffoli, que acredita que foi atacado por um vazamento do Ministério Público a respeito de uma relação de amizade com Leo Pinheiro da OAS, deu o troco ontem nos investigadores.

Por ora, salvou o presidente do Senado, Renan Calheiros, que nos últimos tempos elevou as críticas ao que considera excessos da Lava Jato. O peemedebista responde a inquéritos no STF.

Manter Renan no cargo até fevereiro dá gás à ideia de votar um projeto de abuso de autoridade, tema polêmico, mas defendido, por exemplo, por um ministro do STF próximo a Toffoli, Gilmar Mendes.

Outro efeito do pedido de vista de Toffoli foi tranquilizar o Palácio do Planalto em relação à votação da PEC do Teto e garantir a Renan uma saída tranquila do cargo em fevereiro, quando haverá eleição para a presidência do Senado.

Se a decisão do STF tivesse sido tomada ontem, haveria um ingrediente a mais de instabilidade para o governo, Renan e os políticos que aguardam as delações dos executivos da Odebrecht.

Por último, há outro desdobramento: a seleção para os candidatos a presidente da Câmara e do Senado terá de ser muito rigorosa. Os nomes aventados até agora nas duas Casas são candidatos a responder a inquéritos nas delações da Odebrecht. E também não devem ser descartadas revelações que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha poderá fazer sobre seus ex-colegas do Centrão que o abandonaram na votação da cassação do mandato E ainda há complementos de delações da Andrade Gutierrez e uma possível colaboração da OAS.

A decisão do STF de impedir que réus na corte possam assumir cargos na linha sucessória da Presidência da República ainda não está tomada. O pedido de vista a suspendeu.

Há três cenários. O primeiro, improvável, seria uma mudança de voto e uma reversão da decisão. O segundo, um pedido de vista extenso, como já aconteceu na história do Supremo e que desgastaria muito Dias Toffoli. O terceiro, mais provável, seria a retomada do julgamento em algum momento no ano que vem.

Com a Lava Jato pegando fogo pluripartidariamente, não vai dar para jogar esse assunto para debaixo do tapete.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
19
  1. Joaquim José da Silva Xavier disse:

    pra um Presidente que saiu do governo com rejeição e índices de desemprego/inflação parecidos com os de Dilma, só eleição indireta mesmo pra ele voltar . . .

    o presidente em exercício no país não tem voto nem p ganhar eleição pra Prefeito e a iminência de outro que também não ganharia eleição pra deputado, com expectativas de voltar a governar . . .

    é a prova de que vontade popular conta pouco ou nada na escolha do Presidente. não é o Brasileiro que escolhe seu governante máximo, não temos democracia real no Brasil, isto é fato!!!

    • Dermeval Felicíssimo da Silva disse:

      Meu caro Joaquim,será que alguém ja teve dúvidas a respeito das reais intenções de toda esta movimentação Pseudo-jurídica,diga-se lava jato e Cia,ou seja,tira o barbudo do jogo e depois me apresento como super herói,herói dos desinformados ou hipócritas psdebistas ou Psdbestas,pois para reconduzir um cara que só fez vergonha para os brasileiros,tipo,levar reprimenda pública em eventos internacionais (G20 na Itália,Bill Clinton/Youtube) vendeu as nossa Estatais a preço de banana,melhor dizendo vendeu? alguém ai sabe para onde foi o dinheiro? (Leiam “A Privataria Tucana) Que Deus nos livre deste museu.

  2. Isso deve ser tudo coisa dos Petistas invejosos.

    • walter disse:

      Ainda, Cara Renata Carvalho, esta questão de descompasso no planalto, demonstra muito bem, como o País se desorganizou, com a gestão PT…só não quebramos, por ter um País forte…
      Estamos amargando, um descompasso, em todo o País, entre governadores principalmente; não cumpriram suas responsabilidades fiscais, confiando, no apoio da dilma, e resultado, o RIO quebrou literalmente…
      O País vive uma angustia, e mesmo assim estão complicando para o ENEM; caso mais que pensado; ninguém quer regularidade…
      Quando ficamos preocupados, com boatos, que o FHC, será candidato; desviamos o assunto, das gravidades, a serem encaradas por todos; só conseguiremos retomar, com a União de plena, para consertar a catástrofes que herdamos, da era PT

  3. Mauro disse:

    Falar em nomes nesse momento, para uma eventual substituição de Temer, é puro exercicio de futurologia e advinhação, muito válidos para uma discussão de roda de amigos em buteco e nada mais, porque nem se sabe o quê pode acontecer e muito menos quando.
    FHC não é um bom nome, porquê a despeito de seu curriculo e passado, não tem mais vigor e jovialidade necessárias para encarar os desafios que o Brasil apresenta.
    Quando surgir o momento (se surgir!), muitos nomes serão ventilados, mas há de se considerar que temos uma Lava-Jato em andamento, o que pode inviabilizar muita gente e tambem a decisão do STF na data de ontem que impede que réus assumam cargos no executivo para a linha sucessória.
    Ninguem no meio político, nesse momento pode dizer que tem plenas condiçoes de assumir a presidência e quem disser que tem alèm de mentiroso, está prestando um enorme desserviço a nação.
    Como já dizia minha avó, ‘DEVAGAR COM O ANDOR, QUE O SANTO É DE BARRO”, e de barro muito ruim!

  4. João Grilo disse:

    Vai sobrar alguém pra presidência da Câmara ou do Senado ? Olha o Tiririca…

  5. Alberto disse:

    Papai Noel existe!!! Acreditam em tudo que se fala por aí.Acreditam que manifestação estudantil é estudantil,logo………..

    • Eugenio Barros disse:

      Acreditamos sim. Acreditamos no “Pato da FIESP”, acreditamos no “MBL”, acreditamos nas pessoas que ocuparam a Paulista em frente a FIESP até a saída de Dilma, acreditamos inclusive em “democracia” que ninguém conhece, ninguém sabe, ninguém viu.

  6. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Essas ilações sucessórias apenas confirmam o óbvio: faltam quadros políticos para 2018.
    Existe uma total carência de valores técnicos, políticos, morais e intelectuais para sucessão presidencial… quem sabe ressuscitando Juscelino…

    • Wellington Alves disse:

      Juscelino teve um caso de apartamento ganho de um empreiteiro em Brasília. Mas isso não é favor ou corrupção né, não tinha PT naquela época e nem corrupção.

    • Eugenio Barros disse:

      Tinhorão, concordo com você. A falta de quadro políticos decorre de algo errado na origem dos políticos – a sociedade – logo, como a sociedade produz cada dia mais pessoas de índole duvidosa teremos uma escassez maior de bons quadros políticos, nem ressuscitando o Mineiro, pois possivelmente iria mudar outra vez a Capital Federal e aí sucumbiria aos bilhões de escândalos de corrupção na nova construção.

  7. luiz carlos disse:

    Não acredito muito nessa hipótese de cassarem o Temer, portanto não passa de especulação. Essa questão da linha sucessória tava na cara que algum ministro iria salvar a cara o Temer salvando o Renan. Eu apostava que o Ministro que iria pedir vistas seria o Gilmar Mendes, mas como ele não estava presente, seu fiel escudeiro salvou a casa.

  8. Lourenço disse:

    PSDB NÃO É CONFIÁVEL, AO PASSO QUE O PMDB VENDE A ALMA PELO PODER. ESSA COMBINAÇÃO…

  9. pedro figueiredo disse:

    o fato é que O congresso em sua grande maioria esta poluído, e deixar que eles mesmo escolham quem governar o país, numa eventual cassação da chapa dilma/temer, é simplesmente confirmar o que eu sempre achei: “VIVEMOS EM UMA FALSA DEMOCRACIA”

  10. Acho que Fernando Henrique Cardoso seria a melhor opção para o país caso a chapa Dilma-Temer seja cassada. Mas FHC não parece disposto. O PSDB foi o maior vitorioso dessas eleições. O apoio de Geraldo Alckmin foi fundamental para eleger prefeitos no primeiro e segundo turno em SP e até em outros Estados. Com isso, se tornou a liderança mais forte e influente do partido. E essa força deve ter muito peso na troca do comando do partido no ano que vem e na definição do candidato à presidência em 2018.

  11. Nickson disse:

    Essa facção tucana está armando, aliás é expert em tramoias. Destruiu o Brasil, Entregou as empresas Brasileiras superavitárias ao capital internacional,está por trás do golpe, e, agora, articula tomar o poder pela via indireta. Ademais, tem nas mãos (toma lá da cá)a maldita Rede de Televisão que transformou milhões de brasileiros em massa de manobra, com mentiras e informações contestadas.
    Malditos tucanos. Que Deus olhe pelo povo brasileiro.

  12. ANDRE disse:

    No caso do Fernando Henrique, a idade pesa muito, se não me engano ele teria 88 anos na eleição de 2018. Se o Brasil fosse parlamentarista, onde o presidente, tem a única função de chefe de estado, a idade poderia até não ser um impedimento, mas em um sistema presidencialista, seria complicado. Acredito que a eleição de 2018, será muito parecida com de 1989, com muitos candidatos, alta pulverização do voto, muito jogo sujo e um candidato de situação muito enfraquecido, no caso o Temer (se não houver a indireta, ou melhor a segunda indireta), ocupando o lugar que foi de Ulisses Guimarães naquela eleição, com o agravante, de ser o beneficiário de um golpe parlamentar. Terá com certeza o voto dos banqueiros e dos senhores do mercado financeiro, talvez chegue a 1%, quem sabe.

  13. NELSON DALLES GONÇALVES disse:

    “Há um pano de fundo: o ministro Dias Toffoli, que acredita que foi atacado por um vazamento do Ministério Público a respeito de uma relação de amizade com Leo Pinheiro da OAS, deu o troco ontem nos investigadores” – SERÁ QUE FOI ISSO MESMO?

  14. mano disse:

    o nome de FHC aparecendo na mídia para retornar a presidência numa eleição indireta causa espécie à democracia, ou seja, é uma prova inequívoca da combalida democracia brasileira que encontra-se num vazio de quadros políticos sem precedentes na história do país. Sem governo, sem oposição e o com o povo a deriva.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

2020-10-24 08:23:19