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Entrevistas
25-07-2014, 16h26

Salto de IDH depende de educação, diz professor da FGV

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ISABELA HORTA
Brasília

kaizo

O professor Kaizô Iwakami, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que o Brasil só dará um salto no ranking de desenvolvimento humano se investir em educação. Ele explica que avanços nessa área acarretariam melhoras na saúde e também na renda das pessoas.

De acordo com relatório divulgado pela ONU nesta quinta-feira, o Brasil avançou, em 2013, uma casa no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – indicador que considera saúde, educação e renda da população. Em 2012, o IDH do Brasil era de 0,742. No ano passado, o índice foi para 0,744 e o país ocupa, agora, a 79ª posição, em um lista de 187 países.

Quando se considera a desigualdade do país, no entanto, o IDH brasileiro cai para 0,542. Segundo Iwakami, isso se deve a uma “supervalorização dos diplomas”, que gera um “hiato” entre os salários de empregados com nível superior e de nível fundamental. “O acesso igualitário à educação é a chave”, diz Iwakami.

Confira a entrevista:

O Brasil melhorou uma posição no ranking do IDH. Esse crescimento deve ser comemorado? Não é um ritmo lento para uma economia que está entre as 10 maiores do mundo?

Qualquer crescimento deve ser comemorado. É bom lembrar que é uma situação relativa, melhorar na posição do ranking significa que se está melhorando a uma taxa maior do que a média dos demais. Comparando com nossos vizinhos da América Latina (AL), em 1980 o IDH do Brasil era 0,545 e o da AL era 0,579. Ou seja, tínhamos uma desvantagem de 6%. Em 2013, o IDH do Brasil e da AL, foram, respectivamente, 0,744 e 0,740: Brasil numa situação ligeiramente superior.

É possível fazer com que o Brasil dê um salto no ranking do IDH? O que deve ser feito?

Saltos são mais difíceis, pois as variáveis que o compõe avançam suavemente: escolarização/educação, esperança e renda. De qualquer forma, a educação é considerada um antecedente próxima tanto para saúde como para a renda: uma melhora na educação deve acarretar uma melhora na saúde (e consequentemente na esperança de vida), na renda pessoal e na produtividade para o país.

Quando se considera a disparidade entre ricos e pobres, o IDH do Brasil é reduzido em 27% — de 0,744 para 0,542 — e o país despenca 16 posições no ranking global. Como a desigualdade deve ser combatida?

Penso que o acesso igualitário à educação é a chave. Fora isto temos uma supervalorização dos diplomas e um grande hiato entre os salários do pessoal do nível superior e de nível fundamental. Alguns países não apresentam um hiato tão grande. Note que estas não parecem ser as condições suficientes (mas somente necessárias). Os EUA, cai 23 posições quando se considera a desigualdade.

O IDH do Brasil, 0,744, é melhor do que a média dos países da América Latina e Caribe (0,740). Mas, no ranking global, estamos em 79º, bem atrás do Chile (41º), da Argentina (49º) e do Uruguai (50º). Em quanto tempo conseguiremos nos equiparar aos nossos vizinhos?

Não sei se chegaremos a nos equiparar a nossos vizinhos. De qualquer forma, repito que educação é a chave: investir em educação.

Comentários
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  1. Elisandra Cristina Delovo Fernandes disse:

    Não acredito que possamos dar tamanho salto e alcançarmos nosso vizinhos da AL.
    Não respeitamos a legislação vigente quanto o assunto é valorização dos profissionais da Educação Básica Infantil.
    A Lei 12.014/09, Emenda Const.-53/06; LDB 9.394/96, e mais recentes Resolução CNE/CEB Nº5/05; Parecer07/2011″arquivado sem homologação; Parecer 21/2009. Enfim os governos Municipais dizem que quebram se reconhecer estes profissionais c/ perfil de Professores, exigem formação pedagógica; mas pagam salários p/ “recreadores”. O que exigir destes profissionais, eficiência a tal preço, o máximo que acontece são as pobres crianças chegarem a inicio da pré-escola sem recolher sequer a primeira letra de seu nome.

    Abraços,
    Por uma Educação Infantil de qualidade e profissionais valorizados.

  2. Kennedy,todo mundo sabe disso porem a questão não é simples assim do dia para a noite, como qualquer coisa na vida isso demanda tempo,para acelerar este processo seria preciso a participação de toda a sociedade organizada e principalmente da imprensa nos canais aberto da tv por exemplo.

  3. gesiel disse:

    E CERTAMENTE a Educação que a escola publica daqui de Sâo Paulo pratica, onde PROMOVE ALUNOS SEM QUE ELES APRENDAM, não é a ideal. A chamada PROGRESSÃO AUTOMATICA, dos governos do PSDB do Alckmin e do Serra, conseguiram apenas produzir cidadãos pela metade, analfabetos funcionais, que não sabem ler e escrever direito; e que ACOSTUMADOS A NÃO INTERPRETAR TEXTOS ou PESQUISAR para conseguir o objetivo de TIRAREM NOTA E PASSAREM DE ANO NA ESCOLA; usam da mesma pratica COMODISTA aqui fora, e NÃO SE PREOCUPAM EM PESQUISAR E INTERPRETAR AS NOTICIAS, principalmente AQUELAS POUCAS QUE A GRANDE MIDIA, SE VEEM OBRIGADAS A DAREM. Aquela velha historia de que: “POLITICOS NÃO INVESTEM EM EDUCAÇÃO para que os cidadãos se tornem mais facil de serem MANIPULADOS”; pode ser bem observada aqui em São Paulo, onde quem estudou nas escolas estaduais nos ultimos 20 anos, SÃO CIDADÃOS QUE DÃO OPINIÕES BASEADAS NO QUE OUVEM, e NÃO NO QUE PESQUISAM E INTERPRETAM. Por isso NÃO COBRAM DOS GOVERNOS da mesma forma, e USAM CRITÉRIOS DIFERENTES PARA A CORRUPÇÃO DE CADA PARTIDO.

  4. Khobra Plissken disse:

    Ele está certo, a educação é a chave para tudo. No entanto, não é com assistencialismo ou ilusões na educação que o indivíduo obtém a sua colação. O esforço e o aprendizado é o binômio, mas ele não está sozinho, necessita de complementos, condições, como uma segurança, melhores salários para os professores…. Enfim, não é só educação e sim EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, mas para isso, é preciso ter infraestrutura bem definidos, senão não se obtém a qualidade e o fracasso no mercado de trabalho pode acontecer, pois lá não tem cotas ou assistencialismo e a disputa é acirrada para todos sem discriminações.

  5. João Leite disse:

    A educação ajuda mas. Depende mais de um salario mínimo justo como foi criado pelo presidente Getúlio Vargas. Um salario mínimo suficiente para o trabalhador dar todo o conforto que a família precisa sem precisar desses programas paternalistas do governo que beneficia mais os políticos corruptos e picareta. Para ser justo e não dar margens para os economistas arroxar o salario mínimo quando a inflação sobe, o salario mínimo deveria ser vinculado ao maior salario. 10% do maior salario seria suficiente, em torno de R$2.800,00.

  6. João Leite disse:

    A raiz dos problemas brasileiro é o salario dos trabalhadores que é muito baixo. Se os trabalhadores recebessem um salario suficiente para dar todo o conforto que a família precisa, como está na constituinte, se a escola publica não ensina direito os pais pagariam escolas privadas de boa qualidade para os seus filhos estudar, como fazem os trabalhadores que recebem um pouco mais. Sobraria para as escolas publicas os alunos dos pais que tem algum problema e não conseguem economia para pagar escolas particular para os filhos. Se assim fosse sobraria menos alunos para as escolas publicas e o governo poderia melhorar a qualidade das escolas publicas.

  7. Mario Moraes disse:

    Caros colegas, deixando a ideologia política de lado, o professor está coberto de razão!
    Não se cria um país de verdade sem educação.
    Os demais anseios e direitos do povo; saúde, moradia, emprego, trabalho… só melhoram com a educação.
    Chega de comparação com América Latrina (Argentina,El Salvador, Guatemala Paraguai, Venezuela…).
    Precisamos no mínimo de um padrão Chile no Brasil! Cabendo ressaltar, que eles viveram uma ditadura militar de verdade!

    • João Leite disse:

      Se educação resolvesse o problema da miséria os professores receberiam salários para levar uma vida nababesca. No entanto. professores e outras categorias com curso universitários levam uma vida tão difícil quanto qualquer outras profissões. O salários dos profissionais que trabalham é tão desvalorizado num país que só pensa em comprar a consciência do povo com distribuição de esmolas e mantê-los pobres para se beneficiar com eternas reeleições. Nós trabalhadores além de receber uma miséria somos nós que sustentamos todos esses programas paternalista do governo com os nossos impostos e temos que pagar escolas particulares e planos de saúde para os nossos filhos porque sabemos que o que o governo nos oferece não satisfaz os nossos anseios.

  8. gilvanea disse:

    é verdade, chega de coitadismo, vamos realmente cobrar educação com qualidade, professores eficientes, alunos querendo realmente aprender e não está ali só pra merendar, vamos exigir compromisso de todos os lados.

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