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Geral
10-03-2020, 12h12

Sanders tem última chance para mostrar fôlego contra Biden

Trump promete medidas anticíclicas para enfrentar crise
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Kennedy Alencar
Detroit, Michigan

Na rodada desta terça, com primárias em seis Estados, o senador por Vermont Bernie Sanders precisa mostrar que ainda tem fôlego para obter a indicação presidencial do Partido Democrata e vencer a disputa interna contra o ex-vice-presidente Joe Biden.

Biden demonstrou força na Super Terça, em 3 de março, semana passada, quando teve desempenho surpreendente e superou Sanders. A rodada de hoje é, provavelmente, a última chance de Sanders para voltar ao jogo. Ele precisa mobilizar eleitores para sonhar com a indicação.

Sanders veio a Michigan, Estado industrial que vive uma crise econômica crônica com perda de empregos e de importância produtiva. Ainda é um Estado muito industrializado, mas vive decadência, como pode ser visto nas ruas de Detroit, cheia de prédios vazios e com população descrescente.

Além de Michigan, que elegerá 125 delegados para a convenção nacional democrata de julho, haverá primárias hoje em Dakota do Norte (14 delegados), Idaho (20 delegados), Mississipi (36), Missouri (68) e no Estado de Washington (89 delegados).

*

Medidas anticíclicas

Ontem, o tombo mundial dos mercados e a crise do coronavírus levaram o presidente Donald Trump a prometer anunciar hoje medidas de incentivo econômico, como corte na folha de pagamentos e alívios financeiros para companhias aéreas e empresas de cruzeiros marítimos.

Há ainda pressão para que o governo crie uma proteção social para o trabalhador pobre que venha a faltar ao emprego por causa do coronavírus. Muitos trabalhadores resistem a ir aos hospitais para não arcar com parte da conta médica, apesar de terem seguro de saúde. Eles também comparecem ao trabalho mesmo doentes para não perder renda. Se quiser dar um combate efetivo à pandemia de coronavírus, o governo dos EUA precisa que essas pessoas procurem tratamento e se cuidem.

A economia é a grande bandeira de Trump para tentar se reeleger. Se a economia desandar por causa do coronavírus ou devido à guerra para baixar preços do petróleo entre a Rússia e a Arábia Saudita, o presidente americano corre risco de perder a eleição.

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Crise mal conduzida

Trump teve contato com pessoas que estiveram num evento conservador em Washington no qual havia alguém contaminado com o coronavírus. A imprensa americana cobrou ontem à tarde informação sobre a saúde do presidente, indagando se ele havia feito o teste.

Em pronunciamento sobre o coronavírus, Trump saiu sem responder, e o vice dele, Mike Pence, disse que não sabia, mas que a Casa Branca informaria mais tarde. De noite, a assessoria de Trump disse que ele não foi testado porque não teve contato direito com a pessoa infectada e que seu quadro de sáude estava bom e sob monitoramento.

Nos EUA, faltam kit para testes de coronavírus. Testar o presidente poderia pegar mal numa hora em que pessoas com sintomas não conseguem fazer as provas de contágio. O governo não entregou os lotes de testes nos prazos prometidos. Está patinando nesse quesito.

A imprensa americana ressaltou que Trump teve comportamento imprudente, inclusive por se encontrar com “o presidente brasileiro”, Jair Bolsonaro, no fim de semana na Flórida. Congressistas republicanos que fazem quarentena por conta própria tiveram contato com Trump nos últimos dias.

Um dos parlamentares, o deputado Matt Gaetz, republicano da Flórida, fez troça na semana passada por conta do coronavírus. Colocou máscara para despachar com uma assessora e divulgou a imagem nas redes sociais, insinuando alarmismo de democratas e da imprensa. Mas, quando a suspeita o atingiu, não teve dúvida em fazer quarentena por conta própria depois de ter andado no carro e no avião presidenciais.

Trump e Bolsonaro minimizaram a ameaça do coronavírus, evidenciando despreparo para lidar com o tema. Os casos da doença estão crescendo nos EUA e no Brasil. Subestimar o tema é irresponsabilidade com a vida real dos cidadãos dos dois países.

Ouça o comentário feito hoje no “Jornal da CBN – 1ª Edição”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Como havia comentado caro Kennedy, podemos dar Adeus ao Bernie, não superou o exagero diante do quadro político, a própria crise assolam todos os mercados, usando como pano de fundo o corona vírus, o que anula “sonhos de uma noite de verão”; quem imaginava outro quadro não poderia se render aos fatos. O Biden vai ter que soar a camisa diante dos desafios para vencer o Trump, esta é a realidade da vez. O País pode até não gostar do presidente, mais enxergam através dos fatos evidentes, mante lo para um segundo mandato.

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2020-04-03 04:48:57