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Política
25-03-2015, 9h30

Se não combinar com Cunha e Renan, Dilma terá só derrotas

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Postado por: Daniela Martins

A presidente Dilma Rousseff não tem força para enfrentar o Congresso. Tentou fazer uma manobra para adiar a regulamentação da lei que muda o indexador dos Estados e municípios. Detalhe: ela sancionou a lei em novembro e, agora quis dar uma rasteira no Congresso. Não combinou com o Legislativo e perdeu. É o que vai acontecer enquanto o governo não fizer uma avaliação realista da correlação de forças na política brasileira.

Com a fraqueza do governo Dilma, o controle político do país tem se deslocado cada vez mais do Palácio do Planalto para o Congresso Nacional. O governo depende dos presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, para aprovar ou rejeitar projetos no Congresso.

No primeiro mandato, quando tinha força, Dilma conseguia pressionar o Congresso. Agora, fraca, ela depende do PMDB em geral e de Cunha e Renan em particular. Como presidentes das duas Casas, eles controlam a pauta de votação.

Nas ocasiões em que negociou, a presidente teve sucesso. Foi o caso do acordo para editar a medida provisória que estende até 2019 a política de valorização real do salário mínimo. É uma decisão correta: reajustar o mínimo pela inflação do ano anterior, acrescentando a taxa de crescimento da economia de dois anos antes.

Mas havia na Câmara um movimento para estender essa política aos aposentados que ganham mais de um salário mínimo. Seria um peso para a Previdência Social. A medida provisória foi negociada com o Congresso para deixar claro que a regra vale só para quem ganha o mínimo, seja um trabalhador da ativa, seja um aposentado.

Já a mudança do indexador dos Estados e municípios é um pleito justo, fruto de acordo e de sanção presidencial no ano passado, repita-se. O problema é colocar em prática numa hora em que a União precisa de recursos para o ajuste fiscal.

O governo quis fazer uma manobra, adiando a regulamentação da lei sem combinar com o Congresso. Mas Eduardo Cunha e Renan Calheiros colocaram um freio e impediram a tentativa de Dilma.

Outras surpresas podem estar reservadas para o governo. É o caso da proposta de emenda constitucional que reduz o número de ministérios para 20 pastas. Há uma proposta desse tipo feita por Eduardo Cunha e que foi resgatada pelo líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani. Se souber negociar, o governo talvez consiga estabelecer 25 ministérios.

Na semana passada, o presidente do Senado fez uma sugestão para a presidente reduzir por iniciativa própria o número de ministérios. Ela não deu muita importância e negou reforma ministerial ampla, como defendem o PMDB e o ex-presidente Lula.

O irônico é que um partido como o PMDB, que sempre buscou ter mais ministérios e sempre teve voracidade por cargos e verbas, está conseguindo a oportunidade de lustrar a imagem diante da inabilidade política da presidente.

É claro que ela deveria reduzir o número de pastas, até como gesto simbólico do ajuste econômico que ela está propondo à sociedade. Tem lógica política. Mas o governo é ruim de articulação política.

Em entrevista ao SBT,  Eduardo Cunha disse com todas as letras que a crise é política e que a presidente precisa trocar nomes na articulação com o Congresso ou mudar completamente o comportamento.

Tentar barrar a troca de indexador da dívida de Estados e municípios sem amarrar com o PMDB é amadorismo a essa altura do campeonato.

Eduardo Cunha disse também que acha que a crise da Petrobras poderá criar o clima para que o Congresso vote a mudança do marco regulatório do petróleo. Ele acha que foi um erro criar o sistema de partilha, que há muito peso sobre a Petrobras e que a retomada da regra de concessões atrairia capital estrangeiro.

O presidente da Câmara avalia que, quando a Petrobras começar a sua política de desinvestimento, que é vender patrimônio da empresa para fazer caixa, poderá ser criado o clima político para votar a mudança do marco regulatório do petróleo.

Eduardo Cunha pensa até que discutir o parlamentarismo seria “uma coisa boa”, mas só para o futuro. No atual governo, debater isso seria golpismo.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Fabio Bacha disse:

    Kennedy,

    Por que tudo é golpismo? Que palavrinha mal suada..olhe no dicionário como bom jornalista que voce é e descobrirá. O parlamentarismo branco esta mostrando que é mais viável que o presidencialismo. O país esta pagando caro para aprender que o poder nao pode ser de uma mao só! o que ocorreu? quebramos moralmente, eticamente e financeiramente! O PMDB esta salvando o Brasil, quem diria! O PT que se diz dos trabalhadores esta abaixo de qualquer padrao considerado hoje o menos pior para o pais!

    • Fernando M.A. disse:

      E muito mal usada mesmo, na verdade o parlamentarismo pode até ser a salvação para o PT agora.
      Imaginamos se fosse aplicado hoje, o que ocorreria?
      Seria nomeado um primeiro ministro considerando as forças do Congresso, que é dominado pelo PT e pelo PMDB, assim que nome teria força?
      Em primeiro lugar colocaria o Jaques Wagner que é bem aceito pelos dois, se a situação estiver muito ruim mesmo pode-se nomear o Lula.
      Ou seja, o poder continuaria com o PT eliminando grande parte do desgaste do governo.
      Agora aonde está o golpe nisso? Contra ao PT não é, o que faz diferenciar do caso de Jango que ele não tinha maioria no Congresso e colocaram o Tancredo de qualquer forma.

    • Eduardo disse:

      Todos que votaram na dilma gostam de falar “golpismo”.

  2. Esse governo já terminou ! Seria mais honroso Dilma renunciar juntamente com o vice e todo o gabinete, permitindo assim que se faça a reforma política, jurídica e MORAL que já passou da hora.

  3. Pasquale disse:

    O presidente da Câmara avalia que, quando a Petrobras começar a sua política de desinvestimento, que é vender patrimônio da empresa para fazer caixa, poderá ser criado o clima político para votar a mudança do marco regulatório do petróleo
    _________________________________________________________________________________
    PRIVATARIA PETISTA,ROUBARAM MEU BUCADINHO DE PETROLUIS E AGORA VÂO VENDER O PATRIMONIO DO POVO.
    PRIVATARIA PETISTA,LEIAM O LIVRO DAQUI A 2.

  4. walter disse:

    Caro, a dilma não vai descer do salto, para humilhar-se ao renan e cunha; este será o principio do fim; os dois odeiam o PT.
    o PMDB sempre serviu, a própria conveniência dos parlamentares; eles podem ser considerados uma mafia; HJ o “Al Capone” é vice.
    A dilma será cada vez mais, uma figura decorativa, não conseguirá dar um passo, sem a interferência deles; para variar, terá que conviver com o lula, tentando manobras, para leva-la até o fim.
    Estamos a beira de um escândalo anunciado; quando os presos “amiguinhos”, começarem a apontar o dedo, para o lula e para a dilma; não haverá perdão, terão que fazer um “acordão com o michel”; terão que sair por conta, pela porta do fundo…

  5. CesarS disse:

    Há quanto tempo estamos lendo que a Dilma precisa mudar a articulação política ? Desde o primeiro mandato.
    Teimosia em excesso tem nome, e se chama burrice .

  6. Luiz Antonio Ferreira disse:

    Quem manda no Brasil é o Renan e o Cunha dois larápios e o pior tem apoio da grande maioria dos deputados, senadores e do PIG.

  7. Cristina disse:

    PMDB é um partido de sanguessugas….o Brasil só perde com este partido de achacadores….Renan é corrupto….Cunha é corrupto……..eles não estão nem ai com o Brasil…..só pensam em seus interesses e de seus amiguinhos doadores de campanha….

  8. César disse:

    A presidente Dilma está desorientada, desinformada ou destrambelhada, talvez esteja as três coisas juntas. Ela acha que está em posição de pressionar o Congresso Nacional, dizendo que, “reforma ministerial só depois de aprovada as reformas do pacote econômico”. A resposta do Congresso veio curto e grosso, “Do jeito que está as reformas não serão aprovadas”, dito pelo Senador Renan Calheiros. Querer entrar em uma queda de braços com o Congresso Nacional, no momento em que o Planalto está, de total dependência de aprovação das reformas, é muita falta de noção da Presidente da República. A inabilidade política dela é de um amadorismo que beira o ridículo. Vai ficar ouvindo mensagens através da mídia todos os dias, e passando vergonha em derrotas e mais derrotas do governo nas votações, até que a ficha caia e ela perceba que o seu poder, se reduziu a pó.

  9. Augusto disse:

    Colocar todos os deputados e senadores dentro do mesmo balaio, atribuindo a culpa só a Cunha e Renan, me parece ser apenas uma forma retórica de expressão para “aliviar a culpa dos deputados e senadores do PT”. Uma forma de querer eximir o partido político que apoia a presidente das suas responsabilidades políticas.
    Dilma não tem que combinar só com Cunha e Renan. Tem que combinar primeiro com seu próprio partido que também votou a favor de intimar o próprio governo a regulamentar em 30 dias o projeto já aprovado e sancionado anteriormente.
    Se nem os deputados e senadores do PT votaram contra, porqu os demais deveriam fazê-lo?

  10. César disse:

    O motivo para diminuir o número de ministérios se chama “Gilberto Kassab”. O PMDB quer agradar ao povo com uma medida popular e se beneficiar da redução de ministérios que vai concentrar mais poder em menos mãos, e de preferencia colocar ministros do PMDB em pastas de maior visibilidade e orçamento bem polpudo. Eles vão forçar (para não dizer obrigar) a Presidente a retirar o Ministro das Cidades Gilberto Kassab que está tentando ressuscitar o PL, para ter um partido com número de parlamentares para enfrentar o PMDB. A guerra só está começando!

  11. Luciana Lopes disse:

    Tudo isso sabe como vai terminar???? em nada!!!!por que isso nunca vai mudar, e quem perde é o povo Brasileiro.

  12. Juvencio disse:

    O Parlamentarismo está em pleno curso. Joaquim Levy é o Primeiro Ministro . Só não vê quem não quer.

  13. levemente disse:

    Digo e repito: o triste é saber exatamente o que significa “combinar com Cunha e Renan”. Dessa combinação podemos ter como certo o desatendimento do que interessa ao povo brasileiro. Infelizmente Dilma deixou para peitar o congresso no momento em que sua popularidade beira o chão.

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