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Geral
12-09-2019, 7h16

Sem acordo dos EUA com Taleban, não haverá paz no Afeganistão

Herança do 11 de Setembro desintegrou nações mundo afora
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Kennedy Alencar
São Paulo

Há 18 anos, a derrubada das duas torres gêmeas do World Trade Center em Nova York assombrou o mundo. Foi o maior atentado terrorista da história, resultando na morte de cerca de 3 mil pessoas.

O governo americano declarou guerra ao terror. Atacou o Afeganistão e o Iraque. Apoiou guerras na Líbia e na Síria. Após 18 anos, soldados americanos ainda enfrentam ataques do Taleban no Afeganistão. Há hoje cerca de 14 mil militares dos EUA lutando lá. Esse número já chegou a 100 mil.

Os EUA conseguiram um troféu: Osama Bin Laden, mentor do atentado de 11 de Setembro, foi morto no governo Obama.

Mas a forte reação de Washington desintegrou nações no Oriente Médio e fez surgir novo grupos terroristas, com métodos ainda mais violentos. Hoje, governos temem que um terrorista consiga, por exemplo, uma ogiva nuclear e faça algo mais mortal do que o 11 de Setembro.

Recentemente, fracassou uma tentativa do presidente Donald Trump de fechar um acordo de paz com o Taleban. Um novo ataque terrorista em Cabul, capital do Afeganistão, impediu esse acerto. Trump, que vai concorrer à reeleição no ano que vem, queria acabar com essa guerra para usá-la como trunfo eleitoral em 2020.

Os defensores da estratégia dos Estados Unidos dizem que ela é um sucesso porque nunca mais houve um atentado de grande magnitude em solo americano. A Europa é que sofreu nos últimos anos ataques de grupos extremistas.

Os críticos afirmam que a reação americana só trouxe mais caos ao Oriente Médio, alimentando o recrutamento de jovens para o terror e criando no Afeganistão um atoleiro parecido com o que os americanos viveram na guerra do Vietnã, nas décadas de 1960 e 1970 do século passado. Por isso, a opinião pública americana acha que já passou da hora de acabar com a guerra do Afeganistão.

Estive no Afeganistão em 2001, enviado pela “Folha de S.Paulo” para acompanhar o ataque americano ao país. Fiquei quase um mês lá dentro. O avanço da tecnologia militar permite que os Estados Unidos tenham baixas em número insignificante perto do que aconteceu no Vietnã. Mas não há ilusão para encerrar esse conflito: sem um acordo com o Taleban, não haverá paz no Afeganistão, país invadido por forças estrangeiras ao longo de sua história.

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Cobertura que mudou minha vida

Leia aqui uma reportagem de uma série que fiz para a Folha em outubro de 2001. Há outras no arquivo do jornal. Mas essa dá uma primeira ideia de como seria a cobertura, uma das quais mais me orgulho de ter feito em 30 anos de jornalismo. No dia 11 de Setembro, me voluntariei para ir ao Afeganistão. Agradeço a Otavio Frias Filho e à Folha a oportunidade que me deram e que mudou a minha vida, o meu jeito de ver o mundo.

O título da reportagem é “Capital rebelde comemora bombardeio americano”. A população achava que o problema seria resolvido, mas, 18 anos depois, o Taleban está lá vivo e capaz de matar muita gente. Ledo engano. O país continua destroçado.

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Bolsonaro deve um tuíte sobre Carlos

Outros temas do comentário de ontem no “Jornal da CBN” foram a divisão da esquerda brasileira, a demissão de um secretário da Receita que falou demais, a falta de proposta tributária do governo, a necessidade de Bolsonaro se manifestar sobre a fala autoritária do filho e o tardio pedido de Raquel Dodge para federalizar a investigação dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ouçam no áudio abaixo:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Nas entrelinhas caro Kennedy, tentaram desqualificar as intenções do TRUMP quanto ao talibã, já que seu projeto é “pacificador” com relação aos inimigos do EUA históricos, sabe que não pode se reeleger com outra retórica que não seja a Paz. Todo este reboliço mundial da interação On line presente, causa um descompasso diário em todos os seguimentos e movimentos, terão que encontrar a régua ideal para nivelar os dias a seguir…o Talibã como Kim Jong Un não tem compromisso com qualquer ética, estão jogando o jogo, e o Americano sabem disso, sua acessória tentar criar fatos, mas o presidente segue extinto; seu plano é permanecer e quem sabe transcender após seu segundo mandato indicando sucessor…Quanto ao presidente internado, devem permitir seu retorno, não há definições de nada, salvo especulações do filho, cpmf, que não agregam de fato; a propaganda negativa, não dá espaço ao que interessa.

  2. joao marquesd disse:

    Sabe de nada, inocente!!!

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2019-10-19 03:49:19