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Política
14-03-2020, 11h48

Sem Bebbiano, Bolsonaro não seria presidente da República

Advogado entendeu que crises de 2013 a 2018 abriram janela conservadora
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

Sem Gustavo Bebbiano, Jair Bolsonaro não seria presidente da República. Bebbiano morreu na madrugada de hoje após sofrer um infarto no Rio de Janeiro.

Advogado, Bebbiano tentou aproximação com Bolsonaro em 2014 que acabou não indo adiante, mas deixou frutos para uma parceria a partir de 2017. Essa sociedade política resultou numa estrutura profissional de campanha para o então deputado federal.

Advogado, Bebbiano entendeu que, no período de 2013 a 2018, surgira uma oportunidade para um político conservador como Bolsonaro. As manifestações de 2013, a disputada eleição entre a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves em 2014, o impacto da Lava Jato na opinião pública e o impeachment de 2016 criaram condições favoráveis à extrema-direita no Brasil.

Bebbiano compreendeu bem como embalar Bolsonaro, que é uma pessoa com limitações intelectuais e políticas. Não só Bolsonaro tem essas limitações, mas também os seus filhos políticos.

Grande articulador da campanha de Bolsonaro, ele trouxe alguma sofisticação política ao fenômeno Bolsonaro. Atraiu o apoio de Paulo Marinho, empresário do Rio de Janeiro que apoiou Fernando Collor de Mello e cedeu estrutura para o marketing político do bolsonarismo em 2018.

Nesse contexto, pode ser dito que Bolsonaro deve sua eleição a uma figura como Bebbiano. O internauta Waltuir Andrade fez uma observação sobre o comentário na rádio CBN a respeito da morte de Bebbiano: “Acredito que, sem o Moro, ele não seria com certeza [presidente da República]”. Andrade está certo. Moro é outra pessoa a quem Bolsonaro deve a eleição porque condenou Lula a tempo de tirar o petista da cédula eleitoral de 2018.

Voltando a Bebbiano, ele entrou em rota de colisão com Bolsonaro e os filhos políticos no curto período em que foi ministro da Secretaria Geral _ficou no cargo menos de dois meses.

Bolsonaro é o que sempre foi. Alguns políticos e jornalistas imaginavam que, ao virar presidente da República, a responsabilidade e a liturgia do cargo o mudariam. Mas isso não aconteceu porque Bolsonaro sempre foi um deputado limitado, algo folclórico no Congresso, medíocre do ponto de vista da produção legislativa, um político que fez carreira atacando minorias e defendendo a ditadura militar de 1964 e seus torturadores.

Entre 2013 e 2018, apareceu uma janela de oportunidade que permitiu a Bebbiano ser o grande arquiteto da eleição de um político de extrema-direita, criando condições para que conselhos de Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, fossem aplicados com eficiência, estimulando ódio e intolerância no debate público. Bebbiano assumiu a presidência do PSL e coordenou a campanha eleitoral do atual presidente dentro desses marcos estratégicos.

Logo no começo do governo, Bebbiano rompeu com Bolsonaro. Ele criticou o presidente, mas nunca revelou os grandes podres da campanha bolsonarista, como a máquina de fake news com disparos pelos WhatsApp. Ele esteve envolvido no centro de uma campanha cujos segredos o assombravam e ainda podem assombrar o presidente e seus filhos políticos.

De certa forma, revelar esses segredos significaria atirar no próprio pé. Há rumores de que Bebbiano teria deixado gravações e cartas com essas informações. Não se sabe se existem de fato e, se existirem, se virão a público.

De uma ala mais moderada, Bebbiano pensava num governo que tivesse base parlamentar e boa relação com a imprensa. Perdeu a disputa interna com os filhos do presidente e morreu quando ensaiava uma candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSDB. Ele virou tucano a convite do governador de São Paulo, João Doria, ex-aliado e hoje adversário político de Bolsonaro.

*

Laranjal

Em relação ao escândalo dos laranjas, Bebbiano jogava a responsabilidade para seções estaduais do PSL. Em entrevista à CBN em outubro passado, argumentou que os valores eram pequenos e serviram a candidatos a deputados federais que criaram postulantes laranjas a fim de arrecadar mais recursos.

Esse caso continua sendo menosprezado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, que não demonstra interesse em investigá-lo, apesar de ser um paladino do combate à corrupção e símbolo da Lava Jato. Ouça o comentário feito logo cedo na manhã deste sábado:

Comentários
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  1. jose disse:

    Moro não é nem foi imprescindível, pois se trata de um instrumental para viabilizar interesses de gente grande que tinha necessidade de abocanhar o pré-sal, inviável com o PT no governo. Se não fosse moro, seria outro que estivesse à mão para impedir a candidatura de Lula. Moro é frango de granja, engordado artificialmente. Quero vê-lo no debate com Ciro Gomes, Fernando Haddad, João Doria… Esse ex magistrado não sabe o que é PIB e nem onde fica Macapá. é analfabeto funcional, dos piores porque que o usa faz bem e o empolga dizendo que ele é o cara, pois interessa aos grandes ter gente como moro para manipulá-lo.

    • walter nobre disse:

      Kennedy, o sucesso subiu a cabeça do Bebbiano, por isto não resistiu as tentações, acabou sendo cooptado pelo Dória, já que aceitou a condição de candidato a prefeito do Rio. A ajuda do Adv Bebbiano foi importante não para palpitar e decidir situações sem permissão pelo governo, por isto o Jair caiu fora do partido, tudo ali esta fora da lógica e da transparência, podemos não gostar do presidente, afirmar não seguir a cartilha, é impossível, faz esta lição diariamente. vale afirmar, não existem virgem na política, o que não dá o direito a acusa los sem processo, condenando os sem direito a defesa.

  2. jose disse:

    Leio que Bebbiano tinha segredos sobre os bolsonaro. Ora, esse advogado colocou o Brasil nessa marmota sem fim e sem prazo. Se tinha algo que ajudasse a nós brasileiros nos livrássemos dessa turminha indigesta e asquerosa por que não mostrou as provas e os defeitos? Assisti-o no roda viva e ele não falou nada de mais que comprometesse Bolsonaro, pelo contrário, o elogiou como quem ainda alimentasse um tênue fio de esperança de retonar à mordomia do poder de onde foi colocado pra correr pelos bolsonaro. Realmente, ele teve visão ampla, mas para prejudicar a todos brasileiros nessa barca desgovernada. De que valem os seus méritos se foram pra prejudicar a sociedade?

  3. Marcos Alberto disse:

    Bolsonaro foi eleito pelo povo não foi por Bebianno? Frota, Joice, Dória esses sim pegaram o bonde Bolsonaro e cuspiram no prato que comeram. O Bolsonaro pode ser fraco para presidente. Mas é o único que é confiável meu medo são os fortes que são todos ladrões juntamente com essa mídia podre que vive de propina dos cofres públicos pagas por parlamentares corruptos.

  4. Miguel Ângelo disse:

    Comentários excelentes. Bebbiano teve vez e voz e assim fez o que continha para aquele momento. Agora, com Bolsonaro, com Moro, Deltan, e a verdade da Lava Jato pela Vasa Jato. Sabemos que houve articulação com pessoas públicas para tirar o Lula da eleição. Já existem informações de provas forjadas, com erro de trilha da origem das informações do programa e sistemas. Tudo aceito como verdade. Hoje o mais prejudicado com as mentiras da eleição de 2018 é o povo brasileiro. Bolsonaro é limitado em tudo. E quanto os ideais militares um desastre que merece ser contido. Um sujeito que não presta confiança. Disse ter assinado um acordo de livre comércio com os EUA, que compram 6% a 7% do Brasil, impõem barreiras, e nos querem como quintal. O que vai acabar com nossas indústrias e economia. Eu como brasileiro só tenho vergonha do que temos e vamos ter. Esqueçam aumento de renda, esqueçam vagas de empregos com carteira assinada, esqueçam concursos públicos, esqueçam o que é viver.

  5. Miguel Ângelo disse:

    Brasileiros estão convocados pelo voto que deram em 2018 a sobreviver. A acordar cedo pela manhã, com vencimento dia próximo a R$ 34 reais, para poder pagar seu transporte, sua alimentação no serviço, seu vestuário, sua saúde, sua educação. Nunca como ser humano, ou cidadão, estivemos tão próximos a sermos um animal racional que faz injesta e desfaz bolo estomacal como ideologia de vida. Moro, se pesado como sujeito homem, não vale um vintém. Acabou com a indústria civil, colocou em evidência alguns políticos e a própria política. A dita velha. E tirou do tapete de décadas de ditadura o que ela tinha de pior. A corrupção não nasceu nessas últimas décadas, sempre esteve presente. E os magistrados não eram ruins, para aqueles que acham a Lava Jato como salvação do Brasil. Sempre foram atuantes. Mas, agora quando se faz reverência da Moro, Deltan, Força Tarefa, Lava Jato, parece que o mundo jurídico de responsabilidade não existia. Uma inverdade. Impeachment de Bolsonaro já.

  6. LYRA disse:

    Sabemos que está havendo muitas festas e em diversos locais, como por exemplo, no inferno, no palácio da Alvorada e no condomínio dos milicianos Bolsonaros, mesmo se sabendo que a morte do meliante em nada afetará a vida do brasileiro, é bom que a justiça e a polícia cuide em investigar com mais profundidade essa morte pois, eu mesmo ainda não acredito que tenha sido de uma forma natural, já que ele era uma testemunha em potencial das falcatruas do atual governo, com as quais também colaborou e, isso poderia vir a tona, na hora que ele inventasse de abrir a boca, coisa que agora jamais poderá fazer.

  7. jose disse:

    Na pior crise financeira de 2008 e 2009, o Brasil não sofreu nem turbulência. Lula era o presidente e não vendeu nada do aptrimônio público e não fez nenhuma dessas reformas que essa turminha chama de imprescindíveis. Falalm, falam e não fazem nada. Criam fofocas a todo dia e a cada dia para ofuscar a incompetência deles. Precisa de reforma, sim, sem dúvida. Mas reforma séria e não paliativa que somente tira direito dos pobres, pois quem suga o dinheiro público não foi atingido por essa dita reforma da previdência. Os militares aumearam suas despesas, a troco de quê?

  8. Wilson Santana Junior disse:

    A indesejada, como a chamou Manuel Bandeira, privou Bebbiano da oportunidade de tentar fazer a diferença. Foi arrebatado da face da Terra, dois anos depois, na mesma data que a morte, matada, alcancou Marielle Franco. Não saberemos nunca ele e ela teriam sido. Em todo caso, perdemos, pois, certamente, somariam mais à sociedade vivos.

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2020-04-06 05:49:18