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Entrevistas
01-04-2020, 14h02

‘Sem cuidar da saúde das pessoas, a economia será destruída’, diz Monica de Bolle

"Crise é inédita e vai marcar a nossa geração", afirma economista
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

A economista Monica de Bolle disse que “a economia é feita de gente” e que, se o governo “não proteger a saúde das pessoas, vai destruir a economia do mesmo jeito”.

Segundo ela, “um país em colapso por causa de uma epidemia sem controle é muito mais complicado de reconstruir [do ponto de vista econômico]”. Ela criticou a ideia do presidente Jair Bolsonaro de querer que as pessoas voltem a trabalhar e não obedeçam às determinações de distanciamento social. Para Monica de Bolle, afrouxar essas regras é “absolutamente prematuro”.

A economista fez o alerta em entrevista especial concedida à “Pastoral Americana” na sexta-feira passada e que foi ao ar na rádio CBN duas vezes no último fim de semana. Ela considerou “criminosa” a propaganda divulgada pelo governo federal estimulando as pessoas a romper a quarentena e retomar o trabalho.

Professora da Universidade Johns Hopkins e pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, Monica de Bolle vive em Washington, de onde tem participado ativamente do debate público apresentando propostas para o Brasil enfrentar a pandemia de coronavírus e os efeitos negativos na economia.

Segundo ela, essa crise será um divisor de águas para todos do planeta. “A crise que a gente está atravessando é inédita e vai marcar a nossa geração.”

Monica de Bolle afirmou que “hoje não há economista em sã consciência que vá defender austeridade em meio a uma crise dessa magnitude”. De acordo com ela, “o pensamento mudou rapidamente em três semanas”.

A respeito do Brasil, ela disse não entender a “incapacidade” e a “paralisia” do governo. Afirmou que “o Congresso está tomando as rédeas da situação” e que é preciso agir rapidamente para minimizar danos à saúde e à economia, porque é um falso dilema escolher entre uma coisa e outra.

Ouça a entrevista, na qual ela conta como a crise de coronavírus afetou sua rotina na capital dos Estados Unidos e fala das ideias que apresentou, muitas das quais adotadas no Brasil na última semana:

Comentários
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  1. Walter Nobre disse:

    Kennedy, sinceramente, a Monica de Bolle que conheço como ex FMI, morando em NY, deveria estar preocupada com a inabilidade a volta de sua casa, a situação ali pode ser maior que na Itália, já que o aumento de infectados tem assustado quem esta por perto. A economista deveria conhecer outros caminhos de tratamento como foi a China,a Coreia, e outros que ja obtiveram exito com um tratamento vertical, com mais eficacia, por estatística, por revistas especializadas americana.A situação no Brasil tem caminhado muito bem, o governo tem feito a lição de casa, mesmo não concordando com o método adotado, comparado com outros países em proporção, estamos muito bem adiantado, podemos ter aumento na contaminação, pela extensão territorial, não faltando todo os esforços necessários de uma equipe excepcional. A situação mundial na economia deveria ser um tema pós vírus interessante para a abordagem da especialista. Seria interessante uma avaliação mais profunda, o que precisamos de fato..

  2. Ricardo disse:

    Uma coisa relevante que já ouvi, em meio a esse tiroteio de informações, é que alguns que se recuperam da doença estão ficando com sequelas, perdendo capacidade dos pulmões, por exemplo. Economicamente significa dizer que a produtividade será afetada e quanto menor o apoio dos governos para manter a saúde dos trabalhadores, maior serão as perdas econômicas (além das obvias sisões sociais geradas por uma população ser largada a própria sorte).

  3. Haroldo Funke disse:

    As estatísticas sobre as vítimas do coronavirus parecem inconfiáveis. Menos de 80% dos infectados leves não constariam delas. Os que não apresentam sintomas, obviamente também não são computados.Os que vão a óbito sem exame concluído, constam nos atestados como falecidos por septicemia, tuberculose, pneumonia e correlatas. O baixo número de infectados e falecidos contrastam com as péssimas condições de salubridade das cidades brasileiras. Num pais onde faltam kits para exames, equipamentos para defesa dos profissionais que lidam com os doentes, leitos e ventiladores, as estatísticas são exceção. A embaixada da Alemanha aconselhou seus cidadãos a deixarem o Brasil por mera precipitação? O próprio presidente da república, se conhecesse os verdadeiros números da epidemia, seria tão insano a ponto de contrariar as diretrizes científicas? Estas observações não são em defesa do despreparado “capitão”, mas servem para demonstrar a temeridade de se planejar com base nesses dados. Pátria amada

  4. Paulo Argolo disse:

    Economia é uma Ciência Social, portanto o sujeito é o protagonista. Bolsonaro demonstra falta de preparo intelectual e de habilidade política para gerenciar um cenário dessa magnitude.

  5. […] Fonte: ‘Sem cuidar da saúde das pessoas, a economia será destruída’, diz Monica de Bolle | Blog do K… […]

  6. Miguel "Nossa Economia" disse:

    Dr.Walter, a Sra. Mônica de Boller deve ter independência suficiente para saber o que ela fará de sua vida. Seu comentário sobre o que acha dela é desprovido de respeito a liberdade de vida dela. Se contenha. Faça uma crítica séria quanto a contaminação. Seu presidente Bolsonaro tem incentivado carreatas, a base eleitoral das igrejas evangélicas tem levado seu fiéis as igrejas. E devido, ações assim, o vírus tem se propagado. Os estados não tem mais controle sobre a contaminação essa é a verdade nua e crua. O problema pós contaminação, é a propagação por 8 dias. Então o presidente, e sua equipe, se foi para o trabalhado, para a rua. Cometeu crime contra a saúde pública. Se pessoas se unem e levam a morte pessoas inocentes, desprotegidas. Fazem formação de quadrilha para o crime organizado. E isso o presidente está fazendo. Edi Macedo e Malafaia estão fazendo. Merecem, se confirmados casos de contaminados indo a óbito. Irem para a cadeia. Pois, essa turma faz apologia ao genocídio.

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