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Geral
16-11-2015, 9h42

Sem estabilizar Iraque e Síria, há pouca chance de paz

Combate ao Estado Islâmico deve ir além do enfrentamento militar
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A estratégia das intervenções no Kosovo (1999) e no Afeganistão (2001) têm elementos que nortearam ações militares ocidentais no Iraque (2003) e na Síria (2011).

A Guerra do Kosovo foi a primeira em que se invocou a chamada diplomacia de direitos humanos para justificar uma intervenção militar. Ou seja, usar um imenso poder militar para proteger vítimas de crimes de direitos humanos.

Depois do massacre que havia acontecido na Guerra da Bósnia, em 1995, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que reúne a maior aliança militar do planeta, decidiu intervir para interromper uma limpeza étnica do então ditador Slobodan Milosevic, da Sérvia, contra uma população de origem albanesa. Essa população era minoria na Sérvia, mas maioria na província do Kosovo.

Foram usados em larga escala bombardeios para destruir a infraestrutura e o exército sérvio. Não houve presença física de soldados da Otan em solo. Isso só aconteceu depois que administração Bill Clinton arrasou a Sérvia e venceu a guerra.

Então, uma força de paz da ONU (K-For) foi chamada a ocupar o Kosovo, hoje reconhecido como uma nação independente por um grupo de países. Há outros países que não admitem a independência kosovar. Estes países, entre os quais o Brasil, avaliam que o Kosovo é um território ainda em disputa.

Já a Guerra do Afeganistão foi uma das respostas imediatas ao 11 de Setembro, a fim de derrubar o Taleban, que apoiara a Al-Qaeda na realização do maior atentado terrorista da história. Houve elementos parecidos com a Guerra do Kosovo, com bombardeio aéreo americano e apoio a rebeldes que lutavam para derrubar o Taleban.

O Taleban foi derrotado, mas até hoje o Afeganistão é um lugar instável. Os Estados Unidos têm dificuldade de encerrar a sua presença militar no país.

As Guerras do Kosovo e do Afeganistão foram feitas à revelia da ONU (Organização das Nações Unidas). A do Afeganistão deu início a uma estratégia dos EUA de levar o combate ao terrorismo para fora do território americano. Deu certo de alguma maneira, porque não houve um atentado relevante nos Estados Unidos desde então. Mas aconteceram ataques na Europa. Inglaterra, Espanha e França foram alvos

O Iraque, a Síria e a Líbia sofreram bombardeios do mesmo grupo de nações que atuou no Kosovo e no Afeganistão. Esses ataques militares deram, sim, alimento ao Estado Islâmico. São fatos incontestáveis.

Os EUA argumentam que a Al-Qaeda se enfraqueceu, o que é verdade, mas o Estado Islâmico se fortaleceu. O grupo tem feito massacres de civis na Síria e no Iraque e acabou de atacar Paris com alto nível de ousadia e crueldade.

É óbvio que é preciso dar combate militar ao Estado Islâmico, que controla um território do tamanho da Jordânia na Síria e do Reino Unido no Iraque. No entanto, sem levar estabilidade política ao Iraque e à Síria, haverá chance baixa de sucesso para a paz, porque o caos alimenta o Estado Islâmico.

A estratégia do bombardeio seletivos é importante, mas também arriscada. Mata inocentes e não acaba com uma multidão de seguidores que só faz crescer, inclusive com recrutamento de cidadãos de países atacados, como a França, Inglaterra e Espanha.

Outro aspecto importante é combater a xenofobia na Europa. Evitar a criminalização dos refugiados. Essas pessoas fogem da perseguição do Estado Islâmico. Será um erro o aumento da intolerância na Europa por causa do que aconteceu em Paris.

Tampouco a violência do Estado Islâmico deve ser descrita como uma loucura assassina. Ela é um horror, uma bárbarie, mas possui método e lógica. É resultado de uma interpretação radical do Corão, o livro sagrado do islamismo.

Portanto, são necessárias alianças com os mulçumanos perseguidos pelo Estado Islâmico. É preciso ir além do combate militar e discutir como esse enfrentamento será feito.

A posse do território é fundamental para a existência do Estado Islâmico, ao contrário da Al-Qaeda que funciona em base militares em países que davam refúgio ao grupo e em células nas nações que são alvo.

Talvez seja necessária uma intervenção terrestre nas porções territoriais controladas pelo Estado Islâmico.

Dá para dizer, sem medo de errar, que não tem dado certo a estratégia usada até agora pelos Estados Unidos e seus aliados. Uma estratégia mais inteligente de combate ao Estado Islâmico deve ser feita, sobretudo, por respeito à memória das vítimas desses atos terroristas, que são crimes contra a humanidade.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. João Alberto Afonso disse:

    Caro Kennedy:- Combater suicidas fanáticos, sem margem de erro, é a mais difícil missão e o exemplo maior disso ocorreu com os Kamikazes na segunda guerra mundial e esse lamentável estado de coisas só foi resolvido com a não menos lamentável uso da bomba atômica. Claro que ninguém quer que esse episódio ocorra novamente, mas um ataque maciço nos territórios ocupados por esses carniceiros tem que ser levado a efeito, evidentemente por terra e ar. Por fim, tive a oportunidade de assistir um documentário a respeito desse grupo e foi aterrorizante saber o grau de maldade de seus componentes e eu fiquei imaginando que todos sabem onde estão e não consigo entender porque não ocorrem ataques severos ali.

    • Célio C Oliveira disse:

      Elementar meu caro João. EUA, e aliados da Europa, querem que o ISIS faço o seu trabalho sujo, ou seja, derrubar o ditador Sírio, e só depois entrar para eliminá-los. Mas não contavam com este golpe traiçoeiro, pelas costas, do Estado Islâmico. Agora eles terão que agir firmemente, pois a população e família das vítimas, exigem isto.

  2. César disse:

    Não se esqueça que teremos os Jogos Olímpicos no Rio em 2016. O Brasil tem fronteiras terrestres abertas e sem controle algum. Se a Presidente Dilma acha que com essa gente, conversa resolve, como ela propôs na ONU, está muito enganada. Mas…Se ela insistir e quiser dialogar com eles lá na Síria, pagamos a passagem e damos nossos votos de boa sorte!

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      César está correto, aquele discurso na ONU foi vergonhoso e nos colocou como anões da diplomacia. Portanto pagamos a passagem sim, mas só de ida.

  3. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Estamos vivenciando massacres diariamente nas cidades brasileiras sem a menor preocupação das autoridades, preocupadas apenas com seus cargos e salários. Senhores legisladores, deixem de ser hipócritas e vão trabalhar um pouco em favor do cidadão e façam jus aos seus salários. Seus discursos não colam mais !

    • walter disse:

      Total razão cara maria Aparecida Ramos Tinhorão, o mundo é hipócrita, não adianta tentar a corrigir um mal com a segregação.
      Caro Kennedy, existe a corrida bélica, patrocinada por russos e americanos; um desarma ou outro vem e arma; como sempre o Poder e o Lucro prevalecem, até as ultimas consequência, não há trégua, nesta Guerra; ninguém quer de fato a Paz no mundo; aliás o Oriente Médio, ou próximo, é uma região propicia para tais conflitos, um povo extremamente manipulado, pela religião; seus gestores são Shekes que NUNCA TRABALHARAM…são intocáveis, e manipulam sempre, pelo Petróleo; tudo isso interessa ao ocidente…a “ignorança astravanca o pogressio”…

  4. César disse:

    Fanatismo religioso e armas. Fanáticos armados que saem entrincheirados nas ruas, exército de loucos, lutando por uma ideologia ultrapassada, para impor a força a sua visão distorcida do mundo, saciando com sangue inocente a sua sede por poder. Esta é a formula do desastre.

  5. Reinon disse:

    Só tem uma solução mandar Dilma e Jean dialogar com o Estado Islâmico não foi essa a ideia dela … Confusão

  6. César disse:

    Enquanto houverem loucos e fanáticos dispostos a tingir o mundo de vermelho sangue, teremos que lutar contra o terror.

  7. Sônia Ribeiro disse:

    Acho que nada reflete mais toda essa barbárie, do que o texto abaixo, de quem esteve lá:
    Boa tarde à todos!

    Creio que estamos todos precisando refletir. A humanidade sucumbe a olhos nus.

    O Rio Doce está morto. Mariana precisa de água e há vários postos arrecadadores. O mundo precisa de Deus Trino e de orações.

    A tragédia em Mariana, se ocorresse num país de primeiro mundo, já teria os responsáveis presos, aqui, infelizmente, prevalece a Lei do “Poder” pelo poder.

    O terrorismo atinge o mundo em sua totalidade e nos expõe a todos. O mundo se fechará mais, como um novo 11 de setembro. Tudo ficará mais sombrio….

    Não posso crer que pais que criam filhos para se explodirem e patrocinarem mortes, sigam a deus, mas às trevas. Pais que creem em Deus, criam filhos para serem condutores de vidas!

    Mas não podemos nos acovardar diante do mal.

    Este depoimento abaixo, de quem esteve lá e sentiu todo o terror e toda DOR, acredito que transmita tudo:

    Na última sexta-feira (13), a cidade de Paris foi alvo de seis ataques terroristas simultâneos, registrados pouco antes das dez da noite. As informações divulgadas até agora falam em 129 mortos e mais de 350 feridos, 99 deles com gravidade.

    Entre os pontos do atentado, estava o Bataclan, uma tradicional casa de espetáculos da França. Três homens armados detiveram centenas de reféns, entre eles a estudante sul-africana Isobel Bowdery, de 22 anos. Em um depoimento emocionante, ela relatou em sua conta no Facebook como foram os momentos de horror e deixou uma mensagem de conforto aos familiares que perderam entes queridos.

    Leia na íntegra:

    “Você nunca pensa que isso acontecerá com você. Era apenas uma sexta-feira à noite em um show de rock. A atmosfera era de felicidade e todos estavam sorrindo. E então, quando os homens vieram pela entrada e começaram a atirar, nós acreditávamos que era tudo parte do show.

    Não foi apenas um ataque terrorista, foi um massacre. Dezenas de pessoas foram baleadas bem na minha frente. Poças de sangue no chão. Homens crescidos chorando e abraçando os corpos de suas namoradas. Futuros destruídos e famílias despedaçadas em instantes.

    Chocada e sozinha, eu fingi que estava morta por mais de uma hora. Segurando minha respiração, tentando não me mover, não chorar – não dar a esses homens o medo que ansiavam ver. Eu fui incrivelmente sortuda por sobreviver. Mas muitos não foram. As pessoas que estavam lá exatamente pelo mesmo motivo que eu, se divertir em uma sexta-feira, eram inocentes.

    Este mundo é cruel e atos como esses destacam a depravação dos seres humanos. As imagens desses homens circulando, como abutres, em volta de todos nós, vão me assombrar pelo resto da minha vida. A forma como eles mataram sem qualquer consideração pela vida humana. Não parecia real. Eu esperava que, a qualquer momento, alguém diria que era apenas um pesadelo.

    Mas ser sobrevivente deste horror permite que eu seja capaz de lançar luz sobre os heróis. Para o homem que me tranquilizou e colocou a vida em risco enquanto eu choramingava, para o casal cujas últimas palavras de amor me deixaram pensando no bem do mundo, para a polícia que salvou centenas de pessoas. Para os estranhos que me pegaram na rua e me consolaram por 45 minutos enquanto eu acreditava que o garoto que amo estava morto. Para o homem que eu havia confundido com ele e, em seguida, depois que o reconheci, me segurou e disse que tudo ficaria bem, apesar de estar sozinho e assustado. Para a mulher que abriu suas portas para os sobreviventes, para os amigos que se ofereceram para comprar roupas novas comigo, assim eu nunca mais precisaria usar minha blusa suja de sangue. Para todos que me mandaram mensagens de apoio. Vocês me fazem acreditar que esse mundo tem potencial para ser melhor. Para nunca deixar que isso aconteça novamente.

    Mas para todas essas pessoas que foram assassinadas, que não tiveram tanta sorte, que não acordaram hoje e para todo o sofrimento dos amigos e familiares, deixo o meu pesar. Sinto muito. Não há nada que conserte essa dor. Eu me sinto privilegiada por estar lá nos últimos suspiros deles.

    Por acreditar que me juntaria a eles, posso prometer que os últimos pensamentos não estavam nos animais que causaram isso. Eles estavam pensando nas pessoas que amavam. Enquanto eu estava deitada sobre o sangue de estranhos e esperando a bala que acabaria comigo aos 22 anos, eu imaginei o rosto de cada pessoa que já amei e susurrei ‘Eu amo você’. De novo e de novo. Refleti sobre a minha vida, desejando que as pessoas que eu amo soubessem o quanto as amo, desejando que elas continuassem acreditando nas boas pessoas do mundo, apesar do que acontecesse comigo. Para não deixar que esses homens ganhem.

    Na noite passada, as vidas de milhares foram alteradas para sempre e precisamos nos tornar pessoas melhores por isso. Para viver a vida que esses inocentes sonharam, mas infelizmente não puderam realizar. Descansem em paz, anjos. Vocês nunca serão esquecidos.”

    Que possamos começar uma nova semana renovados na fé e dispostos a melhorarmos a nós e, consequentemente ao nosso redor!

  8. Sônia Ribeiro disse:

    E não posso deixar de concordar que aqui no Brasil, o terrorismo acontece diariamente, através da morte de centenas de milhares de cidadãos, que não dispõem de segurança, saúde, educação, apesar do números absurdos que pagam de impostos, para sustentarem a corja de vagabundos e mafiosos corruptos, que, como vampiros, vivem de sugar o sangue alheio e ratos, já que se escondem nos esgotos.

  9. Alex Soares de Araujo disse:

    A ação terrestre virá: com suporte da Rússia, Irã, e Hezbollah, o exército sírio estabilizará Aleppo e depois chegará até Raqqa.

  10. Alberto disse:

    Ilusão acreditar que haverá solução.O fanatismo religioso é apenas um ingrediente.Conflitos tribais,etnias,territoriais,políticos,ideológicos,etc.Basta comparar o antes e o atual da geografia mundial. É a geopolítica.

  11. Josh disse:

    (Estou falando sem viés religioso ok?)
    A curto prazo, algo que resolveria de uma vez por todas a situação do Oriente médio, dado o nível cultural e situação social, talvez fosse a cristianização da região.
    O cristianismo prega exatamente o contrário como disse Jesus: se alguém te der um tapa, ofereça o outro lado da cara para bater…
    No máximo você vai deixar alguns pastores ricos…

    • César disse:

      Não podemos nos esquecer que no passado, foram os cristãos que espalharam o terror pelo mundo, apesar de Jesus Cristo, ter dito para dar a outra face. A culpa não é da religião! Todas as religiões se bem entendidas levam à DEUS. O problema é o fanatismo.

  12. César disse:

    A captação de candidatos a terroristas, se faz através de bons oradores com o discurso de nós contra eles, trabalhado com muito marketing propagandista, direcionado a pessoas covardes, que são mais suscetíveis pela ignorância a se juntarem em grupos e assim em bandos, sentem-se fortes e tornam-se violentas.

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