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23-05-2018, 21h22

Sem Roth, Nobel fica menor para sempre

Ele viu e narrou o universo de sua aldeia americana
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Philip Roth, que morreu hoje, aos 85 anos, não cabe no rótulo “um dos maiores escritores norte-americanos”. É um dos maiores escritores de todos os tempos.

Embora ele tenha narrado os Estados Unidos do século 20 como ninguém e criado emblemáticos personagens que representam a comunidade judaico-americana, como Seymour Levov (Pastoral Americana), Marcus Messner (Indignação) e Bucky Cantor (Nêmesis), é preciso esmagar Roth para fazê-lo caber apenas nessa caixa.

Se saber pintar a própria aldeia é requisito primeiro para ser universal, como um dia escreveu Tolstói, não restam dúvidas de que Roth soube fazê-lo com maestria. Soube descrever sua tribo de forma magistral e universal, como Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”. Viu e narrou o universo de sua aldeia, como fez o poeta Fernando Pessoa.

Roth é uma leitura incômoda e cativante. Seus personagens apresentam questionamentos, infelicidades, medos, falhas e obscuridades que evidenciam a vastidão da condição humana e que atingem leitores do mundo inteiro.

Merecedor de todos os prêmios que recebeu em vida pelos seus mais de 30 livros, como o Pulitzer de 1998 por “Pastoral Americana”, Philip Roth foi sempre um favorito ao prêmio Nobel de Literatura. O prêmio que nunca veio.

Com a morte do autor, o Nobel de Literatura fica menor para sempre.

Ouça o comentário sobre Roth aos 23 minutos e 50 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. walter disse:

    Certamente caro Kennedy, os bons morrem; Philip Roth, mais um brilhante escritor segue; devem ter marcado um encontro de gênios…

  2. mano disse:

    prezados: enquanto isso, os corruptos e irresponsáveis vivem 100 anos.

  3. renata disse:

    Roth foi um escritor exímio para o seu tempo, uma grande pessoa e profissional!

  4. Álvaro disse:

    Depois de ler o Complexo de Portnoy, nunca mais fui o mesmo. Reflete todo o caráter obsessivo nas obras magistrais do escritor. Se não me engano , a trilogia Pastoral Americana do autor é título que respalda a cobertura do jornalista Kennedy Alencar das eleições americanas. Outra questão recorrente na literatura de Roht é o panssemitismo. Ainda o leio na plataforma digital. Um escritor de muita energia. Havia muita melancolia também , desesperos honestos e desassossegos narrativos.

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