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Economia
09-06-2015, 9h20

Sucesso de novas concessões dependerá de regras atraentes

Dilma muda na política, mas continua com a mesma lentidão na gestão
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Postado por: Daniela Martins

O novo pacote de concessões de bens públicos à iniciativa privada, que será anunciado hoje, é mais uma tentativa do governo de sair das cordas na economia. O sucesso do pacote dependerá da atratividade das regras.

Será preciso ver o detalhamento das regras para saber se ele será sedutor, porque o momento econômico não é dos melhores. Agenda positiva não acontece porque o governo diz que vai acontecer. Acontece se conseguir convencer com propostas boas e factíveis.

A boa notícia é que o pacote finalmente será anunciado. Antes tarde do que nunca. A má notícia é que demorou muito mais do que seria necessário. Segundo ministros envolvidos nas discussões, houve muitas idas e vindas no último mês devido aos pedidos da presidente para retirar ou incluir bens públicos que poderiam ser concedidos à iniciativa privada.

No primeiro mandato, em 2012, Dilma fez uma primeira rodada com o chamado “filé”, no qual entraram, por exemplo, os aeroportos de Guarulhos, Confins e Galeão. No entanto, nada andou em ferrovias. Pouco se avançou em estradas.

Dilma Rousseff mudou o seu estilo de governar. Cedeu a articulação política ao vice-presidente da República, Michel Temer. As coisas melhoraram na relação com a base de apoio do governo no Congresso, apesar de alguns percalços. Mas a presidente continua a mesma na gestão, centralizadora e lenta.

Os empresários sempre apresentaram queixas no primeiro mandato quando foram discutidas concessões: excesso de intervenção da presidente, tentativa de reduzir taxas de retorno e recusa a aceitar sugestões.

As grandes empresas brasileiras que participaram da rodada de 2012 estão enfraquecidas pelos desdobramentos econômicos da Operação Lava Jato. O financiamento ficou mais caro e mais difícil.

O governo estima que o pacote terá um valor de aproximadamente R$ 200 bilhões. Aposta em concessões de ferrovias, incluindo até uma que liga o Brasil ao Peru, algo no papel e muito incipiente. O mais palpável deverão ser obras novas em concessões já estabelecidas, como em estradas, por exemplo. Será preciso ver a consistência do pacote para separar fumaça de fogo.

*

Em entrevista ao jornal Belga “Le Soir”, a presidente Dilma Rousseff disse que o ajuste fiscal “não é escolha, mas “algo essencial” e que “não haveria alternativa senão fazê-lo”.

O ajuste é necessário hoje, sem dúvida. Mas seria evitável se a política econômica do primeiro mandato não tivesse sido de um esquerdismo infantil. Caso o governo tivesse demonstrado responsabilidade fiscal desde o início, não estaria aplicando agora um ajuste rigoroso.

Dilma também afirmou que o atual ajuste “não é nem de direita, nem de esquerda, nem de centro”. Ela evocou uma frase de efeito dita pelo hoje ministro Gilberto Kassab quando criou o PSD.

De esquerda, o ajuste fiscal certamente não é. Está mais para o centro e a direita. É um fato que está focado, sim, em sacrificar mais os trabalhadores.

Responsabilidade fiscal é um valor que permite a governos abrir espaço no orçamento para fazer políticas públicas para os mais pobres, como aconteceu na gestão Lula.

A presidente faria melhor se adotasse uma autocrítica dos erros que cometeu. O ajuste atual nega a política econômica do primeiro mandato. Tapar o sol com a peneira não ajuda.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Qualquer mudança política ou administrativa esbarra inevitavelmente no sucateamento imposto pela ditadura sindical …O cabide de empregos do “regime” é um obstáculo intransponível para uma governança idônea.

    • Joaquim disse:

      Maria Aparecida, parabéns bela colocação. Dá preguiça empreender no Brasil.

    • walter disse:

      Perfeito, Maria Tinhorão; cabide de empregos, esta é a ultima palavra do pt…a colocação do kennedy sobre a falta de gestão, e/ou lentidão do governo, é abrangente…a dilma peca, “por ouvir muitos, e não seguir ninguém”, nem mesmo o lula.
      Infelizmente, todas as liberações de recursos, por parte do governo, já vem carregada de “maldades”, por obras inacabadas, contratos que precisam de “aditivos”; ou seja, não se pode saber de verdade, o valor real de uma concorrência; desta forma, o governo dilma, não decolará mais…

  2. Marco Túlio Castro disse:

    Dicionário do PT –
    Concessão : Nome dado pelo PT ao ato de privatizar uma companhia estatal mediante ao repasse de grandes volumes de capital da empresa que obtem a concessão para financiar as campanhas do partido.

    Ahhh entendi !!!!

  3. Pasquale disse:

    Mas seria evitável se a política econômica do primeiro mandato não tivesse sido de um esquerdismo infantil.
    Resume bem o que a dupla dinamica que não entendia nada fez, DILMA e MANTEGA.
    Quando o professor do Mantega havia falado,que ele tinha sido um aluno medíocre.
    Tinha absoluta razão,alguem já conhecia o Mantega de ter feito algo na área economica?
    Claro que era um desconhecido e aliado a arrogancia de sua parceira….
    Pensaram que era uma pastelaria.

    • Ricardo disse:

      Vejamos: Inflação com Malan: 12%. Inflação com Mantega 8%
      Taxa Selic com Fraga: 45% Com Mantega 12,5%
      Reservas com Malan: Dívida de U$ 80 bi
      Reservas com Mantega: U$ 220 bi

      É, realmente, esse esquerdismo infantil…péssimo aluno o Mantega, bom era o Malan e o (nau)Fraga.

      • Pasquale disse:

        Quem colocou o País onde esta agora,fui eu.
        PT ,o partido mais corrupto da hisória do Brasil.
        Uma legião de analfabetos e pessoas morrendo como fosem animais.
        ACORDA CUMPANHEIRO !!!!!!!!
        ________________________________________________________________
        Os petistas, destruiram o que levou décadas para ser constriudo na economia.
        Todas as empresas estão assustadas com o futuro.
        Inclusive a Petroleira mais endividada e roubada do mundo(400 BILHOES)
        AMADORISMO INFANTIL ARROGANTE !!!!!!!!!!!

      • César disse:

        Esqueceu de citar o período de hiperinflação. Com inflação de 50% em um único mês, ai veio o REAL, criado pelo então Ministro FHC e trouxe “estabilidade”.

  4. Ricardo disse:

    O “ajuste” na Europa também é devido a erro em mandato anterior Kennedy? Parece que a “crise” só acontece no Brasil, certo? Quando o mundo vai bem o problema é aqui, quando o mundo vai mal o problema também é só aqui. Voce precisa se decidir.
    E quando a Dilma quer diminuir a margem de lucro dos empresários é ruim, né? Isso “desestimula” os investimentos, certo? Bons são os pedágios “super estimulantes” em SP, os mais caros do mundo. Os tucanos inventaram o capitalismo sem risco e voce os apoia. Se a Dilma quer remuneração menor para os empresários eu estou com ela, pois estou do lado dos usuários.

    • Marco Túlio Castro disse:

      Brasileiros tem que aprender a parar de falar de algo que não conhecem.
      O ponto de vista de quem mora na Europa como eu é um pouco diferente.

    • César disse:

      Ricardo.O caminho apontado por você é a venezuelização do Brasil.

    • César disse:

      Sr. Ricardo. O senhor deve estar se referindo a Grécia quando diz Europa. A Grécia que se meteu a fazer os Jogos Olímpicos, que tem problemas com a corrupção e com os gastos excessivos dos seus governantes. Governantes estes que deram um presente de grego para o seu povo. Parece até um pais da América do Sul!

  5. Antenor disse:

    Não teve jeito, hein! Teve que se render ao que é correto, economicamente falando.
    O PT odeia “privatizar” mas, agora maquila o termo privatizar, chamando-o de “concessões”. O modelo FHC/PSDB prevaleceu, para desespero daqueles que relutam em reconhecer que o Plano Real estava correto, desde a sua concepção. Esse ideologismo de esquerda bestial não consegue enxergar o que é correto para o desenvolvimento do Brasil. Sempre andou na contramão dos fatos, pela simples defesa de uma ideologia saturada e fora de moda.
    Tanto é que a “presidenta”, na defesa desse pacote de “concessões”, vem dizer que ” não é de esquerda nem de direita…”. Tenha paciência! É de tartaruga, então?… lenta e tardia nas decisões importantes para desenvolvimento do País. Fala sério “presidenta”! O Brasil precisa é de decisão e não de “lentidão”.

  6. Oscar Kohl disse:

    Às pessoas que dizem que concessão é o mesmo que privatização eu não daria um imóvel para administrarem pois não sabem a diferença entre vender um imóvel (privatização), ou alugá-lo(= (concessão).

  7. Walter disse:

    Pelo que se depreende nas reportagens, parece que essas concessões serão feitas á partir de amanhã. Este pacote não passa de “engana trouxa”, não vai deter crise alguma, se pegar será em meados de 2016 e 2017, tudo condicionado “se” os chineses, “se” o BNDS. Para que se tenha um mínimo de credibilidade, seria necessário que a presidente reconhecesse sua falta de capacidade e renunciasse dando oportunidade para alguém com visão de estado, que não se preocuparia com seu “pirão” cotidiano. Começando pela privatização da Petrobras, e demais empresas públicas,fim do ensino particular, fim de hospitais particulares assumindo o estado aquilo que lhe compete, saúde, educação e segurança. O resto é 7×1.

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