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Geral
02-03-2020, 13h51

Super Terça será maior desafio de Sanders; tamanho da vitória importa

Lavada de Biden na Carolina do Sul cria dificuldade para Bloomberg
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Kennedy Alencar
CHARLESTON

Se a Carolina do Sul foi o grande teste para Joe Biden nesta campanha presidencial, a Super Terça será o maior desafio de Bernie Sanders. Ele deverá vencer na rodada de amanhã, mas o tamanho da vitória será fundamental para confirmar o favoritismo na disputa do Partido Democrata pela indicação presidencial.

Com a candidatura contestada, participações apagadas em debates e pouca contribuição financeira, Biden chegou no último sábado à Carolina do Sul para matar ou morrer. Matou.

Ressuscitou sua candidatura, fez um dos discursos mais vibrantes de sua carreira e criou um fato político incontestável para se colocar à frente de Michael Bloomberg como a alternativa moderada mais viável do Partido Democrata para enfrentar o senador Bernie Sanders.

Biden ficou em primeiro lugar na Carolina do Sul, com impressionantes 48,4% dos votos. Levou 35 dos 48 delegados eleitos. Sanders marcou 19,9% (13 delegados). O bilionário Tom Steyer teve 11,3% e não conquistou nenhum delegado _era necessário um desempenho mínimo de 15% para isso. Steyer saiu da corrida democrata no sábado. Pete Buttigieg, que obteve parcos 8,2%, também não levou nenhum delegado e deixou a disputa presidencial no domingo após fracassar na tentativa de conquistar o eleitorado negro do Estado.

A Carolina do Sul é o Estado em que começou a Guerra Civil Americana, também chamada de Guerra de Secessão porque os Estados do sul quiseram se separar dos Estados do norte por discordar da política do Abraham Lincoln para acabar de vez com a escravidão nos EUA.

A guerra começou na Carolina do Sul em 1861 com um ataque dos separatistas às tropas da União. O conflito foi sangrento e durou quatro anos, até 1865, quando a escravidão foi abolida de vez no país.

Essa herança escravista, com suas tensões sociais, está presente até hoje no Estado. É comum ver casas com a bandeira dos Confederados, os separatistas. É interessante visitar “plantations”, grandes fazendas que tiveram seu auge no período da escravidão.

A Carolina do Sul fica no sudeste americano. A capital é Columbia, uma cidade no meio do Estado. Tem praias, um clima subtropical com invernos amenos e verões escaldantes. Possui mais de cinco milhões de habitantes _cerca de 30% dessa população é negra.

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Teste de fogo

Com primárias em 14 Estados, a Super Terça será o dia de Sanders matar ou morrer. Se tiver uma vitória expressiva, dificilmente perderá a indicação na corrida democrata. Uma lavada como Biden deu na Carolina do Sul não deverá acontecer, porque houve condições especiais que favoreceram o ex-vice-presidente, como o peso decisivo do eleitorado negro.

Mas Sanders tem condições de ganhar muito bem na Califórnia, que responde por 415 delegados, e em outros seis Estados: Utah, Colorado, Texas, Massachusetts, Vermont e Maine. O senador está disputando com Biden a liderança na Virgínia e na Carolina do Norte.

Ou seja, dos 14 Estados em disputa, Sanders tem chance de alcançar um desempenho entre ótimo e bom em nove Estados porque possui uma base de apoiadores mobilizada. É fato que ele criou um movimento político relevante desde a derrota para Hillary Clinton na disputa interna democrata em 2016.

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Bloomberg emparedado

Outro efeito importante da vitória esmagadora de Biden na Carolina do Sul foi lançar dúvida sobre o acerto da estratégia de Michael Bloomberg entrar na disputa por delegados apenas na Super Terça. Com o resultado que obteve no sábado, Biden ganhou reforços importantes no Partido Democrata. Pessoas que hesitavam em declarar apoio na espera de ver se Bloomberg emplacava, acabaram se rendendo aos números da Carolina do Sul.

Espremido entre Sanders e Biden, Bloomberg pode sair da Super Terça com uma grande derrota política depois de gastar mais de meio bilhão de dólares do próprio bolso na campanha.

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Perdeu fôlego

A saída de Peter Buttigieg da corrida presidencial, anunciada na noite de domingo, também conta a favor de Biden. Afunila a disputa no campo moderado democrata numa hora em que o ex-vice-presidente vive o seu melhor momento de campanha.

Em Iowa e New Hamsphire, havia eleitores de Buttigieg que tinham certa simpatia por Bernie Sanders, especialmente entre jovens e latinos. Mas o perfil do ex-prefeito de South Bend (Indiana) é mais próximo do de Biden.

Politicamente, faz sentido o apoiador moderado de Buttigieg migrar para Biden ou Bloomberg. Mas o ex-prefeito faz um discurso crítico em relação ao establishment político, com alfinetadas frequentes à política de Washington. Logo, deve ser vista com cautela uma eventual transferência automática de eleitores de Buttigieg para outro candidato moderado. Sanders pode também pescar nessas águas por representar uma candidatura de contestação ao status quo.

Buttigieg fez bem ao deixar a disputa. Saiu antes de um resultado embaraçoso na Super Terça. Ele foi bem votado nos eleitorados majoritariamente brancos de Iowa e New Hampshire, mas não conseguiu estabelecer conexão com eleitores negros e latinos em Nevada e na Carolina do Sul.

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Coronavírus assombra Trump

Como de costume, o presidente Donald Trump fará um comício na véspera das primárias. Discursará hoje em Charlotte, capital da Carolina do Norte. Trump tem deixado claro que prefere enfrentar Sanders a Biden ou Bloomberg.

Com a falta de empatia e a agressividade típicas, faz tuítes com apelidos depreciativos em relação aos adversários. Joga na arena da confusão e da despolitização, mas o afunilamento da disputa democrata tende a incomodar o republicano e sua estratégia.

Sem contar que ele tem a crise do coronavírus no meio do caminho. Por ora, Trump e sua administração não conseguiram transmitir a ideia de que estão no controle da situação. Pelo contrário, os casos aumentaram nos EUA bem como o grau de preocupação da população e o tempo dedicado ao tema no noticiário.

A derrota dos EUA nos Afeganistão, eclipsada pelo coronavírus, também foi tema do comentário de hoje no “CBN Brasil”. Ouça:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, esta briga será diária, são muito iguais, mais do mesmo, ninguém de fato tem primazia, desta vez o Biden pode recuperar a perda. O Trump como sempre esta de olho no “gato e no rato”, o corona é uma tragedia econômica ao mundo, quanto desta situação vai incomodar os EUA? esta resposta pode ser um problema por lá. a situação do Corona, pode complicar a todos os Países, quiça ao EUA, porém ninguém de fato pode afirmar estar no controle da praga; Hj a China anunciou que esta começando a controlar o vírus, parece fantasiosa a notícia tão precoce, considerando o numero de pessoas expostas. Tudo isto confunde os mercados, pelo menos durante o més de março.

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