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Política
04-04-2014, 22h25

Telegramas secretos reforçam tese de assassinato de João Goulart

Ex-ministro e ideólogo econômico de 64, Roberto Campos monitorou presidente deposto
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Documentos secretos da ditadura militar de 1964 mostram que o então ex-presidente João Goulart foi monitorado no ano da sua morte, 1976, por Roberto Campos, uma das principais lideranças civis do golpe. À época, Campos era embaixador brasileiro em Londres. Campos foi um dos ideólogos econômicos do regime militar. Ocupou o Ministério do Planejamento no governo de Castelo Branco, o primeiro general presidente da ditadura. 

Para a família de Jango e integrantes da Comissão Nacional da Verdade, esses telegramas reforçam a teoria de que Jango teria sido morto pela ditadura. As suspeitas de assassinato se amparam na importância de uma espionagem feita por Roberto Campos e no temor de que, vivo, Jango pudesse retornar ao Brasil para dar apoio à resistência pacífica ou até armada. A frase do segundo telegrama, em que Jango teria dito que sua volta ao Brasil só aconteceria “quando essa viagem significasse alguma coisa”, pode ter alimentado paranoias e temores da ditadura. A Comissão da Verdade trabalha com a possibilidade de que Jango tenha sido assassinado na Operação Condor, aliança de ditadores latinos para eliminar adversários.

A seguir, os telegramas secretos: 

Telegrama 1 – Nesta mensagem, de 12 de agosto de 1976, Campos relata ter sido informado de um suposto encontro em Londres entre Jango e Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco perseguido pela ditadura e também exilado. Segundo Campos, Arraes teria proposto a Jango apoiar um “movimento subversivo” a partir de bases na Guiana. O próprio Campos julga irrealista a iniciativa e afirma ter obtido a informação de que Jango teria recusado o esquema por “considerá-lo imprudente e impraticável”. Em 1974, dois anos antes, a ditadura exterminou a Guerrilha do Araguaia, organizada pelo PC do B. A ala mais dura da ditadura sempre acenava com o fantasma de novo levante para aumentar a repressão política.

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Telegrama 2 – Em 17 de setembro de 1976, Campos narra em detalhes uma viagem de Jango à França para tratamento cardíaco e uma passagem por Londres para se encontrar com seus familiares. Roberto Campos afirma que a família temia que Jango fosse assassinado ao retornar ao Uruguai, onde estava exilado. Mas o então ex-presidente minimizou esse risco. Campos relata que Goulart teria dito a familiares que só voltaria ao Brasil “quando essa viagem significasse alguma coisa”.  Jango via risco de “endurecimento no Brasil” por dificuldades na economia e pelo avanço da oposição consentida em eleições municipais. O ex-presidente acreditava ainda na possibilidade de “focos conspiratórios” e “alternativas mais duras” ao governo do general presidente Ernesto Geisel.

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Telegrama 2 – Página 2
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Telegrama 2 – Página 3

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Telegrama 3 – Esta mensagem da embaixada de Buenos Aires chega ao conhecimento de Campos, de acordo com familiares de Jango. Relata a morte do ex-presidente e fala que Ney Faria, cônsul em Paso de Los Libres, cidades na Argentina na fronteira com o Uruguai, entrara em contato pedindo orientações devido a “aspectos delicados do caso”.  A ditadura agiu rápido. Jango foi enterrado no dia seguinte, em São Borja (RS), sem autópsia.

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Foto: Agência Brasil

 

Comentários
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  1. Carlos disse:

    Sério mesmo que esses telegramas embasam a “confirmação do assassinato de Jango”? Meu deus, pobre Brasil…

    • Carlos disse:

      Reforçam a tese de que modo? Não deixem de ser ridículos. Parem de menosprezar a inteligência das pessoas. Ou estão falando só para ignorantes predispostos a aceitar essa conversa sem pé nem cabeça? Se é assim, tudo bem.

  2. ubirajara disse:

    deixe entender… Arraes voltou e ninguém tentou matar ele? … Brizola,… também não… se estavam fugindo da ditadura militar por que Londres e não cuba? …existe algum desses ilustres que se asilaram em cuba?… ou todos fugiram para a Europa?…

  3. Maria Margarida Pinto Coelho disse:

    As graves verdades sobre o Golpe de Estado e a Ditadura civil-militar explodem como que cansadas de 50 anos de amordaçamento.É dor sobre dor !

  4. Edmar Gonçalves de Oliveira disse:

    Ainda tem segmentos da sociedade brasileira que deseja a volta dos militares ao poder, ninguém merece viver sob ordem unida e regime de exceção. Que deus nos ajude para que isso jamais aconteça no Brasil.

  5. Antonio Hilário disse:

    Viva 1964! Com a dedicação dos verdadeiros brasileiros civis e sobretudo militares nos livramos da ditadura cubana. A mídia que hoje não tem coragem de mergulhar a fundo nos desmandos dos governos atuais( Petrobrás; Escravidão de médicos cubanos; Mensalão sem a punição do Grão-Chefe; Morte de Celso Daniel e dezenas de etc.) passa a mergulhar num passado na busca de suposições vagas. 31 de março de 1964 O melhor que podia ter acontecido.

  6. Meu Prezado disse:

    O que o Brasil precisa é de governantes e dos três poderes com vergonha na cara! Um governo civil, democrático e rígido no cumprimento das leis. Estas precisam ser revistas, pois, do modo como foram feitas, com tantas opções para recursos, habeas corpus, fiança, progressões de pena permitem, incentivam, protegem e até premiam o crime, a corrupção e a impunidade. Parece que são feitas de encomenda para atender a interesses de privilegiados. No Brasil, infelizmente, o crime compensa! É preciso acabar com a roubalheira e a impunidade!

  7. Ricardo disse:

    Desculpe, mas disto ai não se conclui nada, são meros relatos. Quero ver com que cara vão divulgar o relutado da exumação milionária do Jango. Vão chegar a conclusão que eu aqui sentado na frente deste computador sei que será, inconclusiva ou morte natural.

  8. OTAVIO GONÇALVES disse:

    As perquirições infundadas aliam-se a teses cujo o único objetivo é obter ainda mais dinheiro á título de indenizações. Este é o objetivo único que fazem procriar teses e mais teses alucinadas e sem o mínimo de fundamento. É a continuidade da farra e da pirataria do dinheiro público (que serve somente a alguns, em detrimento da população e sociedade em geral).

  9. Alexandre disse:

    Nunca me aprofundei na questão Regime Militar. mas uma faixa colocada no Congresso onde diz que graças ao regime hoje o Brasil não é Cuba, me fez pensar ao invés de sair julgando sem conhecimento de causa.
    Gostaria que a imprensa que esta desenterrando as ações do regime que fizesse o mesmo com as verdadeiras intenções da esquerda na epoca.
    Uma coisa eu tenho certeza porque estou vivendo no momento; uma crescente violencia, falta de estímulo em produção e um país sem perspectiva. Porque não dizer uma Guerra Civil onde nós e nossos filhos saímos de casa e não sabemos se vão retornar.

  10. Maria Nivaldete de LIma disse:

    ESSES MONSTROS SÃO RÉUS CONFESSOS, JÁ DEVERIAM ESTAR NA CADEIA. SE ISSO FOSSE NO RESTO DO MUNDO, JÁ ESTARIAM.

  11. Marco Valverde disse:

    Carlos e Ubirajara já tiraram as palavras de minha boca. Ratifico seus comentários e complemento dizendo que vai ser muito interessante comentar as notícias que virão após o resultado da perícia confirmando que Jango morreu naturalmente, talvez até por depressão.

  12. Jairo Augusto dos Santos disse:

    Temos que passar tudo isso a limpo. Temos que fazer justiça aqui e não deixar-la totalmente nas mãos de Deus. A cada dia que leio noticias do que foi meu país eu fica cada vez mais estarrecido. O que os militares fizeram com nosso país não deve ser só classificado de golpe mas também de traição.

    • Rodrigo disse:

      Prezado Jairo, isto é o que os militares deixaram para seu país: Itaipu, Tucuruí, Ilha Solteira, Rod Imigrantes – Anchieta, duplicação da Rod Dutra, Zona Franca de Manaus, Porto de Suape, praticamente todas as refinarias brasileiras, extração petrolífera da Bacia de Campos, Embrapa, IPEA, Banco Central, regulamentação da bolsa de valores, FGTS, início do agronegócio no cerrado brasileiro, Angra I e II, Ponte Rio Niterói, Proalcool e mais outras obras que não vou citar para não ocupar mais espaço. Em 21 anos morreram pouco mais de 300 pessoas. Hj em dia morrem 50.000 ao ano.

  13. Pasquale disse:

    Os militares chuparam a laranja e deixaram o bagaço.

  14. Adalberto Silverinha disse:

    Tenho muita saudades da época do castelo Branco, não tinha Aids, PT e nem Lula e não tinh assaltos na rua.

  15. Adalberto Silverinha disse:

    Não vejo aonde isto reforça tese alguma, meros relatos triviais nada de mais, que vários já não soubessem disto. Para vcs jornalistas seria ótimo, mas o Jango morreu de causa natural, as pessoas morrem assim, olha o Wilker. O tempo é assim mesmo, se o Jango não tivesse sido tirado e governasse, já teria morrido igual e a vida segue.

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