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Economia
17-05-2016, 9h16

Temer corre risco de perder foco para solucionar economia

Ministros sinalizam retrocessos e dinamitam força inicial do novo governo
21

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Com poucos dias de existência, o governo Temer já corre o risco de ser engolido pelas contradições de sua ampla base de apoio no Congresso e de perder o foco da missão principal: adotar medidas que coloquem a economia de volta aos trilhos, como disse Temer em entrevista ao blog.

Se demorar a propor uma nova CPMF ou alongar demais a negociação sobre reforma da Previdência, o presidente interino, Michel Temer, poderá dar tempo para que setores contrariados ajam e dinamitem seus planos.

O país precisa de medidas urgentes na área econômica. Temer fez uma boa escolha para a Fazenda. Disse que só Meirelles falaria de economia. Mas não é isso o que tem acontecido. O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, criticou a CPMF, que pode justamente ser um caminho para ajudar na solução da crise fiscal.

Há praticamente um consenso entre economistas e no mercado financeiro: sem aumentar impostos, dificilmente será possível controlar o crescimento da dívida pública. Logo, faz sentido ter uma CPMF transitória para que o Brasil volte a produzir superavit primário até 2018. Do contrário, será mais custosa a saída da crise.

Meirelles diz que pretende agir rápido, mas sem recuos. “Não vou fazer nada precipitado”, afirmou, em entrevista hoje de manhã na qual anunciou parte da equipe econômica.

Mas o ministro da Fazenda precisa atuar com rapidez para evitar que as resistências se organizem e minem a energia inicial do governo. Na Câmara, por exemplo, já está acontecendo uma disputa dura pela liderança do governo na Casa.

Desde a sexta-feira, primeiro dia de trabalho do novo governo, houve uma série de entrevistas de ministros que disseram coisas de arrepiar. Se tais ideias forem levadas a cabo, haverá retrocesso político e social no país.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, é candidato a recordista de afirmações preocupantes. A última é um disparate: propõe uma revisão do tamanho do SUS (Sistema Único de Saúde).

O SUS tem muitos defeitos, mas é uma façanha que exista algo desse tipo num país das dimensões do Brasil. Os Estados Unidos sofrem com as questões do atendimento à saúde, negligenciando o atendimento aos mais pobres. A ideia de Ricardo Barros só deve ser entendida como uma ameaça aos mais pobres.

O novo ministro da área social, Osmar Terra, já fala em cortar 10% dos benefícios dos Bolsa Família, que seriam fraudulentos, na visão dele. Ora, apure primeiro. Mas ele já disse que benefícios indevidos podem chegar a 30% do total. Haja falta de sensibilidade social. Atacar um programa barato e que atinge tanta gente é falta de preparo para a área.

O comportamento do novo Itamaraty é ineficiente e infantil. Saiu a brigar com países vizinhos. A principal preocupação de Temer, que ainda aguarda o julgamento definitivo do impeachment no Senado, é combater a crise doméstica. Faz sentido, numa situação de interinidade, abrir fogo contra países da América Latina? Pensar em fechar embaixadas na África, continente no qual há forte projeção geopolítica do Brasil? Só um: uso político doméstico das Relações Exteriores.

Está crescendo a resistência política à extinção da pasta da Cultura. Recuar, no caso, poderia ser uma boa solução. Há um peso simbólico da área.

Marcos Pereira acabou de perder a parte de comércio exterior de sua pasta e a palavra Desenvolvimento no seu ministério. Anuncia que deseja recuperar tal atribuição. Ora, houve uma definição do presidente interino. O ministro assume e diz que já vai brigar por mais espaço. Confusão à vista.

A volta da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para um ministério chefiado por um general é retrocesso. O ministro-chefe do ressuscitado GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Sérgio Etchegoyen, tem visão atrasada sobre a Comissão da Verdade.

Há uma usina de propostas polêmicas no ministério. Uma delas é a legalização dos jogos _medida polêmica e que precisa ser discutida com cautela. O Ministério Público é enfaticamente contrário à ideia.

Temer terá menos de três anos para governar se o impeachment for aprovado em definitivo. A abertura excessiva do leque pode tirar foco do principal: combater a crise econômica. É preciso foco no combate ao que interessa.

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A única coisa que pode tirar o foco das reformas é a fome, a ganância e falta de espírito público da classe política que já se instalou ao redor de Temer.
    É um cancro difícil de ser exterminado e só uma reforma política radical poderá trazer um pouco de idoneidade à administração pública.

    • Leonardo Gama disse:

      reforma política agora? justamente quando o principal beneficiário do sistema politico/eleitoral brasileiro ser como ele é, está no poder, vc acha q vai ter reforma… quem tem menos interesse em reforma eleitoral, é justamente o PMDB.
      querer que o time q tá ganhando o jogo há 30 anos mude as regras . . . mt inocência!!!

  2. Ricardo disse:

    SENSACIONAL! Só não falam em reduzir o Fundo Partidário, as verbas de gabinete, etc. Por que não começam por repactuar o nosso Legislativo, que é um dos mais caros e medíocres do planeta? Por que precisamos de tantos Deputados Federais? Desse jeito o PT vai ser ressuscitado para 2018, e nem vai ser por mérito próprio.

  3. Dong disse:

    Não dá para exigir nada antes de 60 dias. esta é o tempo normal para a montagem da equipe.
    Só esta há 05 dias no comando.
    Desespero não resolverá o problema, porque a situação do Brasil é bem complicada e não dá para fazer milagre em 05 dias.

  4. Rodrigo Leite disse:

    Espero que este golpista vaze o mais rápido possível do lugar que não é dele. O mais urgente para o Brasil é restaurar a legalidade democrática.
    #ForaTemer

  5. Romanelli disse:

    em tempo ..enquanto o BOLSA FAMÍLIA (fraudado ou não) acaba indo pra 1/4 da população do BRASIL (e com isso reduzindo para 10% o número de nossos ainda famélicos) ..e isso com R$ 25 bi ao ano ..a CONTA de JUROS, dos JAGUNÇOS do mercado financeiro levou, só no ano passado, com MUITO do seus caos artificialmente fabricado, R$ 500 bilhões pra nem 1% dos mais ricos
    .
    entenda ..as nações desenvolvidas quando estão de caixa liso deixam a “inflação” correr solta (é assim na Europa, nos EUA ..e queria que fossem assim os japoneses que penam com sua divida MUITAS vezes maior que o PIB) ..com isso eles aumentam a atividade/arrecadação – pela pratica de juros negativos – e, noutra ponta, ainda ganham com a PERDA REAL do valor e suas dividas ss
    .
    já aqui é o seguinte ..tarifas, preços, salários e impostos são INDEXADOS ..e o JUROS básico é o MAIOR do mundo …não raramente dando 5% de ganho real a.a.
    .
    qual seja ..NEM pra aplicar a cartilha estes JAGUNÇOS financistas prestam

  6. Gilberto disse:

    É que as soluções das “privadas” sempre têm como alvo os cofres públicos, não diferindo dos programas “sociais”.
    A incompetência empresarial é clara, o medo temor da concorrência mais do que evidente. Nossa economia foi engolida pelas transnacionais.
    Somos meros “operadores” de um sistema falido, e administradores de “heranças” coloniais.
    A nossa “inteligência” tornou-se submissa aos cargos e funções públicas, porém o natural controle das despesas públicas e modelos decisórios engessam a inovação e o desenvolvimento, o que de modo algum é uma aberração, pois optamos por um modelo de livre iniciativa, concorrência e mercado.
    Os artigos 3, 5 e 7 da CF mostram que não é o governo que está mal orientado, é a “privada” que não cumpre o seu papel de reduzir custos, inovar para atende às demandas mais do que reprimidas pelo baixo rendimento da população.
    Qualquer leigo mediano enxerga isso.

  7. paulo disse:

    ora, todos sabemos que primeiro tem que se gastar menos, depois eliminar este monte de cabide de empregos, no mínimo vai empatar, depois reforma politica urgente, diminuiçao de partidos e vagas .

  8. Pedro disse:

    Muito bom! Mas eu penso de forma cautelosa ao aumento de impostos. Claro que temos emergência, mas acredito que uma revisão mais ampla do sistema tributário deveria ser proposta para o curto prazo.
    Alguns outros impostos poderiam ser considerados, como Imposto sobre Dividendos, já que o Brasil é um dos únicos países do mundo que não tem e esse imposto traria algo em torno de R$40 bilhões de arrecadação (fonte: ).

    Acho que está na hora de pensarmos fora da caixa e de forma progressiva.

  9. joao dias disse:

    Kennedy, parabéns pelo lúcido e bem fundamentado comentário, sobre o momento presente. na governança do País. Acho, no entanto, que para combater a crise econômica. é primordial um conjunto de medidas definitivas, envolvendo uma profunda reforma do Estado, simplificando o modelo fiscal e tributário, com a ampliação do universo de contribuintes e taxação socialmente justa.
    Nessa reforma global, não pode faltar a reforma Política Eleitoral que elimine , em definitivo, as legendas de aluguel e o financiamento privado de fachada (com dinheiro público ). Eliminação de válvulas que facilitam os abusos das desonerações e incentivos fiscais,envolvendo bilhões de reais
    anualmente. E, por fim, que se faça uma reforma previdenciária e trabalhista que garanta direitos inalienáveis a cada um dos brasileiros. Somos um País rico em solo e sub-solo que abusa ao lidar com as suas riquezas, esquecendo totalmente, os nossos governantes, da obrigatoriedade do Planejamento de Receita e Despesa.

  10. O governo ainda está iniciando. A montagem da equipe nem está completa.
    O Diário Oficial tem mostrado para quem tem olhos de ver, que o governo está em transição. Tem muita gente do governo antigo em postos chave do governo que estão sendo substituídos. O governo avança e sinaliza que vai fazer as reformas. Mesmo as impopulares! Esperemos para ver.

  11. Felipe Moura de Andrade disse:

    Kennedy eu o respeito muito, está entre os jornalistas mais sérios do Brasil. Muito distinto dos ideólogos que vemos espalhados por ai. Todavia discordo de seu olhar liberal para a economia. É fato que o desenvolvimentismo de Dilma fraquejou, e produziu erros absurdos, mas isto não transforma o receituário liberal em solução. Este ideário pode por a economia brasileira no eixo? Pode, mas a questão é que eixo. O ideário não se compatibiliza com um estado de bem estar social, como prevê nossa constituição, situa falta desta crítica em seu discurso. O Brasil tem margem para fazer um ajuste fiscal para cima, combatendo a sonegação, o que exige fiscalização, mas mudanças na lei, bem como elevando o pagamento de impostos dos mais ricos que hoje em percentuais é pouco mais da metade dos mais pobres. Soluções liberais não coadunam com desenvolvimento social. Outra questão que sinto falta em seu discurso é uma crítica a composição deste governo.

  12. Wellington Alves disse:

    O problema do Brasil não era o PT? Eu já imaginava isso. Todo esse movimento de desestabilização era só para terem oportunidade ao poder. Agora vão se degladiar. O governo de unidade nacional não consegue se unir. Revisão do SUS sim é um ataque ao direito adquirido. Cadê as panelas?

  13. Rogério Campos disse:

    Temer só fez negociatas até agora, agradando quem ajudou a levá-lo ao poder.

  14. Marcelo disse:

    Caro Kennedy,
    discordo de seus comentários quanto às respostas do Itamaraty serem ineficientes e infantis.
    Uma vez que regimes autoritários como os de Cuba, Venezuela, Equador, etc., emitem comunicados oficiais não reconhecendo o novo Governo do Brasil, qual seria a atitude a ser tomada senão uma reprovação veemente por parte do Governo brasileiro.
    Se não fosse tomada esta atitude, o novo Governo correria o risco de não ser levado a sério. De baixar a cabeça para republiquetas da América Latina, assim como o governo Lula baixou quando o cocaleiro Evo Morales ordenou que tropas bolivianas invadissem uma usina da Petrobrás naquele país.

  15. davi disse:

    Vai ser difícil mudar, e melhorar…quem sabe, Talvez

    A sociedade e a população, fica esperando um milagre acontecer…
    O milagre dos políticos se transformarem em SERES honestos e descentes.

    Ficar esperando seriedade e comprometimento público, com reformas econômicas, eleitorais e políticas que retirem regalias e mordomias (da classe política) em prol da população. É UTOPIA.

    CADA BRASILEIRO PRECISA FAZER A SUA PARTE.., e a parte deles também (pois são ineficientes e cretinos)…se o povo/eleitor não exigir “nada afeta a classe política” (São semi-deuses criados pelo eleitor). Lamentável!

    A mentalidade do eleitor que necessita de mudanças.
    EU VOTO NULO. E TENHO CERTEZA QUE 90% DA POPULAÇÃO FAZENDO O MESMO, O TSE E TODOS OSTROS ÓRGÃOS COMPETENTES DARÃO INÍCIO A NECESSÁRIA REFORMA.

  16. JV Nande disse:

    Ricardo Barros teve a sua campanha financiada por um sócio de planos de saúde e agora vem dizer que é preciso reduzir o SUS? Dando como exemplo a Grécia, que estava sendo esmifrada pelo FMI e a União Europeia e cujo dinheiro de resgate, sabemos agora como já adivinhávamos na época, foi para salvar os bancos enquanto a população estava sem luz em casa? É este o ministério de notáveis que Temer pretendia? Tenho visto muitos comentários que o importante é recuperar a economia e o sistema político é uma preocupação posterior, mas eu acho o contrário: a necessidade de alianças condena os governantes brasileiros a políticas medíocres e condena o Brasil a não ter verdadeiros estadistas.

  17. Elaine disse:

    Esse antipetismo que tomou conta do país desde 2013 fez o Brasil mergulhar no caos completo. O PT errou muito, mas os partidos da base aliada idem, dessa forma, o que esperar de um Governo Temer? NADA DE POSITIVO. Simples assim. Dilma e Temer deveriam renunciar para que o povo possa escolher o seu novo governante. Caso isso não ocorra, não haverá pacificação social até 2018 e muito menos recuperação econômica, ou seja, esse maldito antipetismo deixará um Brasil inepto em 2015, 2016, 2017 e 2018. Quem viver, verá.

  18. Não é em 180 dias ou 2 anos que vão conseguir colocar o Brasil nos eixos.

  19. Sammer Siman disse:

    Kennedy, sua postura de jornalista investigativo é destacada…mesmo porque não se propõe a assumir uma neutralidade (que não existe no mundo real) e sim firmar sua visão, além do compromisso com os fatos. É admirável sua preocupação com os retrocessos que estão colocados a vista…especialmente a partir de atos e declarações horrendas como o do temerário ministro da saúde. No entanto…questiono o fato de se reproduzir o discurso hegemônico de que só existe uma saída pra economia…como aumentar impostos. Porque não assumir outras posições, como uma necessária auditoria da dívida pública…que consome quase metade dos nossos recursos todo ano pra alimentar um sistema de uma dívida duvidosa…que certamente já foi paga muitas e muitas vezes? Eis a questão…enfrentar o rentismo com uma postura decidida é o primeiro passo para construírmos uma saída real pra essa crise e livrar o povo trabalhador de pagar mais essa conta.

  20. Antenor disse:

    Kennedy, peço licença para discordar de você, quando afirma que “o comportamento do novo Itamaraty é ineficiente e infantil”. O Brasil é muito importante para ficar ouvido e aturando desaforos de republiquetas como Cuba, Venezuela, Panamá e outras coisas desse tipo aí. Primeiro, precisa avaliar o que esses ditadores dessas “republiquetas” defendem. Segundo, verificar, na história, o que aconteceu, antes, para que tais sujeitos que as “governam” fizeram para chegarem ao poder. Terceiro, qual a política que praticam nos seus respectivos países. São governos perdulários e que, constantemente ficam emitindo decretos estranhos para não saírem mais do poder. Que moral tem esses tais, para emitirem qualquer parecer a respeito da nossa democracia?
    Bem ou mau, as nossas instituições estão funcionando. E nesses países citados aí, será que as instituições têm autonomia? Achei correta e acertada a atitude do ministro José Serra em responder, de imediato, às provocações idiotas desses ditadores.

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