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Entrevistas
28-04-2016, 20h11

Temer descarta reeleição e diz que colocará “economia nos trilhos”

Vice prevê apoio do Congresso para aprovar o que Dilma não conseguiu
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Se assumir a Presidência da República, Michel Temer afirma que não pretende disputar a reeleição em 2018. Indagado se apoiaria o fim da regra que permite a recondução ao Palácio do Planalto, responde: “Sem dúvida alguma, porque isso me dá maior liberdade até para a ação governamental se eu vier a ocupar o governo”.

Temer declara que sua prioridade é “colocar a economia nos trilhos” para aumentar “a geração de empregos”.

O vice-presidente diz que, num eventual governo, terá apoio do Congresso para aprovar medidas que Dilma não conseguiu: “Eu tenho certeza de que as medidas que nós viermos a propor serão compreendidas pelo Congresso Nacional e seguramente serão acordadas previamente com setores que venham a participar dessas negociações. Ele fala em implementar “imediatamente” essas medidas.

Temer nega que vá retirar direitos trabalhistas e sociais. “Fala-se que eu vou retirar os direitos sociais, tipo Bolsa Família, Pronatec. Não vou mexer em nada disso. Pelo contrário. (…) Contesto aqueles que dizem que eu vou liquidar com esses direitos”.

O peemedebista afirma que, se virar presidente, ele e seu ministro da Justiça não farão “nenhuma intervenção na Lava Jato”.

A respeito das críticas que recebe da presidente Dilma Rousseff, como a de que teria conspirado para chegar ao poder, ele diz: “Todo o povo brasileiro deve respeitá-la pelo período que ela está passando. (…) Eu não tenho nenhum desapreço pela senhora presidente, por mais que ela possa fazer uma ou outra acusação, a meu ver, injustificadas”.

A respeito da possibilidade de o PT e os movimentos sociais fazerem uma oposição dura ao seu eventual governo, Temer declara: “Não me impressiono com isso. Se houver movimento de rua, como se anuncia, é democrático desde que não seja predador. Em segundo lugar, que não seja embaraçador da atividade, do livre trânsito de pessoas. Em terceiro lugar, eu não vou dar atenção a isso, eu vou dar atenção aos problemas do país. Esta é a função da Presidência da República”.

Temer diz que a tese de antecipar as eleições presidenciais ou de consultar o eleitorado via plebiscito a respeito disso “perdeu um pouco de substância nos últimos tempos”. A seguir, a íntegra em vídeo e texto da conversa, filmada por celular, na tarde desta quinta-feira em Brasília:

*

Kennedy Alencar – No Palácio do Planalto, alguns ministros já admitem que o Senado vai afastar a presidente Dilma. No noticiário, há relatos de medidas que o sr. poderia adotar no seu eventual governo. O sr. tem tomado cuidado, porque é uma situação que ainda precisa ser oficializada, mas uma pergunta que eu faria ao sr. é a seguinte: a presidente Dilma tentou aprovar medidas e não conseguiu. O sr. acha que terá apoio do Congresso Nacional para implementar medidas que ela não conseguiu?

Michel Temer – Em primeiro lugar, quero reiterar o que você acabou de dizer. Devo aguardar a decisão do Senado Federal até em respeito ao Senado Federal. Portanto, qualquer avanço que eu faça agora é avançar o sinal. Não quero fazer isso. Primeiro ponto. Realmente há medidas que poderão ser tomadas se algo vier a acontecer porque penso que a esta altura nós conseguiríamos o apoio do Congresso Nacional. Pelo menos, eu faria muito esforço para isso. Não avanço nas concepções para não violar a primeira parte da minha resposta. Ou seja, eu vou aguardar a decisão do Senado Federal. Eu tenho certeza de que as medidas que nós viermos a propor serão compreendidas pelo Congresso Nacional e seguramente serão acordadas previamente com setores que venham a participar dessas negociações.

KA – Qual é a sua prioridade com essas medidas? É colocar a economia nos trilhos? O que o sr. pretende fazer?

MT – É colocar a economia nos trilhos. Uma das principais preocupações é a geração de empregos. Você sabe que há mais de 10 milhões e trezentos mil desempregados. Isso está afligindo muito a família brasileira. De modo que todo e qualquer plano econômico, seja meu ou de quem estiver no poder, deve buscar a abertura de vagas para emprego. Essa é a primeira providência que deve ser tomada. Eu espero isso por quem esteja à frente do governo.

KA – Muitos críticos falam em retirada de direitos trabalhistas, em perdas de direitos. Como o sr. responde a esse tipo de afirmação?

MT – Não há isso, não. Posso até avançar um pouco. Fala-se que eu vou retirar os direitos sociais, tipo Bolsa Família, Pronatec. Não vou mexer em nada disso. Pelo contrário. Enquanto o país tiver muitos pobres, e lamentavelmente tem, nós temos que manter o Bolsa Família. Não tenho a menor dúvida em relação a isso. Portanto, até digamos assim, contesto aqueles que dizem que eu vou liquidar com esses direitos.

KA – O sr. está preocupado com o tamanho da responsabilidade? Está sentindo um certo peso?

MT – Um peso muito grande. Até por uma razão singela, eu não estou tendo tempo de preparar o governo. Por duas razões. Primeiro, eu não vou avançar o sinal, como eu disse. Segundo, porque você não tem um prazo muito largo para preparar o governo. Portanto, preparar fisicamente o ministério e também preparar as principais ideias. Mas, certa e seguramente, como eu tenho conversado com muita gente, eu tenho algumas ideias já no raciocínio. Se vier a acontecer, e o importante é o se vier, nós implementaríamos algumas dessas ideias imediatamente.

KA – O senhor pode adiantar alguma coisa?

MT – Todas elas voltadas para o crescimento econômico e para a abertura de empregos. Eu não tenho dúvida disso.

KA – Hoje teve uma entrevista dos procuradores da Lava Jato falando da importância da operação. Que atitude o ministro da Justiça, no seu governo, e o sr. teriam com a Lava Jato?

MT – Nenhuma interferência. Por uma razão singela, eu pretendo reinstitucionalizar o país, porque nós perdemos um pouco a institucionalidade no país. Portanto, o Executivo fará o seu papel; o Legislativo, o seu papel; o Judiciário e o Ministério Público, o seu papel. Não haverá interferência, de forma alguma.

KA – Seus auxiliares dizem que o sr. não seria candidato à reeleição. E que tentaria fazer um governo de união nacional. Se chegar ao poder, o sr. pretenderia disputar a reeleição?

MT – Não. Eu ficaria felicíssimo se, ao final de um eventual governo, nós estamos falando sempre sob hipótese, eu conseguisse colocar o país na rota do crescimento, conseguisse pacificar o país. Nós não podemos mais ter essa coisa de brasileiros contra brasileiros. Se conseguisse dar uma certa harmonia à sociedade brasileira, de modo que o país fosse aquilo que no passado ele era: um país alegre, um país descontraído, capaz de solucionar todas as suas eventuais controvérsias.

KA – Apoiaria o fim da reeleição?

MT – Sem dúvida alguma, porque isso me dá maior liberdade até para a ação governamental, se eu vier a ocupar o governo.

KA – Senadores têm falado na possibilidade de um plebiscito, de uma emenda constitucional para antecipar as eleições presidenciais. Qual é a sua opinião sobre isso?

MT – Eu, evidentemente, não vou influenciar no sentido positivo nem negativo. Mas eu sinto que essa tese perdeu um pouco de substância nos últimos tempos. 

KA – O PT sinaliza uma oposição muito dura ao sr. Os movimentos sociais ameaçam contestar um eventual governo. Como o sr. pretende tratar isso?

MT – Não me impressiono com isso. Se houver movimento de rua, como se anuncia etc., é um direito democrático desde que não seja predador. Em segundo lugar, que não seja embaraçador da atividade, do livre trânsito de pessoas. Em terceiro lugar, porque eu não vou dar atenção a isso, eu vou dar atenção aos problemas do país. Esta é a função da Presidência da República.

KA – A presidente Dilma disse à CNN que ficaria triste se não pudesse ser presidente nas Olimpíadas, que se sentiria injustiçada. Como o sr. se sente em relação à presidente, que tem dito que o impeachment é golpe e que o sr. teria conspirado para chegar ao poder sem voto?

MT – Primeiro, eu não respondo à senhora presidente quanto a esses últimos tópicos. Mas eu tenho muito apreço pessoal pela senhora presidente, tenho muito respeito. E acho que todo o povo brasileiro deve respeitá-la pelo período que ela está passando. Eu não sei quanto tempo ficará na Presidência da República. Mas, seja ex-presidente ou presidente, deverá ter o respeito do povo. O que eu acho que é importante é que nós tenhamos um trato institucional muito adequado. Porque os homens públicos têm muita responsabilidade perante a sociedade. Se eles dão um mau exemplo, seja nas palavras ou nos atos, isso influencia mal a sociedade. Se eles derem um bom exemplo, isso influencia beneficamente a sociedade. Eu não tenho nenhum desapreço pela senhora presidente, por mais que ela possa fazer uma ou outra acusação, a meu ver, injustificadas.

KA – O debate político está muito acirrado, muita intolerância nas redes sociais. Qual é a principal mensagem que o sr. transmitiria para os brasileiros caso venha a ser presidente da República?

MT – De pacificação de um lado e de otimismo de outro lado. Eu diria o seguinte: não fale em crise, trabalhe. Ou invista. Esta mensagem, penso, é aquela de que o Brasil precisa.

Comentários
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  1. CLEITON MENDES disse:

    Pelo menos na teoria, cria-se uma expectativa positiva do pais mudar de rumo.

  2. walter disse:

    Quando comentei caro Kennedy, que este País vive de acasos felizes, este é um dos tais momentos; o Temer levantou uma bandeira importantíssima; a não reeleição, por ambição, e segurança do PSDB, com relação ao PMDB; excelentes consequências para o Brasil…
    De uma forma extraordinária, podemos sonhar com esta transição, tudo indica, grandes possibilidades econômicas,mais que isso; podem ter virtudes inesperadas neste governo.
    Neste momento,teremos muitas desconfianças, mas o temer sendo “macaco velho”; pensou em tudo isso, inclusive, nos rompantes dos opositores de plantão, que tentaram desqualifica-lo principalmente; mas com a retomada do País; organizando a “bagunça, podemos surpreender…

  3. Manoel Leme SP disse:

    Entrevista serena, realista e que sinaliza o recomeço de um país destruído. Em nome dessa nova etapa no Brasil, é preciso que o Temer mude TODOS os Ministros e Vice-Ministros de Dilma porque há que se fazer uma limpeza extensa, todos os Ministros têm que trazer secretários-executivos novos, c/ ideias novas, equipes sem laços c/ o governo atual e descomprometidos c/ os erros do passado. Isso inclui o Itamarati, o MJ, o Planejamento etc.

  4. José Oliveira disse:

    Educado e sereno, como um presidente deve se portar. Eu já não lembrava mais da postura de um chefe de Estado, pois há muito tempo que só vejo nossa atual presidente se comportando como uma arruaceira translocada.
    Tenho muita esperança nesse governo de transição do Temer, apesar dos percalços imensos que encontrará pelo caminho.
    Espero que nesse período de 15 dias a Dilma e o PT não terminem de destruir o Brasil; que possa sobrar alguma coisa a que se consertar.

  5. José Oliveira disse:

    Kennedy: Sei que é meio fora de contexto, mas queria parabeniza-lo pelo blog. Apesar de não concordar com todas as suas posições, que muitas vezes são condescendentes demais com o PT, com a Dilma e com o Lula, você é um bom homem e seu blog um espaço aberto, mesmo a opiniões contrarias às suas próprias ideias; isso é democracia: PARABÉNS…

  6. Romanelli disse:

    interessante como ele desvia os olhos em temas mais polêmicos ..e essa de dizer tratar Dilam com deferência, tenha santa paciência

  7. Edmilson Freitas disse:

    Na minha opinião, a mudança não será de uma hora para outra, pelo contrário, acredito que levará no mínimo uns 10 anos para que o Brasil volte a ser uma nação eficiente. Os próximos governos têm que continuar com a luta contra a corrupção, contra o desemprego e primar pela segurança, saúde e educação do povo brasileiro.

    • J K disse:

      O país nunca foi eficiente.
      Não sei qual é a pedra fundamental da nossa ineficiência, mas a relação trabalhista é a mais difícil de melhorar.

  8. Leonardo Gama disse:

    “não fale em crise, trabalhe”

    é brincadeira isso?!?

    tomara que ele use essa frase no primeiro dia dele como presidente, aí, em 24 horas, a rejeição dele supera a de Dilma!!!

  9. davi disse:

    Não sou PMDBista, PTista ou simpaticista de qualquer um desse (montão) de partidos políticos existentes. PRECISA SER REDUZIDO IMEDIATAMENTE, PONTO!

    Outra coisa: A cada dois anos temos eleições em nosso país. Toda pré eleição é a mesma coisa: Todos candidatos falando bonito, projetando e prometendo BENESSES e se aproveitando delas.

    A atuação efetiva do POVO e da LEI, para quem foi, é, e pensa em ser BANDIDO (Surrupiador de bens públicos ou não), ditará o futuro honesto, ou não, da nossa nação.

    Direitos e salários iguais aos dos trabalhadores “CLT” aos nosso nobres políticos “representantes”. Chega de: Mordomias, privilégios e foro diferenciado à “funcionários” públicos e políticos…Na grande maioria preguiçosos sendo inúteis para servir à população.

    COBREM POVO. COBREM!! ELES NOS EXIGEM ALTO, E NOS RETORNAM QUASE NADA! SÃO PODRES DE RICO À NOSSAS CUSTAS!

  10. Alberto disse:

    Se esses trilhos forem iguais as obras do PAC(Programa de Aceleração da Corrupção),”tamos robado”.

  11. Frank Lobran disse:

    Primeira medida anunciada pelo Temer será desvincular as aposentadorias do salario mínimo. Lógico que foram os aposentados que afundaram o país. Não foram os salários dos políticos, as mansões que vivem as nossas custas, os automóveis de luxo com motoristas e a legião de inúteis que os cercam. Foram mesmo os aposentados. É muito covarde o Temer fazer isso com uma classe que não tem representação nem força política. Sempre de cima para baixo. Porque não propõe uma enorme reforma política cortando mais de trinta partidos. O Temer já recuou de cortar ministérios por conta da dívida que tem com todos que o estão apoiando. Isso sim é valentia. Mas a culpa caiu sobre os aposentados. É ESSA POLÍTICA QUE VAI SALVAR A ECONOMIA????? COVARDE

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