aki

cadastre-se aqui
aki
Política
02-06-2017, 8h47

Temer e Fachin estão em guerra; Trump corre risco de isolamento

Presidente americano reverte decisões de Estado e une planeta contra ele
13

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

É alto o grau de preocupação do governo com uma eventual prisão do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou um novo pedido de prisão de Rocha Loures ao ministro do STF Edson Fachin, que homologou a delação dos donos e executivos da JBS. A primeira solicitação foi rejeitada porque Rocha Loures estava no cargo de deputado federal, função que perdeu com a volta do ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio à Câmara.

Se Fachin mandar prender Rocha Loures, aumenta a chance de eventual delação premiada do ex-assessor do presidente Michel Temer. Os bastidores dão conta de que Rocha Loures está dividido em relação a tentar firmar um acordo de delação premiada. Há pressões de familiares num sentido e noutro. A prisão poderia ser decisiva para convencê-lo a aderir à colaboração com a Justiça.

Ele foi um auxiliar próximo do presidente da República. Teve contatos com o empresário Joesley Batista e com o operador financeiro do grupo JBS, Ricardo Saud. Foi filmado pela PF (Polícia Federal) carregando uma mala com R$ 500 mil.

Um acordo de delação não é um ato rápido. Demanda semanas ou meses para ser concluído. No entanto, a eventual prisão e a possibilidade de colaboração criariam um fato político negativo para o presidente, que está prestes a travar uma batalha no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na semana que vem e que já luta abertamente no STF (Supremo Tribunal Federal).

*

Fogo cruzado

Um ofício de um grupo de deputados ao ministro Fachin é uma declaração aberta de guerra dos advogados de Temer. Esse grupo, formado por parlamentares próximos do governo, encaminhou um ofício a Fachin pedindo explicações sobre eventual ajuda da JBS para que ele tivesse a indicação dele ao Supremo aprovada pelo Senado.

Esse movimento atende a uma estratégia da defesa do presidente que busca questionar a isenção de Fachin bem como a celeridade com a qual o ministro está tratando o inquérito que investiga Temer.

No discurso de anteontem na posse de Torquato Jardim como ministro da Justiça, o presidente fez críticas ao que chamou de falta de institucionalidade. O Palácio do Planalto considera que Fachin está tratando o inquérito presidencial com celeridade diferente de demais investigações. O ministro do STF criou um “fast track” para investigar Temer.

Esse ofício dos deputados se baseia nos bastidores de que Ricardo Saud, um conhecido lobista da JBS, gabava-se de ter poder no Senado e que dizia ter ajudado Fachin a chegar ao STF. Na época da indicação de Fachin, houve muita resistência da então oposição a Dilma.

Uma mão da JBS, a maior financiadora de campanhas políticas do Congresso, influiu a favor de Fachin nas bancadas do PMDB e de setores da oposição, seja obtendo apoio direto, seja suavizando críticas na sabatina ou na votação em plenário.

Nos bastidores, Fachin já admitiu a ajuda e disse que não conhecia fatos desabonadores a respeito de Saud e da JBS, apesar de todo o mundo político ter ciência do peso da empresa e do operador como financiadores de campanhas.

Esse ofício dos aliados do Planalto expõe claramente o confronto direto que existe hoje entre Temer e Fachin.

*

Pode muito, mas não tudo

A personalidade dos governantes tem um peso imenso nos fatos históricos. Pessoas poderosas e autoritárias costumam achar que podem fazer tudo sem limites. Há exemplos no Brasil que não terminaram bem. Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, ex-presidentes da República e da Câmara, por diferentes motivos, acharam que poderiam agir com autoritarismo sem pagar um preço político alto por isso. Perderam o poder.

Trump tem o cargo mais poderoso do mundo, mas não pode tudo. Ele decidiu deixar ontem o Acordo de Paris. A reação da França, Alemanha e Itália de negativa à renegociação do acordo climático mostra que há consistência política no contraponto planetário a Trump.

Dentro dos Estados Unidos, ele foi criticado. O Acordo de Paris foi bem suavizado por pressão americana após exaustiva negociação. Já era um acordo que atendia aos interesses americanos. A assinatura dele foi uma decisão de Estado e não um desejo de Barack Obama.

Trump está revertendo decisões de Estado tomadas por anos de diplomacia americana. Certamente, causa dano ao Acordo de Paris e joga incertezas sobre o futuro do planeta. Mas está indo longe demais. Tomou uma decisão que significa um retrocesso global, ameaçando a atual e as futuras gerações. Cometeu um erro histórico.

O presidente dos Estados Unidos pode muito, mas não pode tudo. Não ter consciência disso é o caminho para a perdição. O isolamento americano na política internacional não é algo que acontecerá da noite para o dia, devido ao peso geopolítico dos Estados Unidos, que são a maior máquina militar e econômica do planeta.

Mas Trump está estimulando movimentos que acabarão levando a Europa, China e Rússia a caminhos diferentes daqueles preferidos por Washington. Isso pode resultar num maior isolamento americano nas relações internacionais, pelo menos, durante a atual administração.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
13
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Fachin já subiu em palanque e discursou a favor de Dilma, é fato público e documentado, não tem isenção. Se foi beneficiado na sabatina do Senado, então deveria arguir a própria suspeição e declinar desse julgamento… melhor ainda, deveria pedir demissão do cargo !

  2. Roberto Pollo disse:

    Um jornalista sério não precisa informar somente o que desejo saber e sim informar tudo possível para informar a todos. Esse no meu ponto de vista é Kennedy Alencar faz. O País precisa de Homens assim.

    Att.:

    Roberto Pollo

  3. Joaquim disse:

    Kennedy, cada vez a população brasileira fica mais atônita, com mais desesperança. Este ambiente é propício para o aparecimento de coisas e atos estranhos e aventureiros. Não acredito que em um universo de 600 parlamentares não seja possível se fazer uma maioria de bom senso, o que estes personagens estão esperando??? Se só existe o caminho da legalidade, por que ele não é traçado?? E ai vemos o presidente se apoiando no que há de pior e mais atrasado na politica brasileira. Deu angustia ver aquela figura de novo no noticiário e sem medo de se mostrar. Neste quadro tanto eu como boa parte da população brasileira começa a querer um solução militar, para alijar e expurgar estas figuras de Brasília. Estamos vivendo um clima muito semelhante a 64.

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Joaquim, boa tarde
      Mais uma vez, concordo com você sobre 1964, exceto que agora está muito pior, hoje existem centenas de sindicatos espúrios e pelegos, a baderna e a anarquia estão em maior dimensão de ilegalidade !
      Em 1964 os militares estavam motivados, tinham ideologia e participavam da vida política nacional, hoje estão mal pagos, desmotivados e apáticos… uma trajetória épica desperdiçada.

  4. mano disse:

    prezados: o presidente Temer devia reconhecer que não tem mais condição de continuar no cargo. O PSDB se quiser salvar a sua história e a legenda na próxima eleição precisa desembarcar urgente desse governo, aliás já passou da hora.

  5. Helena/S.Andre (SP) disse:

    Cuidado Fachin! Mexendo em casa de marimbondo vc vai sair todo picado e, por favor, não viaje de avião. Quem avisa amigo é…..

  6. Régis disse:

    Me causa estranheza como Fachin foi sorteado para ser relator da Operação Lava Jato e dessa forma dando aval para quase todas as ações dessa Operação. Já é suspeitíssimo a morte de Teori cuja morte lembra bem o modus operandi da CIA quando quer se livrar de autoridades que não se alinham aos interesses de Washigton (veja John Perkins).

  7. walter disse:

    Estamos vivendo um momento caro Kennedy, de autoritarismo do temer, semelhante a dilma, com consequências a perder de vista; vestiu a carapuça de um governo de suspeitos; se for bom jogador de xadrez…não há nada mais ridículo, que soltar medidas provisórias, para se beneficiar, chega a ser mais danoso, que o lula vendendo as mesmas…falta total lisura ao chefe da nação esta é a realidade; os facínoras por quantidade, estão apoiando qualquer decisão do planalto, para livrar a cara de todos; com isso, por incrível que possa parecer, o Temer vai aprovar a trabalhista e a previdência, seguindo esta toada com Renan, Jucá; poderá sair desta ileso, se os números econômicos o ajudarem; por isso seu prognostico de benefícios com relação a tempo; se conseguir caminhar para segundo semestre, ficará até o fim. Com relação ao TRUMP caro;um palhaço que brinca de governar,e seu objetivo, é extremamente conservador, vai ganhar apoio até, como foi o Bush, um pangaré trapalhão; cada País!!!

  8. mano disse:

    pezados: não adianta tentar defender. Este governo tem deputado pego correndo com mala cheia de dindin, Aécio, o maior trunfo do PSDB, desmoralizado. O presidente Temer, meu Deus, este nem se fala. quatro assessores diretos presos. vários ministros denunciados. REALMENTE NÃO DÁ PRA DEFENDER. ACABOU! A CORRUPÇÃO FICOU EXPOSTA!

  9. Pedro Joaquim da Veiga disse:

    Com certeza o grupo de deputados que assinaram o ofício ao ministro Fachin, estão enrolados na justiça.

  10. Andre disse:

    Chega ser surreal um governo como o do Temer imerso em lama e toda sorte de denuncias, com seus ministros principais sendo investigados, tentando desqualificar o ministro Fachin. Claro que ele Temer, acho Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli muito melhor que Fachin. Achou tudo certo, quando Celso de Melo permitiu que Moreira Franco assumisse o cargo de ministro. Quando Carmem Lúcia liberou a sua propaganda, achou o STF correto. Isto só demonstra o quanto tão baixo uma pessoa poder ser, toda a defesa do Temer é construída com baixeza, utilizando o que há de mais baixo e sujo. È uma completa falta de vergonha na cara do Brasil inteiro, este senhor de conduta espúria ainda está a frente do nosso governo.

  11. Alessandra disse:

    É fato que a condução politica de Dilma não foi bem sucedida, mas considera-la autoritária e coloca-la ao lado de Eduardo cunha é demais. Dilma podia ate não ouvir conselhos de pessoas muito mais experientes na politica como Lula e alguns de seus ministros, e quando os ouvia não acata-los, preferindo fazer aquilo que acreditava certo ainda que acabasse dando errado. Dilma tambem não prestigiou movimentos sociais que a apoiaram nem pessoas que estavam ao seu redor como seu vice que disse certa vez em uma entrevista a folha “Dilma nunca confiou em mim” (o que hoje é plenamente compreensível). Ela tambem nunca foi a rainha da simpatia, se era firmeza de uma mulher que ocupava um alto cargo coisa que os homens que a rodeavam não estavam acostumados ou se era grosseria mesmo é uma questão a ser discutida a parte. O fato é que Dilma sempre respeitou as instituiçoes e não se utilizou da presidência para impor a sua verdade sobre os demais nem para silencia-los, como fez Temer

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2019-11-21 10:58:41