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Geral
23-02-2017, 9h12

Temer ganha chance para corrigir erros e rumos da política externa

Além da saúde, Lava Jato e força de Meirelles pesam na demissão de Serra
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A saída de José Serra do Itamaraty dá ao presidente Michel Temer uma oportunidade para corrigir erros e rumos da política externa. Se levar em conta a insatisfação interna no Ministério das Relações Exteriores com a gestão do senador tucano e o cenário internacional em que Donald Trump traz riscos e oportunidades ao Brasil, Temer deveria indicar um diplomata.

Hoje, o número dois do Itamaraty, o secretário-geral Marcos Galvão, tem apoio interno para virar ministro em definitivo. Ele assumiu interinamente com a demissão de Serra. Há também outros nomes preparados para a missão na carreira diplomática.

O presidente usou o Itamaraty para acomodar politicamente Serra porque não o queria na Fazenda. A saída permite ao presidente priorizar a política externa. A gestão Serra gerou conflitos desnecessários com países vizinhos e nenhum resultado.

FHC e Lula gostavam de política externa. Dilma a relegou ao segundo plano. Temer fez o mesmo por razões domésticas. Agora, há no PSDB o desejo de manter a pasta com um político, mas Temer não deveria perder a chance que ganhou a fim de tentar melhorar uma área fundamental para o Brasil _sobretudo num momento de tamanhos desafios globais.

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Fatores Lava Jato e força de Meirelles

A principal razão para a demissão de Serra foi de ordem médica mesmo. Viajar é fundamental para um ministro das Relações Exteriores. As fortes dores na coluna dificultam o exercício de uma pasta de tamanha importância e com características tão específicas.

Mas outros fatores acabaram contribuindo para a saída do tucano do Itamaraty. Ele não conseguiu assumir a pasta da Fazenda, expectativa que nutria caso Henrique Meirelles se enfraquecesse. Mas aconteceu o contrário. O presidente Michel Temer tem bancado Meirelles.

Nos bastidores da Lava Jato, investigadores dizem que dados obtidos por autoridades suíças trarão fortes dores de cabeça a Serra. Como as delações deverão atingir dezenas de políticos, ficam menos sujeitos a desgaste aqueles que não são ministros. Deixar o ministério antes da explosão das delações ajuda a minimizar danos.

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Sonho distante

Em relação à sucessão presidencial de 2018, a demissão de Serra o afasta ainda mais de uma eventual candidatura. Ela já seria muito difícil no quadro atual.

Os presidenciáveis do PSDB perderam cacife nas pesquisas eleitorais. Uma parcela do eleitorado que já votou no PSDB prefere atualmente um extremista de direita perigosamente despreparado como Jair Bolsonaro. No ninho tucano, Serra é quem tem menos chance de ser candidato.

Hoje, quem possui mais possibilidade de disputar a Presidência pelo PSDB é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Aliados de Alckmin avaliam que ele tem chance de sobreviver à Lava Jato levando um tiro de raspão.

O outro nome é o do presidente do PSDB, o senador Aécio Neves. Mas as diversas citações ao senador mineiro na Lava Jato também diminuem a chance de nova candidatura dele ao Palácio do Planalto.

E não dá para descartar uma surpresa, como uma eventual candidatura presidencial do prefeito de São Paulo, João Doria. O prefeito tem negado esse desejo e jurado lealdade ao projeto presidencial de Alckmin, mas já demonstrou possuir ambição e ousadia suficientes para tentar dar saltos mortais na política.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Já não era sem tempo, caro Kennedy, o Sr Jose Serra, e por conta da lava jato, uma boa parte do PSDB vem atravancando nossas melhores oportunidades, como no governo Dilma que nada andava fora; algumas medidas com o Serra foram eficazes, temos alguns “parceiros” do Mercosul mal acostumados, querendo moleza…Precisa se, de um bom Diplomata, como a muito tempo não temos, com “independência”, para divulgar nossa capacitação e disposição, em larga escala, principalmente neste momento, “tão interessante”, para um País, afastado da realidade internacional, que esta sem compromissos assumidos, com a nova realidade internacional; diria até, que o Brasil poderia disponibilizar um exercito de bons embaixadores, pelo mundo.

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