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Política
28-08-2017, 8h23

Temer prepara ministros para enfrentar nova denúncia de Janot

Reunião ministerial também deve tratar de metas fiscais, TLP e reformas
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O presidente Michel Temer ainda está reorganizando a base de apoio do governo no Congresso, sobretudo na Câmara, depois da votação no começo do mês que barrou a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o peemedebista. Uma reunião ministerial na tarde de hoje tem o objetivo de ajudar nesse esforço de rearticulação no Congresso.

Desde a votação que barrou a denúncia, há tensão entre os partidos do centrão, fundamentais para aquela vitória do governo, e o PSDB, que rachou naquela votação. Existe agora a expectativa de que Janot apresente nova acusação contra Temer, dessa vez com reforço da delação do doleiro Lúcio Funaro.

Temer disse em entrevista ao SBT que não tinha medo dessa delação. “Zero, zero”, afirmou. No entanto, quando feita por Janot, a nova denúncia demandará um reforço dos aliados no Congresso. O tamanho do estrago político vai depender da consistência da acusação.

O governo tem segurança de que possui os votos para barrar novamente a denúncia, mas a expectativa da acusação causa apreensão. Uma nova denúncia pode atrapalhar a agenda congressual de Temer.

Nessa agenda, o governo tem uma missão emergencial, que é votar a mudança das metas fiscais deste e do próximo ano. Houve ampliação do deficit fiscal para R$ 159 bilhões em 2017 e também em 2018.

O presidente vai pedir um esforço dos ministros para evitar surpresa negativa nessa votação e também na nova taxa de juros que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômica e Social) passará a utilizar: a TLP (Taxa de Longo Prazo) substituirá a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). Essa medida elimina o subsídio que o Tesouro dava para que a TJLP do BNDES fosse mais baixa que as taxas de financiamento de projetos de médio e longo prazo oferecidas por bancos privados.

Temer também deverá pedir que se faça um mapeamento do que seria possível aprovar na reforma da Previdência. Provavelmente, uma reforma que deverá desidratar ainda mais o relatório já aprovado na Câmara e que deverá ter foco na criação da idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres.

O governo solicitará empenho dos ministros para defender o pacote de privatizações anunciado na semana passada. Há resistências da oposição e de setores da base do governo a muitos pontos do pacote.

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Novela parlamentar

Em relação à reforma política, pode chegar ao fim a novela na Câmara. É provável que a Casa tome uma decisão nesta semana, porque, na próxima, haverá o feriado de 7 de Setembro e os políticos correm contra o tempo. Precisam aprovar a reforma até o início de outubro, um ano antes das eleições do ano que vem.

Haverá uma última tentativa de aprovar o distritão misto, mas a proposta está perdendo força paulatinamente. Esse debate está no relatório do deputado Vicente Candido, do PT.

O mais provável é que seja aprovado outro relatório, da deputada federal Shéridan, do PSDB, com algumas modificações. Nesse contexto, é possível que tenhamos o fim da coligação proporcional somente a partir de 2020. A regra valeria ainda em 2018.

Os defensores do distritão misto querem proibir a coligação proporcional já no ano que vem. Imaginam que, assim, podem ter mais apoio a esse sistema de votação. Deputados de Estados menores do Norte e Nordeste que fazem oposição aos governos estaduais têm mais dificuldade de se eleger sem coligação proporcional.

A cláusula de barreira, regra que limita o número de partidos, deverá ser aprovada, porque já foi suavizada.

A briga pelo financiamento continua indefinida. O novo fundo eleitoral perde força. Há resistência à volta do financiamento eleitoral de empresas, regra que o presidente Michel Temer defendeu na entrevista ao SBT. E há uma ideia de abandonar essas duas propostas agora e aumentar o dinheiro que já é dado ao fundo partidário.

Neste ano, o fundo partidário tem cerca de R$ 860 milhões. A ideia seria acrescentar mais um R$ 1 bilhão para o ano eleitoral. Mas isso está em debate. É polêmico, mas não pode ser descartado.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Georges C. Costaridis disse:

    Lá vem mais uma rodada de farra com o dinheiro público. Depois o especialista em economia vem com a maior cara de pau dizer que a dívida pública precisa ser reavaliada. Enquanto isso o povo vai se segurando.

  2. walter disse:

    Esta novela caro Kennedy, impede que o País caminhe; acabo duvidando das intenções do procurador da república, me parece atos de vingança; não há sentido pratico em ter esperado tanto, para denunciar pela terceira ou quarta vez, o presidente; esqueceu outros tantos, que estão na fila…este tipo de postura, vai marca lo, como um sujeito vingativo e pouco pratico; tudo indica, que vai tentar concorrer, quem sabe a governador em MG…esta perseguição demonstra, uma desatenção com o País; até então não caminha, já que o temer continua a se defender…fica a pergunta, quer mesmo o melhor para o País???

  3. O governo tem deficiência em cortes que deveriam fazer, para emergir o Pais desta turbulência, que somente vai levar a uma direção a todo custo para o população brasileira, com empresas de pequeno e médio porte, que não estão mais honrando com seus compromissos, e com efeito domino, ocasionando quebradeira total, e gerando um problema social. Quanto acontecer será tarde demais para realizar cortes que deveriam ser feitos a todo custo…..,

  4. Lauro Vieira disse:

    Essa afirmação do Janot de que a Lava Jato está chegando ao fim, acredito ser natural, porém o que não pode acabar é com a LAVANDERIA! Vamos ver o que a Dodge fará. Tomará que continue com a mesma potência do Janot e somente a de um fusquinha!

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