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Política
02-05-2017, 8h40

Temer se segura no empresariado; Serraglio está no lugar errado

Sem sustentação do capital, Dilma acelerou saída do poder em 2016
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O governo Temer sabe que ficou mais difícil aprovar as reformas trabalhista e previdenciária, mas não tem outro caminho. Se abandonar os projetos, o presidente Michel Temer perderia sustentação no empresariado e no mercado financeiro.

De acordo com o Datafolha, a gestão Temer tem índices de popularidade baixos e semelhantes ao da administração Dilma pouco antes de o impeachment ganhar força. A diferença é que Temer ainda mantém o apoio do empresariado e do mercado financeiro, algo que Dilma perdeu no começo de 2016 e que foi fatal para o desfecho do impeachment.

O Datafolha mostrou que 71% se opõem à reforma da Previdência. É provável que o governo adie a votação do relatório de Arthur Maia na comissão especial da Câmara, o que estava previsto para esta semana. Isso daria tempo para buscar os votos no plenário que ainda não possui e para fazer nova investida de comunicação a fim de tentar explicar a reforma à população.

Ao adiar a votação, o risco é permitir maior pressão por mudança, como a redução do tempo mínimo de contribuição de 25 anos para pedir aposentadoria. Esse ponto prejudica os trabalhadores mais pobres, que deverão ter dificuldade para comprovar tal período de contribuição. Assim, ficariam sem aposentadoria.

A greve de sexta e as manifestações de ontem deixaram claro para o governo que a batalha da Previdência será duríssima na Câmara e que há risco para a trabalhista no Senado.

*

Rumo ao Planalto

Há três principais destaques na pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial publicada no fim de semana.

O primeiro deles é o fenômeno Jair Bolsonaro, que chega a um patamar em torno dos 15% nos diversos cenários entoando um discurso homofóbico, racista, contrário aos direitos humanos e inconsistente do ponto de vista econômico. Mas o fato é que o deputado federal do PSC do Rio cresceu e dá voz a um segmento de extrema direita que vem aumentando no Brasil.

Esse desempenho de Bolsonaro é resultado direito da crise do PSDB, que radicalizou o discurso rumo à direita e acabou vítima da Lava Jato. As acusações contra o governador Geraldo Alckmin e os senadores José Serra e Aécio Neves tornam improvável que um dos três seja candidato a presidente pelo PSDB no ano que vem.

E tornam provável que os tucanos tenham de embarcar no projeto presidencial do prefeito João Doria, que teria de disputar votos com Bolsonaro. Doria já faz um discurso para atrair esse eleitorado. Não perde chance de criticar Lula, muitas vezes partindo para o puro xingamento.

Ao jogar flores no chão, que recebeu de ciclista que protestava contra o aumento de mortes nas marginais, e ao chamar grevistas de vagabundos, Doria faz discurso parecido com o de Bolsonaro. Isso é preocupante, porque ajuda a rebaixar o debate público e a elevar a intolerância na sociedade.

O terceiro destaque é a força do ex-presidente Lula, que lidera as intenções de voto no primeiro turno, apesar do imenso bombardeio da Lava Jato. O mau desempenho econômico e a baixa popularidade do governo Temer ajudam o petista, que é lembrado por parte do eleitorado como um presidente que fez o Brasil crescer e gerar emprego.

No entanto, o carimbo da corrupção gera rejeição de parcela do eleitorado que mostra que não seria fácil vencer no segundo turno. Logo, além do discurso econômico, Lula precisa ter respostas à Lava Jato para manter as condições de elegibilidade e de competitividade em 2018.

*

No lugar errado

No domingo, houve um ataque a índios no Maranhão que deixou mais de dez feridos. Pelo menos um deles, teve decepada parte dos membros superiores.

Esse ataque, fruto de disputa de terra, foi um massacre. É injustificável e demanda resposta firme da Polícia Federal e do governo, algo que o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, não demonstra ter capacidade para fazer diante desprezo com que trata índios e sem-terra.

Serraglio tem sido um verdadeiro desastre à frente da pasta da Justiça. Na sexta, errou ao dizer que foi pífia uma greve que teve expressão. E vive acuado no ministério por causa das suspeitas da Operação Carne Fria.

No entanto, nada é pior do que o despreparo do ministro em relação às questões indígenas e fundiárias.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. mano disse:

    prezados: chegamos no fundo do poço. se considerar a classe social brasileira com formação acadêmica universitária e cuja família tenha rendimento a partir de 10 salários mínimos ou até menos, o índice da vergonha de morar neste país deve estar próximo de 100%. Um país governado por corruptos, cheio de malandragem, elevado risco financeiro, insegurança jurídica, injusto socialmente, e com elevado risco de vida. Deve ser bom pra político e marginal!

    • Jonas disse:

      É só “ir para a rua” como faziam antes do golpe!!!
      Mas parece que a classe média que ganha 10 salários mínimos só se importa com a “corrupção do PT” ou com a “ameaça comunista do Foro de SP”.
      Agora que o governo não é mais do PT, a corrupção, a repressão e o arrocho podem rolar soltos que os antigos “revoltados” só vão ficar resmungando em silêncio em casa, já que a imprensa quer proteger o governo golpista (que defende os interesses dela mas não o do povo) e por isso não vai organizar grandes manifestações para os “revoltados” servirem de massa de manobra.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Essa história dos índios ninguém leva a sério. Eles são manipulados pela pastoral que admite em frente às câmeras que invadiram mesmo.
    Os legítimos donos da terra apenas se defenderam !

  3. Olindo de Souza Marques Neto disse:

    Quanto à reforma trabalhista, entendo que o ponto mais preocupante é a tal negociação entre patrões e empregados, visto que o trabalhador é a parte mais fraca nessa relação, e, os sindicatos não têm representatividade suficiente para fazer uma negociação justa e confiável.
    Já a reforma previdenciária, na verdade estão suprimindo a aposentadoria pública no Brasil, visto que a grande maioria morrerão antes de se aposentar e, aqueles que conseguirem se aposentarem não vão desfrutar, já que a tal aposentadoria acontecerá já na hora da morte.
    entendo que essa reforma previdenciária visa mesmo é fomentar a previdência privada, ou seja, fortalecer a previdência privada em detrimento da pública. Todavia, não deixa de ser preocupante, uma vez que a grande maioria das pessoas não têm condições de pagar uma previdência privada.

    • ALESSANDRE L NIZA disse:

      Essa análise está correta, faltou apenas dizer que a previdência que foi recolhida pelo governo, irá para quem dá sustentação ao governo Temer. Como citou o Kennedy:

      “A diferença é que Temer ainda mantém o apoio do empresariado e do mercado financeiro”

      Esse apoio tem preço, e a grana vem dos nossos bolsos.

      Que vergonha de país !

      Pior, a sociedade aceitando isso. Porque pensa que se for à rua, estará ajudando o PT e as esquerdas.
      Mas pior que ajudar o PT e as esquerdas, é não fazer nada.

  4. Wellington Alves disse:

    E mais uma vez aparece quem realmente comanda esse país – empresariado e mercado financeiro. No fim, os golpistas que foram para a rua não tiveram influência. O golpe veio dos reais patrocinadores.

  5. Giordano disse:

    O crescimento de Bolsonaro já era esperado diante da negação da política feito pelos meios de comunicação desde meados de 2006. Os partidos de oposição radicalizaram o discurso falando um monte de baboseiras, isso é fato, mas foi a imprensa que negou a política e criou falsos messias/heróis. Agora estamos em uma situação que ninguém ganha. Estou sentindo que não importa quem seja o candidato de 2018, se ele tiver um discurso de massacrar a “””esquerda””” – encarado por parte da população como o pessoal que defende direitos humanos, desarmamento e uma melhor divisão social – irá ter seus milhões de votos. O comportamento diante da agressão sofrida por um estudante no ato de sexta reforça isso. Um monte de haters falando: “tem que matar mesmo”, como se a morte de uma pessoa fosse mudar a vida mesquinha de alguém. Da mesma forma se comportam os ditos “defensores da esquerda” com direito a “se não matar essa elite não tem jeito”. Triste esta situação.

  6. walter disse:

    Caro Kennedy, o governo Temer vivi de retórica; na verdade não consegue fazer isto muito bem…o Serraglio entende muito de frigorifico, não tem cacoete para este cargo; aliás, muitos empoçados, padecem do mesmo mal, tal como, o ministro da saúde; talvez tenha mais o perfil, na “justiça”; estamos mal representados; esta preocupação com pesquisas, não agregam valores morais pelo visto…com a lava jato na cara de todos do planalto; nem PSDB e nem ninguém lá, com raríssimas exceções; precisamos das reformas, seja lá como for, o País precisa caminhar; estamos no buraco que dá medo; que pesadelo…

  7. ANDRE disse:

    Apesar da tentativa de diminuir o impacto da greve, o governo sabe que foi grande a adesão ao movimento. Em trinta anos não lembro de uma greve geral tão ampla e com tantas categorias participando. O Dória tem tido um comportamento que lembra o fascismo, ninguém deve ser chamado de vagabundo, por ter uma opinião diferente da dele. Digo a ele que trabalho a 22 anos e só apresentei até hoje, um atestado médico, tenho dois trabalhos, trabalho durante o dia e a noite, pago todos os meus impostos e divido com minha esposa os serviços domésticos, então eu e todos os trabalhadores que aderiram à greve não somos vagabundos. Exigimos respeito Sr Dória, para que possamos respeita-lo também.

  8. ALESSANDRE L NIZA disse:

    Bom, resumiu muito bem Kennedy:

    ” A diferença é que Temer ainda mantém o apoio do empresariado e do mercado financeiro”

    Então para quem governa o Temer?

    Para o povo?
    Para os trabalhadores? Assalariados?

    Sabe o que revolta? Que essas balelas contadas pelo governo para justificar as reformas e expropriação de bens do povo, seu trabalho, seus rendimentos …. são amparados por editoriais, pelo jornalismo e seus meios.

    Os jornalistas teem o dever de checar os fatos, de comprovar o que diz um governo que tunga sem piedade o bolso e até o prato do trabalhador, de seu povo.

    Não podem sair por ai repetindo o que ouviram do ministro.

    Sem aferir os dados, soam como papagaios de pirata e vendem mentiras nos jornais, revistas e agora na internet.

    Sempre que se fala de reforma da previdência, nunca ví um único cálculo demonstrando quanto recolhe uma pessoa nos 35 anos de contribuição, com juros e correção.

    Porque?

  9. Jonas disse:

    Temos um presidente golpista, corrupto e sem caráter que se sustenta pelo mercado financeiro (o grande parasita), por uma oligarquia corrupta e sem caráter que massacra índios e pede a volta da escravidão no brasil, e por políticos corruptos e sem caráter que acabam com os direitos civis e trabalhistas do povo enquanto entregam o patrimônio nacional a preço de banana.
    Tudo isso graças a uma imprensa corrupta e sem caráter (propriedade da oligarquia) que mentiu e manipulou a classe média ignorante e alienada (com fez em 1964) para promover um golpe de estado, e para isso usou a Operação-Circo Vaza-a-Jato, conduzida por juíz e judiciário corruptos e sem caráter, além de “movimentos sociais” falsos, liderados por oportunistas corruptos e sem caráter.
    E agora os alienados, que tanto gritavam antes do golpe, agora estão quietos enquanto suas próprias aposentadorias são confiscadas. E ainda vão votar no bolsonaro só para provar ao mundo que a ficha deles nunca cai.

  10. Andrea F Marini disse:

    Quem elege politico hoje não é empresario, nem vai ser mais a mídia manipuladora, mas a população que hoje através da internet vai analisar cada candidato, antes de dar seu voto. Pois todos os Municípios, Cidades, Estados, Capitais, serão lembrados através do zap, do facebook, quem vota contra trabalhador, com foto, nome, partido, mesmo que mudem de partido, suas imagens serão vinculadas a todos os males que esse governo esta promovendo ao povo, e favorecendo empresários.

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