aki

cadastre-se aqui
aki
Política
16-12-2019, 20h58

Toffoli tem razão ao dizer que Lava Jato destruiu empresas brasileiras

Lei tem falha que prejudica companhias e empregos gerados
18

Kennedy Alencar
São Paulo

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), José Antônio Dias Toffoli, tem razão ao dizer que a Lava Jato destruiu empresas brasileiras e que isso não aconteceria nos Estados Unidos. Trata-se de um fato amparado numa falha da nossa legislação e na forma como a Lava Jato lidou com as companhias, priorizando espetáculos em detrimento da saúde financeira das empresas e dos empregos que geravam.

A lei de delação premiada foi eficaz para permitir acordos de pessoas físicas que compuseram as cúpulas das empresas e que operaram os chamados mecanismos de graxa da corrupção endêmica no Brasil.

Mas há uma falha na legislação brasileira quando se trata de fechar os acordos de leniência, que são, na prática, as delações premiadas das empresas. As empresas têm de amarrar sua leniência em vários guichês: Ministério Público Federal, TCU (Tribunal de Contas da União), Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e AGU (Advocacia Geral da União).

Não adianta o procurador da República Deltan Dallagnol negar essa realidade. As empresas estão quebradas no Brasil, ao contrário do que aconteceu com companhias investigadas e punidas por corrupção nos Estados Unidos e na Europa. Por que isso aconteceu? Porque no exterior há uma legislação que protege a sobrevivência da companhia e dos empregos que ela gera.

A resposta de Dallagnol é simplista. Ele disse que foi uma “irresponsabilidade” a avaliação feita por Toffoli. E usou argumento frágil. Segundo o procurador que coordena a Lava Jato no âmbito do Ministério Público Federal, responsabilizar a investigação seria como “culpar pelo homicídio o policial porque ele descobriu o corpo da vítima, negligenciando o criminoso”.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O Ministério Público, cujos salários são pagos com o dinheiro dos contribuintes, deveria ter se preocupado menos com espetáculo e mais com a saúde financeira das empresas. Mas Dallagnol e o ex-juiz Sergio Moro empreenderam uma luta contra a corrupção como se fossem cruzados. A Vaza Jato expôs abusos e crimes cometidos ao longo da investigação.

A Lava Jato quer apenas os louros da parte boa, que foi elevar o padrão do combate à corrupção no país prendendo poderosos em larga escala pela primeira vez. Mas a Lava Jato não quer ser responsabilizada por erros que cometeu. Tampouco quer aprender com esses equívocos e desvios, porque continua a agir de forma arrogante, como fazem Dallagnol e Moro.

*

Energúmeno

A palavra “energúmeno” não se aplica ao educador Paulo Freire. O nível do ataque presidencial mostra que a expressão é mais próxima de descrever um político proeminente do que um pedagogo brasileiro muito respeitado internacionalmente.

De acordo com o “Google Scholar”, buscador direcionado a acadêmicos, a principal obra de Paulo Freire, “Pedagogia do Oprimido”, que foi escrita em 1968, é a terceira mais citada nessa ferramenta de pesquisa.

Há um reconhecimento global sobre a importância de Paulo Freire na educação. Bolsonaro faz esse ataque dentro da sua estratégica guerra cultural de disseminar mentiras e infâmias para agradar a um público de extrema-direita que crê no que o presidente fala por mais absurdo que seja.

Também é absurdo que Bolsonaro diga que a “TV Escola”, que tem papel importante na qualificação de professores e alunos, seja uma emissora que “deseduca”.

Quem “deseduca” são Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que não pretendem renovar um contrato anual de R$ 350 milhões para manter a “TV Escola” no ar. É mais uma instituição brasileira que o presidente deseja destruir para difundir a barbárie como projeto de governo.

*

Dinheiro no lixo

A inauguração de um escritório de negócios em Jerusalém é desperdício de dinheiro que se presta ao lobby do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República que não tem poder para representar o Estado brasileiro.

A Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) será a responsável financeira por esse escritório. É um dinheiro mal investido, porque o nível de comércio com Israel é bem menor do que com os países árabes, que deveriam ser a prioridade brasileira na região.

Entre janeiro e novembro deste ano, o Brasil já acumula um déficit de US$ 770 milhões de dólares na balança comercial com Israel. Exportamos US$ 347 milhões e importamos de Israel US$ 1,1 bilhão.

O Brasil continua errando na política externa, o que tem um custo real para a vida da população em termos de emprego e renda, além de minar ainda mais a imagem internacional do país. A mensagem de que o filho do presidente trata de oportunidades de negócios é péssima e vai dar problema.

*

Tiro no pé

Irresponsabilidade é a palavra que define a estratégia do governo brasileiro para bloquear um consenso na COP-25, conferência do clima da ONU, e levar a reunião ao fracasso na tentativa de criar um mercado de carbono a fim de suavizar efeitos das mudanças climáticas.

A estratégia do ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) foi considerada uma “chantagem imatura” por negociadores internacionais, segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”. O ministro usou uma tática de negociação de pedir dinheiro a outros países para o Brasil num momento em que havia uma discussão mais ampla entre as delegações internacionais.

De modo inédito, o Brasil ficou contra conclusões científicas do texto final da conferência. É lamentável que o país tenha saído de uma posição de liderança e vanguarda na preservação do meio ambiente para uma atitude negacionista, imatura e irresponsável em relação ao planeta. É mais um prego no caixão da credibilidade ambiental do Brasil dado pelo antiministro do Meio Ambiente.

*

Método Paulo Freire

É má notícia para a Educação que o presidente Bolsonaro defenda a permanência do ministro Abraham Weintraub no cargo. Claro que o governo Bolsonaro mostra que sempre pode piorar ao fazer suas substituições ministeriais, mas Weintraub é dose para leão. Trata-se um ministro da Educação que precisaria ser alfabetizado pelo método de Paulo Freire.

Ouça os comentários feitos no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
18
  1. jose maria rodrigues disse:

    uito louvavel seus comentarios a respeito dessa politica destruidora e cruel do lamentavel Presidente Bolsonaro

  2. EDU CAMPOS disse:

    BELÍSSIMO COMENTÁRIO. DIRETO AO PONTO. O BRASIL CARECE DE PESSOAS DESTE NAIPE.

  3. odewaldo massaro disse:

    Boa noite! Discordo! A Lava Jato tinha que ser como foi,está sendo, e até mais contundente do que está sendo. Se fosse mais amena não teria chegado onde chegou,mesmo assim está havendo muitos entraves por conta de de “interessados” do mais alto nível que desejam detona-la. Se fosse da maneira que prega estaríamos engatinhando e a bandidagem solta e nem julgada. A celeridade foi fundamental naquele momento. Tem muito a ser feito ainda. Vamos apoia-la. Alguma coisa vai ser prejudicada, mas muito menos menos que desacelera-la,interrompe-la ou acaba-la.
    Pense nisso caro jornalista.

  4. Rodrigo Santos disse:

    A Lava Jato destuiu empresas corruptas e com praticas erradas ou as práticas erradas e corruptas destruiram,em muito,nosso país e essas proprias empresas?
    Qualquer empresa que adote praticas corruptas para se beneficiar e enriqucer,as custas do Estado,não merece sobreviver..Seus bons funcionários,ai e outra história,temos de lamentar,mas aos poucos se recolocam.Se são decentes,honestos e capazes em sua maioria,nao mais merecem prestar seu sangue,serviço e suor a empresarios e a instituições corruptas,que se colocam acima de seu próprio país e povo,para benefício próprio.

  5. Roberto disse:

    Sim, e isso não foi por acaso. O Beato Salu do Powerpoint e o Conje de Maxaxutz recebem ordens do Pentágono. Os EUA não querem um Brasil forte que seja liderança comercial na América Latina.

  6. Elena disse:

    Vc está coberto de razão, Kennedy, no que disse sobre a Lava Jato! E o Ministro Toffoli também. Nossas empreiteiras estão quebradas, a indústria naval também e por pouco as nossas indústrias alimentícias escaparam de serem fechadas, evitando que milhares ficassem sem emprego. Os donos das empresas foram corruptos? Então que se punisse os donos das empresas, mas que se preservasse as empresas e o emprego de milhares de brasileiros. A Lava Jato foi sim irresponsável, e procurou somente proporcionar espetáculos só para agradar um público sedento de punições. Mas também tem um objetivo que a Lava Jato jamais assumirá publicamente que perseguia: Lula!

  7. Marcos disse:

    Não foi a Lava Jato que “quebrou” as empresas. É a corrupção, apoiada pelo STF, que explora o trabalhador que é obrigado a pagar mais impostos. A economia está estagnada, a população paga quase 50% dos rendimentos em impostos, e o que sobra não dá nem para a subsistência.

  8. José Antônio Nunes de Morais disse:

    Esta ideia de que a LAVA JATO destruiu empresa é um dos absurdo dos defensores da implicados na corrupção das empresa. Quem quebrou as empresas foram os empresários corruptos.

  9. Paulo Salvador disse:

    Destruição de Empresas pela FORÇA TAREFA ‘ LAVA JATO “.
    Se , existe falhas na Legislação, não acredito que o problema das Empresas, tenham sido causados pela FORÇA TAREFA denominada LAVA JATO..
    Vejo sim com muita preocupação, os inúmeros pronunciamentos de membros do STF. com o intuito de denegrir o trabalho da “LAVA JATO “, estão cutucando a ONÇA com vara curta.
    Preste bem atenção a FORÇA TAREFA – “LAVA JATO “, ´queira ou não o poder Judiciário, é uma bandeira que 2/3 da população brasileira ABRAÇOU com muita esperança, contra a corrupção que estava com profundas raízes no seio dos três poderes.
    Se, um dos poderes quer destruir essa esperança, muito me preocupa , qual seria a REAÇÃO, dessa mesma população.

  10. walter nobre disse:

    Kennedy, este País não pode ser levado a sério sem Lei e Ordem; não é possível condenar alguém em duas instância e o sujeito permanecer solto, aguardando o transitado e julgado que nunca altera penas, mas permite a prescrição; este argumento do Toffoli é totalmente sem sentido, demonstra com clareza, como a “Lei” enxerga os endinheirados “empresários”, desde que paguem um ótimo Advogado, estará livre de pena. O Toffoli deve rever seus conceitos enquanto ainda pode, a posição tomada é contra qualquer critério de justiça democrática no mundo…

  11. Paulo Argolo disse:

    Concordo que existem lacunas a serem preenchidas na legislação anti-corrupção. No entanto, discordo que a Lava-Jato tenha tido a intenção de prejudicar as empresas corruptoras, como sugere o comentário do Toffoli. Afinal, entraram no jogo sujo da corrupção por vontade própria. Em nenhum momento seus executivos se preocuparam com os projetos, com o patrimônio, muito menos com os empregos de seus funcionários. A corrupção foi institucionalizada. Vale lembrar o Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, que integrava sua estrutura organizacional. Comparar empresas brasileiras com empresas norte-americanas foi um equívoco do Toffoli. As norte-americanas precisam mostrar serviço e encarar a concorrência, enquanto as brasileiras se valem do “capitalismo do compadrio”. A JBS, a Odebrecht e o Eike Batista, por exemplo, o conhecem muito bem.

    • walter nobre disse:

      Kennedy, não tem sentido pratico a deixa do Toffoli; afirmar que a lava Jato acabou com “empresas”, não procede já que a maioria detectada pela operação, estava totalmente envolvidas com a corrupção, nada tinha sentido, obras superfaturadas, haviam bancas para pagar propinas, a todos que fizessem parte do conluio; não houve governos isentos nos últimos tempos. Lamento um ministro do Supremo tribunal dar uma declaração tão infeliz quanto esta. Ex ministros, desembargadores, acham deplorável a infelicidade do Toffoli, como líder no supremo, deve retirar tal declaração, antes que não consiga mais refazer tal absurdo, já que nada justifica.

  12. Jorge disse:

    Afinal, quais foram as empresas que a Lavajato quebrou?
    A Petrobras foi salva pela Lavajato!

    A Odebrecht não era empresa, era uma Organizacao criminosa, conforme admitiu seu líder. Quebraria de qualquer jeito, pois gerou uma dívida impagável com a Receita!

    Bem, a casa de Câmbio Youssef quebrou!

  13. Miguel Ângelo disse:

    Concordamos com você Kennedy. Se fossemos observar a Lava Jato como projeto econômico, mais proporcionou a estagnação econômica, do que favoreceu o Brasil economicamente. Não vamos nem falar, na tentativa ordinária de confisco dos recursos reavidos para um Fundo privado, do Robin as avessas do BataMorotonto. Não ganhamos nada politicamente. Ouve o nascimento de um monstro que se intitula verde amarelo, mas é entreguista, como todos seus amigos militares no comando desse desgoverno. O governo verde nas negociações internacionais, e amarelo de covardia frente ao Trump – vermelhão bicho doido – a maior vergonha norte americano a frente do País, que como o Brasil, eram levados a sério. Resumindo: Paulo Freire era um gênio. E mostrou com certeza que muitos homens armados no governo, com farda da ditadura e nenhuma vocação para um governo soberano, somados dão um monte de covardes que urram nacionalismo e aprovam no Congresso a submissão para um EUA cedendo espaço para nada de útil.

  14. Miguel Ângelo disse:

    Paulo Freire já ensinou que mil militares covardes a frente das FFAAs, mais centenas de antinacionalistas no Congresso Nacional, com meses de governo, conseguem terminar com décadas de soberania brasileira perante os EUA. Agora. num país dividido, porque o Mico vê dragões onde se tem moinhos de vento. As FFAAs, nunca terá brasileiros que se colocarão a frente para defesa desse Brasil. Paulo Freire ensinou, que não adianta Reforma Trabalhista, Previdenciária, Tributária, se os 3 poderes, principalmente o Judiciário, continuar a ganhar fortuna por cada cabeça. Onde o Congresso Nacional, coluiado com o Judiciário, elegeu toda forma anti ética de engrossar seus salários. E não vai restar daqui a pouco outra solução que não seja o povo exigir através de plebiscito, ou referendo, a redução drástica dos vencimentos dessa casta destrutiva da economia, uma aristocracia, do que tudo pode, e o povo paga. O povo brasileiro não levará 1 ano para ver quem é quem. E dará troco a todos eleitos.

  15. Marcelo de Sousa disse:

    Caro Kennedy, comento quanto à destruição de empresas. Em alguns outros países, o que ocorreu foi que empresas que são sociedades anônimas, com conselhos administrativos, podem ter sido acusadas. Não há um “dono” a quem culpar. Casos em que pessoas em altos cargos ou conselheiros se uniram para praticar ilícitos. No Brasil, a maioria das empreiteiras é familiar. Difícil separar a conduta da Odebrecht (para citar uma apenas) da conduta de seus donos. Ou seja, nestes casos os ilícitos dificilmente se separam dos donos. Simples assim. Não creio ser nem o que o Sr. Toffoli (que nos deve ainda uma prova para passar no concurso de juiz de primeira instância) e nem a descabida comparação citada pelo Sr. Dallagnol.

Deixe uma resposta para walter nobre Cancel reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2020-01-21 14:48:41