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Geral
09-03-2020, 15h22

Tropeço de Trump na crise econômica e de saúde pode favorecer Biden

Americano e colega brasileiro, Bolsonaro, são despreparados
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Kennedy Alencar
Detroit, Michigan

Despreparados, os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro enfrentam as crises mais graves de suas administrações. Há o crescimento dos casos de coronavírus nos EUA e no Brasil. Hoje, houve um tombo no mercado financeiro mundial devido à guerra entre Rússia e Árabia Saudita para vender petróleo mais barato.

Um tropeço de Trump na gestão da crise econômica e de saúde pode beneficiar Joe Biden, candidato que lidera a disputa no Partido Democrata pela indicação. Biden tende a obter uma vitória contra Bernie Sanders. Moderado, é bem-visto pelo mercado.

Trump enfrenta a sua primeira crise de verdade. Hoje, mentiu de novo no Twitter ao comparar casos do coronavírus com a gripe comum, insinuando que fake news sobre esta ameaça ajudaram a turbinar a queda dos mercados.

O americano falou bobagem econômica, dizendo que petróleo barato é bom para o consumidor. Petróleo barato é, sim, bom para os consumidores. Petróleo muito barato afeta as cadeias produtivas globais, criando um risco de recessão planetária.

O despreparo de Trump nos EUA é semelhante ao Bolsonaro no Brasil, apesar de o brasileiro ser bem pior do que o americano. O Brasil não tem governo, mas um desgoverno.

O Congresso Nacional toca uma agenda de reformas, tentando dar um rumo ao país enquanto temos um Poder Executivo que só atrapalha. Num momento em que é preciso boa relação com o Legislativo, o presidente da República e seus filhos políticos demonizam o Congresso e o STF (Supremo Tribunal Federal). A convocação para essa manifestação golpista do próximo dia 15 é feita por Bolsonaro e filhos abertamente.

Nos EUA, o despreparo de Trump é compensado por uma estrutura governamental melhor. O profissionalismo da máquina pública é maior do que o brasileiro, com exceção do sistema de saúde.

Trabalhadores pobres têm medo de ir ao hospital por causa da conta, muitas vezes, estratosférica. E trabalhadores, que não recebem por dias parados, comparecem ao serviço mesmo doentes para não perderem renda.

*

Hora de reagir

Na disputa democrata, o senador Bernie Sanders precisa ter um bom desempenho amanhã se quiser recuperar a chance de ser indicado. Em Michigan, Estado responsável por 125 delegados, Biden lidera as pesquisas com vantagem de 20 pontos sobre Sanders.

Amanhã haverá rodada em seis Estados: Michigan, Missouri (68 delegados eleitos), Mississipi (36 delegados), Idaho (20delegados), Dakota do Norte (14 delegados) e Washington (89 delegados).

Sanders precisa entregar amanhã o que não entregou na Super Terça: uma mobilização maçica de jovens para comparecer e votar.

Em Detroit, área central tem uma população majoritariamente negra (cerca de 80%). Os brancos são maioria nos subúrbios.

A grande Detroit possui 4,5 milhões de habitantes. A cidade de Detroit, que já teve quase 2 milhões de habitantes em 1950, no pós-guerra no auge da industrialização, tem hoje pouco mais de 700 mil habitantes.

A cidade vive uma grande decadência industrial. Há quarteirões e prédios inteiros abandonados. Projetos de revitalização são pontuais.

Michigan, que faz divisa com o Canadá e fica na região dos Grandes Lagos, continua a ser um Estado industrializado, ainda é o maior produtor de carros e caminhões dos EUA. Mas perdeu empregos e vive crise econômica. É uma região fascinante.

Um programa interessante em Detroit é dar um pulo no Instituto de Artes para ver os murais do pintor Diego Rivera.

Ouça o comentário feito hoje no “CBN Brasil”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, a Arábia Saudita, aumentando a produção, e baixando o preço do Petróleo não te diz nada. Esta claro que este plano estava pronto, com terceiras intenções, imagine quem de fato esta por traz de tudo isto; estão dando uma resposta dura ao Irã. A ´preocupação com o Corona vírus pelo Trump, não tem tanto ênfase como na Itália e na China. No Brasil o vírus da Dengue, atingiu 57 Mil num único mês, esta deveria ser a nossa preocupação maior com a Saúde. Vamos imaginar que o Bernie pudesse reagir, causaria mais confusão ao Joe Biden que é o favorito e não perderá esta contenda. Estamos no Brasil necessitando que as reformas caminhem, teremos maiores satisfações, de acordo com a mobilização no dia 15, será um divisor de aguas , por tudo isto precisaremos nos reinventar.

  2. Antonio disse:

    Prezado Kennedy. Assim como milhares (ou milhões) de brasileiros, acompanhamos com atenção seus artigos sobre as eleições nos Estados Unidos da América. É evidente que dependendo do resultado muita coisa pode mudar no mundo (não obstante o “establishment” militar e o Departamento de Estado ianque, que na verdade, nos parece, mandam naquele país). Os maiores prejudicados pela queda do valor do petróleo, certamente são a Venezuela e o Irã, desafetos do governo dos Estados Unidos. Sintomático, não? Quanto ao Brasil continuamos sem um plano de desenvolvimento econômico, sem investimentos que gerem empregos, desemprego agravado pela falta de empregos para mais de 3 milhões de jovens que anualmente poderiam adentrar no mercado de trabalho e que se somam aos quase doze milhões de desempregados.

  3. Antonio disse:

    Continuando, o grande mote, aqui no Brasil, é a convocação pelo presidente da república e seus militares, de manifestações de rua com ameaças ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. Pasmem, a que ponto chegamos. Apoio do presidente e seus ministros para motins de policiais encapuzados e armados que espalham pânico entre a população e ordenam fechamento de comércio. As ditas reformas se referem a destruir direitos trabalhistas e previdenciários (aí se incluem liquidar com o Cofins e Finsocial, instrumentos de financiamento da Seguridade Social, junto com a arrecadação do INSS de empregados e empregadores). Nada de investimentos. Vivemos ainda com o que restou do PAC. Assistimos ainda a delapidação do FGTS (e a construção civil?). Só se destrói, nada se constrói.

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