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Kennedy Alencar

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Geral
22-04-2020, 11h30

Trump copia Bolsonaro ao estimular protestos para reabrir economia

Brasileiro volta a atentar contra a Constituição
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Kennedy Alencar
Washington

No momento em que as mortes por covid-19 superaram mais de 40 mil nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump incentiva protestos para que governadores reabram a economia e atrapalha o combate ao coronavírus. Trump copia o comportamento irresponsável de Bolsonaro, que desrespeita as recomendações de distanciamento social do próprio governo.

Em Nova York, os números começaram a cair de forma consistente, inclusive o de mortes. Isso mostra que o distanciamento social funciona e contém o ritmo de contágio.

Mas uma reabertura prematura da economia, com Trump pressionando a favor do relaxamento das regras de distanciamento social, pode piorar a situação do país, que não é desesperadora como se imaginou, mas ainda é bastante ruim.

Na Flórida, há críticas à decisão de reabertura das praias em Jacksonville, no norte do Estado, perto da fronteira com a Georgia. Na Carolina do Sul, também existe movimento para reabertura das praias numa hora em que a temperatura sobe na primavera.

Trump está cada dia mais agressivo com a imprensa, acusando repórteres e veículos de mentir e distorcer informações sobre sua resposta à crise. Ele insiste na narrativa para tentar reescrever a história. Não aceita assumir responsabilidades pela resposta atrasada e omissa. Subestimou o coronavírus, inclusive elogiando a China que agora ataca abertamente.

É a velha estratégia de terceirizar culpas para fugir das responsabilidades, como, por exemplo, coordenar nacionalmente um esforço de testes em massa.

Mais uma vez, Trump joga tempo precioso fora. Deveria deixar a preocupação eleitoral em segundo plano e priorizar a ampliação da capacidade do país de testar em larga escala.

Os EUA continuam testando pouco diante da necessidade para ter um mapa seguro da doença a fim de reabrir a economia com menos riscos de repiques de covid-19. Atualmente, são feitos cerca de 150 mil testes por dia. Seriam necessários, no mínimo, 500 mil dizem alguns especialistas. Outros especialistas falam em quantia bem maior.

Além do fator Trump, a desigualdade social e o sistema de saúde ancorado em seguro-privado agravaram a situação nos EUA.

*

Cúmplices

O presidente Jair Bolsonaro repreendeu nesta segunda-feira um apoiador que foi à portaria do Palácio da Alvorada defender o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal). Pediu que ele não falasse aquilo ali, porque defendia STF e Congresso abertos.

No entanto, foi Bolsonaro que discursou no domingo para um grupo de manifestantes que pedia a volta do AI-5 (Ato Institucional Número 5), marco do período mais violento da ditadura militar de 1964.

Bolsonaro faz seu tradicional jogo de morde e assopra, mas atentou de novo contra a Constituição ao comparecer a uma manifestação que, em resumo, quer trocar a democracia por uma ditadura. Bolsonaro, inclusive, teve o seu momento “Luís 14”. Emulando o rei francês, a quem é atribuída a frase “O Estado sou eu”, Bolsonarou afirmou: “Eu sou, realmente, a Constituição”.

Errado. Ele não é a Constituição. A Constituição está acima dele. Bolsonaro está presidente por delegação da Constituição que sabota o tempo inteiro. Ele está incomodado com a ordem do Congresso para apresentar, no prazo de 30 dias, o resultado do seu exame de covid-19.

Se não tivesse o que esconder, já teria apresentado o exame. É altamente provável que tenha contraído covid-19 e escondido do país enquanto saía para confraternizações públicas de modo irresponsável e criminoso. Se o exame tiver dado positivo, ele terá dado o motivo que o Congresso precisa para dar início a um processo de impeachment.

Não que já não tenha cometido crimes de responsabilidade. Já cometeu inúmeros crimes comuns e de responsabilidade. Mas o Congresso tem sido extremamente paciente, aguardando o desgaste de Bolsonaro para eventualmente avançar pelo caminho do impedimento.

O problema é que o relógio corre contra o tempo. Ele tem de mostrar o exame que esconde. Se mentiu para o país e saiu para encontrar pessoas doentes, é grave.

O ministro Luís Roberto Barroso considerou “assustador” ver uma manifestação a favor da ditadura. Disse que “pessoas de bem” não desejam isso. Ora, não se sabe por onde andou o ministro do Supremo Tribunal Federal nos últimos anos.

Desde o impeachment de Dilma Rousseff, manifestações que pedem intervenção militar tiveram o estímulo ou o apoio de Bolsonaro. Ao votar pelo impeachment, Bolsonaro homenageou um torturador. “Ustra vive” é o lema da família presidencial.

Assustador é ver a covardia e a hipocrisia de autoridades públicas expostas em praça pública, como se não fossem cúmplices da derrocada do país. Barroso, colegas do Supremo, o ministro da Justiça, Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e muita gente em todo os setores da sociedade civil brasileira têm o seu lugar garantido na história da ascensão de um projeto de barbárie no Brasil.

Comentários
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  1. Diule Queiroz disse:

    O mestre copiando o discípulo. Ainda afirmo, assim como Bolsonaro, Trump não quer essa abertura descontrolada, por saber que a situação ficará muito pior, estão ‘jogando’ pra platéia deles. Eles querem, quando a situação se acalmar, falar que isso foi um erro e que os governadores quebraram a economia. Isso é cálculo político para esconder a incompetência de ambos e preparar para eleições.

    • Walter Nobre disse:

      Kennedy, ninguém de fato no mundo quer manter esta quarentena eternamente, chegou se ao apce do excesso, devem ser feitas aberturas gradativas, já que as pessoas vão pagar muito caro a readaptação que vai levar uns seis meses, não estamos computando o peso do prejuízo, já que estes valores serão imensos os custo da Saúde, além da real perda ao longo do tempo, já que os críticos não tem interesse em levar em condição a natureza humana. o Trump sempre pensou desta forma, nunca quis de fato parar o País, esta seguindo os anseios dos trabalhadores sem heranças, precisam produzir ou morrem de fome, aqui como lá. Relativo ao Bolsonaro sobre a manifestação que “participou”, em nenhum momento fez qualquer declaração contra a democracia, fez melhor ainda, no dia seguinte reforçou sua posição relativo a preservação as instituições. Tentar incriminar o presidente, como fez o PDT recentemente, tentam desqualificar com jogos baixo sem fundamento. O País precisa antes de mais nada de união agora

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