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Geral
11-02-2020, 14h10

Trump tenta minar democratas em New Hampshire

Banda de rock, "The Strokes", participa de comício de Bernie Sanders
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Kennedy Alencar
Durham, New Hampshire

O presidente Donald Trump veio ontem a New Hampshire fazer um comício para tentar enfraquecer os democratas, que vivem uma disputa fragmentada e acirrada neste começo de prévias para escolher seu candidato.

Trump tirou proveito do fracasso na contagem de votos no caucus de Iowa para vender a ideia de que os democratas não têm preparo para governar o país. Disse que o Partido Democrata quer administrar a saúde pública, mas não consegue gerir um caucus (modelo de prévia por meio de assembleia com voto aberto, possibilidade de mudar de escolha ao longo do processo em tempo real e administrado pela legenda com ajuda de voluntários).

Irônico, o presidente americano perguntou a uma plateia de 12 mil pessoas num ginásio em Manchester, maior cidade de New Hampshire, quem havia vencido o caucus democrata em Iowa? “Ninguém sabe. Jogue uma moeda para cima [para ver se dá cara ou coroa].”

Faz sentido a crítica de Trump à confusão democrata em Iowa. O aplicativo falhou, jogando grande expectativa sobre a organização do pequeno Estado de New Hampshire, onde ocorre a primeira prévia no modelo de primária (semelhante a uma votação eleitoral comum, com cédula de papel e gerida pelas autoridades públicas). Dificilmente se repetirá o que houve em Iowa, mas a expectativa de resultados rápidos existe.

*

The Strokes for Bernie

A banda “The Strokes” animou um comício do senador por Vermont Bernie Sanders, que tem empolgado jovens da base democrata. O discurso possui forte apelo para a classe trabalhadora e a classe média baixa.

O fazendeiro Glenn Preston, que foi com a mulher e o filho ao comício de Sanders, afirmou que o senador é “inspirador” e pode, sim, “derrotar Trump”. Por Sanders ser da ala esquerda dos democratas, moderados do partido dizem que ele é o candidato mais fácil a ser batido pelo atual presidente.

Líder nas pesquisas em New Hampshire, Sanders fez discurso duro em relação a Trump. Expressões que usou: “racista”, “sexista”, “homofóbico” e “mentiroso patológico”. Segundo o senador, “temos de fazer dele [Trump] presidente de um mandato só”.

Opositores de Bernie Sanders no próprio partido, como Pete Buttigieg (ex-prefeito de South Bend, Indiana), afirmam que ele não apresenta os números a respeito do custo de suas propostas para criar um modelo universal de saúde, perdoar dívidas estudantis e elevar o salário mínimo para 15 dólares por hora.

O senador afirma que vai taxar os mais ricos, criticando o sistema tributário regressivo nos EUA, parecido com o do Brasil no sentido de cobrar mais impostos proporcionalmente dos mais pobres.

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Biden mal na foto

O ex-vice-presidente Joe Biden, que foi o número 2 de Barack Obama, caiu nas pesquisas em New Hampshire e vive um mau momento. Moderado, ele perdeu terreno para Buttigieg na corrida democrata.

O próprio Biden diminuiu as expectativas de bom desempenho em New Hampshire. Espera ir melhor em Nevada, que fará caucus no dia 22, apostando num eleitorado mais diverso etnicamente, com maior peso de latinos e sindicalistas.

Biden aposta suas fichas na Carolina do Sul, que fará primárias em 29 de fevereiro. O Estado tem um significativo eleitorado negro, público no qual o ex-vice-presidente costuma ser bem acolhido.

Esse começo das prévias cria distorção eleitoral, porque os dois primeiros estados são pouco diversos etnicamente (mais de 90% de população branca) e têm pouco peso na Convenção Nacional Democrata. Até o fim de fevereiro, pouco menos de 4% dos 3.799 delegados serão eleitos em Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul.

Na Superterça, que acontecerá em 3 de março, serão escolhidos 34% dos delegados. Ou seja, nessa data será possível ter um cenário mais claro sobre os candidatos com mais chance de levar a indicação. Na Superterça, haverá votação em 14 Estados, na ilha de Samoa americana e para os eleitores que vivem no exterior.

O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg aposta na Superterça. Ele pulou os quatro primeiros Estados para se concentrar nessa rodada. Já gastou mais de 360 milhões de dólares em anúncios, muitos nos quais associa sua imagem à de Obama. Parece ter tido efeito. Uma pesquisa apontou crescimento dele. São aguardados novos levantamentos para medir a possibilidade de Bloomberg bater Buttigieg e Biden no campo moderado dos democratas.

A senadora Amy Klobuchar espera ter bom desempenho em New Hampshire para criar um fato político, mas ela e a colega Elizabeth Warren parecem, aos olhos de hoje, terem pouca chance de obter a indicação democrata num país sexista como os EUA, também parecido com o Brasil nesse sentido.

Ouça o comentário desta terça no “Jornal da CBN – 1ª Edição”, sempre feito às terças às 6h45:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, o senador Bernie, vale o comício populista com futuras gerações, não conhecedora dos efeitos mundiais na disputa de espaço no mundo dos negócios; não tem legitimidade, ou estaria eleito a muito tempo. o mesmo ocorre com o Bloomberg, tem bala na agulha, más para por aí; nem mesmo os democratas HJ, conseguem escolher um dos seus membros, como puro sangue, o Trump conseguiu esta façanha. Falta clareza nas decisões necessárias para enfrentar os próximos quatro anos, diante do crescimento prometido na America. A escolha dos delegados no inicio de Março, será um acontecimento sem euforia.

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2020-02-18 09:28:22