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Geral
10-11-2019, 21h37

Tutela militar do poder civil não pode mais fazer parte da paisagem na América Latina

Evo Morales sofre golpe de Estado clássico na Bolívia
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Kennedy Alencar
São Paulo

Tutela militar do poder civil não pode mais fazer parte da paisagem na América Latina. O que aconteceu hoje na Bolívia é um golpe de Estado. Houve retrocesso civilizatório de impacto continental, o que traz riscos para as democracias da região.

Foi horrenda e inadmissível a cena do ultimato de militares para renúncia de Evo Morales. Militar não tem que se meter em política, muito menos pedir renúncia de presidente da República. Simples assim. Isso só ocorre em repúblicas de bananas ou ditaduras.

Independentemente de críticas ao caudilhismo de Morales e da discussão sobre fraude na última eleição, houve um golpe de Estado clássico hoje na Bolívia. O ultimato dos militares a autoridades civis é deposição. Ponto.

A ONU (Organização da Nações Unidas), a OEA (Organização dos Estados Americanos) e todos os países da América Latina deveriam condenar veementemente o que aconteceu. Cabe aos civis resolverem seus problemas sem tutela militar. Essa moda não pode voltar a pegar por essas bandas. O fantasma do autoritarismo está saliente e precisa ser enfrentado.

Comentários
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  1. marina sidrim teixeira disse:

    Parabéns pela corajosa e verdadeira colocação! Por favor nunca desista do jornalismo sério que você faz!

  2. Fernando Corso disse:

    Parabenizo à vc. Kennedy pela coragem de não se calar frente á mais esta demonstração do atraso social e político da América Latina. São muitos os jornalistas oportunistas, que veem nestes fatos uma oportunidade de demonizar as esquerdas.O que esquecem é que serão os primeiros á enfrentar a repressão após um golpe desta natureza. Ditadura não convive com liberdade de opinião.Um abraço e continue sendo nossa voz em defesa da democracia no nosso sofrido Brasil.

  3. walter nobre disse:

    Como sempre Kennedy, quando um governante força a permanência no poder, provoca duvidas e especulação; não tem como o exercito não surgir, diante da constatação de provas, encontradas por analistas externos permitidos pelo próprio Evo, deve ter muitos cadáveres no armário, depois de tantos Anos, se for processado terá problemas. Lembra do Chaves quando foi preso, fez um acordo com os militares da Venezuela, perpetuando se no poder, até então; este tipo de “democracia”, não interessa a nenhum País, isto não daria certo aqui, portanto acreditamos na liberdade do País, que teve postura, antes do Caos. Eleições devem permitir dois mandatos, olha que já é demais; poderemos seguir um exemplo que dá certo, como nos EUA, ninguém volta após os Dois mandatos, não gerando vícios..

    • Wellington Alves disse:

      Tem sim como o exército não surgir. Deixe de defender esse ponto de vista. Nem na guerra civil estadunidense o exército ousou tomar o poder de presidente. O problema que aqui na América Latina se acham acima do bem e do mal.

  4. Antonio disse:

    É lamentável continuar assistir intervenções militares derrubando governos. Sede de poder, interesses de classe ($$$), autoritarismo, torturas, assassinatos, ideologias, interesses econômicos e geopolíticos internacionais, estas têm sido as características destes golpes militares. A população inteira pagando impostos para pagar polpudos salários e aposentadorias de militares de mais altas patentes, que teoricamente, todos eles, de todas as patentes, deveriam vigiar nossas fronteiras e defender o país de agressões externas. E são milhares e milhares de militares esparramados por todo o país, povoando centenas e centenas de quartéis. É um paradoxo ouvir quase que diariamente ameaças de militares a cidadãos comuns e estes mesmos cidadãos pagando seus salários. E não nos referimos aos policiais responsáveis pela segurança nos estados e municípios, estes sim que arriscam suas vidas diariamente.

  5. ANDRE disse:

    Esta deformação que a América Latina sofre de ter sua democracia constantemente importunada por militares, tem quer ser repudiada de todas as formas possíveis. Os países da América Latina precisam trabalhar para construir forças armadas profissionais, como as do EUA e Reino Unido.

  6. walter nobre disse:

    Sejamos práticos Kennedy, o EVO apostou na condição de prologar o mandato a vida toda, como qualquer ditador; aceitou a recontagem dos votos, por supervisores de fora, onde apareceu um buraco enorme. A Bolívia, pela topografia, favorece a confusão, não há critérios seguros, basta ver as cenas das eleições, todo o processo é precário; não podemos acreditar que o nosso seja perfeito, enquanto não houver votos impressos, desta forma, podemos garantir a lisura sem a possibilidade de fraude. Voltando a Bolívia, o EVO sempre foi hábil, em empurrar com a barriga, desta vez o exercito, e o Povo não aceitou tal manobra, com provas da fraude. Quem de fato acredita na inocência dele, basta aguardar levantamentos dos desvios, que o levarão para a cadeia, basta aguardar…terão que convocar Novas eleições, num processo de transição curto…

  7. Miguel Ângelo disse:

    A América Latina, e dos vários países que situam-se nesta região, o nosso Brasil. Nunca se livraram da perversa ditadura militar. Houve no início um governo de transição. Mas a renovação absoluta das pessoas que tinham voz e vez, representando um erro, revestido, ou se queiram expressão melhor, travestido de governo civil. Nunca ocorreu. E para piorar a balança. Onde tínhamos no momento da ditadura 50% dos militares contra ela. E 50% dos piores militares, metidos a administradores públicos. Nos sobrou 100% deles, por disseminação feito as das baratas, piolhos, carrapatos. Nos cargos públicos, à frente de empresas públicas. A Bolívia tinha um representante ruim. Mas sua economia crescia 4,5% do PIB anualmente. Não era economicamente uma Venezuela. Nem Brasil. Então, o golpe, pois este aconteceu sim. Atrapalha tanto o processo econômico quanto político. Não devendo ser comemorado. Nem apoiado. Bolsonaro tem que ter postura. Alfineta vizinhos. Mas fragiliza nossa soberania em Alcântara.

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