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Economia
09-09-2015, 9h08

Vaivém econômico desorienta mercado e sociedade

Todo dia surge um balão de ensaio que desorienta agentes econômicos
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

As novas propostas de aumento de impostos e corte de gastos feitas recentemente pelo governo Dilma Rousseff expõem uma administração atrapalhada e errática, que desorienta a sociedade e os agentes econômicos. Todo dia tem um balão de ensaio novo que acaba sendo furado, minando ainda mais a credibilidade do governo.

Há cerca de duas semanas, a presidente Dilma Rousseff anunciou uma reforma ministerial e administrativa. Não se sabe nada dela até agora. Não se viu um passo para negociar com os partidos quais ministérios seriam extintos e quem entra e quem sai do cargo de ministro. É óbvio que vai dar problema e que será difícil fazer tais reformas até o final do mês. Dilma sempre estica suas reformas ministeriais.

Depois, veio a ideia de recriar a CPMF, apresentada de um jeito tão atabalhoado que o governo teve de falar que desistiu, mas ainda não desistiu. Só não sabe como retomar o tema.

Na sequência, surgiram propostas de aumentar alíquotas de impostos que já existem. Ontem, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falou em aumentar a cobrança de Imposto de Renda. O PMDB e aliados reagiram contra. A declaração de um ministro da Fazenda tem muito peso. Levy não pode falar e ser bombardeado em poucas horas, porque desorienta o mercado.

Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que só havia espaço para cortar gastos obrigatórios na proposta de Orçamento Geral da União para 2016 que foi enviada ao Congresso. No pronunciamento de 7 de Setembro, divulgado nas redes sociais, a presidente foi na mesma linha de Mercadante.

Ontem, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, sugeriu que, além dos obrigatórios, gastos não obrigatórios também poderiam diminuir. Isso afetaria programas sociais, chocando-se com o discurso do governo de que preservaria essa área.

O vice-presidente Michel Temer rebateu a ideia de usar “remédios amargos”, apresentada pela presidente um dia antes e que significava a possibilidade de elevar impostos. Temer acha que é preciso cortar gastos antes. E ainda marca diferença em relação a Dilma.

Em resumo, com tamanho vaivém, os agentes econômicos ficam confusos, a sociedade não sabe o que vai acontecer, e o governo não chega a um consenso.

A situação fiscal é tão grave que é óbvio que será necessário combinar corte de gastos com aumento de tributos para tentar evitar a perda do grau de investimento, que é o selo internacional de bom pagador.

Para elevar impostos, o governo precisa antes mostrar esforço, decidindo realmente quais despesas vai cortar, e articulando internamente uma proposta de consenso com o PMDB sobre elevação de tributos.

Sem o PMDB e Temer, não passa aumento da carga tributária. Dilma erra tanto que só faz aumentar a dependência do PMDB para governar e continuar no poder. O governo precisa se reorganizar e ser menos açodado e atrapalhado.

*

Hipocrisia sindical

O deputado federal Paulinho da Força, do Solidariedade de São Paulo, virou réu no STF (Supremo Tribunal Federal), acusado dos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro. Paulinho teria desviado dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Ele nega.

A abertura de processo contra Paulinho enfraquece um dos principais defensores no Congresso do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Deixa também evidente a hipocrisia do discurso do deputado da Força Sindical contra a corrupção.

Politicamente, é uma notícia positiva para o governo, mas a presidente faz tantas trapalhadas que não consegue capitalizar politicamente o enfraquecimento de um adversário.

*

Correção

Houve erros nos comentários de ontem e de segunda: ainda não há inquérito no Supremo contra o ministro Aloizio Mercadante e o senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB de São Paulo. O ministro Celso de Mello vai analisar se aceita o pedido de abertura de inquérito feito contra ambos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. No Supremo, avalia-se que ele deve autorizar a abertura. É preciso aguardar. Mas, politicamente, a abertura de inquérito não mudaria a decisão de Dilma de manter Mercadante no governo, porque a presidente confia nele, que é o ministro mais próximo dela.

*

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
14
  1. Pasquale disse:

    Receita possível,urgente e necessária:Cortar..cortar e cortar.

    • walter disse:

      Também acho Pasquale, se vão aumentar o IR da PF, porque a demora…vão aumentar a CID; porque não aumentaram ainda…
      Vem de encontro ao que o Kennedy esta comentando; esta maneira atabalhoada de governar; depender do PMDB nesta hora, não vale a pena, fica tudo mais travado; se estes impostos dependem da dilma, estão esperando o que…não há saída…quanto as “implicações em doações de campanha para Mercadante, pelo tempo, não tem A VER…
      o mesmo ocorre com o Aloysio, NADA A VER…estão desviando o assunto para trocados…Quanto ao Paulinho da força, este sim; a situação dele assemelha-se a do Renan; bem suja….

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Essa “política econômica” desorienta o mercado e a sociedade porque não é política econômica, é apenas uma vaquinha para rachar a conta do estrago que a bebedeira produziu no grande boteco Brasil.

  3. everaldo disse:

    Não tem governo mais. É um afogado que se debate em águas turvas. Até o Levy me parece perdido e ofuscado pela Dilma porque a forma como ele lançou esse debate do aumento do IR (p/ inacreditáveis TRINTA E CINCO POR CENTO em cima de quem ganha mais de R$4 mil) foi extremamente amadorística.

    Essa perigosa fase de desgoverno demonstra que a Dilma sofre de lepra política: independente do que ela propuser, ninguém quer se associar a ela. Ontem foi surreal: ela fala em aumentar impostos, o Levy fala em aumentar imposto e o Temer diz “não, chega de remédio amargo p/ a população”. Alguém consegue imaginar o Obama dizendo uma coisa e o Biden dizendo: não, não vai ser assim? E olha que o Temer tentou ajudar a Dilma no início, mas ela é um caso perdido. É preciso referendar, em termos institucionais, o que já está evidente: o problema é Dilma e o momento é muito grave.

  4. pedro disse:

    Porquê não taxam em 60% os salários e comissões de todos os sanguessugas deste nefasto governo.Acho que acabaria o rombo e ainda sobraria algum $.

  5. Daniel disse:

    Tem que aumentar os impostos sobre grandes fortunas. Assim, conseguiremos equacionar um pouco mais a desigualdade no Brasil.

    Todos os corruptos, de todos os Partidos na Cadeia.

  6. Jorge Reis disse:

    Uma ação que este governo deveria tomar era a de acelerar os processos da lava jato, punir os corruptos e principalmente repatriar todo o dinheiro desviado para os paraisos fiscais, se apoderar daqueles que estão na mão de quem se enriqueceu ilicitamente, pessoas cujo o patrimônio não condizem com os valores declarados na receita,e se multiplicou de uma forma inacreditável, só aí já iriamos alem do buraco de 30,5 bilhões para 2016. Há se este fosse um país sério!

  7. Alberto disse:

    Um coquetel de formicida.A presidente é uma alma penada.A Torre de Babel é café pequeno frente ao Palácio do Planalto.Sindicatos,Centrais Sindicais e assemelhados servem para,primeiramente,locupletação e posteriormente para a finalidade que foram criadas.

  8. César disse:

    Para considera-la atrapalhada, ela tem que melhorar muito. Este governo é uma comédia! Mr.Bean, Inspetor Clouseau, Austin Power, coisas deste tipo. Seria engraçado, se não fosse trágico!

  9. Claro que é mentira! Dilma governa da mentira, não sabe nada de gestão, vende o almoço pra comprar a janta. Não vai cortar o cabide de emprego, se fizer isso perde o pouco apoio que lhe resta. A reforma ministerial sera apenas agrupar ministérios e não cortar nada, os custos irão se manter apenas vai agrupar seu bando. Cortar significa demitir, assim como fez o empresário para salvar sua empresa da crise instaurada pelo governo.

  10. Ricardo disse:

    Antigamente as pessoas discutiam as sujeiras da política em casa e nos botecos.
    E a sujeira só aumentou.
    Hoje as pessoas discutem as sujeiras da política em casa, nos botecos e nos comentários de colunas e blogs.
    E a sujeira só aumenta.
    De nada adianta vir aqui um monte de gente escrevendo “chega de impunidade”, “que seja devolvido o dinheiro desviado”, “fulana ou sicrano não sabem governar”, “devem ir todos para a cadeia”, “é preciso os corruptos criarem vergonha na cara”, etc…
    O que é necessário é ter gente com disposição para ir atirar a primeira pedra ou tijolo ou sapato ou smartphone ou tomate na vidraça do palácio do planalto.
    Porém, nem eu e nem ninguém está disposto a perder um minuto sequer de nosso precioso tempo de trabalho ou lazer para ir lá fazer isso. Alguém já disse:”Palavras são palavras, nada mais que palavras”
    Só quem age no Brasil são os sanguessugas.
    Nós, as pessoas de bem, ficamos por aí, falando e escrevendo . . .

  11. Vagner disse:

    Lamentavelmente o governo está mais perdido do que cego em tiroteio não fala mais
    em redução de ministérios o que com certeza seria uma economia positiva e só pensa
    em criar impostos para sugar mais o povo.
    A propósito gostaria de saber quanto o governo arrecada com a contribuição obrigatória de 11% dos aposentados só do governo Federal e para onde vai esse nosso dinheiro.
    Previdência tenho minhas duvidas

  12. Pasquale disse:

    Conseguiram perdemos o rating…parabens a todo o partido dos trabalhadores.
    Agora falta acontecer o que?

  13. Caruarufala disse:

    E aí, Kennedy, o Brasil perdeu o grau de investimento por culpa da completa incompetência e incapacidade pessoal de Dilma (já que isso tudo é uma agonia que começou no primeiro gorverno dela: Levy não tem culpa).

    É uma situação gravíssima que exige uma resposta política. Dilma está destruindo a economia do Brasil e as economias dos brasileiros, está isolada em BsB c/ o Mercadante de um lado e o Edinho de outro, sem a racionalidade que o Poder Executivo exige. Vamos todos afundar junto com ela?

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