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Política
29-01-2019, 12h09

Vale terá de repensar modelo de segurança e exploração mineral

Conjunto de fatores causou tragédia de Brumadinho
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

A Vale terá de repensar todo o modelo de segurança do trabalho e de exploração mineral predatória, com mentalidade e expedientes do século 20. Tal modelo reduz custos, maximiza lucros e menospreza vidas e o meio ambiente.

Como num desastre áereo, várias causas se somaram para produzir a tragédia de Brumadinho, cidade de Minas Gerais na qual houve a ruptura na última sexta-feira de uma barragem de rejeitos de minério-de-ferro. Há dezenas de corpos já identificados e resgatados. Existe a possibilidade de que esse número de vítimas atinja a casa de duas ou três centenas. Além da tragédia humana, o dano ambiental também é enorme.

O Brasil precisa modernizar um sistema antigo de exploração mineral. O modelo de segurança das mineradoras se revelou frágil em Mariana (2015) e agora em Brumadinho.

A legislação atual foi capturada pelo lobby das mineradoras, que tem força no governo federal, no Estado de Minas Gerais em particular e nas cidades mineradoras em geral.

Como é possível que um refeitório e um escritório fiquem num local que possa ser devastado como aconteceu com a ruptura da barragem em Brumadinho? Resposta: economia de custos e decisão gerencial equivocada, que minimiza o valor da vida.

A Vale não é uma mineradora qualquer, não é uma empresa de pequeno ou médio porte e sem pessoal qualificado para prevenir tragédias. É a segunda maior mineradora do planeta.

Naquela região de Minas, as montanhas vêm desaparecendo há décadas. Existem centenas de barragens. Em Congonhas do Campo, pessoas estão apreensivas com a possibilidade de ruptura de uma barragem que fica bem acima de três bairros residenciais.

A cidade de Belo Vale seria atingida pela ruptura da barragem de Congonhas. Rejeitos poderiam chegar ao rio Paraopeba, que passa pela cidade antes de chegar a Brumadinho.

O Brasil tem a tradição de matar os seus rios. O Paraopeba, o Tietê e o das Velhas são exemplos disso. Falta a compreensão de que os rios são vida e devem ser preservados.

Outro fator que pode ter influenciado a tragédia de Brumadinho é a mudança climática. Regimes de chuva ou de seca muito intensos estressam as atuais barragens, sobretudos essas que foram construídas com métodos arcaicos e ultrapassados, como é o caso da barragem que se rompeu em Brumadinho.

Portanto, há um conjunto de fatores que deve ser levados para que o Brasil tenha um modelo menos predatório de extração mineral. Essa tragédia serve ainda de alerta ao governo Bolsonaro, que assumiu com a intenção de afrouxar regras ambientais por entender que proteção é um empecilho aos negócios econômicos.

Tomara que o governo recue e entenda que o correto seria aumentar o nível de proteção. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tirou o pé do acelerador do seu discurso pró-flexibilização da lei ambiental, mas ainda fala em mudanças.

É preciso ver a proposta concreta do governo federal antes de baixar a guarda. Brumadinho mostrou que Mariana é hoje só uma fotografia na parede. Tomara que a recente tragédia não entre para essa galeria itabirana.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
6
  1. Wellington Alves disse:

    Acionistas não valorizam a vida. Executivos não valorizam a vida. A iniciativa privada não valoriza a vida.
    E elegemos um discurso que a fiscalização atrapalha o progresso.

  2. […] Fonte: Vale terá de repensar modelo de segurança e exploração mineral | Blog do Kennedy […]

  3. andré disse:

    Essa responsabilidade não pode ser só do governo federal, é da empresa que desvaloriza a vida em prol do lucro, é das prefeituras que se vendem e terceirizam para as empresas o serviço público, é dos agentes fiscalizadores em todos os níveis e, infelizmente, tb do povo, que permite tudo isso e, muitas vezes, se coloca em risco invadindo áreas impróprias em prol do retorno imobiliário. Tenho família mineira e, onde ando por lá, vejo que são as empresas que fornecem a pavimentação asfáltica, serviços de poda e jardinagem e outros serviços que deveriam ser feito pelas prefeituras. Todos tem culpa e, infelizmente nossa legislação é muito branda, tornando vantajosas essas práticas.

  4. walter disse:

    Muito Obrigado Kennedy, por sua atenção especial; a Vale cometeu crimes, por reincidência; a postura de seu presidente, no inicio da catástrofe, foi desastrosa; admitia o mesmo, “que o acidente, não tinha sido tão sério, como Mariana, mas que a perda de Vidas, havia sido maior”; ter um refeitório, a beira da barragem, por si só, não tem o menor sentido, começa por aí…até aqui, não foram pagas, as indenizações pela Samarco, esta pagando uma multa ínfima, em 60 vezes,no valor de 500 milhões ao Ibama, dinheiro de pinga…ninguém esta preso, nada caminha…a vale, esta flexibilizando ajuda aos desabrigados, demonstra interesse em pagar de pronto, as indenizações; trabalha sua imagem, desde então…a punição a empresa, deve ser exempla, e a quatro mãos, para que isto não possa acontecer por negligências absurdas, o que será detectado, em breve…

  5. Miguel Ângelo disse:

    Sinceramente, torcemos para que não acontece em algum momento a ruptura de uma barragem que esteja posicionada em cadeia a várias outras barragens. Já foi Mariana, agora Brumadinho. Duas empresas de ganhos bilionários. O que mais lamentamos, além das perdas humanas que é um fato que não se pode mudar, é ainda ler em jornais diretores da empresa dizerem que não tem culpa, que foi o quê? Uma ação da natureza não esperada? Se você chegar a ler esta mensagem. Peço que guarde um tempo seu e olhe os nomes na lista. Se não forem erros. Temos pai e filho desaparecidos, e uma família sem os seus provedores, seus protetores. Tem-se irmãos gêmeos ou não. Onde os dois foram embora no lamaçal. A história destes soterrados pela ausência de profissionalismo e hombridade de diretores e responsáveis, só estarão registradas nas listas dos jornais. E amanhã, não terá os amanhãs, só velas e discursos vazios de quem nada vez quando pode e nada fará após o crime executado. E a nós falar mais do quê?

  6. J K disse:

    Pelo discurso do CEO, foi dito que puseram em prática tal projeto para recuperação das barragens, mas parece que ganhou flores no seu contorno. A meu ver, a empresa já estava agindo de maneira a não parar as minas, pelo fato de ter recuperado 9 das 19 barragens de projeto similar. O país “precisa” da empresa e não podemos renunciar ao seu direito de operar em nosso chão.

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2019-11-20 18:11:00