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Política
01-10-2019, 10h12

Vaza Jato muda ares no STF; novo diapasão freia abusos da Lava Jato

Corte vai modular decisão sobre réus delatores e delatados
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) considera que é necessária uma modulação dos impactos da decisão de que réus delatores falem após réus delados nas alegações finais _última etapa de um processo antes da sentença do magistrado.

Na quinta-feira da semana passada, formou-se maioria a favor da tese contra alegações finais simultâneas de réus delatores e delatados. É uma grande derrota para o ministro da Justiça, Sergio Moro, que foi juiz da Lava Jato, e também para os procuradores da República da força-tarefa em Curitiba. A decisão do STF, mesmo com redução de impacto, impõe necessários freios e controles à Lava Jato.

Dois ministros do STF disseram ao blog que o tribunal endossou muitas medidas da Lava Jato que hoje, no entender deles, configurariam crimes e abusos de poder de Moro, do procurador da República Deltan Dallagnol e de outros integrantes do Ministério Público Federal. A Vaza Jato revelou um conjunto de eventuais crimes e abusos de poder de estrelas da Lava Jato, bem como o modus operandi ilegal de alguns de seus integrantes.

Há um novo diapasão no STF. As mensagens trocadas no Telegram, reveladas pelo “The Intercept Brasil” e outros veículos de imprensa, mostram ataques a ministros do STF. A orquestra do Supremo está sendo reafinada. A Vaza Jato mudou os ares na Corte.

Não é verdade que haja uma campanha para destruir a Lava Jato, como diz Dallagnol. É mentira apelar a esse argumento diante das informações obtidas pelo jornalista Glenn Greenwald e do livro do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

O próprio ministro do STF Gilmar Mendes, hoje um crítico da Lava Jato, vetou a ida do ex-presidente Lula para a Casa Civil no governo Dilma. Hoje se sabe, graças à Vaza Jato, que o então juiz Sergio Moro e procuradores manipularam a opinião pública, divulgando ilegalmente um diálogo ruim para Lula e escondendo outros que poderiam favorecê-lo politicamente.

O STF barrou a ida de Lula para Casa Civil. A decisão de Gilmar, tomada com base na versão que a Lava Jato ofereceu à opinião pública, mudou a História do país. Impediu a última tentativa de Dilma evitar o impeachment.

Atualmente também se tem ciência de que Dallagnol trouxe ilegalmente provas do exterior para usar contra a Odebrecht. O procurador recorreu a métodos dos criminosos que pretendia investigar, segundo reportagem do “The Intercept Brasil” e do portal UOL.

Claramente, há um efeito da Vaza Jato com impacto em ministros do Supremo Tribunal Federal atacados na opinião pública com endosso e estímulo de membros da Lava Jato.

Quando os ventos políticos favoreciam a Lava Jato e beneficiavam os métodos de Moro e Dallagnol, integrantes da operação aplaudiam a Corte. Quando o fator político prejudica as estrelas da operação, desnudando suas atitudes, Dallagnol fala em campanha contra o combate à corrupção. Ele demoniza ministros do Supremo e endeusa outros.

Aliás, Dallagnol perdeu as condições políticas de permanecer como procurador da República e chefe da força-tarefa. Ele prejudica a Lava Jato. O ministro Alexandre de Moraes está certo ao dizer que respeitar o Estado democrático de Direito não atrapalha o combate à corrupção.

Dois ministros do Supremo, em conversa com o blog, concordaram com as avaliações de não ser possível defender eventuais abusos e crimes de estrelas da Lava Jato. Houve ambição política autoritária para chegar ao poder de parte de integrantes da operação. Ocorreu manipulação da opinião pública, com interferência ilegal e indevida de parcela do Ministério Público e do Judiciário na História do Brasil.

Para esses dois ministros, especialmente Moro e Dallagnol ultrapassaram limites legais de suas atribuições, causaram dano às nossas instituições, demonizaram o STF e ajudaram a aprofundar a crise política e econômica do Brasil.

A responsabilidade por essa crise passa pelos graves erros de Dilma na política e na economia, pela atitude de Aécio Neves de rejeitar a derrota eleitoral e sabotar com Eduardo Cunha o segundo mandato da petista, por um impeachment sem provas que foi um golpe parlamentar e pelo impacto negativo que a Lava Jato provocou na opinião pública em relação à classe política. A combinação desses fatores ajuda a explicar como chegamos até aqui, alçando Bolsonaro ao poder. O documentário “Brasil em Transe” ajuda a explicar. Vejam e compartilhem, por gentileza.

Ouça esse comentário a partir dos 4 minutos e 33 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, estão chegando nos mandantes da Vaza Jato; quem são os autores de fato…jamais afrontarão a Lava jato, considerando as opiniões do judiciário como um todo; exceto o Supremo, com meio termo; a visão positiva em maioria da sociedade, sobre a operação, que desaparelhou a roubalheira sistêmica neste País…esta acusação sobre o Dr Moro e Dallagnol, nem as espionagens confirmaram, qualquer falta grave; o Gilmar e Marco Aurélio, afirmaram sem virgulas, estarem a caça do Moro, isto sim é falta grave, equivalente ao Janot e sua confissão…

  2. Paulo Argolo disse:

    Sem querer defender Moro ou Dallagnol, as ações da Vaza Jato, que poderia ser chamada também de “Operação Abafa” e suas consequências, se fundamentam num elemento básico muito simples: mexeu com ricos e poderosos de plantão. A corrupção de “alto nível”, ou seja, aquela que empobrece em todos os sentidos o Brasil, sempre esteve circunscrita aos ricos e poderosos de plantão e aqueles poderosos fora do poder, que já se fartaram e agora usufruem dos resultados da corrupção “em paz”. Finalizando: atualmente no Brasil temos muito Direito, para aqueles que podem pagar advogados caríssimos capazes de emplacar suas tese no STF, e pouquíssima Justiça, como sempre para pobres e negros.

    • Mariza disse:

      Perfeito! Conheço o sistema prisional e é assim que funciona o sistema no País. A Ampla defesa é para 300 condenados na lava jato, o resto morre no presídio.

      • Miguel disse:

        Ampla defesa seria objeto de debate se toda as ações da Lava Jato estivessem pautada pela Lei. Como não foi. O que deve ser discutido é o afastamento de todos os envolvidos em Curitiba. Para entender que a Lava Jato, Moro, Deltan, Força tarefa foram e são nocivos aos brasileiros. Deve-se ampliar as consequências: 1º) temos um presidente horrível que não estaria em Brasília se não fosse este crime eleitoral patrocinado pelo judiciário tupiniquim de Curitiba. Bolsonaro é fruto dos crimes e abusos da Lava Jato. E se tiver sabedoria, enterra toda equipe de Curitiba, transferindo seus membros separados para os cantos dos confins do Brasil. Moro, Deltan são operadores de quadrilha de poder viciados, de justiça viciada. E em Brasília tem suas ramificações criminosas. Se não estivessem a frente da antigo COAF, já teríamos conseguido demonstrar uma ligação de toda esta turma com o mercado financeiro, principalmente a Bolsa de Valores. Todos Merecem cadeia. E o judiciário uma renovação moral.

  3. rudi disse:

    Trabalhei com propaganda e sei do seu efeito sobre as pessoas. Propaganda negativa então é realmente criminosa. Começa-se demonizando um grupo, depois outro e quando se tem acólitos treinados e furiosos se aponta o alvo final. As primeiras agressões via rede foram contra nordestinos. Depois contra homosexuais. Finalmente os alvos reais: a esquerda, o PT e especialmente Lula.
    Fácil de entender pois todo ressentido quer uma Geni para jogar pedra. Agora fica a sociedade assistindo agressões despropositadas por parte de tolos manipulados por espertos.
    Atribuem esta técnica aos nazistas mas jogar o populacho contra um inimigo imaginário é prática muito mais antiga.

  4. ANDRE disse:

    Kennedy, concordo com o que disse o ex-presidente Temer de que a lava-jato deveria já ter terminado. Não podemos ter uma força tarefa onde se mistura MPF, Polícia Federal e o poder judiciário, isto distorce todas as bases que sustentam um estado de direito, torna-se uma porta aberta para sistemas totalitários e uma faísca para a substituição da razão pelo simples uso da força manipulada pelo ódio.

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2019-12-05 19:56:33