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Política
26-11-2014, 9h39

Vetar pesquisa na reta final cria eleitor de segunda classe

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Kennedy Alencar

Se a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovar hoje o projeto que proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais quinze dias antes do primeiro e do segundo turno, dará um passo para criar dois tipos de eleitor: um de primeira e outro de segunda classe.

O projeto é ruim. Trata-se de censura ao direito à informação. O eleitor de primeira classe será aquele que terá acesso às pesquisas encomendadas para consumo interno das campanhas eleitorais e dos grandes grupos econômicos.

Já existe uma prática de campanhas e de grandes empresas de contratar pesquisas e não divulgar os números apenas para ter a informação e trabalhar em segredo, de acordo com os seus interesses.

O eleitor de segunda classe ficará no escuro justamente nas duas últimas semanas _o momento quando boa parte das pessoas define o voto. As pesquisas são um elemento que traz um dado importante para a formação do voto. É direito de todos os eleitores ter essa informação.

É preciso combater os maus institutos de pesquisa e os candidatos que usam pesquisas distorcidas para tentar influenciar o eleitor. Essa fiscalização já cabe ao Ministério Público eleitoral e à Justiça Eleitoral. Poderia ser aprimorada.

Proibir a divulgação das pesquisas vai piorar o problema. Houve equívocos de institutos importantes no primeiro turno, mas foram erros pontuais que merecem crítica e uma resposta de quem realizou os levantamentos. No entanto, no geral, os institutos sérios captaram as tendências de voto tanto no primeiro como no segundo turno.

Quem fez feio na eleição foram institutos fajutos e candidatos que sabendo disso usaram dados furados. Instituto de araque e candidatos desonestos é que têm de ser punidos.

No passado, não deu certo a proibição de divulgação das pesquisas dias antes da eleição. Havia aquela malandragem de dizer que um candidato A fora visto no trigésimo andar de um edifício, enquanto o candidato B estava no vigésimo andar de outro prédio etc. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado prestará um serviço ao eleitor se enterrar essa proposta.

*

Abandono da meta de superávit em 2014

O governo precisa ganhar a batalha na votação prevista para hoje do projeto que legaliza o rombo nas contas públicas em 2014. A presidente Dilma Rousseff depende dessa medida para indicar a nova equipe econômica. Mudar a lei também evita que a presidente seja acusada de crime de responsabilidade.

Como é uma votação do Congresso, o governo precisa do apoio de senadores e deputados na mesma sessão. Ontem, estava bem amarrado o suporte dos senadores, mas havia rebeliões na base de sustentação na Câmara. Está sendo feito um trabalho com os deputados. Atingido o quórum mínimo de votação, leva quem tem maioria. Não é difícil para o governo, se houver uma boa articulação.

A aprovação desse projeto deverá ser a última maquiagem fiscal do governo Dilma. A intenção é, com a nova equipe econômica, acabar com esse tipo de truque. Por isso, aprovado o projeto, deverá ser oficializada a ida de Joaquim Levy para a Fazenda e de Nelson Barbosa para o Planejamento.

Outro ponto importante da aprovação é evitar que a oposição tenha argumento para acusar a presidente de ter cometido crime de responsabilidade. A oposição já foi ao STF (Supremo Tribunal Federal) questionar a votação do projeto. Se o Congresso legaliza o abandono da meta de controle dos gastos públicos, não há razão para falar em responsabilizar a presidente.

Pior ainda é falar em impeachment de Dilma. Todo impeachment tem um ingrediente jurídico e outro político. Não há um ingrediente nem outro. Não existe clima no país para isso. Ela foi eleita democraticamente. Qualquer conversa hoje sobre impedimento tem viés golpista e de mau perdedor eleitoral.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Daniel disse:

    Datafolha e Ibope eu respeito. E só. São os institutos que, na minha opinião, quando erram, erram por problemas técnicos e não por má-fé. E acertam muito mais do que erram. É só olhar o histórico das duas empresas.

    Os demais institutos de pesquisa deveriam sim serem proibidos de divulgar pesquisas. Principalmente aquele Sensus, que teve a cara de pau de divulgar pesquisas dando Aécio muito na frente de Dilma, num momento em que o Datafolha e Ibope sinalizavam um empate técnico.

  2. Jefferson Valim disse:

    Por isto o crime, qualquer tipo dele, compensa no Brasil. Muda-se leis (com l minusculo mesmo) para livrar do mal feito, complica-se a redação para permitir inúmeros recursos, e assim vai. No fim, só o ladrão de galinha paga pelo crime. E vemos comentaristas achar tudo normal. Aja paciência.

  3. Elias Rezende disse:

    Caro Kennedy, Mudar as regras do jogo durante o campeonato também não é golpe?
    todas as vezes que há manobras petistas para mascarar, enganar e dar o famoso jeitinho, eu não vejo o ilustre jornalista fazer criticas tão contundente a esse grupo, que tem espoliado o Brasil, creio que a transparência e o jornalismo sem partidarismo é benéfico e útil ao Estado democrático de Direito

  4. walter.nobre disse:

    Caro Kennedy, eu não aprendi nada da VIDA, com mestrado doutorado…PESQUISA NA VÉSPERA DE ELEIÇÃO, É UM INDUTOR;
    Não vamos falar dos oportunistas de plantão…
    Nestas eleições valeu tudo…não houve tanta precisão assim, aliás, ninguém, NENHUMA PESQUISA apontou a Dízima…
    Claro que a Imprensa e os meios de comunicação são contra…
    Pensam em censura, o que não é verdade…perdem dinheiro, e perdem muito, no primeiro momento.
    Se pensarmos no País, certamente os eleitores, não serão corrompidos, POR PALHAÇADA ELEITORAL; NÃO ESTAMOS FALANDO DE UMA CORRIDA DE CAVALOS; desculpa caro, mas de segunda classe, são os exploradores da boa fé popular.

  5. Saulo disse:

    Vai piorar como? Informação que deveria influenciar os votos são as que fazem as pessoas entenderem quem realmente são os candidatos e como provavelmente eles vão agir depois de eleitos. O poder desses institutos em influenciar votos é enorme ameaça a vontade popular e a democracia como um todo.

  6. EULER CORRADI SILVEIRA JUNIOR disse:

    Irresponsável a atitude de um governo, seja ele qual for, que gasta mais do que arrecada e não cumpre uma LEI EXISTENTE E EM VIGOR.

    Altera-la com o UNICO objetivo de escapar da punição é INADMISSIVEL, assim como qualquer discurso a favor da aprovação do projeto.

    O sr. disse tudo, maquiagem fiscal, portanto reconhece que o governo nao cumpriu a lei e o a intenção suja de sua alteração.

    Mudar a lei depois do delito cometido? Então não existe lei! ABSURDO.

  7. Ataíde Nascimento Marques disse:

    As pesquisas influenciam na decisão do voto de muitos eleitores? Sim. Mas e daí? O eleitor tem o direito de se basear em pesquisa pra votar. Pessoalmente, acho bobagem. Mesmo porque, em casos de cargos majoritários, as eleições se dão em 2 turnos. Mas, se o camarada quer votar no candidato que ele considera com mais chances, que o faça. Estamos ou não em uma Democracia?

  8. Klaus disse:

    Concordo com os dois pontos. E, quanto ao segundo assunto, entendo que não cumprir uma meta fiscal não é motivo para impeachment, por não se tratar de improbidade administrativa ou outro ato ilegal, isso pode ser caracterizado como incompetência, ou mesmo falta de condições reais para cumprir a meta. E o povo já decidiu em manter Dilma mesmo com essas falhas. Realmente seria golpe.

  9. Augusto Sousa disse:

    Dois assuntos distintos, porém importantes.
    Quanto à proibição de divulgação de pesquisas, parece-me que sua proibição seria uma ofensa ao direito de informação. Claro que essa informação deve ser imparcial, justa e honesta.
    Quanto à alteração da lei para beneficiar o atual governo, cheira, isso sim. a golpe. Mesmo sem clima para ” impedimento”, deve ficar claro o histórico do governo, suas contas e seus gastos acima do permitido. Devemos lutar pelo fortalecimento de nossas instituições, se almejamos uma democracia plena.

  10. Napoleão T. Iuamoto disse:

    Nem pelo fato de ela ter sido eleita democraticamente a autoriza de mudar a lei para não ser responsabilizada. O que vai acontecer com o Brasil se a cada não cumprimento de lei for mudado a lei para não poder responsabilizar? Que PAÍS É ESSE???? Se a mais alta (???) autoridade do Brasil NÃO RESPEITA A LEI, quem está OBRIGADO a RESPEITAR? É por isso que tem tanta BANDIDAGEM em TODAS as ESFERAS do PAÍS.

  11. Daniel disse:

    “Se o Congresso legaliza o abandono da meta de controle dos gastos públicos, não há razão para falar em responsabilizar a presidente”

    “Se o Congresso legaliza o trafico de drogas e o assassinato, não há razão para falar em responsabilizar os lideres criminosos”

    Qual a diferença entre os dois pensamentos?

  12. Willian disse:

    Não entendo a argumentação que foi exposta. Quer dizer que é golpe afastar uma governante que deliberadamente torrou o dinheiro da nação fazendo uso dos recursos para turbinar sua eleição? Triste mesmo é ver esse mantra esquerdista repetido a exaustão, de que o pecado não é original do PT, geralmente atribuindo a culpa ao governo passado, que está longe do comando a 12 anos, ou aquela falácia de que é preciso perdoar os erros do governo para que ele não volte a errar mais.

    Gostaria de saber se essas pessoas seriam tão condescendentes com um estuprador ou um sequestrador, afinal é bem provável que antes de um psicopata se manifestar na sociedade outro já o tenha feito, logo pela lógica esquerdista ele merece perdão.

  13. Anafilófio disse:

    Nem seria necessário comentar, você já descreveu (e concorda) com a imoralidade toda. Suas palavras:

    “… projeto que legaliza o rombo nas contas públicas em 2014…”

    “…Mudar a lei também evita que a presidente seja acusada de crime de responsabilidade…”

    “…Está sendo feito um trabalho com os deputados. Atingido o quórum mínimo de votação, leva quem tem maioria. Não é difícil para o governo, se houver uma boa articulação…”

    “…A aprovação desse projeto deverá ser a última maquiagem fiscal do governo Dilma. A intenção é, com a nova equipe econômica, acabar com esse tipo de truque…”

    Ótimo, vamos acabar com os assassinatos no Brasil, vamos zerar os assassinatos! Basta retirar este crime do código penal. Não sei porque ainda não fizeram isso… Enfim, é o PT sendo o PT, destruindo qualquer coisa que impeça a roubalheira, qualquer lei que ponha ordem na casa, e não é de hoje que são assim.

    Estão no poder, foram eleitos, pronto, e sobre golpe e impeachment, é tão ridículo mas sou obrigado a escrever. Esse boato só aparece nos blogs da situação, não há nenhum mau perdedor falando disso, crime de responsabilidade por não cumprir a meta fiscal é outra coisa, e não leva diretamente ao impeachment, que é um processo político, para quem não sabe.

  14. O senhor acredita que não há componente jurídico e nem político??
    Componente jurídico: LDO quer dizer LEI de diretrizes orçamentárias, LEI!!! Entendeu? Melhor repetir: LEI! Então, uma presidente que governa sem obedecer a lei, não comete um crime? O que ela está fazendo é um crime pior que o crime de não cumprir a meta: mudando a lei, ela mostra-se uma governante autoritária e que deve conduzir o Brasil ao bolivarianismo!
    Componente político: ver o povo pedindo até para ter novo golpe militar não é sinal suficiente para mostrar que há uma grande parte da população que não quer mais este governo corrupto? E sua afirmação de que foi “democraticamente eleita” é digna de um grande chapa branca: eleição que não permite a qualquer eleitor, de qualquer grau de instrução, que seja permitida a conferência INEQUÍVOCA do computo dos votos, JAMAIS SERÁ DEMOCRÁTICA!

  15. Flavio Camargo disse:

    Kennedy, mil desculpas, mas ainda não acredito na sua incoerência. Primeiro defende a alteração da lei, depois admite que é maquiagem fiscal? Perdeu minha (pouca) admiração.

  16. E D lopes Jr disse:

    KKKKK

    “A aprovação desse projeto deverá ser a última maquiagem fiscal do governo Dilma.”

    É igual ao cara gordo que flagrado comendo muito promote começar regime na próxima segunda feira…

    Certamente perderemos grau de investimento.

    Acabar com a lei de responsabilidade fiscal é uma boa pedida para prefeitos e governadores irresponsáveis de todo o brasil.

    Viva o PT

  17. Garcia disse:

    Meu caro kennedy, por muito menos de tudo o que foi feito tanto pelo Lula como pelan Dilma, o Collor, foi cassado e tem mais quem encabeçou a opinião pública na época , foi o PT e conluio com o Presidente da UNE, hoje senador pelo PT.Portanto, se as leis da epoca valeram para o
    Collor, porque hoje elas nãovalem mais para o PT.

  18. Manoel disse:

    “Dura lex, sed lex”. Ser eleito não significa deixar de ser limitado pela Constituição ou pelas leis. A Dilma está presidente, mas não é “deus”, também deve ser submetida às limitações legais. Caso contrário, não se trata de uma democracia, mas sim de uma ditadura.
    Aliás, a ausência de poder soberano do líder, com limitações prévias, é um traço marcante da própria “res publica”.
    Eu sou o Brasil, eu sou parte do povo brasileiro e eu reprovo a corrupção e o trato do meu patrimônio (res publica) como coisa particular! Se eu tenho que obedecer à lei, todos também devem observá-la.
    Para mim, essa tentativa “politiqueira” de mudar as regras do jogo no final da partida só mostra o real caráter daqueles que a perpetram. Não posso manchar o termo “política” por meio da confusão com a defesa de interesses pessoais na estrutura do poder em detrimento da lei e do interesse público.

  19. Eduardo disse:

    Respeito a opinião, mas discordo completamente, acho um absurdo: “Mudar a lei também evita que a presidente seja acusada de crime de responsabilidade”.Quer dizer que deve-se mudar a lei para não punir o criminoso? É justamente isso que caracteriza a impunidade, tão enraizada na cultura brasileira. Além disso, não tem que haver clima no país para haver impeachment, existe uma lei que regulamenta isso. Se ficar provado que a presidente tenha transgredido a lei, que cumpra sua pena. Reivindicar o que está previsto em lei não é golpismo!

  20. João Paulo disse:

    Não consigo entender a análise deste kennedy Alencar, o governo trabalhar para rasgar a constituição é válido, a oposição buscar reposabilizar está incopetente pelo não cumrpimento da lei é golpe…

  21. João disse:

    Direito à informação? Qual informação? A de como votarão os outros eleitores? Que eu saiba, o voto é secreto, logo ninguém tem direito a saber, antes das eleições, como votarão os outros. Ninguém tem direito a esse tipo de informação, que só atrapalha e influencia o voto das pessoas. Os deputados e senadores deveriam ir além e proibir totalmente a divulgação de pesquisas eleitorais, em qualquer período, não só nos últimos 15 dias. As pessoas precisam aprender a votar baseadas nas propostas, no histórico do candidato e não em quem tem mais chance de ganhar de fulano ou em quem está na frente. Você tem alguma dúvida de que se as pesquisas apontassem Eduardo Jorge ou Luciana Genro entre os primeiros colocados as pessoas iriam tender a escolher um deles? Faça um favor para o Brasil e pare de defender essa asneira de direito à informação. REPITO: NINGUÉM TEM DIREITO A SABER COMO VOTARÃO OS OUTROS PORQUE O VOTO É SECRETO.

  22. vagner disse:

    Kennedy , muito infeliz seu comentário ! Pro PT tudo pode ?

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