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Política
19-11-2019, 20h56

Weintraub é a perfeita tradução do governo Bolsonaro

Ignorância, despreparo e método se somam para destruir instituições
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, já deu prova do despreparo e incapacidade para a função que ocupa. É mal-educado no trato pessoal, fala português de modo pobre para um titular da pasta da Educação e virou um valentão de rede social disposto a ofender quem o critica, sendo particularmente agressivo com mulheres.

A misoginia é uma marca do governo Bolsonaro. Weintraub está no batalhão de frente do ódio às mulheres.

Ao comentar os exames do Enem, ele se comportou de forma autoritária e infantil ao falar com repórteres. Exibiu sua imensa ignorância histórica ao falar da Proclamação da República no feriado de 15 de Novembro.

Num governo normal, já teria sido demitido do ministério. Mas Weintraub é a perfeita tradução da gestão Bolsonaro. Quem paga o pato é o Brasil, que passa por um retrocesso muito grande.

Infelizmente, não há possibilidade de arrefecimento das forças do atraso. Bolsonaro e cia. dobram a aposta. É uma estratégia. É uma mistura da ignorância com a agressividade, mas tem método, tem estratégia: destruir as instituições brasileiras.

Nos Estados Unidos, num jantar em 17 de março na embaixada brasileira em Washington, Bolsonaro evocou Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump. O presidente brasileiro disse que, antes de construir, era preciso destruir. Ele está empenhado nisso.

Estamos vendo a política ambiental colocar a Amazônia sob risco. Ocorre retrocesso na política educacional do Weintraub. Acontece também na política de segurança pública do ministro Sergio Moro.

Estamos vivendo tempos muito tristes. É preciso reagir. Como jornalistas, não podemos dourar a pílula e fechar os olhos para o que está acontecendo.

A milícia digital está muito agitada nos últimos dias, especialmente em relação aos comentários legítimos de ontem e hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”. Aceitar críticas é natural, mas não desrespeito e intimidação. A milícia digital está sentindo que os resultados positivos não vêm, o que explica o desespero.

O desmatamento recorde em uma década mostrou que Bolsonaro errou ao desacreditar Ricardo Galvão, ex-presidente do Inpe. O presidente disse que os dados estavam errados. Os dados saíram e confirmaram o que Galvão dissera.

É grave o que está acontecendo. A imprensa tem um papel a cumprir. Os jornalistas têm um papel a cumprir. O equilíbrio e a imparcialidade demandam a capacidade de apontar que algo está errado sem igualar diferentes.

A suposta isenção total beneficia, muitas vezes, aqueles que estão cometendo crimes de responsabilidade. Nivelar desiguais não é boa prática de imprensa. Os jornalistas têm a obrigação, sobretudo quem tem a honra de ser comentarista, de expor argumentos sem medo de crítica. Milícia digital não intimida.

Ouça este comentário a partir dos 9 minutos e 5 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. SOLANGE ALVES DE MORAES disse:

    Kennedy, concordo com o seu comentário.Infelizmente estamos assistindo um educador muito mal educado em uma pasta que realmente é uma vergonha.

    • walter nobre disse:

      Kennedy e Solange, condenar o ministro da educação não fará verão, podemos não concordarem com seus métodos de forma integral, ao meu ver assertivos; podemos admitir terem excessos aqui e ali, mas foi provocado pela oposição e neste caso qualquer outro ministro de qualquer partido reagiria; sob o seu comando já ajustou eliminou muitas arestas na educação, não tem seis meses no cargo, vem fazendo um vestibular sem grandes solavancos, devemos permitir que cumpra o ciclo para ser julgado.

  2. NSK disse:

    Caro Keneddy,

    Todos os “sinistros” desse (des)governo são perfeitas traduções do Bozonaro. O da educação destrói a educação, do meio ambiente acaba com o meio ambiente, da agricultura que libera geral os agrotóxicos, da economia que sufoca a economia, o da justiça que distorce e manipula fatos, e assim vai.

  3. Paulo Argolo disse:

    Esse ministro da educação é movido pelo ódio, pelo rancor e pelo revanchismo. Além disso, é despreparado para exercer o cargo. Vale lembrar que sua carreira acadêmica é mediocre, sequer atingiu um doutorado. Concordo que haja método nessa escalada de ações da “milícia digital”. Discordar das decisões do STF é uma coisa, ofende-lo é outra. Quanto ao Moro, foi picado pela “mosca azul”, infelizmente. Deveria ter ficado quieto exercendo a magistratura.

  4. MARCELOS DE CARVALHO CALDEIRA disse:

    Prezado Kennedy,
    Admiro muito sua coragem, inteligência e compromisso com a democracia. Porém, permita discordar em um ponto. É verdade que muitos jornalistas, por medo de represálias ou mesmo por falta de espaço, não sejam críticos em relação ao retrocesso civilizatório que estamos testemunhando. Por outro lado, muitos outros, por diferentes motivos, procuram naturalizar o comportamento do presidente e seus ministros por entenderem que esse grupo é um mal menor em relação ao PT ou a qualquer outro partido do campo progressista.
    A situação atual me faz lembrar a política de apaziguamento efetuada pela Liga das Nações e pelos governos da Inglaterra e da França diante das agressões militares realizadas pelos governos fascistas da Itália e da Alemanha na década de 1930. Naquele tempo, o fascismo e o nazismo eram vistos como um mal menor diate do socialismo. Imaginavam que, em caso de guerra, ela ocorreria entre eles e a URSS. Todos nós sabemos no que deu…

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