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Geral
12-03-2020, 10h37

Xenófobo, Trump apela para “vírus estrangeiro” e quebra cooperação internacional

Parece estratégia para falta de testes de coronavírus nos EUA
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Kennedy Alencar
Washington

Num pronunciamento com pitadas de xenofobia, o presidente Donald Trump adotou ontem a estratégia de cada país por si na luta contra o coronavírus. Falou em “vírus estrangeiro” e suspendeu viagens da União Europeia para os EUA por um mês, quebrando uma cooperação internacional mais necessária do que nunca para enfrentar o covid-19.

Na fala desta quarta, Trump culpou os estrangeiros e terceirizou responsabilidades. Essas atitudes parecem ter o objetivo de comprar tempo enquanto os testes não podem ser feitos em larga escala nos EUA, o que tem deixado as pessoas inseguras. Há relatos de cidadãos com sintomas do covid-19 que não obtiveram atendimento médico. Tampouco conseguiram fazer o teste.

É ruim essa estratégia de cada país por si. A China, por exemplo, ajudou a Itália com medicamentos quando a situação se agravou lá. Isso contrasta com a decisão de Trump de fechar a fronteira aérea com a União Europeia sem consultar aliados tradicionais.

O ingrediente de xenofobia é preocupante, porque o coronavírus acaba sendo uma oportunidade para líderes autoritários e despreparados atiçarem o nacionalismo. Este não é o momento de ser nacionalista, porque o vírus não tem passaporte nem nacionalidade.

A necessidade de uma cooperação global é urgente e fundamental, mas o país mais importante do mundo está tomando medidas de fechamento. Isso afetou bastante as bolsas americanas, que sofriam baixa de 5 pontos percentuais na manhã desta quinta.

O pronunciamento de Trump na noite desta quarta não foi claro, mas considerado confuso por analistas financeiros e boa parte da imprensa. A Casa Branca teve de dar explicações para explicar posições do governo, como a possibilidade de mercadorias continuarem a circular entre EUA e Europa. Cidadãos americanos na Europa poderão voltar ao país, mas passarão por triagem e terão de fazer quarentena por duas semanas. A exceção para o Reino Unido tem sido questionada.

Apesar da confusão, ontem foi o dia em que os Estados Unidos acordaram mesmo para a ameaça do coronavírus. A NBA, que é a liga de basquete nacional, suspendeu a temporada. Mais de um milhão de estudantes não foram às escolas hoje. Universidades e escolas públicas e privadas têm suspendido suas atividades. Pessoas estocam alimentos e remédios.

Eventos públicos estão sendo cancelados, como comícios políticos e congressos empresariais e médicos. Shows e festivais estão sendo adiados ou cancelados. Os dois candidatos do Partido Democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders, já haviam suspendido atos de campanha desde anteontem. A campanha de Trump anunciou ontem que ele também não fará mais comícios eleitorais.

Há toda uma recomendação médica para que as pessoas mantenham a chamada distância social, evitando cumprimentos com apertos de mão e beijos na face. Está em curso uma mudança rápida nos EUA em termos de comportamento social.

*

Testar é o nó

A Casa Branca diz que cientistas aconselharam Trump a fechar a fronteira aérea com a Europa porque o centro do vírus estaria lá. Especialistas que dão entrevistas na imprensa americana dizem que essa medida terá pouca influência agora, porque o coronavírus já circula pelos EUA.

Essa resposta de Trump parece uma tentativa de ganhar tempo enquanto o governo americano não consegue entregar kits de teste em larga escala. São mais de 1.200 casos de covid-19 confirmados no país _os números vêm crescendo de forma exponencial semana após semana.

Há temores de que, na hora em que os testes foram feitos massivamente, possa ser constatado que o centro do vírus estaria nos EUA tanto quanto na Europa ou na China. Afinal, o coronavírus está espalhado pelo planeta. Há uma pandemia global. Daí a importância da cooperação entre os países, com lideres preparados para enfrentar tamanho desafio.

Ouça o comentário feito no “Jornal da CBN – 1ª Edição”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Por isso é o presidente dos EUA Kennedy; concordo que a medida é extrema; estavam acusando o Trump de não fazer nada, certamente os comentários serão inflamados nos próximos dias, o Povo Americano enxerga tudo isto como necessário, diante das previsões cada vez mais catastróficas, detectada pelo Mundo. Enfim caro, só o tempo dirá, esta “protegendo” seu País, já que ninguém de fato estava preparado para se precaver como deve. O caso da Itália é alarmante, provando por tabela que a Europa esta exposta. No Brasil o circo esta armado com previsões ruins, por todos os ângulos. Estamos todos no mesmo balaio, com pouca margem, já que tempos outras epidemias a controlar aqui.

  2. Miguel Ângelo disse:

    Kennedy, viveremos 4 anos no meio de insanidades bolsonaristas. Trump mostra sua cara diante um caso de saúde pública. Saída do bilionário como governante: fechemos as portas ao mundo e que ele se exploda. Internamente, graças ao covid-19, temos clara visão do “pavão” que Trump é. Gosta de aparecer, gosta de mostrar arrogância, com base simples administrativa (o sujeito não é um gênio). Está e sempre esteve galopando no legado do melhor presidente americano “Obama”. E se o vírus chegar aos EUA (e vai chegar – ou nasceu ali para o mundo), sua população pobre, envelhecida vai morrer sem assistência médica pública. Pois, lá isso existe capengando. Nunca pensaram e se estruturam para gastar do dinheiro público para o povão. E na economia. Trump deu um grande passo para iniciar o declínio da economia americana após 11 anos de crescimento. Deu atestado de incompetência a mostrar ao mundo que ele só é útil guado o servem. E o mundo precisa mostrar que pode viver sem consumir produtos do EUA.

  3. Miguel Ângelo disse:

    Qual seria a teoria para dizer que o mundo deixará de comprar produtos americanos. Simples! Os chineses estão no topo dos casos, os italianos – que representam a Europa também. Logo, esses iniciaram medidas preventivas na produção de insumos e produtos acabados. A Europa tenderá comprar e vender dentro de seu espaço já que começaram antes a desenvolver um sistema contra a propagação do vírus. A China também. A Russia, a Índia devem seguir passos próximos. Os EUA, com um bilionário usando a máquina pública para parecer o Super Homem, enquanto suas ações são do “Chaves” na saúde mundial. Tende a entrar tarde no processo de proteção contra o vírus. Que será mais duradouro entre as classes pobres desassistidas pela saúde pública. E terá repique, pois, bilionário só vê pobre interessante quanto soldado raso. A economia americana será prejudicada. Bolsonaro gênio da tolice defende nossa economia contra a BRICS a favor de uma País que atingiu o máximo de sua economia e tende a cair.

  4. Miguel Ângelo disse:

    O Brasil deveria ganhar com a crise mundial e o coronavírus. Mas esse presidente eleito por empresários, militares que apoiam a invasão americana no Brasil – sem ter condição e hombridade para tirá-los se preciso for e muito brasileiro que não lê, que não vê o país melhor para todos, vai piorar nossas perspectivas econômicas. Em muito breve o Brasil perderá muitas das indústrias. A renda dos trabalhadores e empregos diminuirão. E só falta o afastamento do Brasil do Mercosul, da BRICS, e a perda do trono de pais que observa o melhor para a América Latina. Nos colocará no colonialismo e quintal dos impérios. O melhor caminho hoje é o impeachment de Bolsonaro, e após investigação das aberrações que ele anda assinando em contratos em inglês, a prisão e julgamento pelas FFAAs do país. Brasil só vence a crise sem Bolsonaro. E os EUA só não perde mercado mundial, se tirarem Trump.

  5. Wagner de Oliveira Lima disse:

    A Europa acaba de fechar as fronteiras. É xenofobia também?

  6. wilson disse:

    Pobre (talvez não financeiramente) da Melania Trump, que compartilha sua vida pessoal com um xenófobo!

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2020-04-02 19:06:11